quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Henrik Ibsen - Casa de Bonecas

Casa de Bonecas, de Henrik Ibsen, um romance para se ler de um só  fôlego, sem intervalo para um cafezinho.

Casa de Bonecas, a obra mais famosa de Ibsen, de 1879, é um drama social sobre casamento no qual uma mulher-boneca se recusa a obedecer ao marido e põe fim a um casamento aparentemente perfeito renunciando à confortável mentira e elegendo o risco de ser ela mesma, na busca de nova identidade, de uma nova moral. A peça fez grande sucesso e foi encenada em vários países da Europa e da América.

Impressionante como o ritmo da narrativa muda rapidamente, começada em forma de peça, em três atos, com seus personagens floreados pelas aparências sociais impregnadas de suas facetas sociais contaminadas (discurso paternalista, figura da mulher como um ser não-pensante, dependente material e psicologicamente da figura masculina) e transforma-se rapidamente no segundo e terceiros atos, forma em que é apresentada a narrativa, chegando-se ao desfecho final com a libertação feminina da personagem principal, Norma, a mulher-boneca, de toda sua máscara mal construída ao longo de uma caminhada sem identidade. O personagem masculino bem vestido em suas nuances de falso provedor do lar, tratando a figura feminina como a uma bonequinha totalmente controlável, sem identidade, próximo a figura do tratamento de um pai a uma filha mimada.

Consigo imaginar como o romance Casa de Bonecas pode ter impactado a sociedade de época. Afinal, a forte desconstrução da figura santificada feminina que chega a inadaptabilidade de uma felicidade construída no seio do lar, tendo o esposo, os filhos e as convenções sociais vigentes. A favor desta desconstrução de identidade feliz feminina neste meio social burguês decadente, o autor dá um desfecho trágico rompendo com todas as amarras das falsas máscaras de seus personagens. Assim são construídas as peças de Ibsen, com foco mais nos personagens do que nas situações, criando dramas realistas de conflitos psicológicos. Seu tema central é o dever do indivíduo para consigo mesmo. Na tarefa da auto-realização os personagens de Ibsen encaram as convenções antiquadas da sociedade burguesa. O individualismo anarquista de Ibsen deixou marcas profundas na geração mais jovem fora da Noruega, onde ele era considerado um escritor revolucionário. Em sua vida pessoal, entretanto, era visto como moralista e conservador.

"NORA (Pensativa.)
Ah, Torvald, omaior milagre de todos teria que acontecer.

HELMER
Diga o que seria isso!
NORA Nós dois, você e eu, teríamos que nos modificar a ponto de... Ah, Torvald, eu não acredito mais em milagres.

HELMER
Mas eu vou acreditar. Diga? Teríamos que nos modificar a ponto de...

NORA
De poder fazer do nosso casamento uma verdadeira vida em comum. Adeus. (Sai pelo vestíbulo.)

HELMER
 (Afunda-se nma cadeira, perto da porta, esconde o rosto nas mãos.)
Nora! Nora! (Olha em volta. Levanta-se.) Vazio. Foi emobra. (Uma esperança passa pelo seu pensamento.) O maior milagre de todos?
(Ouve-se o som de uma porta que bate lá embaixo.)

Henrik Ibsen é considerado o Shakespeare da era moderna, pelo realismo e pela profundidade psicológica com que retratou os problemas sociais, a injustiça e a hipocrisia das convenções sociais, colocando em xeque os valores da classe média européia, retratando o final do século XIX, a crise das instituições e a moral burguesa em cenas.

Henrik Ibsen - Vida e Obra

1828 - Em 20 de março, nasce Henrik Johan Ibsen, em Skien, Noruega.
1835 - Sua família muda-se para uma fazenda em Gjerpen.
1843 - A família muda-se para Skien. Em dezembro Ibsen vai para Grimstad para ser aprendiz de farmacêutico.
1846 - Emoutubro nasce Hans Jacob Henriksen, filho ilegítimo de Ibsen e Else Sophie.
1849 - Conclui a obra Catilina.
1850 - Vai para Chistiania (atual Oslo). Publica Vatilina, sob o pseudônimo de Brynjolf Bjarme. Em setembro estréia a peça The Warrior's Barrow.
1852 - É contratado como dietor de cena no Norwegian Theatre. Viaja para a Dinamarca e para a Alemanha.
1856 - Fica noivo de Suzannah Thoresen.
1857 - É contratado para o cargo de diretor do Christiania Norwegian Theatre.
1858 - Casa-se com Suzannah Thoresen.
1859 - Nasce Sigurd, seu filho.
1862 - O Christiania Norweian Theatre vai à falência.
1863 - Publica The Pretenders.
1864 - Ibsen viaja para a Itália.
1866 - Escreve a peça épica Brand.
1867 - Escreve Peer Gynt.
1868 - Muda-se com a família para Dresden, onde vive por sete anos.
1869 - Viaja ao Egito para assistir à inauguração do canal de Suez.
1870 - Escreve Balloon-letter to a Swedish Lady.
1871 - Publica Poemas.
1873 - Publica The Emperor and the Galilean.
1875 - A família muda-se para Munique.
1877 - Publica Pillars of Society.
1879 - Ibsen escreve Casa de Bonecas.  peça dá ao autor projeção internacional.
1881 - A peça Ghosts provoca polêmica.
1882 - Escreve An Enemy of the People.
1886 - Escreve Tosmersholm.
1890 - Escreve Hedda Gbler.
1891 - Escreve The Master Buider.
1892 - Seu filho Sigurd casa-se com Bergliot.
1893 - Nasce Tancred, oneto de Ibsen.
1894 - Escreve Litle Eyolf.
1895 - Muda-se para o apartamento onde viveria até o fim de sua vida.
1896 - Escreve John Gabriel Borkmann.
1899 - Escreve When the Dead Awaken.
1900 - Sofre um derrame que o deixa com o lado esquerdo paralisado.
1901 - Um segundo derrame paralisa-lhe o lado direito.
1902 - É indicado apra o Prêmio Nobel de Literatura.
1903 - Sofre o terceiro derrame e perde a capacidade manual de escrever.
1906 - Morre em 23 de maio. Em 1. de junho é sepultado com honras de Estado no cemitério Var Freisers.

6 comentários:

  1. Parabéns pela resenha. Adorei também a cronologia.

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  2. Bento,

    Obrigada pela visita. Uma honra tua presença.
    Beijo.

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  3. Ameii estou fazendo trabalho para Artes Cenicas e me ajudou muiito

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  4. Roberio Jhunior,
    Obrigada pelo comentário e visita.
    Bons estudos!

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