domingo, 1 de agosto de 2010

Drauzio Varella - A Teoria das Janelas Quebradas



A Teoria das Janelas Quebradas, livro desenvolvido pelo médico Drauzio Varella, autor do livro "Estação Carandiru", tem um tema que me atrai, por ser presente cada vez mais em nossas vidas comuns neste contemporâneo século. Conheci o Dr. Drauzio em uma palestra. Cativante. Arrisquei uma pergunta, excessão em minha rotina. A do colega foi mais angustiante, sobre ambiente confinado e a "garantia" que se pode ter. Engraçado o comandante de um navio desejar "garantia" de sua integridade física. Não seria o contrário? Voltando ao ambiente seguro, da palestra, tive a oportunidade de trocar poucas palavras com o Dr. Drauzio e comprovado o jeito meigo, profundo, brincalhão, sabedoria que se ganha com o tempo.

Falar em violência passa antes pela casa da educação. Que cidadão tem sido formado? Aqueles que conseguem atingir um nível de aprendizagem eficaz, técnica, por vezes, (veja bem, digo aprendizagem, não sinônimo de conhecimento) estão em um patamar diferenciado da fatia do bolo social que por ter uma base excluída do processo de leitura não estarão nos bancos federais de ensino. A universidade federal é atingida por aqueles que conseguem pagar cursos preparatórios onde muitas vezes a família acaba por se sacrificar para ver as futuras gerações longe da servidão do trabalho. Galgar o ensino federal sem um pré-vestibular é excessão mas possível somente para aqueles que tem determinação, meta e visão ampla de onde se quer chegar, abrindo mão das alegrias fartas da juventude para colher na maturidade, estabilidade financeira embora muitas vezes dissociada de tranquilidade social. Uma minoria o consegue, pois que a maioria não atinge nível elementar de leitura, isto quando ocorre na prática a alfabetização tendo que conviver em um mundo cada vez mais conectado onde aprendizagem se estabelece por atrativos programas cada vez mais potentes.


Imagem: IFF (Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense) - Macaé - RJ - Brasil

Vejo que o assunto passa longe dos literalmente excluídos moradores de rua. E a violência, onde passa? Não passa, está presente, indissociável do humano. A globalização gera distorções sociais cada vez mais significativas e a violência tem sido uma destas discrepâncias mais visível.

Seleção de crônicas publicadas na Folha de S. Paulo ao longo de dez anos, este volume traz a voz ponderada, a graça narrativa e a sabedoria sem artifícios de Drauzio Varella. O cardápio é variado, incluindo desde histórias engraçadas de adultério, reflexões sobre o crime, temas atuais de ciência e medicina, até questões sociais, sempre abordadas pelo autor com seu olhar atento para os dramas humanos. Por exemplo:

As pequenas [tragédias], no entanto, graças à repetição diária sob nosso olhar complacente, acabam por anestesiar a compaixão pelo outro e tornam banal a convivência com o sofrimento alheio.

A gravidez fortuita, fruto da falta de acesso aos métodos de contracepção [...], colabora decisivamente para o aumento da criminalidade.


Sumário:
Um chope gelado
Conversa de botequim
O sobrevivente
As leis do Crime
Luizão, o bem-amado
Na catraca do metrô
Noite inesquecível
O homem que virou santo
O negociador
Paulo Preto
Seu Araújo
Solidão bandida
Homens que são mulheres
Vida de ladrão
Um vulto de mulher
A moça do avião
Uma rua em Hanói
A sabedoria do velho Tibúrcio
Viagem ao passado
Seu Nicola
O taxista
Coração amargurado
Sete Dedos, Meneghetti, Promessinha
Acontecimentos Inesquecíveis
Os sabiás de São Paulo
Salva de palmas
De pernas para o ar
Armadilhas cibernéticas :) , entre outras.

São crônicas deliciosas, discretamente educativas que nos aproximam nas possíveis 'vinganças' que arquitetamos para não sermos escravos da tecnologia, ou da rotina que quer nos englobar comendo vorazmente nosso tempo e paciência. Ensina com dose de humor camuflado, a rirmos de nós mesmos. Melhor que isto, impossível.

Varella, Drauzio - A Teoria das janelas quebradas : crônicas / Drauzio Varella. - São Paulo : Companhia das Letras, 2010.
www.companhiadasletras.com.br

3 comentários:

  1. Acho que viajei, mas seria o Doutor Drazio Valera?

    Fique com Deus, senhorita Ligia.
    Um abraço.

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  2. Esse livro é excelente! uma das melhores crônicas para mim é a do Sete dedos, Meneghetti e Promessinha.

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