terça-feira, 2 de junho de 2020

Ladeira



Se fosse um quadro ver-se-ia o amontoado de barracos empilhados sem uma saída visível. A medida que Galinho subia, a paisagem ia entregando novos pontos: uma curva fechada à direita revelava uma rua estreita, íngreme, onde roupas coloridas ao vento se confundiam com as cercas das casas.

Pessoas em um constante sobe e desce paravam à busca de  água na bica comunitária.

Galinho conhecia cada pedaço do estreito caminho que se fizera seu quintal onde cresceu como as outras crianças. Seguia para o ponto mais alto  onde costumava passar a maior parte do dia: o mirante.

Observar a entrada da ladeira se confundia com observar a filha da viúva do pescador. Ultimamente vivia na garupa de um motoqueiro que subia  acelerando deixando um  rastro de fumaça escura. Nem os bêbados do “Nosso bar”, antigo estabelecimento instalado na rua de acesso a entrada da ladeira eram tão ruidosos.

 Um dos seus pontos de observatório era no alto do barranco, em frente a casa da viúva.

A ideia lhe surgira como a clara luz de sua cidade naquele dia ensolarado: limpar o "pára-bosta", uma antena parabólica cheia de fraldas sujas, uma forma de se aproximar da casa da filha da viúva.

- Olha, os moleques jogaram umas tralhas lá em ciam, está cheio. Onde já se viu, uma parabólica daquela novinha. Posso ir lá limpar? Perguntou Galinho a viúva.

Não queria parecer oferecido. Ninguém da ladeira oferecia serviço sem ser chamado.

Já conhecia a resposta mas haveria de estar prevenido.

- Que isso, isso é trabalho nenhum não. E a carreira nos moleque do caminho é por minha conta. A senhora sabe que botar os meninos para correr só eu e o sr. Zeca quando volta do bar.

A viúva saiu apressada. A hora de levar os netos na escola já ia muito.

Galinho do alto do barranco,  observava pelo vidro quebrado da janela o exato momento que a filha da viúva passara no corredor. Acabara de levantar.

Com um salto, ganhara o quintal. As folhas secas, como um tapete marrom, grudadas ao limo escorregadio do quintal quase o levaram ao chão. Segurara firme em um alçapão fixado na parede, o mesmo que pegara uma cobra por acaso em outro dia.

Galinho entrou arfando na casa e ela já o observava, encostada na pia da cozinha.

- Vou lá em cima limpar as tralhas que os meninos jogaram. Mal pronunciou, surpreso com a proximidade dela.

- Mãe tá aí não. Se tu subiu, encontrou ela descendo neste instante, respondeu a filha da viúva, dando as costas.

- Ela que contratou o serviço, respondeu inquieto Galinho.

- Mãe não tem dinheiro nem para a fralda do menino que dirá para pagar você para fazer não sei o que lá me cima.

- Não é serviço não, trabalho nenhum. Até gosto de tá nos altos das coisas. E vejo que a parabólica está cheia de fralda descartável suja que as crianças pegam do lixo e jogam.

Galinho apressou em consertar o rumo da conversa.

-  Você quem sabe, o trabalho vai ser teu, respondeu a filha da viúva dando as costas.

Rápido, Galinho galgou a pia, pegando uma faca grande disponível entre tantas louças, pratos, copos sujos espalhados.

Manteve distância dela o suficiente para que as manobras de jogar a faca e recolher no ar pudessem ser feitas. Repetia o movimento contorcendo o pulso e pegando-a no ar.

Poucos não conheciam suas habilidades com  as facas que ele cuidava com esmero: único bem deixado pelo pai e como ele as manuseava até ter total domínio sobre as mesmas se exibindo sempre que podia na bica de pegar água no início da ladeira onde as crianças o circundavam a se enterter como a assistir uma apresentação de circo.

A filha da viúva parecia pouco se importar. Foi surpreendia entretanto com um abraço pelas costas e ao tentar se desvencilhar a faca cortou-lhe as entranhas.

Galinho pulou a janela e se perdeu no rumo do morro enquanto a filha da viúva se arrastara caindo na porta do barraco ainda ouvindo o choro do filho no berço que acabara de acordar.

Galinho no pé do morro ainda pode avistar a mais linda árvore que já vira. Uma nuvem passara calmamente  naquele ponto elevado, exato da seca árvore, descansando como copa branca. 

Deixou tudo para trás ao descer o morro com a certeza de que não mais veria a árvore nem a causa de seus sofrimentos.


Autoria: Lígia Guedes Joaquim

segunda-feira, 1 de junho de 2020

O espelho



Praia Campista - Macaé - RJ - Brasil

O brilho do sol refletido no espelho no peitoral da varanda atraiu a atenção de Lino. Era um espelho de cabo com uma rachadura na madeira. O vidro, perfeito.

Criou o hábito de sentar-se  no peitoral da varanda quando o sol ia alto,  olhando a luz solar refletida no espelho. Nos dias nublados passou a mirar-se por períodos mais longos.

Assim passavam os dias de Lino, ora olhando o movimento das pessoas que subiam e desciam a ladeira, ora admirando sua imagem refletida.

Certa vez perguntou a uma mulher que subia a ladeira apressada:

- Consegue ver o meu reflexo no espelho? Não sou eu, é a minha alma. Consegue ver a minha alma? Meu espelho é mágico.

A mulher apenas sorriu e seguiu.

Já não brincava mais de refletir o sol no espelho. Subia e descia a ladeira em um vai e vem sem fim perguntando a quem passasse:

- Consegue ver a minha imagem refletida? O meu espelho é mágico.

Da ladeira, passou a caminhar nas ruas da cidade que o levaram à brisa do mar onde andava em ritmo acelerado na areia de grão grosso, ora mirando o espelho, ora entretido com  as ondas.

Certo dia o mar estava de um azul infinito. Com o braço levantado, impedindo que a água molhasse o espelho, adentrou, aceitando o convite da espuma branca que alcançava seus pés.

O mar tornou-se acinzentado. O corpo gélido, continuava a observar a costa. A praia tornou-se vazia. Somente o vento e o bater das ondas quebrando as pedras ao longe eram os ruídos possíveis.

O espelho refletia somente as águas turvas do fundo do oceano.

O oceano junto as espumas brancas despejou na areia grossa o espelho e o seu guia.

Atordoado, com os olhos salgados e embaçados, tentava mirar-se no espelho perguntando: 

- mar, consegue ver a minha alma? 


Autoria: Lígia Guedes Joaquim



domingo, 31 de maio de 2020

Djamila Ribeiro - Quem tem medo do feminismo negro?



Djalma Ribeiro -
Quem tem medo do feminismo negro?


O livro de Djamila Ribeiro, Quem tem medo do feminismo negro? inicia com sua autobiografia.

Destaca a infância e juventude, a convivência com sua avó Billie Holiday, a quem a convivência a faria distante de seu sentimento de inadequação, medo e dor nas relações sociais, sejam escolares ou onde residia. Convivência que lhe traria sentido de vida, pois sua infância e juventude foi marcada pelo impedimento da fala e uma existência plena em diversos espaços.

A mentira entra em sua história de vida ainda na juventude, para suportar a dor da exclusão a que era exposta.

Mesmo cursando jornalismo, a vaga que lhe coube em uma empresa foi a de faxineira, a qual agarrou a oportunidade oferecida pois precisava manter as mensalidades da faculdade.

Após a morte da mãe e pai doente, se permitiu sair do ciclo de exclusão e se demitir da empresa que não a promovia porque "o chefe gosta muito do seu café, em time que se está ganhando não se mexe".


Djamila Ribeiro
 - Quem tem medo do feminismo negro?

Somente quando trabalhou na Casa de Cultura da Mulher Negra redescobriu sua força.

Trabalhando na biblioteca conviveu com autores como bell hooks, Carolina Maria de Jesus, Lima Barreto, Sueli Carneiro, Alice Walker, Toni Morrison.

Aprendeu a falar por outras vozes, a se enxergar por outras perspectivas.

Notou que as especificidades das mulheres negras não eram consideradas, descobriu pelo olhar de autores outros a invisibilidade da mulher negra como sujeito do feminismo.

Com Chimamanda Ngozi Adichie, escritora Nigeriana alertou sobre os perigos da história única e importância de se pensar estratégias para garantir essa multiplicidade de histórias.

Assim de autores como bell hooks, teórica e ativista estadunidense, a visão de compartilhamento de mulheres negras e brancas contra o sexismo foi uma perspectiva ganha.

Entre dar aulas em cursinhos comunitários e trabalhar como voluntária em ações sociais e trabalhar na biblioteca os textos escritos para a revista da ONG se ampliam em reflexões, identificando a máscara do silêncio que a oprime e se fortalecendo para falar pelos orifícios da mesma máscara que necessita ser estilhaçada.

Saber da dúvida de sua origem histórica queimada (Nigéria ou Guiné-Bissau) nos documentos relacionados à escravidão a fortaleceu a contar sua história.

Pelos olhos de Toni Morrison escritor, redescobriu o direito ao acesso ao amor que lhe fora negado.


"O amor nunca é melhor do que o amante. 
Quem é mau, ama com maldade, 
o violento ama com violência,
o fraco ama com fraqueza,
gente estúpida ama com estupidez 
e o amor de um homem livre nunca é seguro".
(o olho mais azul - Toni Morrison).


Segue redescobrindo sua força nos textos de Alice Walter, autora de A cor púrpura e De amor e desespero: História de mulheres negras.

Ler Patricia Hill Collins a fez perceber a estratégia de ver a força da falta como mola propulsora de construção de pontes.

Segue pesquisando autores como a historiadora negra Beatriz Nascimento, Suelli Carneiro, fundadora do Geledés, Instituto da Mulher Negra e autora de "Enegrecer o feminismo. A situação da mulher negra na América Latina", que afirma que ao falar de mulheres, deve-se utilizar a pergunta de que mulheres estamos falando. Mulheres não são como um bloco único - elas possuem pontos de partida diferentes. Fala da importância de dar nome e trazer à visibilidade para se restituir a humanidade.

Conclui que busca pelo alargamento do conceito de humanidade, pois vê essa luta como essencial e urgente, pois enquanto se veem em risco, a humanidade toda corre risco.

O livro segue com a seleção de artigos  publicados no blog da CartaCapital entre 2014 a 2017:

"O verdadeiro humor dá um soco no fígado de quem oprime".
Quando opiniões também matam.
Seja racista e ganhe fama e empatia.
Falar em racismo reverso é como acreditar em unicórnios.
As diversas ondas do feminismo acadêmico.
Mulher negra não é fantasia de carnaval.
Quem tem medo do feminismo negro?
A vingança do Goleiro Barbosa.
Uma mulher negra no poder incomoda muita gente.
Repúdio ao blackface.
Zero hora, vamos falar de racismo?
A hipocrisia em xeque.
O racismo dos outros.
Ser contra as cotas raciais é concordar com a perpetuação do racismo.
Cansado de ouvir sobre machismo e racismo?
Respeitem Serena Williams.
Homens brancos podem protagonizar a luta feminista e antirracista?
Quem se responsabiliza pelo abandono da mãe?
Para as meninas quilombolas a hashtag não chega.
Simone de Beauvoir e a imbecilidade sem limite dos outros.
"E se sua mãe tivesse te abortado?"
Nem mulatas do Gois nem dentro de Grazi Massafera.
Vidas negras importam ou a comoção é seletiva?
Xuxa e a fetichização da pobreza.
"O racismo é uma problemática branca", diz Grada Kilomba.
"Bela, recatada e do lar": Que coisa mais 1792.
O que a miscigenação tem a ver com a cultura do estupro?
Eduardo Paes e a desumanização da mulher negra.
Feminismo negro para um novo marco civilizatório.
O mito da mulher moderna.
Racismo: Manual para os sem-noção.
O que é o empoderamento feminino?
Estrangeira no próprio país.
A  Mulata Globeleza: Um manifesto.


Djamila Ribeiro nasceu em Santos, em 1980. Mestre em filosofia politica pela Unifesp e colunista das revistas Elle e CartaCapital on-line, foi secretária-adjunta de Direitos Humanos e Cidadania da cidade de São Paulo. Coordena a coleção Feminismos Plurais, da editora Letramento, pela qual lançou o livro O que é lugar de fala? (2017).

terça-feira, 28 de abril de 2020

Festival Varilux de Cinema Francês em casa



Festival Varilux de Cinema Francês em casa

O Festival Varilux de cinema Francês em casa está disponibilizando, a seleção de 50 grandes filmes que estiveram nos últimos festivais de cinema Francês VARILUX.

Um iniciativa solidária, patrocinada pela Embaixada da França no Brasil e ESSILOR/VARILUX e pela Bonfilm para amenizar os dias de quarentena.

São filmes de comédias, dramas, fantásticos, históricos e infantis que estarão disponíveis até o dia 25 de agosto do ano de 2020.

Excelente iniciativa!




quinta-feira, 26 de março de 2020

Jane Austen - Amor e Amizade

Jane Austen - Amor e Amizade
Livro de Bolso - L&PM Pocket

AMOR E AMIZADE
Enganada na amizade e traída no amor

CARTA PRIMEIRA
De Isabel para Laura

Com que frequência, em resposta às minhas repetidas súplicas para que você transmitisse à minha filha um detalhamento regular das desgraças e aventuras de sua vida, você disse: "Não, minha amiga, jamais atenderei seu pedido até que eu possa já não correr perigo de experimentar outras assim terríveis".
   Esse momento está chegando agora, por certo. Você completa 55 anos no dia de hoje. Se alguma vez é possível, dizer, de uma mulher, que ela está a salvo da determinada perseverança de desagradáveis amantes e das cruéis perseguições de obstinados pais, por certo deve ser em tal momento de vida.
                                                             Isabel


CARTA SEGUNDA
Laura para Isabel

Embora eu não possa concordar com você na suposição de que nunca mais me verei exposta a desgraças tão imerecidas como aquelas que já experimentei, mesmo assim, para evitar a imputação de teimosia ou má índole, vou satisfazer a curiosidade de sua filha; e tomara que a fortitude com a qual sofri as inúmeras aflições de minha vida pregressa lhe provem ser uma lição proveitosa para o apoio daqueles que porventura lhe sucedam em sua própria vida.
Laura

sábado, 31 de agosto de 2019

Laurita de Souza Santos Moreira

Macaé - RJ
Imagem: Lígia Guedes

IGREJINHA DE SANTANA

Bem do alto da colina
confortavelmente está
igrejinha tão singela
outra igual assim não há.
Igrejinha de Santana,
cheia de graça...
Suas graças a derramar
Igrejinha mãe-criança,
a Macaé embalar e ensinar a caminhar.
Olha a cidade crescer, o rio serpentear,
acompanhando as mudanças
que o progresso faz chegar,
misturando a maresia cheiro garapa-café...

sábado, 24 de agosto de 2019

Mudinho - Manoel Ribeiro da Costa




Mulher Rezando -Mudinho - Manoel Ribeiro da Costa

Mudinho - Manoel Ribeiro da Costa
1906, Búzios/RJ

Lavrador e pescador, Mudinho - Manoel Ribeiro da Costa, o Mudinho da Praia Rasa - sobreviveu com o irmão Alfredo à morte de 11 irmãos. Por amizade e dificuldade de audição e de fala, Mudinho morou com o irmão, a cunhada e os sobrinhos por longo tempo, vivendo de lavoura de subsistência e pesca. A vida de ambos melhorou quando a habilidade de trabalhar a madeira se tornou patente ao começarem a construir embarcações com toras de madeira. A destreza dos irmãos na carpintaria tornou-se conhecida e atraiu um dia a visita do artista José d´Ávila, que veio procurá-los em busca de esculturas. Mudinho resolveu fazê-las e esculpiu o primeiro trabalho em uma tora de jaqueira. A sua voa aceitação fez com que a escultura passasse a ser a primeira fonte de renda da família, que, no entanto, não abandonou de vez as atividades de pesca e plantio. Animais, fruteiras, gamelas e principalmente, figuras hieráticas de orantes, talhadas no vinhático, no jequitibá ou na copaíba, com síntese formal próxima à dos ex-votos nordestinos, constituem o repertório dos irmãos Ribeiro da Costa. As figuras, sentadas ou em pé, de homens e mulheres, mostram um tratamento sensível na representação de braços, pernas e pés. As cabeças, volumosas, harmonizam-se, no entanto, com a concepção geral da figura, mostrando algumas vezes vazados entre o cabelo e o rosto. O trabalho de Mudinho e Alfredo, valorizado pelos meios intelectuais carioca e fluminense, integra inúmeras coleções particulares, bem como o acervo do Museu do Ingá, da Fundação de Museus do Estado do Rio de Janeiro.

quarta-feira, 6 de março de 2019

Um "Ser" Mulher - Do Útero à Luta - Exposição Fotográfica.

Um "Ser" Mulher - Do Útero à Luta -
Exposição Fotográfica


Em Macaé (RJ), no período de 12 a 29.03.2019, no Museu Solar dos Mellos, localizado no centro de Macaé, a exposição "Um 'Ser' Mulher - do Útero à Luta".


Artistas:

Lis Guedes Fraga
23 anos, macaense, reside em Curitiba - PR onde é graduanda em Artes Visuais e professora. Fotógrafa há 4 anos, tendo percorrido diversos caminhos da sua linguagem fotográfica, encontra hoje na fotografia de rua uma forma de exercer seu papel político e social enquanto mulher feminista.



sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Jorge de Lima


Jorge Mateus de Lima


Estou molhado dos limos primitivos
e ao mesmo tempo ressôo as trombetas finais


Nasce no dia 23 de abril, em União dos Palmares, AL
Morre em 15 de novembro no Rio de Janeiro - RJ




Jorge de Lima nasceu no dia de São Jorge, e teve como madrinha Santa Maria Madalena, a padroeira de sua terra natal. Aos sete anos, já escrevia poesia. Adolescente, foi estudar no Colégio Diocesano, em Maceió, onde criou um jornalzinho, O Corifeu. Ali, publicou os primeiros versos e um romance escrito nos tempos de menino. Um dia, porém, em pleno recreio, um grupo de alunos rasgou toda a edição. Para se vingar dos colegas, Jorge de Lima passou a publicar nos melhores jornais da cidade. Foi assim que, de passagem por Maceió, Osório Duque Estrada leu o poema O acendedor de lampiões. Os elogios do autor da letra do Hino Nacional valeram a Jorge de Lima - então com 17 anos de idade - o título de "Príncipe dos Poetas das Alagoas".

Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Jorge de Lima regressou a Maceió em 1915, para montar seu consultório médico. Atendia de graça aos mais humildes, visitando diariamente os doentes na periferia, um hábito que manteve a vida inteira. Este trabalho tornou-o tão popular na cidade, que ele foi eleito deputado estadual. Casou-se, em 1925, com D. Ádila, com quem teve um casal de filhos, e voltou definitivamente ao Rio de Janeiro em 1930. O escritório que instalou na Cinelândia tornou-se ponto de encontro de escritores, como José Lins do Rego e Murilo Mendes. No final dos anos 40, foi eleito para a Câmara dos Vereadores da cidade, onde chegou a presidente.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Gentileza, Profeta - José Datrino


Texto poético-gráfico em pilastra do Viaduto do Gasômetro, RJ
A graphic poem by Gentileza on a pillar of the Gasometer Viaduct, RJ

Gentileza, Profeta  Prophet Gentleness
[José Datrino]
1917, Cafelândia/SP
1996, Mirandópolis/SP

Nome que atribuiu José Datrino, nascido em Mirandópolis, São Paulo,  e que ficou conhecido como o profeta dos viadutos da cidade do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

O estigma de uma geração (por Gilberto Mendonça Teles)

Gilberto Mendonça Teles
Vinte anos depois da Semana da Arte Moderna, a poesia brasileira já havia conquistado o seu estatuto de modernidade.
Foi o tempo necessário para que o "espírito moderno" deixasse o litoral (Rio e São Paulo) e se expandisse pelo interior, ganhando as capitais dos estudos e indo aos poucos penetrando na mentalidade dos leitores, dos professores e estudiosos de poesia. Vinte anos depois, portanto, muita coisa já havia mudado na pregação modernista. Não era mais necessária a poesia-tese, como na Paulicea Desvairada. A ideologia programática dos manifestos ainda não se havia esgotado na prática poética. Certas técnicas de retórica e linguagem, desprezadas e combatidas inicialmente, porque repetidas e quase exauridas pelo modelo parnasiano, começam a ser reexaminadas e passam a adquirir novas funções diante do alargamento das concepções poéticas do século XX. Mas, infelizmente, a preguiça mental de professores e críticos já havia também assimilado os "modelos" postos em voga de que o Modernismo havia abolido a métrica, acabado com a rima, com o soneto, e mudado totalmente a construção dos poemas. A verdade (e isto está patente na obra  dos poetas da época) é que nem a métrica desapareceu, nem a rima, nem o soneto, mas tudo isso recebia tratamento novo de que os "estudiosos" não se deram conta, porque não examinavam diretamente as obras.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Arte Pública


  • Tamboretes de festa de largo. Stools used in open-air festivals - Salvador, Bahia - 1998
  • TAMBORETES de Festas de Largo da Bahia. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: . Acesso em: 02 de Fev. 2019. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

No fluir do processo que vai concentrando, no século XX, 70% da população brasileira nas cidades grandes, várias manifestações de arte pública ocorrem com frequência crescente em âmbito urbano. Transculturam-se conhecimentos e experiências de coletividades rurais e novas informações e vivências urbanas, com uma riqueza e variedades imensa e também grande celeridade no seu aparecimento e desaparecimento.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Noah Gordon - O Físico


Noah Gordon - O físico

O fisico / Noah Gordon: tradução de Aulyde Soares Rodrigues. - Rio de Janeiro: Rocco, 1988. 


Maravilhosa narrativa!

O físico, de Noah Gordon, relata a trajetória de vida miserável do jovem Rob J., na Inglaterra do século XI, partindo para a Pérsia, determinado na causa humanitária da arte do conhecimento científico, da Medicina, onde surgiram suas primeiras descobertas.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Eli Heil - Eli Malvina Heil

Eli Malvina Heil


Eli Heil, revelada na década de 60 pelo crítico João Evangelista de Andrade Filho, ultrapassou, em 1966, os limites da Ilha de Santa Catarina ao expor individualmente no Museu da Arte Contemporânea da USP, apresentada por Walter Zanini

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Lêdo Ivo

Ignoro o quinhão que me coube na partilha
de tantos bens dispersos entre a luz raiante
e a névoa que mascara a borra dos naufrágios.



Lêdo Ivo

Nasce no dia 18 de fevereiro, em Maceió - AL, faleceu em 23 de dezembro de 2012.

Mesmo tendo nascido numa família sem tradição literária, desde a infância Lêdo Ivo manifestou o desejo de ser escritor. Quando se mudou com a família para o Recife, aos 16 anos de idade, passou a colaborar com a imprensa local e participou de um grupo literário do qual fazia parte o escritor e crítico literário Willy Lewin.

sábado, 22 de setembro de 2018

Afonso Felix de Sousa



Afonso Félix de Souza

Palavras e palavras, esta a herança
que tive e vou deixando.

1925
Nasce no dia 5 de julho, em Jaraguá - GO.

Desde a idade escolar, os versos despertaram em Afonso Felix de Sousa uma espécie de fascínio, especialmente pelos românticos e parnasiano. Logo, começou a escrever sonetos, acrósticos e quadras metrificadas. Na adolescência, descobriu os simbolistas e, logo a seguir, os modernistas. Mudou-se com a família ara Goiânia, em 1943, e passou a publicar seus versos nos jornais locais, como O Popular, Folha de Goiás e Oeste. No final da década, começou a trabalhar no Banco do Brasil e participou da fundação da Associação Brasileira de Escritores de Goiás. Foi transferido para o Rio de Janeiro, onde vive até hoje. Em 1959, Afonso Felix de Sousa se casou com a diplomata e também poetisa Astrid Cabral, com quem tem cinco filho.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Bené da Flauta de Bambú - Benedito Pereira da Silva


Bené da Flauta de Bambu -
Foto: Dimas Guedes

Iniciou a produção de flautas de bambu e outros instrumentos de sopro de sua invenção aos 17 anos.
Vivia com a irmã, analfabeta e pobre, em uma casa de pedra, no morro da Quimada. Tocava saxofone e vendia flautas na praça Tiradentes em Ouro Preto, sua cidade natal. Guilherme Mansur, em Bené Blake (1999), primoroso livrinho que editou com fotos do artista por Dimas Guedes e versos de William Blake, descreveu-o como "um dionisíaco homme sauvage" que andava pelas ruas da cidade nos anos 60/70 e morreu no final daquela última década. Bené usava roupas espelhadas e coloridas, e se dizia possuído por Deus. Realizou muitas esculturas em pedra e madeira com vigor e poder de síntese. Consta do Dicionário de Artes Plásticas no Brasil, de Roberto Pontual (1969).

c.1922, Ouro Preto/MG - c.1978

sábado, 15 de setembro de 2018

Francisco de Oliveira Carvalho



Francisco de Oliveira Carvalho

O rio de meus avós já não passa pela aldeia dos meninos.


De sua terra natal, Francisco Carvalho recorda as tardes poeirentas do verão, os doidos de rua, as procissões das sextas-feiras santas, os sinos da matriz dobrando pelos mortos de malária, transportados em redes para o cemitério. Em vários de seus poemas existem vestígios desta época, para sempre impresso na sua alma.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Agnaldo Manuel dos Santos

Agnaldo Manuel dos Santos -
Pequeno Dicionário da Arte do Povo Brasileiro - Século XX -Lélia Coelho Frota


Descendente de índios e negros, trabalhou desde os dez anos de idade. Depois de diversas ocupações, incllusive a de mineiro em uma caieira, empregou-se, em 1947, como vigia no estúdio do escultor, gravador e desenhista Mário Cravo Júnior, em Salvador. incentivado por esse artista, Agnaldo começou a esculpir em 1953. Viajou com Franco Terranova pelo rio São Francisco, resultando daí a recuperação de inúmeras antigas carrancas que haviam navegado na proa de embarcações. Conheceu, então, o principal autor de carrancas no século XX, o mestre Francisco Biquiba Dy Lafuente Guarany, de quem declarou ter aprendido novas maneiras de olhar para o processo criativo. Suas esculturas em madeira participaram de importantes mostras coletivas e individuais, como a Bienal de São Paulo em 1957. Quatro anos após sua morte recebeu o prêmio internacional de escultura no I Festival Mundial de Arte e Cultura Negra, em Dakar, Senegal, em 1966, com Rei. Sua obra foi estudada por Clarival do Prado Valladares, que viu nela "a expressão eterna da sua ancestralidade cultural". Voltado para a representação de sobrenaturais afro e também de imaginário transculturado com o do catolicismo, o trabalho de Agnaldo, ao emergir com absoluta autenticidade da sua experiência histórica individual e do seu conhecimento das grandes artes africanas, se encontra entre as mais originais realizações da escultura brasileira do século XX. Seu trabalho consta do acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e integra importantes coleções privadas de arte.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata



A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata


Ler o livro e conferir o filme é a ordem natural e desejável.  Uma obra literária quando transposta para outra arte nem sempre segue fiel ao texto original.

A curiosidade para se obter essa obra o mais breve possível fez com que o filme fosse assistido anteriormente a leitura do livro, faltando a percepção do mesmo para o caro leitor.

Quanto ao filme, surpreendente! 

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Cassiano Ricardo Leite


Cassiano Ricardo

Não fui quem sou, quando nasci.
Nem sei quem sou, quando amo.



1895
Nasce no dia 26 de julho, em São José dos Campos - SP

1974
Morre em 14 de janeiro, no Rio de Janeiro - RJ



sexta-feira, 13 de julho de 2018

C. S. Lewis - As crônicas de Nárnia


C. S. Lewis - As crônicas de Nárnia 

As crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis é um livro para se ler a noite,  não somente para se criar o hábito de leitura, mas essencialmente um livro que levará os jovens a outro patamar literário.

domingo, 8 de julho de 2018

Rewbenio Frota - O jogador que desejava perder



Rewbenio Frota -
Que Peça eu quero ser?


Amigos dispensam apresentações, Rewbenio Frota, atua na indústria como Engenheiro e tem na escrita e no xadrez a grande paixão de vida.

Tanto que tem um endereço online: Lances Quase Inocentes

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Gabriel Garcia Márquez - Amor nos tempos do cólera

Amor nos tempos do cólera -
Gabriel Garcia Márquez

Um romance real com uma poesia densa e crua como só Gabriel Garcia Márquez é capaz de contar: Amor nos tempos do cólera (...). De maneira excepcional, Gabo (apelido carinhoso do autor) usa o realismo fantástico para falar sobre as relações humanas e o amor. Este colombiano que estaria com 91 anos se estivesse vivo (1927-2014) foi escritor, jornalista, roteirista, editor, ativista e político (sempre de esquerda). Tornou-se conhecido aos 40 anos, conquistou prêmios de grande relevância ao longo de sua vida, entre eles o Nobel de literatura de 1982 pelo conjunto de sua obra. Com mais de 50 milhões de livros vendidos em 36 idiomas, Gabo é mais que um grande autor, é um dos fundadores da literatura latino-americana, um ícone literário do século 20.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Mário Quintana

Mário Quintana
Jamais compreendereis a terrível simplicidade das minhas palavras porque elas não são palavras: são rios, pássaros, naves...



terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Renata Pallottini

Renata Pallottini
Renata Pallottini começou a publicar seus poemas na revista da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, na qual ingressou aos 17 anos. Fez também o curso de Filosofia, formando-se em 1951. Um ano depois, lançou seu primeiro livro, Acalanto. Desde muito cedo, a poesia foi, para Renata Pallottini, sua "maneira peculiar de colocar-se no mundo, de interpretá-lo, de comunicar-se com ele".

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Anderson Braga Horta

Anderson Braga Horta

"Pequeno verme num pomar de estrelas,
deu-me o pai infinitas vidas
para em todas ardê-las."

Anderson Braga Horta começou a conviver com a poesia ainda na infância, pois seus pais eram poetas. Entretanto, só desenvolveu o gosto pela literatura depois que se mudou para a casa dos aós, em Manhumirim, cidade próxima de Laginha, onde ficara sua família. O entusiasmo pela poesia foi despertado pelo "estonteante mergulho na poesia de Castro Alves, especialmente no Navio Negreiro". Posteriormente, a leitura das obras de Olavo Bilac, Cruz e Souza, Alphonsus de Guimaraens e Augusto dos Anjos ampliou seu horizonte literário. Outros integrantes de sua "salada de versos": Camões, Guerra Junqueiro, Pessoa e Drummond.

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