Mostrando postagens com marcador literatura clássica. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador literatura clássica. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Joseph Conrad

Joseph Conrad

1857 - Em 3 de dezembro, em Terechowa, Polônia,nasce Teodor Joseph Conroad Korzeniowski, filho único de Apolo Nalecz Korzeniowshi e Evelina Bobrowska.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

domingo, 18 de janeiro de 2015

Henry Fielding - vida e obra

Henry Fielding
1707 - Nasce em 22 de abril, em Sharpham Park, condado de omerset, Henry Fielding, filho de Edmund e Sara Fielding.
1718 - Morre a mãe de Henry, Sara Fielding. Henry frequenta o colégio na cidade de Eton.
1726 - Inicia do curso de Direito em Leiden.
1728 - Muda-se para Londres. Encena sua primeira comédia, O Amor sob Diversas Máscaras.
1730 - Apresenta as comédias O Galante do Templo, A Farsa do Autor e Thomas Ressucitado ou A História Completa da Vida e das Maravilhosas Ações de Tom Thumb.
1734 - Em novembro casa-se com Charlotte Cradock.
1736 - Estréia a peça burlesca Pasquin, com grande êxito.
1737 - Estréia a peça satírica Registro Histórico para 1736. Em novembro Fielding retoma os estudos de Direito.
1740 - Fielding passa a trabalhar no fórum londrino.
1741 - Samuel Richardson publica o romance Pamela. Morre Charlotte.
1743 - Apresenta a peça O Dia do Casamento.
1746 - m novembro casa-se com Mary Donald e transfere residência para Twickenham, perto de Londres.
1749 - Em fevereiro publica Tom Jones (*), a história de um Enjeitado, em seis
partes.
1751- Edita seu último romance, Amélia.
1754 - A conselho médico, Fielding viaja para Lisboa em junho para tratar da saúde, fortemente abalada. Morre em Lisboa em 8 de outubro. É enterrado no cemitério dos Ciprestes.


(*) Tom Jones
Este romance conta a história de um enjeitado criado por uma família da nobreza rural que se torna um jovem de grande fascínio pessoal e que atrai a paixão de diversas mulheres. Mas torna-se vítima das mais variadas formas de preconceito e desperta, em muitos, a inveja e o ciúme. Sua verdadeira origem é revelada no final, após profunda análise do cotidiano inglês de meados do século XVIII.


Filho de família aristocrática, da qual não herdou títulos nem bens, Henry Fielding nasceu em 22 de abril de 1707 na cidade de Sharpham Park, Somersetshire, Inglaterra. Seus pais foram Sara Fielding, que morreu em 1718, e Edmund Fielding.

Henry recebeu uma educação esmerada. Depois de concluir os estudos intermediários em Eton, seguiu para Leiden, cidade da Bélgica, para cursar Direito.

Em 1728 Fielding mudou-se para Londres e foi tomado pela indecisão, não sabia que profissão abraçar: poderia ser escritor ou cocheiro. A primeira seria mais agradável,mais cômoda; a segunda renderia mais dinheiro e consideração social.

Se tivesse chegado a Londres alguns anos antes, teria encontrado os homens de letras em outra situação, dividindo espaço na corte com os fidalgos e manipulando a opinião pública por meio de livros e jornais. Contudo, apesar dessa liberdade, muitas vezes os escritores tinham de se curvar ás exigências de políticos poderosos, que podiam pô-los em dificuldades.

Assim, Robert Walpole, que se tornou ministro em 1721,havia estabelecido restrições á liberdade dos literatos ligados ao governo, considerando que seus pareceres, muito teóricos e apaixonados sobre os atos do Estado, eram a causa principal de instabilidade e de insatisfações. Dispensou-os e mandou-os ganhar o pão por conta própria. Empregou escrivães medíocres porém confiáveis, capazes de compilar suas idéias e as dos demais políticos sem alterações sutis. Destituída do antigo poder, a arte de escrever passou a ser vista como um mau ofício, desempenhado por gente de baixa categoria social e de escassos dotes intelectuais.

De qualquer forma, Henry tinha de se sustentar, e diante das opções que se apresentavam, decidiu-se pela literatura. Começou então a redigir para o teatro.

Sua primeira comédia, O Amor sob Diversas Máscaras, de 1728, não teve a menor repercussão. Henry só começou a ser conhecido em 1730, quando apresentou O Galante do Templo e A Farsa do Autor, com êxito suficiente para se dedicar ao teatro como meio de vida. Durante sete anos elaborou volumosa produção, da qual a obra mais famosa é a peça Thomas Ressuscitado ou A História Completa da Vida e das Maravilhosas Ações de Tom Thumb, representada pela primeira vez em 1730 e ampliada no ano seguinte sob o título Tragédia das Tragédias ou A Vida de Tom Thumb, o Grande. A peça narra as incríveis aventuras de um rapaz absurdamente pequeno que, por causa de seu tamanho, é carregado nos ares por um corvo, devorado por um gigante e envolvido em dezenas de outras peripécias semelhantes. Essas situações serviam apenas de pretexto a Fielding para atacar personalidades políticas da época, atraindo para si os olhares irados da censura oficial. Conta-se que Tom Thumb foi motivo de uma das duas únicas gargalhadas que o amargo romancista Jonathan Swift deu em toda sua vida, que demonstrou, assim, reconhecer o grande valor de Henry Fielding.

O sucesso como comediógrafo, contudo, não proporcionou a Fielding melhores meio de subsitência. O que lhe valia era a facilidade em fazer amigos. Era um rapaz alegre, excelente contador de histórias, dotado de inteligência, humor e vitalidade, e não lhe faltavam companheiros, alguns dos quais ricos e bem instalados, que se sentiam honrados em dividir a casa com ele. Nem a morte da mãe, quando Fielding tinha apenas onze anos, nem a penúria do lar paterno, nem o segundo casamento do pai - que indiretamente contribuíra para o rapaz abandonar os estudos de Direito e ir tentar a vida em Londres - haviam conseguido tirar sua alegria de viver.

Em 1734 Fielding se casa com Charlotte Cradock e passa a desfilar pelos jardins e avenidas de Londres ostentando roupas caras, carruagens e criados. Não lhe passava pela cabeça que poderia aproveitar a fortuna da esposa para se estabelecer na vida e assegurar uma velhice tranquila. Esbanjou até o último centavo, tudo que Charlotte tinha, e ao fim de dois anos viu-se obrigado a trabalhar para comer. Muitos de seus gastos não revertiam em benefício próprio, mas em favor dos amigos, não só daqueles que o haviam ajudado nos tempos de miséria mas também dos mais recentes.

O esgotamento de uma mina que esperava fosse eterna levou-o novamente para o teatro. Pasquin, de 1736, permitiu-lhe recuperar por algum tempo a euforia financeira, representava um violento ataque ao ministro Walpole. No ano seguinte repetiu a dose, com uma sátira mais ferina, Registro Histórico para 1736. O ministro então resolveu fechar-lhe a boca e promulgou o Licensing Act, decreto que autorizava o Parlamento inglês a recusar qualquer obra teatral que julgasse indecorosa ou agressiva. Com essa restrição, em 1737 Fielding decidiu retomar os estudos, interrompidos quando se transferira para Londres. Nesse mesmo ano foi nomeado magistrado de uma corte criminal e fundou um jornal, O Campeão, no qual atuou até junho de 1740.

Para quem sempre vivera na maior liberdade, era difícil ajustar-se a horários e métodos. Os amigos dividiram-se em correntes opostas. Uns confiavam no êxito do advogado Fielding; outros prognosticavam para breve sua desistência da função. Os últimos ganharam a aposta ao fim de alguns meses. O escritor abandonou o emprego, por motivo de saúde. Com uma mulher para sustentar, a quem ele não só amava como se sentia na obrigação de retribuir os anos de fartura, Fielding estava disposto a abandonar a vida de farras e a dedicar-se seriamente ao trabalho. Mas a libertinagem anterior lhe havia dilapidado a saúde. Ataques de gota o prendiam ao leito por semanas a fio, impedindo seu comparecimento ao fórum. E ele achou que era mais honesto demitir-se.

Charlotte faleceu em 1742, e Fielding foi tomado por profunda depressão. Seus amigos temiam qeu ele adotasse alguma medida desvairada, mas seu temperamento forte e alegre não lhe permitiu, porém, entregar-se por muito tempo ás lamentações. Refeito do abalo, voltou a escrever no mesmo tom satírico que o caracterizava.

Em 1743 Fieding tentou obter a aprovação de uma comédia, continuação de A Virgem Desmascarada, porém mais uma vez Walpole negou autorização por considerá-la ofensiva a uma personalidade da época. Fielding passou a escrever panfletos políticos, tratados, ensaios, e, nesse mesmo ano, retomou a carreira teatral com O Dia do Casamento. O êxito ajudou a Henry a conseguir uma certa folga financeira.

Depois do segundo casamento, em 1746, com Mary Donald, antiga cidadezinha próxima a Londres. Após dois anos regressou á capital como juiz de paz e foi morar no bairro de Westminster.
Apesar do trabalho exaustivo, Fielding encontrava tempo para escrever. Depois do ato de Walpole que lhe restringira a liberdade de comediógrafo, voltara-se para o romance. Ocupava-se de uma obra que haveria de fazer corar Samuel Richardson, seu vizinho, que jamais faltava ao culto dominical, empenhava-se em resolver problemas de consciência de consulentes afligidos por questões morais e religiosas e, nas horas vagas escrevia romances e investia furioso contra Fielding, a quem ele considerava um incurável libertino. Richardson inaugurou uma corrente moralista e austera, mais preocupada com o mundo ideal possível e com a análise psicológica das personagens.

Depois de ter lutado na vida como aprendiz de impresor e operário, e a duras penas ter conseguido fundar sua própria tipografia, Richadson recebeu um convite para escrever um livro destinado à leitura das jovens provincianas que iam trabalhar em Londres. A obra Pamela ou A Virtude Recompensada, de 1741, obteve imenso sucesso em toda a Inglaterra, transpôs o canal da Mancha, cativou o público francês e provocou entusiasmados elogios do enciclopedista Diderot. O romance relata as desventuras de Pamela Andrews, camponesa educada por uma senhora da nobreza que, antes de morrer, confia a moça aos cuidados de seu filho. O primeiro objetivo do rapaz é seduzi-la, mas, comovido por suas lágrimas, acaba se arrependendo e casando-se com a virtuosa donzela. Fielding não pôde deixar de rir do moralismo pregado por Richardson e do endeusamento de valores tão instáveis como dinheiro e posição social. Sem perda de tempo, elaborou duas paródias do romance, Defesa da Vida da Sra. Shamela Andrews, em 1741, e As Histórias das Aventuras de Joseph Andrews e Seu Amigo Abraham Adams, em 1742, que suscitou a admiração da crítica. Na primeira parte desse livro, Fielding apenas parodia Pamela, narrando ironicamente a luta do belo criado Joseph Andrews em defesa da própria virtude, ameaçada pelas artimanhas da patroa. No desenrolar da obra, contudo, o autor se afasta da intenção inicial e acaba retratando com graça e talento toda uma camada social, vergastando-lhe as hipocrisias e futilidades.

Com Pamela, Richardson pretendia criar um romance psicológico, diversificado do relato de aventuras a´te então existente na Inglaterra. Fielding, por sua vez, procurou considerar de outro modo o problema moral. Para ele, as boas ações não deveriam ser fruto de normas e de repressão, mas partir espontaneamente de um impulso generoso de amor pelo próximo e do desejo de semear o bem. Virtude, a seu ver, era mais a habilidade de resolver os próprios problemas do que promover, á força, a felicidade alheia.

Seis anos após a sátira de Fielding, Richardson procurou penitenciar-se por Pamela, publicando a história da virtude perseguida e arrasada: Clarisse Harlowe. Essa obra, que se celebrizou como a melhor de Richardson, agradou ao público da época pela agudeza da análise psicológica. Fielding, entretanto, não permaneceu silencioso diante da nova aventura melodramática do rival e escreveu, em 1749, um romance que ficou marcado na história da literatura inglesa como uma produção genial: Tom Jones, a História de um Enjeitado, biografia de um jovem exuberante de energia, ingênuo e violento que retratava o próprio Fielding em oposição ao austero Richardson. Recém-nascido, Tom Jones é deixado na casa do sr. Allworthy, que o cria como a um filho. Depois de adulto, por intriga de Blifil, sobrinho de seu protetor, Tom é obrigado a abandonar o lar e entregar-se a uma vida errante e dissipada. Enfrenta problemas sem conta, envolve-se em muitas tramas amorosas, despedaça corações, ajuda as pessoas em dificuldades e, por fim, é acusado de um crime. A obra muito se aproxima das novelas cavaleirescas e dos romances à maneira do Dom Quixote. Tom Jones levou alguns críticos a considerarem Fielding  como o criador do romance inglês, o que de certa forma é exagero.

O romance se divide em dezoito "livros", ou partes, cada uma delas precedida por um prólogo, no qual o autor expõe sus idéias, comenta a ação, dialoga com o leitor e vangloria-se de ter sido o primeiro escritor a estabelecer esses capítulos iniciais.

Os críticos da época atacaram Tom Jones por considerá-lo um estímulo à licenciosidade. Ao apresentar um personagem simático  dissoluto, que, apesar de seus erros, conquista a felicidade impunemente, o autor estaria desencorajando o exercício da virtude e, de certa forma, aconselhando o vício. Na França o livro chegou a ser proibido. Na verdade, o conceito de moral de Fielding não poderia ser compreendido em seu tempo. Tom Jones é apenas um apaixonado pela vida, corajoso e bom, mas fraco e indisciplinado - um pequeno selvagem. Suas boas ações brotam naturalmente, e por isso o escritor se inclina a lhes dar um valor maior do que se fossem fruto de educação e tende a perdoar os erros do personagem.

Não só a personalidade do protagonista provocou a ira dos críticos e moralistas. Nos prólogos iniciais de cada parte Fielding alude muitas vezes a seu inimigo Richardson, que o considera devasso. Combate os costumes patriarcalistas, como o de se forçar uma jovem a casar contra a vontade, e defende  a rebelião familiar. Zomba dos moralistas, escarnece dos clérigos, taca os críticos com violência, demonstrando por eles profundo desprezo.

Exausto pelo combate ao crime, aborrecido com a má vontade da crítica, enfraquecido pelas doenças, Fielding via apagar-se rapidamente a alegria de viver. Num estado lastimável, ainda encontrou forças, em 1751, para escrever um último romance, Amélia, no qual presta homenagem a sua segunda mulher, a quem involuntariamente causara grandes desgostos. Falta em Amélia o brilhantismo de Joseph Andrews ou de Tom Jones, mas a obra é dotada de um etilo mais apurado e de uma análise mais profunda dos personagens. Embora ainda se volte abertamente contra certas leis inglesas que considerava injustas, como a prisão por dívidas, e denuncie graves males sociais, Fielding atenua, em Amélia, o tom impiedoso de sua sátira.

Foi aconselhado pelos médicos a deixar a Inglaterra e a procurar em Lisboa um clima propício a sua saúde debilitada. Ao abandonar a pátria, trêmulo de emoção e de tristeza, escreveu: "Hoje, quarta-feira, 24 de junho de 1754, o sol mais triste que já vi levantou-se e encontrou-me acordado. No brilho desse sol eu ia ver, pensava, pela última vez, dizendo-lhes um último adeus, os objetos queridos, pelos quais eu sentia a ternura de uma mãe: não estava de forma alguma endurecido pela doutrina da escola filosófica que me ensinou a suportar a dor e a desprezar a morte. Ao meio-dia em ponto fui advertido de que o carro me esperava. Abracei meus filhos um após o outro e subi no carro, um pouco resolutamente; minha mulher, que se conduziu como uma verdadeira heroína e como um filósofo, embora seja, ao mesmo tempo, a mais terna das mães, seguiu-me juntamente com a filha mais velha; alguns amigos me acompanharam, outros se despediram de mim, e ouvi fazerem de minha coragem um conceito de elogios, os quais sabia muito bem não merecer por nenhum direito". Se o homem Henry Fielding - que três meses depois, em 8 de outubro, morreria sozinho e amargurado num quarto de Lisboa - pensava não merecer os elogios naquela hora da partida, os escritor os ganhou para sempre por sua obra magistral, ainda hoje entre a vida breve de um homem e a imortalidade de um grande artista.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Raul Pompéia

Raul Pompéia

1863 - Em 12 de abril nasce Raul d´Ávila Pompéia, em Jacuecanga, município de Angra dos Reis, Estado do Rio de Janeiro.
1873 - A família transfere-se para a cidade do Rio de Janeiro, Raul é matriculado como interno no Colégio Abilio, do dr. Abílio César Borges, barão de Macaúbas.
1879 - Ingressa no Imperial Colégio D. Pedro II, onde conclui os estudos secundários.
1880 - Publica seu primeiro romance, Uma Tragédia no Amazonas.
1881 - Publica os contos Microscópios no jornal estudantil A Comédia, de São Paulo. Matricula-se na Faculdade de Direito de Largo de São Francisco, em São Paulo. Luta pela abolição da escravatura, ao lado do poeta, jornalista e advogado Luís Gama.
1882 - A Gazeta de Notícias começa a publicar em folhetins o segundo romance de Raul, As Jóias da Coroa.
1883 - Inicia as Canções sem Metro, publicando-as no Jornal do Comércio, de São Paulo.
A campanha abolicionista absorve grande parte de sua atividade.
1885 - Com 94 colegas, transfere-se para a Faculdade de Direito de Recife, onde conclui o curso.
1888 - Publica em folhetim, na Gazeta de Notícias, do Rio de Janeiro, o romance O Ateneu. Inicia nesse mesmo jornal, a seção "Pandora", sobre a crítica de arte. Trabalha como correspondente do Diário de Minas. Deixa inacabado o romance Agonia.
1889 - Colaboração em A Rua, de Pardal Mallet, e no Jornal do Comércio.
1890 - Intensa atividade artística, que o faz discutir os problemas coletivos de seu tempo.
1891 - É nomeado professor de mitologia da Escola Nacional de Belas-Artes.
1892 - Ofendido por Olavo Bilac, desafia-o para um duelo à espada.
1893 - Publica um de seus melhores desenhos políticos: "O Brasil crucificado entre dois ladrões", na linha nacionalista dos adeptos radicais de Floriano Peixoto.
1894 - É nomeado diretor da Biblioteca Nacional.
1895 - Acusado de desacatar Prudente de Moraes, Presidente da República, é demitido do cargo de diretor da Biblioteca Nacional. Em 25 de dezembro põe fim à vida com um tiro no coração.
1900 - Publicação póstuma, em livro de Canções sem Metro.


O Ateneu
Um dos mais inteligentes romances da literatura brasileira e obra mais conhecida de Raul Pompéia, O Ateneu narra a história de Sérgio, um garoto que com onze anos é levado pelo pai para um internato. 
Em uma recriação autobiográfica,o autor conseguiu como poucos captar os conflitos, constrangimentos e angústias do dia-a-dia no colégio interno.


Jornalista e escritor, Raul Pompéia, nasceu em Jacuecanga, Angra dos Reis, Rio de Janeiro em 12 de Abril de 1863, segundo filho do próspero advogado Antônio d´Ávila Pompéia, homem carrancudo, de aspecto austero, e de Rosa d´Ávila Pompéia, mulher de rara beleza.

O pai descendia de uma família mineira, que, envolvida na Inconfidência Mineira, fugiu de Minas e fixou-se em Resende, Estado do Rio de Janeiro. Dona Rosa provinha de portugueses que, atraídos pela cana e pelo comércio, se estabeleceram em Angra dos Reis.

Depois de liquidar os negócios da fazenda, em 1873 o doutor Antônio transferiu-se para o Rio de Janeiro com a família, onde comprou casas e abriu banca de advogado.

Nessa época as ricas famílias da Inglaterra mandavam os filhos para o Eaton, quando lhes queriam dar uma educação coerente com a posição social. À burguesia brasileira o Colégio Abílio, bem como o Imperial Colégio D. Pedro II, pareciam corresponder. Em 1973 "O menino Raul Pompéia entra para o colégio dos homens que sustentam e pagam a educação dos seus filhos com o trabalho escravo", escreveria José Lins do Rego. Em O Ateneu, obra publicada em 188, o professor Aristarco personaliza o modelo da educação moral e cívica.

Mas não se pode tomar ao pé da letra que o Ateneu tivesse sido inspirado mesmo no Colégio Abílio. Na vida de Raul Pompéia, o diretor Abílio César Borges, barão de Macaúbas, gozou de uma lembrança bem contrária àquele ódio que Aristarco despertava em Sérgio, narrador e protagonista. Em 1891, quando morreu o famoso barão, Pompéia dedicou-lhe verdadeira homenagem.

No Colégio Abílio, Raul Pompéia revelara suas inclinações intelectuais e artísticas. Dona Rosa e o doutor Antônio sonhavam para o filho um lugar de relevo, a nata da sociedade.

Os d´Ávila Pompéia, especialmente as mulheres (a mãe e as três irmãs) concentravam todo o carinho e confiança no jovem Raul. Seus escritos e desenhos foram guardados amarrados em fitas. A família continuava distante do burburinho d Corte. Praticamente não recebiam visitas. Raul não tinha amigos íntimos, mas era vibrante nos ataques aos professores injustos e ao favorecimento escolar de que gozava o neto do imperador. Não se acomodou. Embora aprovado, várias vezes repetiu o exame de grego, até conseguir a nota com distinção. Concluiu o ensino médio e desdenhou o diploma que tanto estudo lhe custara. Publicou Uma Tragédia no Amazonas, escrito na época do Abílio, que alcançou algum sucesso e lhe valeu crítica esperançosa de Capistrano de Abreu, literato de fama.

Quando Pompéia desembarcou em São Paulo, onde foi fazer o curso de Direito, falava-se na construção do Viaduto do Chá. Naquele ano de 1881 a cidade era pequena, a vida era tranquila. Animavam-na os estudantes, com suas repúblicas, suas festas. A garoa umedecia a paisagem. As casas baixas abrigavam famílias de passado rural; brasileiros, italianos, portugueses, um ou outro espanhol; algum alemão, foragido de inúmeras perseguições; o russo que se encontrava com o turco e falavam da guerra entre seus países; alguns judeus iam à sinagoga. Nos bairros, negros livres procuravam organizar seus núcleos familiares, apesar do ambiente escravocrata. Havia os mestiços passeando na vida boêmia. Nos cafés a intelectualidade paulistana discutia a República, a escravidão, a literatura. Os poetas iam à praça.

Em São Paulo Raul Pompéia logo se engajou na campanha abolicionista. Embora violentos, não foram os escritos de "Rapp" (um dentre os seus vários apelidos) que atraíram o ódio aberto dos escravocratas paulistas. Foi uma charge contra o Diário de Campinas, órgão dos proprietários rurais. O desenho ousado ferira a suscetibilidade religiosa dos donos de escravos. COm isso o estudante Raul Pompéia passou a ser perseguido pelos conservadores. A Faculdade de Direito refletia a crise política; os estudantes abolicionistas e republicanos entravam em choque com a direção retrógrada de alguns de seus professores.

Em 1884, jornalista consagrado, autor de mais um romance (As Jóias da Coroa), a banca o reprovou nos exames finais: "injustamente", disseram testemunhos da época. Na sequência de uma greve, Raul Pompéia emigrou para o Recife com mais 94 colegas, onde concluiria o curso de Direito.

Não foi só no jornalismo.

Raul Pompéia também participou apaixonadamente dos dois principais movimentos de oposição da época; intransigente, não rimava República com escravidão. Além de escritor, Pompéia foi também desenhista e escultor, demonstrando temperamento sensível, às vezes angustiado, mórbido e instável, características que o levaram a se envolver em contínuas polêmicas.


Suas ligações com Luís Gama e depois com Antônio Bento, líderes insurrecionais inatos, fixaram no poeta de Canções sem Metro uma ideia de prática política. As rebeliões nas senzalas queimavam pós de café, os escravos fugiam.

Em Recife Pompéia viveu mais isolado. O bairro onde ele e os colegas criaram uma casa de estudantes era distante. Pompéia concentrou-se nas provas finais e nos trabalhos literários. Talvez datem dessa época os esboços de O Ateneu.

A situação menos escravocrata do Nordeste descansou-o um pouco da campanha abolicionista. Levou, enfim, o seu diploma para o Rio de Janeiro e a lembrança de alguns colegas mortos pela febre amarela.

Começou a atuar como o que hoje se chama de jornalista cultural. Sua vocação de artista plástico era saciada com a cobertura de exposições e com sua escrita ficcional, marcada por descrições muito vívidas e cromáticas.

A temperatura política do Império media-se na rua do Ouvidor. Ministros, deputados, jornalistas, poetas e cocheiros comentavam e previam acontecimentos; de palpite, compunham-se e derrubavam-se os ministérios. Segredos do Paço escapavam; faziam-se promessas de empregos públicos. Uma mulher bonita suspendia olhares, provocava a fantasia dos homens. Raul Pompéia era dos habitués. Mas não bebia, não fumava, não tinha aventuras eróticas para contar. Ouvia com desagrado os comentários vulgares. Fugia disso. Era contra sua índole, delicada e fina.

No entanto, se estivesse em discussão um assunto político ou literário, mostrava-se polêmico, defendia com ardor suas posições. Os inimigos apareciam; uns discutiam honestamente, outros armavam boatos, calúnias. Enfim, Pompéia fazia parte do ambiente intelectual de Coelho Neto, Aluísio de Azevedo, Artur Azevedo, Olavo Bilac, Valetim Magalhães, Capistrano de Abreu, Luís Murat, Machado de Assis, Araripe Júnior e Pardal Mallet.

Em 1887 lá está ele em meio a intensa atividade, colaborando em jornais de diversas províncias, polemizando, fazendo comícios pela República e pela abolição; vai à rua do Ouvidor. O artista prolongava as noites de trabalho debruçado sobre as Canções sem Metro (cuja publicação se iniciara em 1883 no Jornal do Comércio, de São Paulo), desenhando ilustrações para elas.

Sua sensibilidade recolhe ao mesmo tempo imagens do passado, sons, sofrimentos, decepções que se fundem às mesmas emoções doloridas do presente. Esse trabalho vai consumindo tinta e papel e dando vazão a um requintado artista do romance brasileiro. O resultado é a publicação, em 1888, de O Ateneu, segundo seu autor uma "crônica de saudades", cujo lançamento foi assim comentado pela Gazeta de notícias: "Não há no livro propriamente personagens reais, copiados in totum de um modelo único; mas não há fato nem cenários de fantasia".

Nesse ano Pompéia escreveu uma defesa do livro diante de seus críticos, que, numa prática brasileira que dura até hoje, insistiam em julgar o autor em vez da obra. Melancólico como Machado, Pompéia não teve a capacidade de reserva e ironia dele; seu bordão de autodefesa era: "É mau, mas é meu".

É placentária a relação de Pompéia com sua origem, diria se pudesse o menino Sérgio, personagem-narrador de O Ateneu. As relações não se quebravam nunca; a família como que amarrava um nó no coração. Raul Pompéia não desatou todos os pontos. As quatro mulheres da família projetavam nele todo um carinho não manifestado ao pai, por sua austeridade e hipocondria; transmitiam ao medas menino da casa as emoções provocadas pela atuação, ao que tudo indica, de respeitável autoritarismo do pai, o homem da casa.

O autoritarismo do doutor Antônio era resultado do sistema patriarcal que assegurava a instituição da família como privilégio dos proprietários e homens livres. Raul Pompéia não conheceu outra vida familiar. Na intimidade, o seu mundo foi exclusivo da família, dividido entre o afeto maternal e a força paterna. O conflito íntimo entre essas imagens contrárias de prazer e repressão, conduzido pela inibição moral dos costumes, ele soube sublimar na arte de O Ateneu. "O seu romance nos parece uma criação que vencera o suicida", afirmaria José Lins do Rego.

A partir de 1891 ele não escreveria mais para a literatura. Sua personalidade voltara-se inteiramente para a política. Sucedem-se comícios, artigos, polêmicas, ensaios com o estilo inconfundível do homem de letras. Violentos, radicais... Mas radicais em relação a quê?

Não era mais possível o clima de união de que Pompéia gozara no movimento abolicionista à época da São Francisco. A guerra civil animava polêmicas, dividia jornalistas: defendiam-se interesses diversos, quando não se tratava de proteger a própria pele. Alguns colegas de Pompéia haviam sido presos e torturados pela polícia de Floriano. Sob constante estado de sítio e perseguições, os florianistas agitavam o Rio de Janeiro com manifestações radicais.

Pompéia sofre ofensas de Olavo Bilac no jornal O Combate. Num artigo, Bilac criticava severamente Pompéia, acusando-o de estar sendo cooptado pelo governo florianista ao aceitar o emprego de professor num momento de muitas incertezas políticas. A reação violenta de Pompéia ao que considerou uma infâmia veio no desafio feito a Bilac, depois de se esbofetearem um dia, sob juras de vingança; para resolver a questão duelariam à espada.

Há no episódio do duelo, moda recente entre os frequentadores dos cafés da rua do Ouvidor, algo de grotesco. Socialmente, talvez expressasse intenção de auto-extermínio de uma camada sem perspectiva histórica no processo que se desenrolava. Os espadachins não entraram em ação, a ofensa fora retirada, graças à interferência dos padrinhos. Era a frase que, na vida de Pompéia, seus biógrafos chamam de "intoxicação pública".

Pompéia continuou florianista mesmo após a morte do presidente. No governo de Floriano, fora nomeado professor de mitologia da Escola de Belas-Artes e depois diretor da Biblioteca Nacional. A posse de Prudente de Moraes criaria pânico e paranóia entre os florianistas; os mais exaltados continuavam o clima de guerra civil.

Meses após os funerais do marechal Floriano - quando, segundo fontes do governo, que estivera no cemitério prestando as últimas homenagens ao antecessor -, um jornal publicou violento panfleto assinado por Luís Murat. O artigo se referia às cenas nos funerais. O título da matéria era "Um Louco no Cemitério", Além da crítica política à conduta de Pompéia e de aplaudir sua demissão do cargo na Biblioteca Nacional, Murat, ex-companheiro de classe de Pompéia, tocou na honra deste, insinuando "covardia" no desfecho do duelo com Bilac.

O doutor Antônio falecera alguns anos antes. Pompéia, com suas crises de depressão, preocupava a
mãe e as irmãs. Após a leitura do artigo de Murat, vivia alarmando as mulheres com projeto de suicídio. "Estou desonrado!" Com os nervos despedaçados, resolveu papéis e tomou o revólver. Ainda escreveu um bilhete ao jornal, pelo qual se sentira desprestigiado, e ao país: "À Notícia e ao Brasil declarou que sou homem de honra", Datou "25 de dezembro de 1895" e assinou "Raul Pompéia". Estirou-se numa poltrona. A mão do artista foi certeira; desembaraçou-se de si mesmo com um tiro no coração. A mãe, dona Rosa, e as irmãs foram acudir. Antes de pedir água e morrer, o desgraçado artista notara o estado da irmã. Disse à mãe: "Vá ver a Alice".

Raul Pompéia é o patrono da cadeira número 33 da Academia Brasileira de Letras, por escolha do fundador Domício da Gama.

Abolicionismo, nacionalismo e condições sociais foram alguns dos temas que Raul Pompéia, além de tratar em suas obras e discussões, procurou mostrar desenhando. Seus desenhos revelam uma sensibilidade artística que vai além dos limites do escritor preocupado com os problemas do seu tempo. Quando escreveu O Ateneu, Raul Pompéia quis dar mais vida ao texto, acompanhando-o de ilustrações feitas por ele mesmo, a bico-de-pena. São mais de quarenta desenhos que mostram personagens, situações, detalhes da vida no Ateneu; enfim, todo o clima que envolve Sérgio, o personagem-narrador do romance.

Um dos mais inteligentes romances da literatura brasileira, O Ateneu é o ápice da carreira de Raul Pompéia. É o romance da desilusão. O escritor escolheu para a fábula sentimental o estilo mais significativo de sua época: Gustave Flaubert. Dele tomou emprestado o nome de um personagem para construir uma das figuras femininas mais platonicamente sensuais - Ema.

Sérgio e Ema constituem a história de amor no romance.

A história do internato fala da educação sexual e intelectual do adolescente como reflexo da sociedade e, mais precisamente, de sua elite no contexto de falência do regime monárquico, de base escravista. Os sintomas de decadência percorrem as experiências narradas por Sérgio no contato com os companheiros de classe - Rebelo, Sanches, Bento Alves, Franco, Egbert -, mostrando-se nas relações a ausência de perspectiva histórica.

Em artigos e prefácios, Pompéia se revela um combatente decidido contra o escravismo e a monarquia. Em seus livros, ainda que timidamente, já são colocadas questões que só cem anos depois viriam a ser debatidas abertamente, como a homossexualidade e os internatos para meninos.

Do ponto de vista literário não há unanimidade entre os críticos: alguns, com ressalvas, o classificam como realista; outros, também com ressalvas, o enquadram entre os naturalistas; e há também aqueles que até insinuam que sua obra é precursora do Modernismo. Por todas essas razões, a obra desse home que tirou a própria vida é um dos marcos na história da nossa literatura, capaz de propiciar o prazer e a reflexão ainda hoje.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Henry James

Henry James
1843 - Em 15 de abril, nasce Henry James, em Nova York.
1855 - Viaja para estudar em Genebra, Londres e Paris.
1862 - Estuda na Faculdade de Direito de Harvard.
1864 - A família muda-se para Boston. Publica seu primeiro conto: A Tragedy of Error.
1865 - Publica The Story of a Year, primeiro conto assinado.
1866 - A família transfere-se para Cambridge, Estados Unidos.
1870 - Em março recebe a notícia da morte de sua prima Minny Temple.
1875 - Publica A Passionate Pilgrim, Transatlatic Sketches e Roderick Hudson.
1877 - Publica O Americano.
1880 - Publica A Herdeira.
1881 - Publica O Retrato de uma Dama.
1882 - No mês de janeiro morre sua mãe; em dezembro morre o pai.
1884 - Publica Lady Barberina (*).
1886 - Publica Os Bostonianos e A Princesa Casamassina.
1890 - Publica A Musa Trágica.
1891 - É encenada Gy Domville.
1896 - Muda-se para Lamb House, em Rye, na Inglaterra.
1898 - Publica A Outra Volta do Parafuso (*).
1902 - Publica As Asas da Pomba.
1903 - Publica Os Embaixadores.
1904 - Publica A Taça de Ouro. Viaja aos Estados Unidos.
1905 - Publica The American Scene.
1915 - Torna-se cidadão britânico em 26 de julho.
1916 - Morre no dia 28 de fevereiro, aos 73 anos.


(*) Lady Barberina - A Outra Volta do Parafuso
Lady Barberina é o retrato de um grande amor norteado pelos valores sociais; revela as experi~encias de vida do autor e traça um paralelo entre a cultura dos Estados Unidos e a da Inglaterra no século XIX.

A Outra Volta do Parafuso é um excepcional conto de horror. No século XIX, governanta inglesa que cuida de duas crianças descobre que elas podem estar sendo manipuladas pelo espírito de dois empregados.



Não: nada de cadáveres. Nem crimes. Nem castelos escuros. Nem sangue. Nem alçapões secretos. Nem monstros que caminham pela noite.

Não: o mistério e o pavor não dependem dessas coisas. Os fantamas, se existem, caminham à luz do dia. Quando se tem medo, é o próprio sangue que esfria nas veias. Fora dos túmulos, os cadáveres existem apenas na imaginação. E os alçapões secretos são as ciladas preparadas pelo subconsciente. A atmosfera é assustadora porque o impossível coexiste com o possível.

Imagine seu próprio medo. O homem, esse angustiado, tem imensa capacidade de temer a si próprio, criando em sua fantasia as coisas que o apavoram.

Era assim que Henry James queria: nada de histórias macabras. Para ele, os relatos de fantasmas eram a "forma mais aproximada do conto de fadas", e suas experiências fantásticas, apenas vôos da imaginação poe´tica. Henry James teve uma infância rica. O pai, também chamado Henry James, era homem de posses. Mary Robertson James, a mãe, era uma mulher de hábitos simples.

Segundo filho do casal, Henry nasceu em 15 de abril de 1843, perto de Washington Square, onde passou a infância. Em julho de 1855 a família partiu para a Europa. Durante os cinco anos seguintes, entre várias idas e vindas, as crianças frequentaram, alternadamente, escolas européias e americanas. Em 1860 voltaram a morar nos Estados Unidos.

Em 1861 começou a fazer o curso de Direito, mas as conferências do escritor James Russel Lowel lsobre literatura faziam-no esquecer as leis. Em 1863 escreveu seu primeiro conto - A Tragedy of Error -, publicado, sem assinatura, na revista Continental Monthly, em fevereiro de 1864. Pouco depois redigiu uma nota crítica para The North American Review. No ano seguinte se tornou colaborador da revista The Nation e publicou na revista Atlantic Monthly seu primeiro conto assinado.

Em fevereiro de 1869 partiu para a Europa. Levava consigo o pequeno lastro de suas experiências literárias, os primeiros contos, em que já aparecem alguns dos temas que seriam constantes em sua obra - os artistas, o sobrenatural, o americano viajado.  

Esteve na Inglaterra, França, Suíça e Itália. Em março de 1870 recebeu a notícia da morte de sua prima Minny Temple, da qual gostava muito e em quem se inspiraria, anos mais tarde, para criar vários personagens. Em abril voltou para os Estados Unidos e tornou-se crítico de arte do período The Atlantic, no qual publicou, em 1871, sua primeira novela: Watch and Ward.

Em 1875 publicou o romance Roderick Hudson e o livro de contos A Passionate Pilgrim. Em novembro do mesmo ano mudou-se para Paris, onde trabalhou como correspondente do jornal Tribune. Um ano depois James chegou à conclusão de que não tinha talento para repórter. E partiu para Londres. Antes de arrumar as malas, fez um balanço dos aspectos positivos de sua estada em Paris. Em termos de criação literária, a melhor obra desse período foi o romance O Americano, publicado pela revista The Atlantic em 1877. Além disso, teve oportunidade de conhecer escritores como Turguêniev, Flaubert, Zola, Maupassant, Édmond Goucourt. Entre eles, quem mais o impressionou foi Turguêniev, sobretudo por sua maneira de concentrar-se nos personagens, dando pouca importância ao enredo. Em dezembro de 1876 fixou-se em Londres, na esperança de conquistar seu público também na Inglaterra - o que só aconteceria em 1879, com a edição inglesa de Roderick Hudson e O Americano. Dos três romances escritos até então, apenas Watch and Ward não foi publicado, pois o próprio escritor julgava-o imaturo.

Nem foi preciso esperar o lançamento desses dois romances para James firmar-se perante a crítica britânica. A consagração veio em 1878, com a publicação dos ensaios literários French Poets and Novelist, do romance Os Europeus e de mais de trinta contos, entre os quais Daisy Miller e An International Episode.

Em 1880 foi publicado na Inglaterra e nos Estados Unidos A Herdeira um de seus melhores livros. E em outubro desse ano aparecia a primeira parte de O Retrato de um Dama, sua obra mais extensa e popular e que encerraria a primeira fase da produção de James. Fase de aprendizado, de sucesso, de descoberta e de uso de temas cosmopolitas.

De repente, uma má notícia: sua mãe está doente. Henry  James arruma as malas e viaja para os Estados Unidos. Outubro de 1881: ele vai rever a cidade que deixara seis anos antes. Instala-se em um hotel em Boston, onde escreve à vontade e aproveita as horas livres para visitar Nova York e Washington. Em janeiro de 1882 sua mãe morre. Nada mais tem ele a fazer na América. Em dezembro está de volta à Europa, e logo recebe outra notícia que o faz arrumar as malas de novo: agora é seu pai. Viaja apressadamente, mas não chega a tempo de encontrar o velho James vivo. Corre ao cemitério e, junto ao túmulo, depara com uma carta de seu irmão William: "Boa noite, adorado pai. Se eu não te vir de novo, então adeus, um feliz adeus".

Henry ficou na América até agosto do ano seguinte. Depois retornou novamente á Inglaterra. Sua produção não sofreu abalos. Ao contrário: durante a década de 1880 escreveu vários contos, a novela The Reverberator e os três romances considerados naturalistas: Os Bostonianos, Princesa Casamassina e A Musa Trágica.

Os Bostonianos trata dos reformadores da Nova Inglaterra. Princesa Casamassina fala dos anarquistas europeus. Nos dois romances as cenas da vida urbana mostram uma visão baste ampla das cidades de Boston e Londres. Os leitores, porém, esperavam mais contos a respeito dos americanos na Europa ou de viajantes estrangeiros na América. Por isso, as duas publicações foram um fracasso.

Henry James não se deixou abalar. Continuou a compor seus contos, nos quais se percebe uma constante evolução de técnica aliada a temas mais ricos e variados. os escritos desse período podem ser agrupados por assuntosra. Domvilles: internacionais - alguns na América, outros na Europa -, sobre o casamento e sobre artistas. Ao primeiro grupo pertence Lady Barberina, publicado em 1884, história de uma jovem inglesa que se casa com um rico médico americano. Entre os contos do segundo grupo, destaca-se A London Life, uma análise da corrupção do casamento. Por fim, dos contos sobre artistas, distinguem-se The Author of Beltraffic, cujo tema é a incompatibilidade de gênio entre um artista e sua esposa, e The Lesson of the Master, que trata do casamento de um escritor e dos efeitos dessa união sobre seu trabalho.

O romance The Reverberator, de 1888, é uma produção menor, que pode ser utilizada como argumento contra as opiniões de que James era sério demais: seu tema é o jornalismo mexeriqueiro, o colunismo social. Em 1889 o escritor fez nova tentativa naturalista no romance, com A Musa Trágica, mas que também não alcançou êxito com o público. No fim da década de 1880 o escritor era considerado um artista de extraordinária habilidade artesanal e havia recebido o reconhecimento da crítica. Mas o sucesso não se traduzia em dinheiro. Por isso, em 1890 resolveu tentar o teatro, muito mais rendoso na época. Assim, de 1890 a 1895, escreveu sete peças, das quais apenas duas foram encenadas. Na primavera de 1890 terminou a dramatização de O Americano, que, embora bem recebida pela crítica, não alcançou sucesso com o público.

Em 1892 fez a versão teatral de Daisy Miller, recusada pelo empresário, que a considerou literária demais. James, contudo, não desistia de conquistar o palco. Em 1893 escreveu mais quatro peças, que também não chegaram a ser montadas. No ano seguinte publicou-as em forma de livro, sob o título Theatricals.

Em 1895, o popular ator e produtor George Alexander encerrou a peça Guy Domville. A estréia foi um desastre. No segundo ato, quando a Sra. Domville apareceu com um alto chapéu preto, alguém gritou: "Onde foi que você arranjou esse chapéu?". E no final, quando Guy exclama: "Sou, meu senhor, o último dos Domville", uma voz respondeu: "E já não é sem tempo". Até esse instante James não estava no teatro; chegou ao cair do pano e apresentou-se à platéia. Foi uma tempestade de vaias. Em uma carta, o autor referiu-se ao episódio como um "dos mais detestáveis incidentes de minha vida". Antes de Guy Domville James havia escrito a peça The Other House, publicada em 1896 e jamais encenada. Depois de Guy Domville, ainda tentou conquista o público teatral com Summersoft, representada, com algum êxito, em 1908, sob o título The High Bid.

Apesar dos fracassos, James continuou insistindo no teatro até 1909, quando escreveu sua última peça, The Outcry. A obra deveria ser representada na temporada desse ano, mas atrasos na revisão do manuscrito e no preenchimento do elenco foram adiando a estréia, que acabou cancelada.

Entristecido, James desistiu do palco. Retirou-se definitivamente de Londres e mudou-se para Lamb House, em Rye, cidade costeira do Sussex. Voltou a compor romances, novelas e contos. Até 1900 concluiu um grande número de obras de ficção, além de mais de vinte contos. São desse período suas experiências com o relato fantástico, em que se destaca A Outra Volta do Parafuso.

No entanto, mais importantes que os temas são as inovações técnicas introduzidas por Henry James. O teatro deu-lhe muitas lições: apresentação da ação por meio da cena, uso do diálogo como processo narrativo e supressão do autor onisciente como informador e comentarista. Seus escritos posteriores constituiriam a sua  maior fase. Nos primeiros dez anos do século XX Henry James trabalhou intensamente. De 1990 a 1904 escreveu seus três maiores romances: Os Embaixadores, As Asas da Pomba e A Taça de Ouro.

Em 1904 viajou para a Flórida e para a Califórnia, onde realizou algumas conferências. Quando retornou à Inglaterra, escreveu The American Scene, um livro de observações sobre suas viagens.

Embora tenha sido publicado em 1903, Os Embaixadores foi concluído antes de As Asas da Pomba; apareceu, a princípio, na North American Review, em capítulos. Nos dois romances, analisou dramas humanos, dentro dos grandes sistemas sociais que o homem criou e dentro dos grandes sistemas sociais que o homem criou e dentro das idéias pelas quais edificou sua civilização, conservando-se um realista apegado às coisas visíveis e palpáveis.

Em A Taça de Ouro, James procura solução para problemas não resolvidos em trabalhos anteriores. Havia muito tempo queria escrever sobre o adultério; não podia fazê-lo, pois as familiares revistas americanas obrigavam-no a tratar o tema superficialmente. Como não havia planos para o romance ser publicado em série, sentia-se livre para abordar o assunto sem nenhuma restrição. Foi o que fez.

Na mesma época foram publicados mais três livros de contos: The Soft Side, The Better Sort e The Finer Grain. Dessas coletâneas o conto mais popular é The Beast in the Jungle, que narra a história de um indivíduo tão egoísta que era incapaz de perceber o mundo à sua volta, de compreender e amar. Esse conto é uma representação alegórica da insensibilidade, da cautela e da falta de ação que, segundo o autor, caracteriza o homem moderno.

Nas horas de folga James dedicava-se à preparação da chamada "Edição Nova York" de suas obras. A cada romance e livro de contos, juntou um longo prefácio, no qual faz reflexões sobre os princípios de sua arte e os formula claramente. Mais tarde esses prefácios foram reunidos num volume sob o título The Art of Novel, em que três elementos se destacam: o estudo do processo de criação, a forma pela qual chegou a escrever histórias e as associações pessoais despertadas por uma nova leitura de sua própria obra. Esses trabalhos forneceram à crítica uma terminologia valiosa para a discussão do romance, que até hoje é amplamente utilizada. Em bora não tenha voltado a escrever romances, sua produção literária dos últimos anos foi extraordinária.

Dedicou-se à elaboração de textos autobiográficos críticos e de viagens. Escreveu English Hours, Italian Hours e Little Tour in France. Pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial, publicou Notes on Novelists, com estudos sobre Zola, Flaubert, Balzac, H. G. Wells e Bennett, além dos dois volumes de memórias: A Small Boy and Others e Notes of a Son and Brother. Um terceiro livro sobre sua vida em Londres e Paris - The Middle Year - seria publicado somente após sua morte.

Em 1910 William James viajou à Europa para tratamento de saúde. Embora não estivesse muito bem, Henry acompanhou-o de volta à América. William piorou e faleceu no dia 26 de agosto.

Profundamente abaldo o escritor ficou na América até agosto do ano seguinte. Antes de retornar à Inglaterra foi homenageado com o grau honorário da Universidade de Harvard. Meses depois recebeu o título de Doutor Honorário de Oxford. Em 1913 seus setenta anos foram intensamente comemorados.

Em agosto de 1914 começou a guerra. Henry James cessou toda a sua atividade literária, lamentando "o horror de ter vivido para testemunhar tudo isso", e ingressou num grupo de americanos que voluntariamente prestavam assistência espiritual aos feridos. Nas horas vagas redigia vários artigos sobre os refugiados de guerra.

Desejava que os Estados Unidos se aliassem à Inglaterra e à França. Irritado com a neutralidade do presidente Wilson, adotou a cidadania britânica em julho de 1915.

Em dezembro desse ano sofreu um derrame. Em fevereiro de 1916, morreu. Seu corpo foi cremado, e suas cinzas enviadas para a América e colocadas no jazigo da família, em Cambridge, Massachusetts.


Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.


sábado, 8 de fevereiro de 2014

Jonathan Swift

Jonathan Swift
1667 - Em Dublin, nasce Jonathan Swift, em 30 de novembro.
1668 - É levado secretamente para a Inglaterra.
1670 - Volta à Irlanda. É entregue aos cuidados do tio Godwin.
1673 - Estuda na escola Kilkenny, em Dublin.
1681 - Ingressa na Universidade de Trinity, em Dublin.
1688 - Morre seu tio Godwin. Swift é diplomado pela universidade. Parte para Leicester, na Inglaterra.
1689 - Conhece Esther Johnson (Stella), por quem nutre profunda paixão.
1693 - Forma-se doutor em Teologia pela Universidade de Oxford.
1697 - Escreve A Batalha dos Livros.
1699 - Morre William Temple, seu suposto irmão e de quem era empregado.
1701 - Publica anonimamente Discurso sobre as Dissensões entre Nobres e Comuns em Atenas e Roma.
1704 - Publica A Batalha dos Livros e O Conto do Tonel.
1710 - Inicia o Diário a Stella. É nomeado deão da Catedral de São Patrício; em Dublin.
1713 - Escreve o poema Cadenus.
1725 - Começa a redigir As Viagens de Gulliver (*).
1726 - Publica As Viagens de Gulliver.
1728 - Morre Stella.
1731 - Escreve o peoma Sobre a Morte do Dr. Swift.
1738 - Publica A Conversação Polida.
1745 - Morre, surdo e louco, em 19 de outubro, em Dublin.

(*) As Viagens de Gulliver
Nesta sátira fantástica, o personagem Gulliver visita países imaginários: Lilliput, cujos habitantes medem menos de 15cm; Brobdingnag, habitado por gigantes; Laputa, ilha voadora habitada por sábios loucos; o país dos Houynhnms, cavalos que domina os Yahoos, antropóides degradados. Swift critica a sociedade inglesa e questiona as teorias intelectuais e as instituições políticas.


A infância de Jonathan Swift esteve longe de ser feliz. Abriu os olhos para a vida num escuro dia dublinense - 30 de novembro de 1667 - e não achou seu pai, morto sete meses antes. Logo vieram os comentários dos bisbilhoteiros: talvez o pequeno Jonathan não fosse filho do velho Swift, e sim de uma ligação da mãe com o nobre John Temple. Os comentários foram tantos e tão plausíveis que nunca se soube ao certo se afinal aquele Swift que fugira da Inglaterra para escapar à ditadura de Oliver Cromwell era ou não pai do Swift que, com sátiras irreverentes, abalaria o público da Europa em sua época.

Jonathan tinha um ano de idade e crescia sem muitos cuidados maternos quando sua ama o levou secretamente para a Inglaterra. O país vivia tempos agitados. Depois de onze anos de república, o Exército inglês resolvera restaurar a monarquia, entregando o governo a Carlos II, em 1660. Para evitar disputas religiosas como as que se vinham desenrolando desde a morte da rainha Elizabeth, fizeram-no assinar uma declaração prometendo anistia geral e liberdade de crença. Contudo, o rei mostrava fortes tendências ao catolicismo, provocando o desagrado de seus ministros e oficiais anglicanos.

A ama do pequeno Jonathan sentia a atmosfera cada vez mais pesada e, cerca de dois anos após sua chegada ao solo inglês, voltou com o menino para a Irlanda.

A mãe de Swift, ao contrário, desconhecendo os problemas políticos, estava ansiosa por viver na Inglaterra. Para realizar seu desejo, confiou o pequeno Swift aos cuidados de seu cunhado Godwin. O tio mandou-se estudar na escola Kilkenny e ensinou-lhe boas maneiras. Amor não lhe deu, nem carinho. Quando ele padecia de vertigens e crises de surdez, limitava-se a medicá-lo, frio e indiferente. Em 1681 matriculou-o na Universidade de Trinity, onde o sobrinho só se distinguiu pelas punições: mais de setenta em dois anos. Aborrecia-se com os compêndios. Irritava-se com os mestres. Desacreditava dos conhecimentos. Ao fim de algum tempo, a congregação deu-lhe o diploma, para ver-se livre dele.

Mesmo que não o diplomassem, Swift teria de abandonar a universidade por falta de condições econômicas. A morte do tio em 1688 privara-o de seu único esteio financeiro, e a situação caótica da Irlanda impelia-o para longe. O rei Jaime II, católico professo, já provocava o descontentamento popular antes de ser coroado. No ano de 1685, ano da morte de seu pai, os políticos ingleses dividiram-se em facções antagônicas, formando os grandes partidos britânicos: de um lado, os whigs, mais liberais, porém contrários á ascensão de um rei católico; de outro lado, os tories, conservadores, defensores da monarquia e partidários de Jaime.

Coroado em 1685, Jaime II reinaria apenas três anos; em 1688 era destronado pela chamada Revolução Gloriosa, que colocou no poder seu genro Guilherme III de Orange. Jaime asilou-se na Irlanda, católica como ele.

Swift não esprou para ver os desastres acarretados pela presença de Jaime II na Irlanda. No mesmo ano da Revolução Gloriosa foi juntar-se a sua mãe em Leicester. A situação da Inglaterra não era calma, porém Leicester era o lugar mais distante da Irlanda aonde suas economias lhe permitiam ir.
A mãe não dispunha de muito dinheiro para ajudá-lo. O rapaz tinha de procurar um emprego e sustentar-se. Valeu-lhe nessa busca antiga amizade materna com o família Temple. Sir William, estadista e escritor de grande prestígio durante o reinado de Carlos II, deu-lhe um emprego de guarda-livros em sua propriedade rural de moor Place, na Inglaterra.

Swift entediava-se no campo, dividido entre os livros de contabilidade e as leituras para sir William, do qual diziam ser irmão. Um dia, Moor Place ganhou novo encanto. Trouxe-lhe uma doce menina de oito anos: Esther Johnson, que, segundo as más línguas, era filha de William Temple com uma ama da casa - e, portanto, sobrinha de Jonathan. O possível parentesco e a diferença de idade não constituíram barreira para o desabrochar de um afeto entre o jovem e a criança. Swift amou-a até  fim da vida e a ela dedicou alguns de seus mais belos poemas. Chamou-a Stella - estrela -, fiel à moda corrente de rebatizar a amada com nome latino.

A presença de Stella era um bálsamo para o escritor, mas não bastava para retê-lo como empregado de seu suposto irmão. Tinha ambições. Compreendia que, para realizá-las, precisava de um diploma. Em 1693 doutorou-se em Teologia pela Universidade de Oxford. Pouco depois assumiu o posto de cônego em Kilrooth, Irlanda, obtido graças às boas relações de sir William.

Longe de Stella, julgou-se apaixonado por uma certa Jane Waring, a quem apelidou de Varina e dedicou poemas ardentes. O arrebatamento amoroso - não se sabe se correspondido - durou pouco. Em questão de meses, Swift arrependia-se de ter jurado amor eterno e de haver pedido a moça em casamento. Em 1695 voltou para Moor Place. Encontrou William escrevendo um panfleto altamente conservador sobre a "batalha dos livros" travada na Inglaterra. A rivalidade entre whigs e tories refletia-se na literatura, dividindo os escritores em conservadores e modernizantes. Mal saíra o escrito de sir Temple, os modernizantes atacaram-no vivamente. Swift, promovido a secretário de sir Temple, achou-se obrigado a defendê-lo e redigiu, em 1697, A Batalha dos Livros. Por trás da defesa, todavia, ironizava sutilmente ambas as posições. A obra foi publicada em 1704, juntamente com O Conto do Tonel, um ataque à vida religiosa da Inglaterra, também escrito em Moor Place. A sátira, o pessimismo e o riso amargo seriam, a partir de então, a característica da obra de Swift.

A morte de William Temple em 1699 privou Swift de um emprego fácil. Novamente teve de perambular pelas casas dos grandes de Leicester em busca de proteção. Fizeram-no cônego de Dunlevin, na Irlanda. A nomeação desgostou-o, mas Swift não teve alternativa senão aceitá-la. Em 1701 estava instalado em seu novo lar, perdido entre planícies desertas e silenciosas.

Não ficaria sozinho por muito tempo. Atendendo a seu pedido, Stella foi viver ali perto. Porém levava consigo a sra. Dingley, prima de sir William. Jamais permitiu a Swift o menor gesto de namorado, e, tanto quanto se sabe, nem ele o tentou.

A proximidade da menina pareceu dar-lhe alento para continuar escrevendo. Em 1701 publicou anonimamente o Discurso sobre as Dissenções entre os Nobres e Comuns em Atenas e Roma. A alusão aos partidos ingleses era clara, e sua posição, ao lado dos whigs, valeu-lhe o ataque dos tories e a proteção de estadistas como Somers e Halifax, de elevado prestígio junto ao governo.

Vislumbrado com a possibilidade de ascender na Igreja anglicana com a ajuda dos políticos, Swift começou a viajar frequentemente para Londres. Conseguiu editores para A Batalha dos Livros e O Conto do Tonel. Popularizou-se apoiado por satíricos como Pope, escritores polemistas como Richard Steele e Joseph Addison - fundadores do The Spectator, um dos primeiros periódicos ingleses.

Reconheciam em suas sátiras motivos semelhantes aos deles: profundo amor à verdade, feroz aversão à hipocrisia, honesto desejo de demolir as ilusões de seu povo. Reinava desde 1702 a filha de Jaime II, Ana. Com ela subiram ao poder os tories moderados, representados pelo primeiro-ministro Robert Harley. Para Swift tanto fazia ser tory ou whig, achava todos os políticos igualmente corruptos e incapazes. Fora whig enquanto lhe conviera. Com a mudança de governo, não hesitou em proclamar-se tory, conquistando assim a proteção e a simpatia de Harley.

A ambição e as amizades mantinham-no em Londres, com Stella presente em seu coração. Escrevia-lhe numerosas cartas, fazia-lhe confidências no Diário a Stella. Todas as noites, à luz de vela, fechava-se no quarto para o diálogo mental com a amada. Ao falar de assuntos íntimos, expressava-se numa linguagem cifrada, composta de combinações de letras e palavras, compreensível apenas para ele e sua Stella. É a chamada "pequena linguagem", que criou especialmente para comunicar-se com a amada. Mais tarde a experiência daria frutos em As Viagens de Gulliver.

Em 1713 abandonou o Diário, ferido pelo que considerava uma injustiça a rainha Ana pretendia dar-lhe a Sé de Hereford, por ele ambicionada, mas, diante das intrigas do arcebispo de York, escandalizado com O Conto do Tonel, e da duquesa de Somerset, desgostosa com as sátiras do escritor sobre sua pessoa, abandonou o projeto. Nomeou-o deão da Catedral de São Patrício em Dublin.

A acolhida dos irlandeses foi fria, senão hostil. Tinham ciúme de sua vida londrina e desconfiavam de suas atividades políticas, que lhes pareciam incompatíveis com as funções eclesiásticas. No "exílio" de Dublin, como o considerava, Swift não tinha amigos nem prestígio, nem a presença consoladora de Stella. Ao contrário, as más notícias se acumulavam.

Em 1714 morriam a rainha Ana e também a herdeira do trono, Sofia, neta de Jaime I. Pelo direito de sucessão, a coroa cabia ao filho desta, Jorge I, alemão que estabeleceu na Inglaterra a dinastia Hannover. O descontentamento era geral. Os ingleses não desejavam um  monarca estrangeiro, porém não podiam ignorar sua própria constituição. A Swift particularmente a sucessão atingiu na medida em que os whigs voltaram ao poder e os tories - ele inclusive - passaram a ser perseguidos.

Ao saber de seus problemas, Stella foi juntar-se a ele em Dublin. Swift dedicou-se então  a escrever As Viagens de Gulliver, uma aventura por países imaginários, com personagens de características ímpares. Publicado pela primeira vez em 1726, por Benjamin Motte, e reeditado no ano seguinte, causou estranheza e reações inesperadas. Pelo fantástico de certas situações - na verdade um artifício do autor para atacar mais livremente as instituições inglesas -, pelo dinamismo das aventuras, pela simplicidade do estilo, pela simpatia que o herói transmite, As Viagens de Gulliver tornou-se, ao longo do tempo, livro predileto do público infantil. No entanto, não foi elaborado absolutamente com a intenção de entreter nem as crianças - Swift jurava detestá-las - nem pessoa alguma. Ao iniciar a redação da obra, em 1725, o autor escreveu a seu amigo Alexandre Pope afirmando que, com As Viagens de Gulliver, pretendia agredir o mundo, não diverti-lo.

Além de desmascarar a humanidade e demolir os falsos valores - seu objetivo primacial -, Swift visava ainda a ridicularizar a moda da narrativa de viagem, uma obsessão da época.

Enquanto isso, a doce Stella chegava ao fim de seus dias.

Os poemas que Swift lhe escrevia em todos os seus aniversários, convidando-a à plenitude e à primavera, não conseguiam devolver-lhe a energia. Em 1728 ela morre, acometia por um mal desconhecido. Foi um forte abalo para Swift. Esse homem amargo, que proclamava horror às crianças, guardava no íntimo sentimentos profundos, zelosamente protegidos pro uma couraça.

Em público, todavia, esforçava-se por manter a imagem de um escritor irreverente e pessimista, que não poupava à mordacidade nem a própria Stella. Num dos últimos poemas comemorativos de seu aniversário, em 1725, compara-a a uma vaca, que, após sofrer os rigores do inverno, volta a apascentar-se na relva verde da primavera. Ele mesmo se faz objeto da sátira em seu poema Sobre a Morte do Dr. Swift, composto em 1731.

Por essa época trabalhava num sarcástico ensaio destinado a despojar a conversação inglesa das banalidades e incorreções que a levavam ao ridículo. A Conversação Polida, publicada em 1738, representa o resultado de vinte anos de observação e pesquisa, e foi a última obra de Swift. Perdia aos poucos a sanidade mental, da qual muitos duvidavam havia tempo. A surdez, que o ameaçava na infância em crises espaçadas, acometera-o de todo. Surdo e louco, Swift recolheu-se a Dublin, onde servia de espetáculo aos ociosos: para poderem espiá-lo pelas frestas, pagavam ingressos a seus criados.

Num momento de lucidez, inclui em seu testamento uma cláusula em benefício dos asilos de loucos. Parece ter sido esse seu último ato. Em 19 de outubro de 1745 morreu imerso nas sombras da loucura e na solidão de sua surdez. Foi enterrado na Catedral de São Patrício, em Dublin. Na lápide, o epitáfio, em latim, escrito por ele mesmo: "Aqui jaz o corpo de Jonathan Swift, doutor em Teologia e deão desta catedral, onde a colérica indignação não poderá mais dilacerar-lhe o coração. Segue, passante, e imita, se puderes, esse que se consumiu até o extremo pela causa da Liberdade.




Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Júlio Verne

Júlio Verne
 1828 - Em 8 de fevereiro nasce Jules Gabriel Verne Allote, em Nantes, França.
1829 - Nasce o irmão Paul.
1834 - Júlio começa a frequentar a escola.
1841-46 - Vai para o Petit Séminaire e depois para o Liceu Royal de Nantes.
1847 - Estuda Direito em Paris.
1848 - É apresentado aos escritores Alexandre Dumas, pai e filho.
1851 - Publica Viagem num Balão.
1852-55 - Torna-se secretário do Teatro Lírico de Paris. Publica várias obras.
1857 - Em 10 de janeiro casa-se com Honorine-Ane de Vianne.
1859-1860 - Viaja à Escócia. Escreve Viagem à Inglaterra e à Escócia.
1861 - Em 3 de agosto nasce Michel, seu único filho.
1862 - Viaja à Noruega e à Dinamarca.
1863 - É publicado Cinco Semanas num Balão. Escreve Paris no Século Vinte.
1864 - Publica Aventuras do Capitão Hatteras e Viagem ao Centro da Terra.
1866 - Publica Da Terra à Lua e Os Filhos do Capitão Grant.
1868 - Viaja a Londres a bordo de seu iate Saint Michel.
1870 - Publica 20.000 Léguas Submarinas.
1871 - Morre Pierre, seu pai.
1873-74 - Publica A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (*) e A Ilha Misteriosa.
1878 - Entre junho e agosto faz uma viagem a Portugal.
1879-80 - Verne viaja para a Noruega, Irlanda e Escócia.
1885 - Publica Mathias Sandorf.
1887 - Em 15 de fevereiro morre Sophie, sua mãe.
1905 - Em 17 de março Júlio Verne adoece gravemente, em consequência de diabetes. Em 24 de março morre. É sepultado em Amiens.

(*) A Volta ao Mundo em Oitenta Dias
Tido como um dos pais da ficção científica, Júlio Verne antecipou em dezenas de anos a invenção de muitos dos equipamentos que utilizamos hoje. Sua novela mais célebre, A Volta do Mundo em Oitenta Dias, narra as peripécias do excêntrico inglês Phileas Fogg, que aposta com seus companheiros ser capaz de realizar uma viagem ao redor da Terra em exatos oitenta dias. Uma façanha e tanto para o século XIX.


Em 31 de janeiro de 1863, um livro de formato pequeno começa a aparecer nas prateleiras das livrarias na França. Conta a história de três viajantes, liderados por um tal dr. Fergusson, que se aventuram no coração da África viajando em um balão. Os valentes personagens da história enfrentam tribos selvagens, animais ferozes e outros perigos.

Os leitores estão perplexos, intrigados. Será fato ou ficção... Parece um autêntico diário de bordo, que inclui descrições detalhadas dos fenômenos naturais presenciados e anotações sobre longitude e latitude à medida que os exploradores avançam em sua viagem, mas as aventuras parecem fantásticas!

No jornal parisiense Le Fígaro, um comentário na coluna literária diz: "A viagem do dr. Fergusson é realidade ou não... Tudo o que se pode dizer é que é envolvente como o mais bem-escrito dos romances e instrutivo como um livro didático de ciências. Nem mesmo os grandes descobrimentos da história do mundo foram tão bem narrados".

O título desse incrível livro era Cinco Semanas num Balão, e o autor era um desconhecido chamado Júlio Verne.


Jules Gabriel Verne Allottte (seu nome de batismo) nasceu em 8 de fevereiro de 1828, em Nantes, no estuário de Líger, frança. Era o primeiro dos cinco filhos de Pierre Verne, um próspero advogado, e Sophie (Allote de la Fuye por nascimento), filha de uma família de militares. Seus irmãos eram Paul, Anne, Mathilde e Marie.

Criado numa cidade portuária, o garoto tímido vivia na marina e nas docas, observando o movimento do cais, o vaivém dos navios e das escunas, enquanto sua imaginação o transportava para portos longínquos, empoleirado no mastro de alguma embarcação. Sempre que podia, Júlio alugava um barco e passava o dia navegando nas imediações do cais. Algumas vezes Paul, o irmão um ano mais novo, o acompanhava. Mas foi numa ocasião em que estava sozinho que Júlio se viu à deriva, a cera de cinquenta quilômetros da orla, quando uma das pranchas se soltou e o barco acabou afundando. Encurralado numa ilhora, ele foi forçado a esperar que a maré baixasse para atravessar o trecho até terra firme e voltar para casa. Outro caso conta que aos onze anos, Júlio, apaixonado pelas histórias de países distantes, resolveu fugir de casa. Seu pai o teria conseguido pegar no porto de Poimboeuf, na primeira escala do navio. Pela fuga o menino receberia uma inesquecível surra. Em uma das primeiras biografias de Júlio Verne esse episódio seria romanceado, como uma tentativa do jovem Verne de viajar trabalhando de camareiro num navio mercante com destino às Índias, no qual teria chegado a embarcar clandestinamente. Teria sido resgatado pelo pai no último instante, antes de o navio zarpar. Não há evidências de que essas histórias sejam verdadeiras.

Júlio estudou em colégios católicos, e ao terminar o ensino secundário, em 1847, seu pai o enviou a Paris para estudar Direito. Nessa cidade Júlio passou a se interessar por teatro e escreveu uma peça, a comédia de um ato Les Pailles Rompues, que seria publicada em 1850. Seu pai ficou indignado quando Júlio anunciou que não queria prosseguir com os estudos e parou de lhe mandar dinheiro. Júlio então foi forçado a vender suas histórias para se sustentar. Introduzido por seu tio Châteaubourg nos círculos literários de Paris, Júlio Verne começou a publicar peças sob a influência de escritores famosos, como Victor Hugo e Alexandre Dumas (filho), a quem conhecia pessoalmente.

Em 1849 Charles Baudelaire traduziu os livros de Edgar Allan Poe para o francês. Júlio Verne tornou-se um dos mais devotados admiradores do autor americano; e em 1851 escreveu seu primeiro conto de ficção científica - Viagem num Balão, sob a influência de Poe.

Passou a trabalhar como secretário do Teatro Lírico de Paris em 1852, onde ficou por dois anos. Nesse período conheceu Honorine-Ane Hebe Freyson de Vianne de Morel, uma jovem viúva que tinha duas filhas, com a qual se casaria em 1857. Ele vivia com a mulher e as enteadas numa espaçosa residência e ocasionalmente saía para velejar. Para sustentar a família, trabalhou durante algum tempo como corretor da Bolsa de Valores, já que sua carreira de escritor progredia lentamente. Em 1861 nasceu Michel, o único filho do casal.

Em 1862 Júlio Verne conheceu Pierre Jules Hetzel,, escritor e editor de publicações infanto-juvenis, que começou a publicar a série Viagens Extraordinárias. Essa colaboração duraria até o fim da carreira de Verne. Depois de passar horas e horas nas bibliotecas de Paris estudando geologia, engenharia e astronomia, Verne publicou, em 1863, o seu primeiro romance, Cinco Semanas num Balão. O livro fazia parte da série Viagens Extraordinárias. O espetacular sucesso da obra, alcançado primeiramente na França e em seguida em vários países da Europa, rendeu-lhe um contrato de vinte anos com o editor Hetzel. Esse contrato seria alterado cinco vezes, sempre para incluir condições cada vez mais vantajosas para o escritor. Com os ganhos de suas futuras obras, Verne pode deixar seu emprego na Bolsa e dedicar-se inteiramente à literatura.

Apesar de se entregar com afinco à atividade de escrever, Verne conseguiu concluir o curso de advocacia. Foi nessa época que ele começou a sofrer de problemas digestivos, que periodicamente recorreriam até o fim de sua vida.

As histórias de Júlio Verne logo ganharam enorme popularidade no mundo inteiro. Como não era cientista nem tinha uma vasta experiência de viagens, Verne pesquisava muito para escrever seus livros. Ao contrário de outras obras de literatura de ficção, ele procurava ser realista e prático na narrativa e na descrição dos detalhes.

Outros livros vieram: Viagem ao Centro da Terra, em 1864; Da Terra à Lua, em 1866; 20.000 Léguas Submarinas, em 1870. O clássico A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, história baseada em uma viagem real do americano George Francis Train, foi escrito em 1873. Na primeira parte de sua carreira Júlio Verne expressava otimismo com o progresso e o papel central da Europa no desenvolvimento social e tecnológico do mundo. Já nos romances seguintes, o pessimismo do autor em relação ao futuro da civilização humana refletia o clima de fatalidade de fim de século.

Escritor de imensa popularidade, Júlio Verne é considerado o pai da ficção científica, ao lado de H. G. Wells. Embora Júlio Verne não tenha sido o primeiro escritor a descrever viagens à Lua ou aventuras no fundo do mar a bordo de um submarino, suas histórias foram as primeiras desse gênero que alcançaram projeção e popularidade internacional. Escritas tanto para adolescentes quanto para adultos, geralmente em forma de diários de bordo, elas levam o leitor a embarcar em aventuras, captam o espírito aventureiro do século XIX e o fascínio incondicional pelo progresso científico e pelas invenções tecnológicas.

Júlio Verne foi considerado um visionário, uma vez que muitas de suas idéias se profetizaram posteriormente nos avanços da ciência ao longo do tempo.

Durante mais de quarenta anos Júlio Verne publicou pelo menos um livro por ano, sobre uma ampla variedade de temas. Embora escrevesse sobre lugares exóticos, ele viajou relativamente pouco - seu único vôo de balão durou apenas 24 minutos.

Em 1872 mudou-se com a família para um palacete adquirido em Amiens, cidade em que nascera sua mulher.

Em um dia de março de 1886 Júlio Verne estava chegando a casa, depois de passar a tarde no clube, quando ouviu o som de disparos. Em seguida sentiu uma dor aguda na perna esquerda. O tiro que o deixaria manco para o resto da vida fora disparado por seu próprio sobrinho Gaston - que tinha problemas mentais -, filho do irmão Paul. Uma vingança por Verne ter se recusado a lhe dar dinherio para fazer uma viagem.

Desgostoso coma a perda parcial da mobilidade, com a morte da mãe, ocorrida em 1887, e por outros motivos, sua outrora tranquila felicidade ficou abalada. Em carta dirigida ao irmão em 1894, ele se queixaria: "Tornou-se insuportável para mim qualquer alegria, o meu caráter está profundamente alterado, e recebi golpes de que nunca conseguirei me recuperar". Paul morreria em 1897, e a Júlio Verne , cada vez mais desolado, apenas restava confessar: "Quando não trabalho, deixo de sentir-me viver".

O último romance de JúlioVerne foi A Invasão do Mar, de 1905. Sua obra completa é composta por 65 romances, cerca de vinte contos e ensaios, trinta peças, alguns trabalhos geográficos e também librettos de ópera.

A antecipação científica baseada em feitos verídicos e as aventuras de personagens audazes e inteligentes foram a principal fonte dos romances de Verne, os mares e lugares inexplorados o cenário adequado para o desenrolar de suas histórias, que são uma rara combinação de inventividade e habilidade literária.

No fim da vida, com problemas de saúde, Verne já não podia ir à biblioteca, os livros eram levados até ele. Mas mantinha a rotina de escrever pela manhã e ler à tarde.

Na noite de 24 de março de 1905, em Amiens, Júlio Verne pediu um exemplar do livro 20.000 Léguas Submarinas. Perguntou pela mulher e pelos filhos, fechou os olhos e morreu, em consequência de complicações por diabetes. Foi sepultado no cemitério Madeleine, em Amiens.
Após a morte de Verne, seu filho Michel concluiu e publicou algumas das obras inacabadas do pai.


Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe
1809 - Em 19 de janeiro nasce em Boston, nos Estados Unidos, Edgar Poe.
1811 - Em 8 de dezembro fica órfão de mãe.
1812 - Edgar é batizado como Edgar Allan Poe.
1814 - Com cinco anos Edgar começa a frequentar a escola.
1815 - Em 22 de junho John e Frances, com Edgar e a irmã de Frances, Ann Moore Valentine partem para a Inglaterra.
1820 - Em 22 de julho a família retorna à América.
1826 - Em fevereiro Edgar ingressa na Universidade da Virgínia, em Charlottesville.
1827 - Em março Edgar vai embora de casa. Publica, em Boston, seu primeiro livro, Tamerlão e Outros Poemas.
1829 - Em 28 de fevereiro morre a mãe adotiva de Edgar. Em dezembro é publicado seu segundo livro, Al Aaraaf, Tamerlão e Poesias Menores.
1830 - Em outubro John Allan se casa com Louisa Patterson, com quem teria três filhos.
1831 - O livro Poemas é publicado em Nova York. Em agosto morre em Baltimore o irmão de Edgar, Henry, provavelmente de tuberculose ou de cólera.
1833 - Em março Edgar recebe um prêmio de 50 dólares do The Saturday Visitor, de Baltimore, pelo conto Manuscrito Encontrado numa Garrafa.
1834 - Em março, em Richmond, morre Johnn Allan.
1836 - Em 16 de maio, com 27 anos, Edgar se casa com sua prima Vigília, de treze.
1838 - Em fevereiro Poe e a família mudam-se para a Filadélfia. Em julho é publicada A Narrativa de Arthur Gordon Pym.
1839-41 - Publica A Queda da Casa de Usher, Contos do Grotesco e do Arabesco e Os Crimes da Rua Morgue.
1843 - Em junho Poe ganha do Dollar Newspaper um prêmio de 100 dólares pelo conto O Escaravelho de Ouro.
1844 - Em outubro Poe e a família mudam-se para nova York.
1845 - Torna-se editor do The Broadway Journal. O Corvo é publicado no Evening Mirror. Contos e O Corvo e Outros Poemas são publicados em Nova York.
1846 - Em janeiro o The Broadway Journal encerra suas atividades. Em maio Poe muda-se com a família para Fordham, Nova York.
1847 - Em 30 de janeiro, em Fordham, Virgínia Poe morre de tuberculose.
1849 - Poe volta a Richmond e reencontra Elmira, agora viúva. Em 27 de setembro deixa Richmond com destino a Baltimore. Em 7 de outubro morre em Baltimore, no Hospital Universitário de Washington. No dia seguinte é sepultado no mausoléu do avô, no cemitério da Igreja Presbiteriana de Westminster, em Baltimore, Maryland. Charles Baudelaire publica Contos do Grotesco e do Arabesco na França, com o nome de Histórias Extraordinárias (*).


Histórias Extraordinárias
Em 1849 Baudelaire publicou na Frnaça Contos do Grotesdo e do Arabesco, de Alla Poe, com o título Histórias Extraordinárias. Trata-se de um conjunto de textos - como A Queda da Casa de Usher, O Barril de Amontilado, O Gato Preto, Os Crimes da Rua Morgue, dentre outros - nos quais, com extrema habilidade, Poe enfoca o fantástico e o sobrenatural com descrições minuciosas, conduzindo o leitor a um mundo noturno, enigmático, neurótico e de terror.




Segundo filho de um casal de atores itinerantes fracassados - David Poe Jr. e Elisabeth Arnold Hopkins -, Edgar Poe nasceu em 19 de janeiro de 1809, em Boston, onde os pais trabalhavam à época. Edgar, contudo, sempre considerou Richmond, capital da Virgínia, sua cidade natal. Foi onde passou a maior parte da infância e a juventude. Após a morte da mãe, Poe, com três anos incompletos, e sua irmã Rosalie, de onze meses, foram adotados por duas famílias de Richmond - Poe foi levado para a casa da John e Frances Valentine Allan, e Rosalie para a de William e Jane Scott MacKenzie. O irmão mais velho, Henry, ficou em Baltimore com os avós.

John Allan era sócio de uma tabacaria, e na época a família vivia num apartamento na sobreloja do estabelecimento.

Em 1815 Allan Poe viajou com os pais de criação e a tia, irmã de Frances, para a Inglaterra, onde viveu até 1820. De volta aos Estados Unidos, JOhn Allan comprou uma bela casa na Virgínia, onde Edgar morou até ingressar na universidade, em 1826. Do outro lado da rua morava a família Royster e sua filha Elmira, que se tornou a namorada de adolescência de Edgar. Mas, devido à desaprovação dos pais de Elmira, o relacionamento com Poe foi rompido, e ela casou-se com Alexander Shelton, que os pais consideravam melhor partido.

Na Universidade de Virgínia Allan Poe estudou francês, espanhol, italiano, latim e grego. Viciado em jogo, desentendeu-se com o pai adotivo por causa de uma dívida de 2 mil dólares contraída na universidade. Mesmo tendo quase certeza de que fora trapaceado, Edgar insistia em pagar a dívida mas John recusou-se a ajudá-lo. Edgar então abandonou os estudos e saiu da casa dos pais adotivos e da cidade de Richmond. Viajou para Boston e alistou-se no exército, de onde mais tarde seria expulso por indisciplina.

Foi em Boston que, em 1827, publicou seu primeiro livro, Tamerlão e Outros Poemas. Sua poesia refletia os conflitos com os pais de criação e provavelmente foram escritos, pelo menos em parte, ainda na Virgínia.

No dia 28 de fevereiro de 1829, Frances, a mãe adotiva de Edgar, morreu em Richmond. Ele obteve autorização para afastar-se do posto, mas não conseguiu chegar a tempo para o enterro.
Depois de servir durante dois anos no exército, por alguns meses na Academia Militar de West Point e da publicação de um segundo livro de poesias, Al Aaraaf, Tamerlão e Poesias Menores, Allan Poe mudou-se para a cidade de Baltimore.

Em 1831 publicou Poemas, e em 1833 ganhou o primeiro prêmio num concurso literário com o conto Manuscrito Encontrado numa Garrafa. O êxito no concurso rendeu a Poe um prêmio de 50 dólares e garantiu-lhe a oportunidade de emprego que o levaria de volta a Richmond, em dezembro de 1835, como redator e editor da revista Southern Literary Messenger, onde trabalharia até 1837, escrevendo análises literárias de obras e recebendo tanto elogios quanto críticas por seus comentários francos. Nesse período publicou vários de seus próprios poemas e histórias.

Edgar morava em uma pensão com sua tia viúva Maria Clemm, o filho dela e a filha, Virgínia, com quem se casou em 16 de maio de 1836. Eles se uniram clandestinamente, tendo apenas Maria Clemm como testemunha, uma vez que os parentes haviam se mostrado contrários ao casamento. Na certidão emitida pelo cartório de Richmond, a idade de Virgínia era de 21 anos, mas na verdade ainda não tinha completado catorze. Após uma cerimônia simples, o casal viajou em lua-de-mel para Petersburg, cidade ao sul de Richmond, onde se hospedaram na casa de Hiram Haines, editor de um jornal local.

Enquanto trabalhava na Southern Literary Messenger, Poe começou a escrever seu único romance, A Narrativa de Arthur Gordon Pym. A primeira parte do romance foi publicada na revista e garantiu a Poe o reconhecimento do público como crítico, poeta e escritor. Mas, com problema de alcoolismo, Poe deixou o emprego na revista. Em 1837 passou a morar em Nova York, e em 1838 partiu para a Filadélfia. Sustentava-se realizando serviços editoriais para publicações como Burton´s Gentleman´s Magazine, Graham´s Magazine, New York Evening Mirror e The Broadway Journal.

Em 1839 escreveu A Queda da Casa de Usher e Contos do Grotesco e do Arabesco. No ano seginte publicou Os Crimes da Rua Morgue, seu primeiro conto policial. Durante o período em que Poe trabalhou na Graham´s Magazine, a circulação da revista aumentou de 5000 para 37000 assinaturas, tornando-se de longe o periódico mais popular da época.

Em março de 1842 Poe encontrou-se com o escritor inglês Charles Dickens na Filadélfia. No ano anterior Dickens ficara impressionado com a perspicácia de Poe, que advinhou o final da história de Barnaby Rudge, de sua autoria, - publicado em capítulos no jornal Saturday Everning Post - depois de analisá-la. Dickens comprometeu-se a encontrar uma editora inglesa para publicar Contos do Grotesco e do Arabesco, embora nada de concreto tenha resultado da promessa.

Edgar tentou publicar seu próprio periódico, mas não obteve apoio nem verba. Em 4 de março de 1843 o Saturday Courier da Filadélfia publicou um artigo autobiográfico de Poe, repleto de informações distorcidas, presumidamente fornecidas pelo próprio escritor. E foi a partir daí que a imagem pública de Poe começou a se estabelecer.

Em junho de 1843 o Dollar Newspaper da Filadélfia publicou o conto O Escaravelho de Ouro, que rendeu a Poe um prêmio de 100 dólares. O sucesso foi tão grande que uma segunda edição do jornal foi publicada. Além do prêmio em dinheiro, Poe recebeu uma significativa projeção nacional e internacional. Algumas de suas obras começaram a ser adaptadas para o teatro e traduzidas para o francês.

Em novembro desse mesmo ano Poe deu uma palestra sobre poesia americana, na Filadélfia. A platéia ficou lotada, e as críticas foram favoráveis. Isso o incentivou a fazer outras palestras, entre as quais "Os Poetas e a Poesia da América", "O Princípio Poético" e "O Universo". Em fevereiro de 1845 Poe tornou-se um dos editores do The Broadway Journal. Em julho passou a ser o único editor e em outubro tornou-se o único proprietário do periódico. Finalmente Poe conseguira: era dono de uma publicação, mas que operava perigosamente no vermelho. No ano seguinte, afundado em dívidas, o The Broadway Journal encerrou suas atividades. Em maio Poe mudou-se com a família para um chalé em Fordham, New Yoork.

A dependência do álcool foi a perdição de Allan Poe. Seu talento era imenso, e ele tinha contatos influentes e boa oportunidades. Alguns amigos de Washington conseguiram uma audiência na Casa Branca para levar adiante seu tão sonhado projeto de lançar uma revista, que até já tinha título - The Stylus. Mas quando ele se apresentou, visivelmente embriagado nem mesmo seu melhor amigo, o escritor e político F.W.Thomas,  pode fazer alguma coisa para ajudá-lo. Daí por diante, a sorte o abandonou.

Com o agravamento do estado de saúde da esposa acometida de tuberculose, Poe passou a recorrer à bebida com mais frequência. Virgínia morreu em 30 de janeiro de 1847. No ano seguinte Poe escreveu A Balela do Balão e publica O Corvo, conto que o tornou famoso nos Estados Unidos e na Europa.

Inspirado em uma de suas palestras - "O Universo" -, escreveu o livro Eureka, um extenso "poema em prosa", de teor semicientífico e metafísico, publicado em março de 1848. Essa foi a décima e última obra do poeta publicada em vida. De volta a Richmond em 1849, retornou o contato com a namorada da adolescência, Elmira. Mas a morte da esposa o deixara profundamente abalado, e ele nunca se recuperaria do golpe. Sua saúde se deteriorava cada vez mais, e quem lhe dava assistência era a tia e sogra, Maria Clemm.

O fim da vida de Poe foi marcado pela publicação de alguns de seus mais notáveis poemas - Os Sinos, Ulalume, Annabel Lee e outros - e por seu deslumbramento com várias mulheres.

Edgar Allan Poe virtualmente criou a história de detetive e aperfeiçoou o gênero de suspense.
Também escreveu alguns dos mais importantes textos críticos de sua época - citações teóricas sobre poesia e conto -, e sua influência na literatura mundial é extensa.

Alguns de seus poemas se destacam pela construção literária impecável, pelos temas sombrios de morte, melancolia, crueldade, tortura culpa e vingança, pelos cenários lúgubres e pela extraordinária manipulação da métrica e do ritmo, que por vezes chegam a reproduzir sons e estados de espírito.

Allan Poe influenciou poetas e escritores modernos entre os quais, certamente, Sir Arthur Conan Doyle - criador do personagem Sherlock Holmes e seu assistente Watson - , cujo estilo e estrutura são muito semelhantes às histórias de detetive de Poe.

As circunstâncias da morte do escritor Poe permanecem um mistério. Após uma visita a Norfolk e Richmond para dar algumas palestras, ele foi encontrado inconsciente numa rua de Baltimore, em 3 de outubro de 1849, e levado a um hospital, onde ficou internado por quatro dias, com febre alta, tremores e delírios. Morreu no dia 7 de outubro. Edema cerebral, indicava o diagnóstico publicado no breve obituário. Edgar Allan Poe foi sepultado no cemitério da Igreja Presbiteriana de Westminsteer, em Baltimore, Maryland, no mausoléu de seu avô.

Nesse mesmo ano Charles Baudelaire publicou Contos do Grotesco e o Arabesco na França, com o nome de Histórias Extraordinárias.

Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails