quarta-feira, 3 de junho de 2015

F. Scott Fitzgerald

F. Scott Fitzgerald
1896 - Em 14 de setembro, em Saint Paul, Minnesota, Estados Unidos, nasce Francis Scott Key Fitzgerald.
1913 - Entra para Universidade de Princeton. Logo abandona os estudos, sem obter o diploma.
1917 - É convocado para o Exército. Começa a escrever Este Lado do Paraíso.
1919 - É dispensado do Exército. Arruma emprego em uma agência de propaganda.
1920 - É publicada, com sucesso, sua primeira obra: Este Lado do Paraíso. Em abril, casa-se com elda Syre.
1821 - Publica contos em diversas revistas. Em outubro nasce Frances, a única filha que teria. Publica em capítulos, no Metropolitan Magazine, o romance Belos e Malditos.
1922 - Publica o livro Contos da Era do Jazz.
1923 - Escreve a peça para teatro O Vegetal ou De Presidente a Carteiro.
1924 - Viaja para a França com Zelda. Começa a trabalhar no romance O Grande Gatsby.
1925 - Publica O Grande Gatsby. Em Paris conhece Ernesst Hemingway, de quem se torna grande amigo.
1926 - Volta para os Estados Unidos. Sua esposa, Zelda, começa a dar sinais de desequilíbrio psíquico. Fitzgerald passa a ter problemas de alcoolismo.
1929-31 - Fitzgerald e a mulher viajam pela Europa. Os médicos diagnosticam esquizofrenia em Zelda.
1934 - Zelda tenta o suicídio. Publica o romance Suave é a Noite.
1939 - Começa a escrever, mas não termina, o romance O Último Magnata.
1947 - Sua esposa, Zelda, morre em um incêndio em uma clínica para doentes mentais. Morre em 22 de dezembro, em Hollywood, Califórnia, vítima de um ataque cardíaco.

Ostentar riquezas, ainda que na verdade inexistentes, era um símbolo de prestígio e de sucesso nos negócios naquele final do século XIX. Morar na rua principal fazia parte do jogo da ostentação. Mesmo que a casa não fosse um palacete,  mas uma vivenda modesta, como o número 589 da suntuosa Summit Avenue, em Saint Paul, Minnesota. A placa na entrada indicava o nome e a ocupação do morador: Edward Fitzgerald, despachante.

Embora, Saint Paul tivesse, nessa época, 200 mil habitantes, toda a elite local se conhecia, frequentava os mesmos lugares e encontrava nos comentários da vida alheia a maior distração. Um de seus assuntos favoritos era o casamento de Fitzgerald.

Ele estava com 37 anos quando esposou a rica herdeira de P.F. Mc Quillan, um comerciante que fez fortuna nos Estados Unidos em meados do século XIX. Edward, em contrapartida, tinha consigo apenas o orgulho de pertencer à mais fina aristocracia do sul e uma extraordinária incapacidade para tratar de negócios.

Os primeiros anos de casamento foram perturbados pela morte prematura de dois filhos do casal. Em setembro de 1896 nasceu o menino Francis, que, juntamente com sua irmã Annabel, constituiria toda a prole dos Fitzgerald.

Em um fracasso e outro, o casal peregrinou por várias cidades americanas, sempre buscando melhores oportunidades de negócios e tentando ostentar a mesma aparência de riqueza. De suas peregrinações, contudo, voltava constantemente a Saint Paul, onde passava longas temporadas.

Esses anos de instabilidade marcariam a fundo a personalidade de Francis e Annabel. Na Academia Newman, internato católico de Nova Jersey onde o menino estudou por algum tempo, revelou-se aluno medíocre, interessado menos nos estudos que nos esportes e na leitura de romances.

Mais tarde, em 1913, ao ingressar na Universidade de Princeton Francis Scott foi logo advertido por obter notas ruins, e só se distinguiu em inglês e filosofia. O interesse de Fitzgerald na universidade dividia-se entre as estudantes e as atividades extra-acadêmicas. Tornou-se rapidamente popular entre os colegas, porém não entre os mestres, que raras vezes tinham ocasião de encontrá-lo. As poucas "horas vagas" que lhe deixava a vida social e literária, preferia passá-las em companhia de um bom livro.

Certo dia, em janeiro de 1915, conheceu Ginevra King, por quem se apaixonou perdidamente. Pela primeira vez compreendeu o que era amar. A grande paixão, contudo, terminaria em janeiro de 1917.
Desiludido, Francis Scott abandonou a universidade sem ter obtido o diploma. Queria ser escritor. Convocado para o Exército no final desse mesmo ano, levava no bolso o rascunho de seu primeiro romance: Este Lado do Paraíso, que seria publicado em 1920.

Desmobilizado do Exército em fevereiro em 1919, Fitzgerald obteve emprego numa agência de propaganda. Ao mesmo tempo, procurava publicar seu romance e os contos que escrevia. Mas o caminho era árduo, quando a revista Smart-Set adquiriu uma de suas histórias por trinta dólares, que o autor gastou "num leque de plumas carmesim" para oferecer a uma "garota do Alabama". A garota era Zelda Sayre, com quem se casaria em abril de 1920.

A sorte parecia ter vindo ao seu encontro. Não apenas a Smart-Set, mas também a Scribner´s, a Redbook, a Esquire e outras revistas decidiram comprar seus escritos. Ao final desse ano, recebia por eles cerca de 20 mil dólares. Isso fortalecia sua tese de que escrever é a forma mais assombrosa de elevar-se da pobreza á fortuna, da obscuridade à fama.

Na década de 20 as revistas populares ilustradas proporcionavam um grande mercado para a ficção. Entre artigos de variedades, reportagens sensacionalistas e anúncios ousados, havia sempre lugar para um conto, onde se exprimia o conflito de gerações, a ruptura da juventude com valores de outros tempos, a crise moral do pós-guerra.

O fim da Primeira Guerra Mundial provocara nos jovens um sentimento de angústia, expressado numa vontade desenfreada de viver, de libertar-se, renegando o passado e adotando novas modas e novas escolas: é a fase do Dadaísmo e do Surrealismo,  na pintura; o início da "era do jazz", na música.

As histórias de Fitzgerald, reunidas sob o título Contos da Era do Jazz e publicadas em 1922, vinham refletir esse estado de espírito. Marcia Meadows, personagem de um dos contos, é exemplo típico da jovem emancipada e petulante de sua geração: lê Anatole France, diz "diabos" com frequência, atira livros no tio, ondula os cabelos e gosta de beijar. Quanto aos personagens masculinos, sua principal qualidade é a imaginação ousada e uma profunda vontade de vencer na vida.

Já famoso, Francis ganhava muito, mas gastava num ritmo incompatível com o que recebia. Levava, com a mulher, Zelda, uma vida de muitas festas e pouco trabalho. A permanente insatisfação com essa existência desregrada traduz-se nas várias mudanças e viagens do casal. Entre 1920 e 1922 estabelecem-se em Westport, Connecticut, viajam à Europa, mudam-se para Montgomery, Alabama, daí para Saint Paul e finalmente para Nova York. Nos catorze meses que passaram em Saint Paul nasceu a menina Frances, em 1921, filha única de Francis Scott Fitzgerald.

Como produto dessa fase surgiu Belos e Malditos, romance publicado em capítulos pelo Metropolitan Magazine a partir de setembro de 1921. O protagonista é um homem estragado pela riqueza ou pela promessa de riqueza. O enredo, um tanto melancólico e moralista, não agradou à crítica. Quanto ao público,  livro constituiu um fracasso total.

Deixando-se provisoriamente o romance, Scott Fitzgerald decidiu tentar o teatro. As numerosas salas de espetáculos de Nova York viviam repletas, e o gênero parecia-lhe não apenas uma atividade lucrativa mas igualmente uma maneira de atingir um outro público. O Vegetal ou De Presidente a Carteiro, publicado em 1923, narra a história de um simples funcionário que da noite para o dia se torna presidente da República; mas, após uma breve experiência no cargo, prefere voltar a sua vida anterior e escolhe o ofício de carteiro, no qual encontra a felicidade. O espetáculo jamais conseguiu chegar à consagração dos famosos teatros da Broadway. Financeiramente, foi uma calamidade: em vez de lucros, trouxe-lhe apenas dívidas. Para saldá-las o escritor teve de trabalhar durante todo o inverno e produzir onze contos e artigos em seis meses.

Ao final desse período restavam-lhe alguns milhares de dólares suficientes para levá-lo com sua mulher à França, onde planejava elaborar um romance. Em fins de 1924 escrevia da Riviera para Edmund Wilson: "Meu livro é maravilhoso, bem como o ar e o mar. Recuperei minha saúde - não tenho mais tosse, nem rolo de um lado para o outro na cama a noite inteira".

A razão desse entusiasmo era O Grande Gatsby, publicado em 1925 e considerado por muitos a melhor obra de Fitzgerald.

O importante no livro não é a intriga propriamente dita, e sim o desespero dos personagens, que é também o drama de toda uma geração: oprimidos por uma existência rotineira na qual não vêem nenhum sentido, procuram uma fuga rompendo com as velhas convenções morais. Mas a tentativa só os leva a um grande vazio, que anula todo sentimento.

Sob esse aspecto, a obra de Fitzgerald revela um curioso conceito moral: a beleza sempre aparece associada ao pecado e à corrupção. O passado romântico do velho Oeste é apresentado como uma espécie de ideal místico, em oposição à frieza do Leste desenvolvido.

Nem toda crítica percebeu imediatamente o sentido de O Grande Gatsby, só vendo nele um medíocre melodrama: para o Herald Tribune, o romance não passa de uma "tragédia com gosto de leite desnatado", mas para o The New York Times é um livro "curioso, místico e glamouroso".

No plano financeiro, os resultados foram desanimadores. Um ano após a publicação, O Grande Gatsby não atingira 30 mil exemplares vendidos. No entanto, a venda dos direitos de filmagem e a adaptação do romance compensaram plenamente o fracasso de livraria e resolveram os problemass econômicos imediatos do autor.

"Mil festas e nada de trabalho". É como descreve Fitzgerald o ano de 1926. Perdido o fascínio da celebridade, o escritor entra em um período improdutivo; a bebida deixa de ser um hábito social para tornar-se um vício que o destrói física e moralmente. Entre São Rafael, Antibes e Capri, o casal peregrina sem muito objetivo, "em busca do eterno carnaval junto ao mar".

O único acontecimento enriquecedor é o encontro de Fitzgerald com Ernest Hemingway em Paris, durante o verão de 1925. Fitzgerald o chamava de sua "consciência artística". Foi uma amizade tensa, que terminou amargamente pelo final dos anos 30. Nessa ocasião, Fitzgerald comentou, com certo azedume: "Falo com a autoridade do fracasso. Ernest fala com a autoridade do sucesso". Pouco depois aparecia cruelmente retratado em As Neves do Kilimanjaro, de Hemingway.

De volta aos Estados Unidos em dezembro de 1926, o escritor e sua esposa passam por um longo período de insegurança e de perturbações mentais. As mudanças de domicílio são constantes, as viagens frequentes, a bebida excessiva e o trabalho reduzido ao mínimo necessário para cobrir as despesas. É quando Zelda começa a dar sinais de desequilíbrio psíquico, sofrendo as primeiras crises.
Durante os anos de 1929 a 1931, o casal perambulou pela Europa. Em abril de 1930 Zelda sofreu um colapso nervoso. Os especialistas franceses diagnosticaram esquizofrenia e recomendaram um longo período de tratamento numa clínica suíça. Em 1931 ela estava suficientemente recuperada para viajar através da França, Alemanha e Áustria. Por nove meses o casal viveu tranquilo; o próprio Fitzgerald proclamou esse período como o mais feliz de sua vida.

Ao regressar à América, porém, Zelda sofreria novas crises, e sua existência passaria a ser um permanente vaivém entre os diversos sanatórios. Em janeiro de 1934, acometida por uma violenta crise, ela tentou o suicídio.

Para a filha Frances, já adolescente, a vida familiar era das mais desorganizadas, com a mãe internada em caráter quase permanente e o pai alcoólatra passando frequente temporadas no hospital para tratar-se do excesso de bebidas. Quando um incêndio destruiu o andar superior da casa dos Fitzgerald, em Baltimore, ninguém pensou em consertá-la, e a família permaneceu ali durante muitos meses. Praticamente sem recursos, o escritor vivia de alguns artigos para revistas. Os direitos de seus livros rendiam-lhe a irrisória quantia de 50 dólares por ano.

Entre 1926 e 1934 publicou 49 histórias e uma dúzia de artigos, porém nenhum romance.

Para uma época de decadência, em que escrevia sob o efeito do álcool e premido por problemas da maior gravidade, Fitzgerald até produziu demais. Não poderia ficar esperando um momento de tranquilidade e equilíbrio para trabalhar; essa hora jamais chegaria. No auge de sua crise pessoal e familiar, Fitzgerald escreveu Suave é a Noite, o último romance que publicou em vida, no ano de 1934.

Na relação conflituosa entre Richard Diver, o personagem central, e Nicole, a sua esposa neurótica, estão presentes todos os dramas do autor. A fortuna de Nicole permite ao marido ceder á atração de uma vida fácil e abandonar a profissão. Quando se desagrega o casamento, tomba com ele o próprio Diver. O álcool aparece então como o único porto onde pode ancorar; não é, contudo, um porto seguro, e o barco permanecerá sem rumo, á deriva.

A sociedade descrita por Scott Fitzgerald está entregue ao ceticismo e, às vezes, ao desespero. A crise dos anos 20, particularmente a derrocada econômica de 1929, abalara a fé nas instituições, na moral e na religião. Apenas o dinheiro e o prazer imediato pareciam ter algum valor. O amor deixara de ter sentido; reduzira-se à mera satisfação de uma necessidade física, ou à possibilidade de uma fuga sem a eficácia do álcool.

Embora a maioria dos críticos se mostrasse favorável à obra, Suave é a Noite vendeu apenas 13 mil exemplares, menos que todos os romances anteriores do autor. A reputação de Fitzgerald, conhecido pelos leitores como um bêbado temperamental e desordeiro, não ajudava a promover o livro. Todavia, o que preocupava o escritor era a rejeição dos moralistas, e sim a recusa do público, aparentemente desinteressado de sua obra. Resolveu, como experiência, mudar o tema de seus livros, e, ainda em 1934, começou a redigir um romance sobre a história medieval: The Count of Darkness - O Conde das Trevas -, publicado em capítulos na revista Redbook; mas não conseguiu empolgar os leitores.
As dívidas, a cirrose, a luta para não beber e, finalmente, a tuberculose, terminaram por levá-lo ao desespero. Sua existência é uma contínua deterioração. Em 1935 alugou um quarto em Henderson, Califórnia, e ali viveu modestamente; quase não tinha o que comer, e possuía uma só camisa, que ele mesmo lavava, à noite, na pequena pia. Zelda encontrava-se internada em Asheville, na Carolina do Norte, e não havia mais esperanças de recuperá-la. De 1936 a 1937 Fitzgerald morava perto dela, tentando proporcionar-lhe algum alívio com sua presença. Sobrecarregado de problemas, porém, não tinha capacidade de ajudar ninguém. Desesperado continuava a beber descontroladamente, e por duas vezes chegou mesmo a tentar o suicídio.

Após a morte de sua mãe, em 1936, recebeu 42 mil dólares de herança. A quantia mal lhe bastou para pagar as numerosas dívidas. No ano seguinte assinou um contrato com a Metro-Goldwin Mayer e transferiu-se para Hollywood, onde trabalhava nos argumentos de vários filmes, entre os quais Madame Curie e... E o Vento Levou. Mas o trabalho não lhe interessava. O sentimento de frustração se mantinha. Sua única alegria era a filha Frances. "Scotty", como a chamava, era já uma estudante universitária e interessava-se por literatura.

Em 1939 Fitzgerald começou a trabalhar em O Último Magnata, um romance que não chegaria a terminar. Redigiu apenas seis capítulos, suficientes para revelar uma obra distinta de tudo que escrevera até então. Em vez de centralizar-se em um personagem e em seus dramas pessoais, o livro focaliza principalmente os conflitos econômicos, as intrigas e a luta pelo poder na indústria cinematográfica de Hollywood.

Em novembro de 1940 sofreu o primeiro ataque cardíaco. Morreu em mês mais tarde, em 21 de dezembro, vitimado por um segundo colapso. Não pôde ver o reconhecimento de sua obra, considerada um retrato perfeito da classe média alta americana dos anos 20 e 30, quando dinheiro e costumes apareciam indissoluvelmente ligados.

Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

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