sábado, 3 de dezembro de 2011

Jo Van Gogh-Bonger - Biografia de Vicent van Gogh - por sua cunhada

Jo Van Gogh-Bonger -
Biografia de Vicent van Gogh -
por sua cunhada
"Seria realmente um livro notável se fosse possível ver em quantas coisas ele (Vicent) pensou,
e como ele sempre permaneceu fiel a si mesmo."
(Carta de Théo à sua mãe, 8 de setembro de 1890)

Jo Van Gogh-Bonger - Biografia de Vicent van Gogh - por sua cunhada - Seguido de Cartas de Théo a Vicent e de Cartas a Émile Bernard

Johanna van Gogh-Bonger expõe um retrato íntimo de Vicent van Gogh, reconhecido após a sua morte como um dos mais importantes pintores de todos os tempos, e que teve uma vida sombria, perpassada por crises de loucura e depressão, saga registrada na preciosa biografia escrita por sua cunhada, mulher de Théo, as cartas ao pintor e a correspondência de Vicent com o pintor Émile Bernard prefaciadas pelo filho Vincent Willen van Gogh (morto em 1974).

Compreender o contexto histórico cultural que Johanna vivenciou até a conclusão deste brilhante trabalho só se colocando como protagonista desta história em seu tempo histórico para saber a dimensão da façanha conseguida pela autora tão audaz:

15 de novembro de 1891.
Para dar (ao nenê) ar fresco e saudável, eu fui morar em Bussum - a fim de ganhar dinheiro para manter a nós dois, eu estou recebendo pensionistas -; agora devo tomar cuidado para não me deixar degradar ao nível de uma criada doméstica, com todas esta preocupações e tarefas que tenho de executar em casa; ao contrário, devo manter vivo meu espírito. Théo me ensinou muitas coisas a respeito da arte; não, é melhor que eu diga logo - ele me ensinou muitas coisas sobre a própria vida.
Além de cuidar da criança, ele me deixou outra tarefa a de zelar pela obra de Vincent - torná-la pública e fazer com que seja apreciada tanto quanto me for possível. Todos os tesouros que Théo e Vincent coletaram - a fim de preservá-los inviolados para a criança -, esta também é minha tarefa. Não é como se não tivesse um objetivo na vida, porém me sinto solitária e abandonada.

18 de novembro
Hoje, pela primeira vez, senti-me capaz de trabalhar de novo. Durante o primeiro semestre que passei aqui, tive de fazer um esforço tão grande somente para aprender as tarefas domésticas mais simples que não me sobrava tempo para pensar em nada mais.
De vez em quando, consigo ler alguma coisa - mas somente um romance comum ou um jornal. A "máquina doméstica" está agora em pleno funcionamento e, embora me conserve ocupada o dia inteiro, já não ocupa mais a totalidade de meus pensamentos e, pelo menos à noite, posso trabalhar de novo...

31 de março
Um dia lindo e ensolarado. Um melro está cantando alegremente na árvore que fica em frente a nossa casa. Como tudo isso me parece novo outra vez! - estes pássaros, flores e plantas. Só agora me dou conta que fui educada em uma casa na cidade e que nunca estive no campo quando era criança...

13 de maio
Domingo que vem será inaugurada a exposição de Vicent em Haia. O que nos trará esse dia? Satisfação ou desapontamento? Há quanto tempo eu venho esperando por ela; finalmente se tornará realidade...

"As cartas ocuparam um lugar muito importante em minha vida, desde o começo da doença de Théo. Na primeira noite solitária que eu passei em nossa casa, depois de retornar, eu peguei o maço de cartas. Sabia que nelas eu o encontraria de novo. Noite após noite, foram a minha consolação, depois daqueles dias horríveis."

"Quando me tornei a jovem esposa de Théo e entrei, no mês de abril de 1889, em nosso apartamento na Cité Pigalle, em Paris, encontrei, na parte inferior de uma pequena escrivaninha, uma gaveta chia de cartas escritas por Vicent e semana após semana, vi aumentarem de número os envelopes amarelos, sobreescritados com sua letra caraterística, que logo se tornaram bastante familiares para mim.

Após a morte de Vicent, Théo discutiu comigo o projeto de publicar estas cartas, mas a morte logo o levou também, antes que ele pudesse começar a execução de seu plano.

Passaram-se quase vinte e quatro anos desde a morte de Théo, antes que eu pudesse completar a publicação."


Johanna van Gogh-Bonger reproduziu este importantíssimo livro no começo do século XX e até então inédito no Brasil (cartas de Théo para Vicent e de Vicent para Émile Bernard) que revelam a saga, a vida, a enorme importância e o trágico destino dos irmãos Vicent e Théo van Gogh. São fatos e personagens (Gauguin, Pissarro, Degas, Monet, Lautrec e outros) que contribuíram com a definita revolução que mudou a cara da arte no final do século XX.

As cartas e a biografia de van Gogh foram traduzidas para o inglês pela própria Jo. As notas do tradutor William Guedes, que complementam e enriquecem esta edição, foram incluídas após os textos e são identificadas como "N. do T."; as notas de Vicent Willen van Gogh (o filho de Théo e Jo), que organizou a edição inglesa, foram incluídas como "N. do A.".


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van Gogh - Obra Completa de Pintura
Ingo F. Walther - Rainer Metzger
Taschen









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