quinta-feira, 12 de abril de 2018

Gabriel Garcia Márquez - Amor nos tempos do cólera

Amor nos tempos do cólera -
Gabriel Garcia Márquez

Um romance real com uma poesia densa e crua como só Gabriel Garcia Márquez é capaz de contar: Amor nos tempos do cólera (...). De maneira excepcional, Gabo (apelido carinhoso do autor) usa o realismo fantástico para falar sobre as relações humanas e o amor. Este colombiano que estaria com 91 anos se estivesse vivo (1927-2014) foi escritor, jornalista, roteirista, editor, ativista e político (sempre de esquerda). Tornou-se conhecido aos 40 anos, conquistou prêmios de grande relevância ao longo de sua vida, entre eles o Nobel de literatura de 1982 pelo conjunto de sua obra. Com mais de 50 milhões de livros vendidos em 36 idiomas, Gabo é mais que um grande autor, é um dos fundadores da literatura latino-americana, um ícone literário do século 20.

Amor nos tempos do cólera foi lançado em 1985 e considerado pelo autor como "a menina dos seu s olhos", talvez por ter como inspiração a história de amor proibido dos seus pais que enfrentaram e venceram a resistência da família da noiva e da distância. O romance narra o amor platônico levado ao extremo, uma paixão febril e solitária que arrastará e consumirá Florentina Ariza por mais de 50 anos. O cenário é uma cidade fictícia em algum ponto do Caribe, que em muito se assemelha à situação que a própria Colômbia enfrentou entre o final do século 19 e inicio do século 20 (guerras civis, política frágil e volátil, miséria, disseminação de várias doenças, como por exemplo, um surto de cólera que deixou milhares de mortos). Florentino é um telégrfo que, ao entregar uma carta na casa de Lorenzo Daza, encontra sua filha Fermina e se apaixona perdidamente por ela. Ao longo de dois anos estes dois jovens se correspondem por meio de inúmeras cartas de amor. Em uma delas, Florentino chega a escrever 70 páginas, até que toma coragem e pede Fermina em casamento. Os dois estão apaixonados, porém o pai dela não aceita o namoro dela com um simples mensageiro. Então, a moça é mandada para a casa de uma prima distante e, ao retornar, percebe que o que nutria por Florentino não era amot, mas uma ilusão e, sem muitas explicações, recusa ao pedido de casamento. A essa altura, o pai de Fermina, procupado com o futuro da filha a encoraja a se casar com Juvenal Urbino, um médico extremamente bem-sucedido, principalmente na época em que a doença do cólera levava boa parte da população à reclusão e à morte. Fermina se casa com Juvenal, é feliz com ele, tem filhos até seu marido falecer...

Gabo nos engana e usa a sedução de sua narrativa para nos capturar, nos arrebatar sem pressa. Ele nos deleita com sua maestria literária. Seu estilo de capítulos longos, descritivos e com poucos diálogos não é cansativo, é apaixonante. Eles nos faz odiar Florentino e, no final do livor, nos apaixonarmos por ele. Gabo nos mostra que o amor tem várias nuances: pode ser paciente, bondoso, servil, inocente, mas quando falamos de amor humanos, amor real, que, apesar do lado altruísta, também pode ser obstinado, defeituoso, covarde, invejoso, mau, louco, rancoroso, solitário, colérico.

Em 2007, Amor nos tempos do cólera foi adaptado para o cinema sob a direção de Mike Newell. O produtor do filme, Scott Steindorff, fico três anos tentando convencer Márquez a liberar os direitos do livro. Steindorff dizia a Márquez ser o próprio Florentino e não desistiria enquanto não conseguisse esses direitos. As canções do filme foram escritas pelo compositor brasileiro Antônio Pinto. Foi também o primeiro filme em língua inglesa da atriz Fernanda Montenegro.


Fonte: Revista Cidade Nova, Abril 2018, pág. 47 - Na Estante, por Andréa Russo Vilela.

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