sábado, 22 de setembro de 2018

Afonso Felix de Sousa



Afonso Félix de Souza

Palavras e palavras, esta a herança
que tive e vou deixando.

1925
Nasce no dia 5 de julho, em Jaraguá - GO.

Desde a idade escolar, os versos despertaram em Afonso Felix de Sousa uma espécie de fascínio, especialmente pelos românticos e parnasiano. Logo, começou a escrever sonetos, acrósticos e quadras metrificadas. Na adolescência, descobriu os simbolistas e, logo a seguir, os modernistas. Mudou-se com a família ara Goiânia, em 1943, e passou a publicar seus versos nos jornais locais, como O Popular, Folha de Goiás e Oeste. No final da década, começou a trabalhar no Banco do Brasil e participou da fundação da Associação Brasileira de Escritores de Goiás. Foi transferido para o Rio de Janeiro, onde vive até hoje. Em 1959, Afonso Felix de Sousa se casou com a diplomata e também poetisa Astrid Cabral, com quem tem cinco filho.

Publicou, em 1948, O túnel, seu primeiro livro de poesia, que teve boa acolhida da crítica. Dos poetas que surgiram ao término da Segunda Guerra e da ditadura do Estado Novo, conhecidos como a Geração de 45, Afonso Felix de Souza é um dos nomes mais representativos. Darcy Damasceno aponta em sua obra dois grupos temáticos principais: "O primeiro grupo se forma, inicialmente, em torno da idéia de nostalgia da infância, acentuando-se depois na de frustração amorosa (O túnel, Do sonho e da esfinge e Íntima parábola); o segundo centra-se na idéia de errância (O amoroso e a terra, Memorial do errante e Álbum do Rio)."
No plano formal, podemos observar a gradual transformação de sua obra, evoluindo da rígida convenção da métrica até o verso livre: "A minha poesia começou com a fase em que eu só a concebia dentro dos preceitos da versificação convencional (métrica, rima). Com a leitura dos nossos modernistas, fui alargando as suas fronteiras, desenvolvendo-a."
Afonso Felix de Sousa é também tradutor, tendo trazido para a língua portuguesa grandes nomes da poesia universal, como John Donne, François Villon e Federico García Lorca.


"A poesia de Afonso Felix ajudou a formar e desenvolver o pensamento estético da Geração de 45."
Gilberto Mendonça Teles



"A poesia é... e mais de centenas de definições que não a definem em todos os aspectos. Limitando-me ao verso, diria, como Drummond, que o verso é minha consolação, minha cachaça."

"Na criação literária existe um processo mecânico de apresentação dos textos, ao lado de um aspecto misterioso (inspiração ou coisa que o valha) que se incorpora às vezes independentemente da nossa vontade, surpreendendo a nós mesmos."
Afonso Felix de Sousa





Destino

Porque nasceste obscuras raízes se espalharam
traçando esses caminhos. Agora vais em frente.
Ainda que desejes parar debaixo de uma árvore,
comer de um fruto que não seja teu, deitar à sombra
que não cai do céu para todos, ou desviar-te
por outros caminhos que sonhaste e só por isso
julgas teus, irrevogáveis e mecânicos são os passos
que te vão levando, inerme, sobre a corda bamba
até a outra margem - de onde voltar não podes.
Voltar atrás não podes, é tarde, é sempre tarde,
que a cada momento a corda arrebenta atrás de ti
e arma-se de novo à tua frente para que de novo
a pises, vás em frente, chegues lá. Mas a que eira
ou beira? A que destino? Mãos invisíveis traçam
o destino; e os fios com o que o traçam, tramam,
são igualmente invisíveis. E vais. Por onde vais,
sejam ou não os caminhos que sonhas teus e pisas,
em toda água sobre que te debruces, vês, encontras
a imagem de que foges e á a imagem que buscas.


Obras do autor
POESIA: O túnel, 1948; Do sonho e da esfinge, 1950; O amoroso e a terra, 1953; Memorial do errante, 1956; Íntima parábola, 1960; Álbum do Rio, 1965; Chão básico & itinerário leste, 1978; As engrenagens do belo, 1981; Quinquagésima hora & horas anteriores, 1987; Á beira de teu corpo, 1990. Soneto aos pés de Deus e outros poemas, 1996.

POEMAS DRAMÁTICOS: Caminho de Belém, 1962; Vida e morte de alferes, 1965; Rio das almas, 1984.

ANTOLOGIAS: Antologia poética, 1966; Pretérito imperfeito, 1976; Antologia poética, 1979; Nova antologia poética, 1991.

PROSA: Do ouro ao urânio (crônicas), 1969.



quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Cardosinho - José Bernardo Cardoso Júnior

José Bernardo Cardoso Júnior -
Serra dos Órgãos


De pai brasileiro, veio para o Brasil com três anos de idade para morar no Rio de Janeiro. Perdeu a família em um naufrágio em 1873. Foi para o seminário São José e depois estudar em Roma, na Pontifícia Universidade Gregoriana. Desistiu de ser padre e escolheu ser professor de latim e francês em Minas Gerais, e, em seguida, inspetor de colégio no Rio de Janeiro. Autodidata, começou a pintar depois de aposentado. Enviou dois trabalhos para o Salão de 1931 - o Salão Revolucionário - da Escola de Belas Artes, que seguia a orientação renovadora de Lúcio Costa. Teria sido nessa ocasião notado pelos modernistas, interessados na recuperação de formas outras de arte. Nesse ano Portinari tinha voltado da Europa, participava do júri do salão e passaria a incentivá-lo. Cardosinho apresentou no Salão uma natureza-morta com perspectiva, composição e uso da cor inteiramente diversos, quer da norma acadêmica, quer da estética das vanguardas do seu tempo. O onorismo delicado da sua pintura rendilhada, nessa natureza-morta, faz refletir num espelho  o Pão de Açúcar, visto de ângulos simultâneos. Se o seu trabalho não fosse alheio a rótulos, poderíamos falar de um surrealismo em surdina para qualificá-lo, mas o ideal é deixá-lo livre e desetiquetado, aproximando-o daquele "grau zero da pintura" que buscaram outros artistas seus contemporâneos, como o douanier Rousseau, Séraphine de Senlis, Bombois, Vivin. O outro trabalho que inscreveu no Salão denominou-se Trecho da Ilha de Santa Cruz e, certamente, foi também "copiado" de cartões postais e ilustrações como era do gosto desse artista que preferia aproximar-se da realidade pelo seu rebatimento. Pintou cerca de 600 quadros entre os 70 e os 86 anos de idade. Tem obras na Tate Gallery, em Londres, no MOMA, em Nova York e no museu de Arte Moderna, RJ.

His father was Brazilian and he was three years old when be arrived in Brazil to live in Rio de Janeiro. He lost his family in a ship-wreck in 1873. He went to São José seminary and later studied in Rome at the Gregorian Pontifical University. He gave up the idea of being a priest and decided instead to be a Latin and French teacher in the State of Minas Gerais, and then a school inspector in the city of  Rio de Janeiro. he was self-taught and began painting after his retirement. He sent two works to the 1931 Salon - the Revolutionary Salon - of the School of Fine Arts, which had adopted the renovationg focus of Lúcio Costa. It was on that occasion that he was noticed by the Modernists, interested in recovering other forms of art. At that year Portinari had returned from Europe, was a jury member of the salon and now encour-eaged him. Cardosinho exhibited a still life in the Salon with completely different perspective, composition and use of color from the academic standards and aesthetics of the vanguards of his time. The delicate dreamlike quality of his lace-like painting in this stilllife simultaneous angles. if his work were not alien to labels, we could mutter Surrealism to classify it, but the ideal is to leave it free and unlabeled, approximating it to desired "zero degree of painting" of other contemporaries of his, such as Douanier Rousseau, Séraphine de Senlis, bombois, and Vivin. The other work registered in the Salon was called A stretch of Santa Cruz Island (Um Trecho da Ilha de Santa Cruz) and certain-illustrations, which this artist liked to do be become closer to the reality through its reverberation. From 70 to 86 years old he painted around six hundred pictures. He has works on display in the Tate Gallery, London, in the Museum of Modern Art, New York, and the museum of Modern Art of Rio de Janeiro.

Fonte: Pequeno Dicionário da Arte do Povo Brasileiro - Século XX - Lélia Coelho Frota, págs. 95-96.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Bené da Flauta de Bambú - Benedito Pereira da Silva


Bené da Flauta de Bambu -
Foto: Dimas Guedes

Iniciou a produção de flautas de bambu e outros instrumentos de sopro de sua invenção aos 17 anos.
Vivia com a irmã, analfabeta e pobre, em uma casa de pedra, no morro da Quimada. Tocava saxofone e vendia flautas na praça Tiradentes em Ouro Preto, sua cidade natal. Guilherme Mansur, em Bené Blake (1999), primoroso livrinho que editou com fotos do artista por Dimas Guedes e versos de William Blake, descreveu-o como "um dionisíaco homme sauvage" que andava pelas ruas da cidade nos anos 60/70 e morreu no final daquela última década. Bené usava roupas espelhadas e coloridas, e se dizia possuído por Deus. Realizou muitas esculturas em pedra e madeira com vigor e poder de síntese. Consta do Dicionário de Artes Plásticas no Brasil, de Roberto Pontual (1969).

c.1922, Ouro Preto/MG - c.1978


He began making bamboo flutes and other wind instuments of his own invention when he was 16 years old. He lived with his poor illiterate sister ins a stone house on Queimada Hill. He played the saxophone and sold flutes in Tiradentes Square in Ouro Preto, his birth town. Guilherme Mansur, in Bené Blake (1999) a booklet he edited with photos of the artist by Dimas Guedes and verse of William Blake, describes Bené as "a Dionysian homme savage", who wandered the streets of the town in the 1960s and 1970s, and died in the late 1970s. Bené used to wear shiny, bright-colored clothes and claimed to be possessed by God. He made many stone and wooden sculptures with energy and power of synthesis. he is part of Dicionário de Artes Plásticas no Brasil (1969) by Roberto Pontual.

Fonte: Pequeno Dicionário da Arte do Povo Brasileiro - Século XX - Lélia Coelho Frota, págs. 90-91.

sábado, 15 de setembro de 2018

Francisco de Oliveira Carvalho



Francisco de Oliveira Carvalho

O rio de meus avós já não passa pela aldeia dos meninos.


De sua terra natal, Francisco Carvalho recorda as tardes poeirentas do verão, os doidos de rua, as procissões das sextas-feiras santas, os sinos da matriz dobrando pelos mortos de malária, transportados em redes para o cemitério. Em vários de seus poemas existem vestígios desta época, para sempre impresso na sua alma.

Viveu uma adolescência povoada de vozes poéticas: Castro Alves, Álvares de Azevedo, Cruz e Souza, Casimiro de Abreu, Olavo Bilac. Com 19 anos, emigrou para Fortaleza, onde morava numa pensão e trabalhava no comércio. Atualmente, Francisco Carvalho é funcionário da Universidade Federal do Ceará e membro da Academia Cearense de Letras.

Seus primeiros poemas foram publicados em jornais locais, como o Unitário, O Nordeste e O Povo. O livro de estréia, Cristal de memórias, de 1955, deu início a uma longa trajetória, na qual Francisco Carvalho descobriu que "a humildade é a porta de outo por onde se chega à ante-sala da Poesia".

Em 1982, com o livro Quadrante solar, ganhou o prêmio de poesia da Bienal Nestlé. Recebeu também o da Biblioteca Nacional de 1997, com Girassóis de barro. Sua poética tem nítido parentesco com a Geração de 45, na técnica esmerada, no verso livre buscando a densidade formal. Segundo Assis Brasil, "Francisco Carvalho produz a sua poesia, no fundo, sem se preocupar muito com os enquadramentos estéticos, ou as situações históricas relacionadas com o verso. Sonetos, decassílabos, rimas ortodoxas ou irregulares, o sabor das trovas populares, os hexassílabos, sem dúvida trata-se de uma poesia plural, que parece ser uma tendência do poeta maduro e consciente de seu trabalho".

Francisco Carvalho reconhece três fases em sua obra: aprendizagem, de 1955 a 1966, com a transição das formas arcaicas para o verso moderno; a busca da individualidade literária, até 1979; e a maturidade, que se inicia na década de 80, revelando o poeta mais completo, em textos consistentes e com pleno equilíbrio de conteúdo e forma, onde a poesia é uma sistematização de códigos e a transformação da "linguagem verbal em objeto estético". A professora da USP Nelly Novaes Coelho ressalta que, em seus versos, há "um certo ritmo oracular, que aprofunda a grandeza da linguagem, lembrando ora a inspiração bíblica dos salmos, ora o húmus do epigrama (em que o poeta é mestre)".



"Inspiração é palavra proibida no dicionário poético da atualidade. Melhor seria, talvez, dizer que existe um momento propício para a poesia. O sujeito não deve colocar-se diante do papel à espera de que o poema lhe caia do céu, pronto e acabado. Isso é uma falácia. Tem-se vontade de escrever um poema da mesma forma que se tem vontade de fazer amor. (...) O poeta constrói o poema, a emoção desenha o ritmo."
Francisco Carvalho



ARQUIVO MORTO

Sou o passado e o presente
sou também o futuro.
Os dias que se vão desfolhando
em plumagem dourada.

Sou a sombra da árvore onde
as feras repousam.
O rastro que os ventos apagaram
mas continua palpitando
nas artérias da luz.

Sou o passado submerso na pele.
A porta do futuro que
se abre aos fantasmas expulsos
de suas tumbas demolidas.
Sou o futuro e sua nau
de fogo boiando nas águas do dilúvio.

Estarei convosco quando o futuro
chegar com a sua túnica
de profeta indignado. E quando
suas palavras forem mais
terríveis do que um punhal cravado
no peito do inimigo.


"Antes de mais nada, cumpre sublinhar o que há de rigor, ostinato rigor, na poesia de Francisco Carvalho, na qual impera, soberana, a grave e harmoniosa comunhão entre forma e fundo, entre o que e o como da expressão poética."
Ivan Junqueira


Obras do autor

POESIA: Cristal da memória, 1955; Canção atrás da esfinge, 1956; Do girassol e da nuvem, 1960; Memorial de Orfeu, 1969; Os mortos azuis, 1971; Pastoral dos dias maduros, 1977; Rosa dos eventos, 1983; As visões do corpo, 1984; Barca dos sentidos, 1989; O Tecedor e sua trama, 1992; Girassóis de barro, 1997; Romance da nuvem pássaro, 1998; A concha e o rumor, 2000.




sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Agnaldo Manuel dos Santos

Agnaldo Manuel dos Santos -
Pequeno Dicionário da Arte do Povo Brasileiro - Século XX -Lélia Coelho Frota


Descendente de índios e negros, trabalhou desde os dez anos de idade. Depois de diversas ocupações, incllusive a de mineiro em uma caieira, empregou-se, em 1947, como vigia no estúdio do escultor, gravador e desenhista Mário Cravo Júnior, em Salvador. incentivado por esse artista, Agnaldo começou a esculpir em 1953. Viajou com Franco Terranova pelo rio São Francisco, resultando daí a recuperação de inúmeras antigas carrancas que haviam navegado na proa de embarcações. Conheceu, então, o principal autor de carrancas no século XX, o mestre Francisco Biquiba Dy Lafuente Guarany, de quem declarou ter aprendido novas maneiras de olhar para o processo criativo. Suas esculturas em madeira participaram de importantes mostras coletivas e individuais, como a Bienal de São Paulo em 1957. Quatro anos após sua morte recebeu o prêmio internacional de escultura no I Festival Mundial de Arte e Cultura Negra, em Dakar, Senegal, em 1966, com Rei. Sua obra foi estudada por Clarival do Prado Valladares, que viu nela "a expressão eterna da sua ancestralidade cultural". Voltado para a representação de sobrenaturais afro e também de imaginário transculturado com o do catolicismo, o trabalho de Agnaldo, ao emergir com absoluta autenticidade da sua experiência histórica individual e do seu conhecimento das grandes artes africanas, se encontra entre as mais originais realizações da escultura brasileira do século XX. Seu trabalho consta do acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e integra importantes coleções privadas de arte.

He was a descendente of Indians and Africans and started to work when he was ten years old. After a variety of emloyment, including a miner in a lime pit, in 1947 he worked as a watchman in the Salvador city studio for the sculptor, engraver and draughtsman Mário Cravo Junior. Agnaldo was encouraged by this artist to begin sculpting in 1953. He travled with Franco Terranova along the São Francisco river, and this trip resulted in his recovering numerous old carrancas (figureheads of riverboats). There be met the best 20th century crver of carrancas, master Francisco Biquita Dy Lafuente Guarany, who, he said, taught him new ways of viewing the creative process. His wood pieces were displayed in major collective and individual exbitions, such as the 1957 São Paulo Biennial. Four years after his death, he was awarded the international prize for the sculpture Rei at the 1st World Festival of Black Art and Culture, in Dakar, Senegal, in 1966. His word was studied by Clarival do Prado Valladares, who saw in it "the eternal wxpression of his cultural ancestry". Agnaldo´s work, focusing the representarions of the African supernatural and cross-cultural imaginarion, mainly from Catholicism, emerged with absolute authenticity from bis individual historic experience and knowlwdge of the most original expressions of the 20th century Brazilian sculpture. his word is to be seen in the Museu Nacional de Belas Artes, RJ and major private collections.


Fonte: Pequeno Dicionário da Arte do Povo Brasileiro - Século XX - Lélia Coelho Frota, págs. 38-39.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

1906 - Arte e Cultura

Euclides da Cunha
1906

Arte e Cultura


  • Euclides da Cunha toma posse na Academia Brasileira de Letras.
  • O francês Eugène Lauste cria um processo de filmes sonoros para cinema.


Ciência e Política


  • Realizado o primeiro congresso operário do Rio de Janeiro, com predominância da vertente anarquista.
  • No dia 1. de maio, cinco mil pessoas se reúnem em Jundiaí, São Paulo, para celebrar pela primeira vez o Dia do Trabalhador.
  • O canadense Reginald Aubrey Fesseden realiza a primeira transmissão de voz via rádio.


Fonte:  100 Anos de Poesia - Um panorama da poesia brasielira no século XX - Volume I; Organização Claufe Rodrigues e Alexandre Maia.

sábado, 8 de setembro de 2018

1905 - Arte e Cultura


O Tico-Tico
1905

Arte e Cultura

  • Começa a circular a primeira revista em quadrinhos do Brasil, o Tico-Tico.
  • A atriz Sarah Bernhardt sofre um acidente em cena no Rio de Janeiro, o que vai ocasionar posteriormente a amputação de sua perna direita.



Ciência e Política

  • Albert Einstein apresenta sua célebre fórmula para a equivalência entre massa e energia, E = mc2, revolucionando os conceitos de tempo e espaço em vigor desde o século XVIII.
  • O massacre da multidão que tentava fazer uma petição pacífica ao czar Nicolau II, em São Pettersburgo, desencadeia uma reação que obrigará o regime a permitir o funcionamento de um Parlamento (a Duma).

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

1904 - Arte e Cultura

Alphonsus de Guimaraens


1904 

Arte e Cultura

  • A Justiça concede ao cronista João do Rio o direito de queimar toda a tiragem de seu livro A profissão de Jacques Pedreira, publicado pela Editora Garnier, devido ao número excessivo de erros de tipografia e a mudanças no texto original.
  • Começa a circular o jornal Conceição do Serro, em Minas Gerais, dirigido pelo poeta Alphonsus de Guimaraens.


Ciência e Política

  • Revolta contra a campanha de higienização e vacinação obrigatória, organizada por Oswaldo Cruz, termina com 30 mortos, no confronto que ficou conhecido como a Revolda da Vacina.
  • O exército japonês ataca a frota russa ancorada em Port Arthur, na Manchúria, iniciando a guerra Russo-Japonesa.
  • O jornal britânico Daily Illustrated publica, pela primeira vez, uma foto em cores.



quarta-feira, 5 de setembro de 2018

1903 - Arte e Cultura


Olavo Bilac

1903

Arte e Cultura

  • O poeta Olavo Bilac, dirigindo o carro do jornalista José do Patrocínio, bate numa árvore na rua da Passagem, em Botafogo. É o primeiro acidente automobilístico do Brasil


Ciência e Política

  • O médico Oswaldo Cruz assume a direção da Saúde pública e inicia campanha contra a febre amarela e a peste bubônica.
  • O Acre passa a ser território brasileiro, após acordo assinado por governantes bolivianos e brasileiros, em Petrópolis.
  • A primeira viagem de carro leva 52 dias para completar o percurso entre São Francisco e Nov Iorque, nos Estados Unidos.



terça-feira, 4 de setembro de 2018

1902 - Arte e Cultura

Euclides da Cunha

1902

Arte e Cultura

  • Graça Aranha publica Canaã, um romance sobre a vida dos imigrantes alemães.
  • Euclides da Cunha publica Os sertões, minucioso relato da guerra de Canudos, onde morreram 25mil pessoas.
  • Estréia em Paris o primeiro filme de ficção científica, Viagem à lua, de Georges Méliès.

Ciência e Política


  • Inicia-se uma rebelião brasileira contra os bolivianos no Acre.
  • Tentativa de golpe por um grupo monarquista é sufocada pelas tropas republicanas, no interior de São Paulo.
  • Camponeses famintos são mortos ao invadirem propriedades rurais na Rússia czarista.

Fonte:  100 Anos de Poesia - Um panorama da poesia brasielira no século XX - Volume I; Organização Claufe Rodrigues e Alexandre Maia.


segunda-feira, 3 de setembro de 2018

1901 - Arte e Cultura

Pablo Picasso
1901

Arte e Cultura
  • O século cultural começa com a primeira exposição do pintor espanhol Pablo Picasso, em Paris.

Ciência e Política
  • A luz elétrica chega a algumas ruas e residências da cidade de São Paulo.
  • O brasileiro Alberto Santos Dumont consegue contornar a Torre Eiffel em Paris, provocando ser possível pilotar um dirigível.
  • São instalados os primeiros telefones públicos em estações de trens da França, e é feita a primeira transmissão de telégrafo sem fios entre Inglaterra e Estados Unidos.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata



A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata


Ler o livro e conferir o filme é a ordem natural e desejável.  Uma obra literária quando transposta para outra arte nem sempre segue fiel ao texto original.

A curiosidade para se obter essa obra o mais breve possível fez com que o filme fosse assistido anteriormente a leitura do livro, faltando a percepção do mesmo para o caro leitor.

Quanto ao filme, surpreendente! 

Depois de "A menina que roubava livros", contar uma história em que o cenário de guerra se faz presente, se tornou um desafio pela delicadeza da obra em meio a um ambiente altamente brutal. Pois o filme A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata cumpriu o seu papel no quesito sutileza de tema.

O filme conta a história de uma escritora após receber e responder cartas de um leitor de seu livro, que se envolve com os excêntricos criadores do clube de leitura "A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata".

Após essa inusitada experiência, conhecedora de histórias da história dos judeus nazistas que se constrói, a escritora conclui uma pesquisa história e transformadora em sua vivência.


quarta-feira, 8 de agosto de 2018

O acidente

O acidente -
Lígia Guedes Joaquim

Acostumara àquele som inquietante.

Mesmo nos momentos entre um intervalo de jornada e outro, onde rápido cochilo poderia ser feito na humilde cama naquele depósito, habituara a confiança depositada nos amigos de jornada que o despertavam para o retorno ao trabalho.

Levantara sonolento.

Naquela época do ano o trabalho aumentara consideravelmente, assim como o ritmo das máquinas.

Alcançara seu equipamento de trabalho.

Suas mãos, automaticamente, acoplavam a parte que lhe cabia naquela máquina que parecia mais acelerada que seu ritmo, naquele dia. Sabia perfeitamente que se desistisse dessa conexão seria facilmente substituído.

Procurava afastar tais pensamentos e se automatizar ao sistema.

A mão começara a tarefa com pouca agilidade mas facilmente acompanhava o ritmo, estimulado pelo forte som: straccht, vumpt, straccht, vumpt, ... à medida que o ritmo aumentava, o som era repetido com menores intervalos: straccht, vumpt, sschsss, straccht, cumppt, sschsss, straccht, vumpt, sschsss...

Os pensamentos vagavam pois o corpo já não mais o pertencia, entregue àquele equipamento. Straccht, cumpt, sschsss, straccht, cumpt, sschsss, straccht, vumppt, sschsss...

Retornar à infância.

Naquele riacho de águas claras brincavam, corriam, banhavam-se.

Straccht, vumpt, sschsss, straccht, vumpt, sschsss.

As águas por vezes amentavam o volume, especialmente se houvesse chovido em dia anterior onde a terra úmida, fresca ao redor do riacho era convite a novas brincadeiras.

Brigaram na rua, a ajuda rápida viera dos irmãos o suficiente para deixar o opositor caído ao chão. Straccht, vumpt, straccht, vumpt, sschsss, sschsss, ...

Ofegantes, novamente no riacho estavam, sem que o ponto de encontro fosse anteriormente combinado.

Straccht, vumpt, sschsss, sschsss, sschsss, ...

Sem palavras, arrancaram as camisas sujas, ensanguentadas, exatamente como visto em dias anteriores pelas lavadeiras que ali frequentavam:  straccht, lavaram as camisas, vumpt, bateram de encontro a pedra (mesmo sem saber o sentido disto), sschsss, sschsss, saíram do riacho e encontraram um local seco onde deitados o vôo de pássaros observaram, alternando com a ampla visão do céu.

Ficaram um tempo somente com o som do riacho em suas mentes: sschsss, sschsss. Aguardar... sschsss, sschsss... a secagem da roupa, sschsss, sschsss, o tempo, sschsss, sschsss, o retorno à casa, sschsss, vumpt, possivelmente pelo atalho. Sschsss, sschsss, selar o silêncio como forma de sobrevivência àquele dia.

Straccht, vumpt, sschsss, sschsss,...

Observara um pássaro fazendo voos no ar. Vumpt, vumpr, ... O pássaro se afastara sem interesse, talvez por reconhecer aqueles rostos. Como estaria aquele menino, caído ao chão, a estas horas?

STRACCHT, VUMPT!

A máquina parara.

Inúmeros colgas o observavam após ampla corrida. O som habitual fora interrompido simultaneamente ao barulho brusco por outro som não identificável: PLAAAFT!

Alguém arrancara a tomada àquela que gerava o som a que estava acostumado.

Um colorido surgira junto às engrenagens daquele que era base de seu sustento diário.

O produto não fora finalizado naquela etapa.

Ao redor, a prioridade não estava em produtos, naquele momento. Somente então percebera que sua mão fora a causa de tudo.

A partir daí, somente em casa, junto à família, poderia recordar com detalhes como tudo ocorrera.

Somente ali o choro fácil, idêntico ao daquele menino que ficara ao chão, naquela rua.



Cartas e pássaros; Lígia Guedes Joaquim, 1a. ed. - Rio de Janeiro : MDM Editora, 2015; pág. 43.



quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Cassiano Ricardo Leite


Cassiano Ricardo

Não fui quem sou, quando nasci.
Nem sei quem sou, quando amo.



1895
Nasce no dia 26 de julho, em São José dos Campos - SP

1974
Morre em 14 de janeiro, no Rio de Janeiro - RJ



Aos 10 anos, Cassiano Ricardo publicou seus primeiros versos no jornalzinho manuscrito O Ideal, que ele próprio editava na escola. E com 16 anos, lançou o primeiro livro, Dentro da noite.


Em 1923, trabalhava no jornal Correio Paulistano, quando conheceu Plínio Salgado, Menotti del Picchia e Raul Bopp, aderindo ao movimento modernista. Em 1926, lanço o livro Vamos caçar papagaios, que o incluiu entre os artífices das tendências nacionalista do Modernismo. Mas ganhou celebridade com Martim Cererê, de 1928, que, baseado em lendas indígenas, conta a origem do Brasil. Neste mesmo ano, foi nomeado para o serviço público como censor teatral e cinematográfico.

Sempre ligado à vida política do país, Cassiano Ricardo acabou sendo preso por envolvimento com a Revolução Constitucionalista, em 1932, quando era secretário do governador Pedro de Toledo. O poeta foi militante da Bandeira, grupo que lutava por "uma democracia social brasileira, contra as ideologias dissolventes e exóticas". No ensaio "Marcha para Oeste", refere-se a Getúlio Vargas como "o homem bom governando os homens bons". Foi convidado para dirigir no Rio de Janeiro o jornal A Manhã, porta-voz do Estado Novo.

Em 1937, Cassiano Ricardo sucedeu a Paulo Setúbal na cadeira n. 31 da Academia Brasileira de Letras. A partir da publicação de Um dia depois do outro, sua poesia adquire um lirismo introspectivo, filosófico, enaltecendo a solidão e o silêncio. Manuel Bandeira viu uma renovação do poeta, "como que este, debruçando-se sobre si mesmo, tivesse descoberto as fontes mais profundas de sua inspiração". Para Péricles Eugênio da Silva Ramos, a poesia de Cassiano Ricardo chega à maturidade com A face perdida: "Reflete o estado de espírito de alguém que, já vivido, monologa na fronteira entre a vida e a morte." Homem aberto às novas idéias, o poeta acompanhou os movimentos de vanguarda dos anos 50 e 60: participou da revista Invenção e publicou dois livros na linha de pesquisas do concretismo e da poesia-práxis.

A intimidade com o poder e o fato de ter sido censor e colaborador do Estado Novo estigmatizou o poeta, criando, como observa Luíza Franco Moreira, "bons pretextos para não ler sua obra". Mas, segundo a professora, "há motivos ainda melhores para começar a leitura e fazer justiça à qualidade de sua poesia e sua prosa".




"O poema pertence a uma certa língua; a poesia, a todas as línguas."

"A palavra primitiva - não há quem o ignore - era poética por excelência, dada a origem metafórica da linguagem. Depois, já em outro estágio, passou ela a servir apenas de veículo para transmitir o conceito poético. Tornou-se descolorida, gastaa; e o que a salvava era o que o poeta tinha a dizer."

Cassiano Ricardo


"Cassiano Ricardo é um poeta intranquilo. Tem exercido a poesia como um atormentado ofício. Tem se imposto uma permanente superação de si mesmo (...). Um poeta que vestiu, com a maior humildade, todas as roupas que a emoção da vida lhe exigiu; e escolhendo um novo estilo, quase limitada a obedecer ao curso dos acontecimentos e dos ambientes, sem querer fingir de isolado ou evadido."

José Guilherme Merquior


"(Cassiano Ricardo) encontrou o seu espaço e não precisa mais refletir porque a sua própria poesia reflete para ele, reflete o mundo."

Paulo Mendes Campos


RELÓGIO

Diante de coisa tão doída
conservemo-nos serenos.

Cada minuto de vida
nunca é mais, é sempre menos.

Ser é apenas uma face
do não ser, e não do ser.

Desde o instante em que se nasce
já se começa a morrer.



Obras do autor

POESIA: Dentro da noite, 1915; A flauta de Pã, 1917; Jardim das Hespérides, 1920; A mentirosa de olhos verdes, 1924; Vamos caçar papagaios, 1926; Borrões de verde e amarelo, 1927; Martim Cererê, 1928; Canções da minha ternura, 1930; Deixa estar, jacaré, 1931; O sangue das horas, 1943; Um dia depois do outro, 1947; Poemas murais, 1950; A face perdida, 1950; O arranha-céu de vidro, 1956; João Torto e a fábula, 1956; Poesias completas, 1957; Montanha-russa, 1960; A difícil manhã, 1960; Jeremias sem-chorar, 1964; Poemas escolhidos, 1965; Os sobreviventes, 1971.

ENSAIO: o Brasil no original, 1936; O negro da bandeira, 1938; A  Academia e a poesia moderna, 1939; Marcha para Oeste, 1940; A poesia na técnica do romance, 1953; O tratado de Petrópolis, 1954; Pequeno ensaio de bandeirologia, 1959; 22 e a poesia de hoje, 1962; Algumas reflexões sobre a poética de vanguarda, 1964; O indianismo de Gonçalves Dias, 1964; Poesia-práxis e 22, 1966.

MEMÓRIAS: Viagem no tempo e no espaço, 1970. 


Fonte: 100 Anos de Poesia - Um panorama da poesia brasileira do século XX - Volume I; Organização Claufe Rodrigues e Alexandra Maia


sexta-feira, 13 de julho de 2018

C. S. Lewis - As crônicas de Nárnia


C. S. Lewis - As crônicas de Nárnia 

As crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis é um livro para se ler a noite,  não somente para se criar o hábito de leitura, mas essencialmente um livro que levará os jovens a outro patamar literário.

Costumava ler uma história por noite para o meu filho na fase infantil e em determinado tempo ele passou a prosseguir sozinho com a leitura desse livro atemporal.

Parece simples mas é um livro de conteúdo aprofundado e bom para leitura adulta. Não parece ser As crônicas de Nárnia um livro infanto-juvenil tão somente.

Costumo ler a coluna "Na Estante" , de Andrea Russo Vilela, da Revista Cidade Nova e grata surpresa nesse mês de férias essa dica de leitura que transcrevo:

"Usar a imaginação para sair da realidade é uma possibilidade pulsante na infância e acredito que deva ser estimulada de todas as formas possíveis. Segundo o médico Tadeu Fernandes, membro da Associação Brasileira de Pediatria, "a imaginação estimula a criatividade, influencia o desenvolvimento cognitivo e contribui principalmente para a resolução de problemas.". Nesse sentido, a literatura infantil é um estímulo poderoso que usa a fantasia como combustível para alimentar e impulsionar o desenvolvimento do processo criativo da infância até a fase adulta.

Para este mês de férias, escolhi como bilhete de acesso ao mundo da fantasia a obra de um dos maiores escritores do gênero: Clive Staples Lewis ou C. S. Lewis (1898-1963), escritor irlandês, teólogo, professor universitário (Oxford e Cambridge), grande amigo e discípulo do memorável J.R.R. Tolkien (autor de O Senhor dos Anéis). Lewis usa linguagem fácil, fluida, e uma narrativa que proporciona interação do leitor com todo o ambiente de sua obra. Seus personagens são bem construídos; alguns encantadores, outros aterrorizantes. Seus enredos reúnem criaturas fantásticas, batalhas épicas entre o bem e o mal, curiosidade, suspense, aventura, amizade e, acima de tudos, o querer bem ao outro, a integridade e a honra, ingredientes perfeitos para um bom livro juvenil. Refiro-me à saga As crônicas de Nárnia, escrita entre 1949 e 1954, obra que faz parte do cânone da literatura clássica, com mais de 120 milhões de exemplares vendidos em 68 países e traduzido em 41 idiomas. O livro apresenta as aventuras dos irmãos Pevensie: Pedro, Suzana, Edmundo e Lúcia, que, no início da Segunda Guerra Mundia são enviados pela mãe para morar na casa de um tio misterioso e solitário, com o intuito de protegê-los dos horrores da guerra.

Em um só livro, estão reunidos sete histórias: O sobrinho do Mago; O leão, a feiticeira e o guarda-roupa; O cavalo e seu menino; Príncipe Caspian; A viagem do Peregrino da Alvorada; A cadeira de prata e A última batalha. A primeira e mais conhecida delas, O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, foi publicada em 1950 e se tornou um grande sucesso, incentivando o autor a criar mais seis histórias.

As crônicas são independentes; todas têm início e desfecho, mas de certo modo há uma ordem cronológica de acontecimentos. Basicamente, tudo começa quando Lúcia, a irmã caçula, descobre em um cômodo da casa de seu tio um guarda-roupa antigo que, na verdade, é um portal para o mundo de Nárnia, um exuberante país que enfrenta um terrível e prolongado inverno (quase cem anos) imposto pela falsa rainha, a Feiticeira Branca. Com a ajuda do grande e poderoso leão Aslam, os irmãos Pevensie devem derrotar a terrível feiticeira e trazer paz de volta a Nárnia e a todos os que nela habitam.

Apesar de ser dirigida ao público juvenil, a saga faz uma crítica ao mundo real, à sociedade, e leva a garotada a uma boa reflexão sobre o bem e o mal, sobre dignidade e senso de coletividade.

O tamanho sucesso dessa saga suscitou grande interesse da televisão, do rádio, do teatro e do cinema para boas adaptações. Em 2005, os Estúdios Disney lançaram O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa nos cinemas. A boa aceitação do público fez com que a sequência logo fosse encomendada: Príncipe Caspian estreou em 2008 e A Viagem do Peregrino da Alvorada saiu em 2010, pela 20th Century Fox.

As Crônicas de Nárnia nos levam a um mundo mágico, cuja luz só é perceptível enquanto somos crianças porque, à medida que crescemos, infelizmente, vamos nos dedicando cada vez menos à imaginação.

Na Estante, por Andrea Russo VilelaRevista Cidade Nova - Ano LX,  n. 7, Julho de  2018pág. 47.





domingo, 8 de julho de 2018

Rewbenio Frota - O jogador que desejava perder



Rewbenio Frota -
Que Peça eu quero ser?


Amigos dispensam apresentações, Rewbenio Frota, atua na indústria como Engenheiro e tem na escrita e no xadrez a grande paixão de vida.

Tanto que tem um endereço online: Lances Quase Inocentes


Rewbenio é autor dos livros  Que Peça eu quero ser? e O jogador que desejava perder.

O livro online O jogador que desejava perder tem venda no seguinte endereço:
https://www.amazon.com.br/jogador-que-desejava-perder-hist%C3%B3rias-ebook/dp/B07DVS1VXF/


Estou aguardando a edição impressa, de minha preferência e já coloco parecer por aqui.

É só conferir!

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Gabriel Garcia Márquez - Amor nos tempos do cólera

Amor nos tempos do cólera -
Gabriel Garcia Márquez

Um romance real com uma poesia densa e crua como só Gabriel Garcia Márquez é capaz de contar: Amor nos tempos do cólera (...). De maneira excepcional, Gabo (apelido carinhoso do autor) usa o realismo fantástico para falar sobre as relações humanas e o amor. Este colombiano que estaria com 91 anos se estivesse vivo (1927-2014) foi escritor, jornalista, roteirista, editor, ativista e político (sempre de esquerda). Tornou-se conhecido aos 40 anos, conquistou prêmios de grande relevância ao longo de sua vida, entre eles o Nobel de literatura de 1982 pelo conjunto de sua obra. Com mais de 50 milhões de livros vendidos em 36 idiomas, Gabo é mais que um grande autor, é um dos fundadores da literatura latino-americana, um ícone literário do século 20.

Amor nos tempos do cólera foi lançado em 1985 e considerado pelo autor como "a menina dos seu s olhos", talvez por ter como inspiração a história de amor proibido dos seus pais que enfrentaram e venceram a resistência da família da noiva e da distância. O romance narra o amor platônico levado ao extremo, uma paixão febril e solitária que arrastará e consumirá Florentina Ariza por mais de 50 anos. O cenário é uma cidade fictícia em algum ponto do Caribe, que em muito se assemelha à situação que a própria Colômbia enfrentou entre o final do século 19 e inicio do século 20 (guerras civis, política frágil e volátil, miséria, disseminação de várias doenças, como por exemplo, um surto de cólera que deixou milhares de mortos). Florentino é um telégrfo que, ao entregar uma carta na casa de Lorenzo Daza, encontra sua filha Fermina e se apaixona perdidamente por ela. Ao longo de dois anos estes dois jovens se correspondem por meio de inúmeras cartas de amor. Em uma delas, Florentino chega a escrever 70 páginas, até que toma coragem e pede Fermina em casamento. Os dois estão apaixonados, porém o pai dela não aceita o namoro dela com um simples mensageiro. Então, a moça é mandada para a casa de uma prima distante e, ao retornar, percebe que o que nutria por Florentino não era amot, mas uma ilusão e, sem muitas explicações, recusa ao pedido de casamento. A essa altura, o pai de Fermina, procupado com o futuro da filha a encoraja a se casar com Juvenal Urbino, um médico extremamente bem-sucedido, principalmente na época em que a doença do cólera levava boa parte da população à reclusão e à morte. Fermina se casa com Juvenal, é feliz com ele, tem filhos até seu marido falecer...

Gabo nos engana e usa a sedução de sua narrativa para nos capturar, nos arrebatar sem pressa. Ele nos deleita com sua maestria literária. Seu estilo de capítulos longos, descritivos e com poucos diálogos não é cansativo, é apaixonante. Eles nos faz odiar Florentino e, no final do livor, nos apaixonarmos por ele. Gabo nos mostra que o amor tem várias nuances: pode ser paciente, bondoso, servil, inocente, mas quando falamos de amor humanos, amor real, que, apesar do lado altruísta, também pode ser obstinado, defeituoso, covarde, invejoso, mau, louco, rancoroso, solitário, colérico.

Em 2007, Amor nos tempos do cólera foi adaptado para o cinema sob a direção de Mike Newell. O produtor do filme, Scott Steindorff, fico três anos tentando convencer Márquez a liberar os direitos do livro. Steindorff dizia a Márquez ser o próprio Florentino e não desistiria enquanto não conseguisse esses direitos. As canções do filme foram escritas pelo compositor brasileiro Antônio Pinto. Foi também o primeiro filme em língua inglesa da atriz Fernanda Montenegro.


Fonte: Revista Cidade Nova, Abril 2018, pág. 47 - Na Estante, por Andréa Russo Vilela.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Mário Quintana

Mário Quintana
Jamais compreendereis a terrível simplicidade das minhas palavras porque elas não são palavras: são rios, pássaros, naves...



"Descobri outro dia que o Quintana é um anjo disfarçado de homem. Às vezes, quando ele se descuida ao vestir o casaco, suas asas ficam de fora." Assim Érico Veríssimo descreveu o poeta que, com apenas 13 anos, publicou seus primeiros versos na revista literária Hyloea, do Colégio Militar de Porto Alegre.

Em 1926, Mário Quintana começou a trabalhar no setor de literatura estrangeira da Editora Globo. Naquele mesmo ano, ganhou um concurso de contos do Diário de Notícias com "A sétima personagem". A partir da década de 30, passou a colaborar com o jornal O Estado do Rio Grande e a traduzir autores como Papini, Maupassant, Proust, Charles Morgan, Voltaire e Virginia Woolf.

Quintana estreou como poeta, em 1940, ao editar A rua dos cataventos, obra formada por 35 sonetos. O livro obteve boa aceitação de público e crítica no Rio Grande do Sul. Mas o poeta só ganharia repercussão nacional com seu quarto livro, O aprendiz de feiticeiro, pelo qual recebeu elogios de Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade e outros.

Em 1943, começou a escrever crônicas poéticas, intituladas Caderno H, na revista Província de São Pedro, que viriam a ser publicadas também no Correio do Povo, a partir de 1953, e depois reunidas em livro. "Caderno H porque todas as coisas acabam sendo escritas na última hora, na hora H, na hora final", explica Quintana.

De acordo com Gilberto Mendonça Teles, "a leitura da obra de Mário Quintana constitui um excelente modelo para um estudo desse tipo de metalinguagem interna, em que o sujeito da enunciação se volta para o próprio discurso, contemplando-o ou "contemplando" teoricamente as causas e os fatores de sua produção".

A obra multifacetada de Quintana não está vinculada a escolas literárias. O escritor utilizou as formas clássicas da poesia, como o soneto, mas também lançou mão do verso e da prosa.

Sem nunca ter se casado, o poeta morou grande parte da vida em hotéis, como o Majestic, onde viveu de 1968 a 1980, que foi tombado pelo patrimônio histórico, passando a chamar-se Casa de Cultura Mário Quintana. Humilde e avesso a entrevistas e homenagens, o poeta manteve suas atividades de tradutor e jornalista até pouco antes de morrer, aos 87 anos. A cidade de Porto Alegre parou para prestar a última homenagem ao seu poeta mais querido. Por onde passava, o cortejo com o corpo de Mário Quintana era saudado pelo povo com chuvas de papel picado, palmas e lenços brancos.


"O verdadeiro poeta faz poesia com as coisas mais simples e coriqueiras deste e dos outros mundos."

"Creio que um verdadeiro poeta, ainda que soubesse ser o único sobrevivente humano na face da terra, ainda assim escreveria poemas. Indagar para quê ou para quem? Isso aprofundaria o mistério da criação poética."

"Fumar é um jeito discreto de ir queimando as ilusões perdidas."

(Mário Quintana).


"Eis aí um poeta dito menor que sempre foi um elemento de perturbação na minha vida: Mário Quintana. Concluí um longo e pretensioso ensaio sobre o onírico com uma citação de Sapato. (...) Tudo o que dissera com abundância de autores e teorias, o poeta simplificaria numa pequena imagem de salgueiro."
                                                                                                                                            Fausto Cunha


"A poesia de Mário Quintana é decorrência da atitude autêntica de um poeta que sobrevive ao formalismo da poética vanguardista."
                                                                                                                                    Herculano Moraes


"Alguns de teus versos não precisam estar impressos em tinta e papel: eu os carrego de cor, e às vezes eles brotam de mim como se fossem meus. De certo modo, eles são meus, e hás de convir comigo que a glória de um poeta é conceder essas parcerias anônimas pelo mundo..."
                                                                                                                             Paulo Mendes Campos



A Oferenda

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos...
Trago-te estas mãos vazias
Que vão tomando a forma do teu seio.



O Auto-Retrato

No retrato que me faço
- traço a traço -
Às vezes me pinto nuvem
Às vezes me pinto árvore...

Às vezes me pinto coisas
De que nem há mais lembrança...
Ou coisas que não existem
Mas que um dia existirão...

E, desta lida, em que busco
- pouco a pouco -
Minha eterna semelhança,

No final, que restará?
Um desenho de criança...
Corrigido por um louco!


Obras do autor

POESIA: A Rua dos cataventos, 1940; Canções, 1946; Sapato Florido, 1948; O aprendiz de feiticeiro, 1950; Espelho mágico, 1951; Inédiots e esparsos, 1953; Apontamentos de hist´rias sobrenatural, 1976; A vaca e o hipogrifo, 1977; Na volta da esquina, 1979; Esconderijos do tempo, 1980; Diário poético; 1985; Baú de espantos, 1985; Porta giratória, 1988; A cor do invisível, 1989; Velório sem defunto, 1990.

ANTOLOGIAS E OBRAS COMPLETAS: Poesias, 1962; Prosa e verso, 1978; Nova antologia poética, 1981. Os melhores poemas, 1983; 80 anos de poesia, 1986.

LITERATURA INFANTIL: Batalhão das letras, 1948; Pé de pilão, 1975.

CRÔNICAS E OUTROS: Caderno H, 1973; Lili inventa o mundo, 1983; Nariz de vidro, 1984; Sapato Amarelo, 1984; Da preguiça como método de trabalho, 1987; Preparativos de viagem, 1987; Sapato furado, 1994.




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