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quarta-feira, 11 de abril de 2018

Mário Quintana

Mário Quintana
Jamais compreendereis a terrível simplicidade das minhas palavras porque elas não são palavras: são rios, pássaros, naves...



sexta-feira, 2 de novembro de 2012

domingo, 26 de agosto de 2012

Coleção Mário Quintana



Da sabedoria dos livros
Não penses compreender a vida nos autores,
Nenhum disto é capaz.
Mas, à medida que vivendo fores,
Melhor os compreenderás.
(Espelho Mágico, p. 39 - Coleção Mário Quintana, Globo, 2005)
A Coleção Mário Quintana está a bastante tempo me observando da prateleira. Simples, convidativa, como um amigo a dar o ombro em um momento necessário. Assim é Mário Quintana, uma prosa boa sem fim que estará de braços abertos como um amigo se faz ouvir. Hoje acordei precisando de poesia, simples, amiga. Ninguém melhor do que Mário Quintana para nos acompanhar.

A coleção é composta pelos livros: Espelho Mágico, Sapato Florido, Baú de Espantos e Canções.


domingo, 23 de outubro de 2011

A canção - A cor do invisível - Mário Quintana


"Enquanto os teus olhos ainda estão cerrados sobre os
[mistérios noturnos da alma
E o dia ainda não abriu as suas pálpebras,
Nasce a canção dentro de ti como um rumor de águas,
Nasce a canção como um vento despertando as
[folhagens...
Não vem de súbito, vem de longe e de muito tempo.
Mas - agora - estás desperto na cidade e não sabes,
Entre tantos rumores e motores,
Como é que tens de súbito esta serenidade
De quem recebesse uma hóstia em pleno inferno.
Deve ser de versos que leste e nem te lembras,
De telas, de estátuas que viste,
De um sorriso esquecido...
E destas sementes de beleza
E que
- às vezes -
No chão do rumoroso deserto em que pisas,
Brota o milagre da canção!"

(Mário Quintana - A cor do invisível - pág.22)

A cor do invisível - Mário Quintana

Quintana, Mário, 1906-1994
A cor do invisível / Mário Quintana. - São Paulo : Globo, 2005. - (coleção Mario Quintana / organização, plano de edição, fixação de texto, cronologia e bibliografia Tania Franco Carvalhal)

"Centenário Mário Quintana, 1906-2006"
Bibliografia

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Dia da Cultura - Uma Homenagem a Poesia - Mário Quintana

"Creio que um verdadeiro poeta, ainda que soubesse ser o único sobrevivente humano na face da terra, ainda assim escreveria poemas. Indagar para quê ou para quem? Isso aprofundaria o mistério da criação poética."
(Mário Quintana)

Ler, reler Mário Quintana (1906-1994) na semana da Cultura é uma bela homenagem a poesia brasileira. Falar em poesia é falar em Mário Quintana que buscou a aproximação com a mesma através da simplicidade nela embutida por suas criações que ele em vida, procurou atingir aos atentos leitores:

"Jamais compreendereis a terrível simplicidade das minhas palavras porque elas não são palavras: são rios, pássaros, naves,..." ou ainda "O verdadeiro poeta faz poesia com as coisas mais simples e corriqueiras deste e dos outros mundos."

O Auto-Retrato

No retrato que me faço
- traço a traço -
Às vezes me pinto nuvem
Às vezes me pinto árvore...

Às vezes me pinto coisas
De que nem há mais lembrança...
Ou coisas que não existem
Mas que um dia existirão...

E, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
Minha eterna semelhança,

No final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!

(Mário Quintana)

"Alguns de teus versos não precisam estar impressos em tinta e papel: eu os carrego de cor, e às vezes eles brotam de mim como se fossem meus. De certo modo, eles são meus, e hás de convir que a glória de um poeta é conceder essas parcerias anônimas pelo mundo..."
(Paulo Mendes Campos)

A Oferenda

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos...
Trago-te estas mãos vazias
Que vão tomando a forma do teu seio.

Adquiri, para melhor conhecer este grande poeta, a coleção Mário Quintana contendo os livros Espelho Mágico, Baú de Espantos, A cor do Invisível, Canções e A Rua dos Cataventos. Verdadeiro presente!


Obras do autor:

POESIA: A Rua dos cataventos, 1940; Canções, 1946; Sapato Florido, 1948; O aprendiz de feiticeiro, 1950; Espelho mágico, 1951; Inéditos e esparsos, 1953; Apontamentos de história sobrenatural, 1976; A vaca e o hipogrifo, 1977; Na volta da esquina, 1979; Esconderijos do tempo, 1980; Diário poético, 1985; Baú de espantos, 1985; A cor do invisível, 1989; Velório sem defunto, 1990.

ANTOLOGIAS E OBRAS COMPLETAS: Poesias, 1952; Prosa e Verso, 1978; Nova Antologia Poética, 1981; Os Melhores Poemas, 1983; 80 Anos de Poesia, 1986.

LITERATURA INFANTIL: Batalhão das Letras, 1948; Pé de Pilão, 1975. 

CRÔNICAS E OUTRAS: Cadernos H, 1973; Lili inversa o mundo, 1983; Nariz de Vidro, 1984; Sapato Amarelo, 1984; Da preguiça como método de trabalho, 1987; Preparativos de viagem, 1987; Sapato furado, 1994

Fonte: 100 Anos de Poesia - Um panorama da poesia brasileira no século XX - Volume I

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Da Preguiça como Métodos de Trabalho - Mário Quintana

Para Mário Quintana, o leitor não deve ser desperto, pois eles são, "por natureza, dorminhocos. Gostam de ler dormindo".

Num país como o nosso, ninguém é levado a sério com ideias originais: "O lugar-comum é a base da sociedade, a sua política, a sua filosofia, a segurança das instituições". Ainda na crônica inicial do livro há referência ao leitor "semidesperto" e um ambíguo elogio: "A preguiça é a mãe do progresso. Se o homem não tivesse preguiça de caminhar, não teria inventado a roda. Não poderia viajar pelo mundo inteiro".

Da preguiça como método de trabalho, de Mário Quintana é uma obra com estilos variados, inclassificável. Surpreendente, despretensioso. Chega mansamente e ao final deixa o leitor deslumbrado. Mário Quintana reúne uma miscelânea com contos, aforismos, crônicas, fábulas, trovas, comentários e entrevistas. Cócegas para o cérebro. A ternura, presente na vida e obra do poeta, extensão certa aos amigos como Cecília Meireles, Érico Veríssimo e Manuel Bandeira. É só conferir no obra. Quintana, poeta em tempo integral. Onde a preguiça?

"O verdadeiro poeta, tudo quanto ele toca, se transforma em poesia."

Mário Quintana é um desses raros poetas. Como não quer nada, vai traçando sua poética visão de vida. Com leveza, senso de humor e simplicidade, escreve um livro que é bom ter por perto. Afinidade imediata. Como quem conquistou um amigo, ou quem sabe, foi cativado.

"Um engano em bronze é um engano eterno."
(Mário Quintana)

Coleção Mário Quintana, Organização, plano de edição, cronologia e bibliografia: Tania Franco Carvalhal, Fixação de texto: Lucia Rebello e Suzana Kanter

Quintana, Mário, 1906-1994. Da preguiça como método de trabalho / Mário Quintana; [prefácio Carlos Jorge Appel] - 2. ed. - São Paulo : Globo, 2007. - (Coleção Mário Quintana)
A Rua dos Cataventos / Canções / Sapato Florido / O aprendiz de Feiticeiro / Espelho Mágico / Apontamentos de História Sobrenatural / Esconderijos do tempo / Baú de Espantos / A Cor do Invisível / Caderno H / Porta Giratória / Da Preguiça como Método de Trabalho / A Vaca e o Hipogrifo / O Batalhão das Letras / Preparativos de Viagem / Velório sem Defunto / Nova Antologia Poética / 80 Anos de Poesia

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