segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Camões

Camões
1524 ou 1525 - Datas prováveis do nascimento de Luís Vaz de Camões, talvez em Lisboa.
1549 - Desterro em Belver, no Alto Alentejo. Em barca para Ceuta a fim de combater os mouros; numa das escaramuças, perde o olho direito.
1551 - Regressa a Lisboa.
1552 - Numa briga, fere um funcionário da Casa Real. Por esse motivo, passa nove meses na prisão.
1553 - É indultado e, depois de pagar quatro mil-réis, é posto em liberdade. Embarca para Goa, na Índia.
1556 - É nomeado provedor-mor em Macau. Participa de várias campanhas militares.
1560 - Ao retornar à Índia, naufraga na foz do rio Meckong.
1561 - É destituído de suas funções de provedor. É enviado a Goa para ser julgado por má gestão dos bens dos defuntos e ausentes. Um amigo o livra do julgamento. Nomeado para a função de feitor em Chaul. Não chega a exercer o cargo.
1562 - Preso em Goa por dívidas não pagas, é libertado pelo vice-rei Dom Francisco de Souza Coutinho.
1567 - Segue para Moçambique.
1570 - Regressa a Lisboa acompanhado do historiador Diogo do Couto.
1572 - É publicada a primeira edição de Os Lusíadas.
1580 - Em 10 de junho morre em Lisboa, atacado pela peste.

Na virada do século XV para o XVI, Dom Manuel I, o Venturoso, é o rei de Portugal. Em seu reinado a expansão ultramarina, iniciada algumas décadas antes, ganha novo impulso. Em 1497 Vasco da Gama já comandara uma expedição que partira de Lisboa com quatro navios e chegara a Calicute, nas Índias orientais. Vive-se uma época de descobrimetos e de conquistas territoriais.

Por volta de 1525, possivelmente em Lisboa, nasce Luís Vaz de Camões, filho do fidalgo Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá Macedo, pertencentes à pequena nobreza.

É provável que tenha passado a infância em Coimbra, o grande centro cultural de Portugal e cidade que abriga uma das mais completas bibliotecas da época. Segundo consta, na aquisição da vasta cultura humanística teria sido orientado por seu tio, D. Bento de Camões, prior do Convento de Santa Cruz e chanceler da Universidade. Camões, aliás, pode ter conseguido sua formação mesmo sem haver frequentado regularmente a Universidade de Coimbra, já que seu nome não aparece nos registros escolares. A propósito, sua cultura clássica é invejável: inclui tanto os poetas latinos como os filósofos gregos. Seus autores prediletos são Dante e Petrarca; conhece como poucos a história antiga dos romanos, dos gregos, dos povos da península Ibérica a astronomia e as artes militares.

Mas a vida de Camões não é dedicada apenas aos livros. Com menos de vinte anos, ainda em Coimbra, mistura os prazeres do espírito com os do corpo. Autores portugueses afirmam que o poeta domina, nessa época, a arte de conquistar os corações femininos, sobretudo das belas damas da nobreza, tornando-se invejado até por fidalgos endinheirados.

Antes de concluir os estudos em Coimbra, transfere-se para Lisboa. A nobreza dos pais garante-lhe um lugar na corte de D. João II, onde, em versos apaixonados, ele saúda uma beleza loura, de olhos claros. Nesse tempo, segundo algumas versões, Camões exerceria o cargo de preceptor do filho dos Condes de Linhares, seus resolutos protetores durante toda a vida.

Em 1549, aos 24 anos, o vigor de jovem e o interesse pelas letras levam Camões a participar de intrigas na corte, as quais, possivelmente, o obrigam a lançar-se naquela vida errante que lhe viria a proporcionar os elementos de sua futura obra-prima.

Nesse período Camões é desterrado para Belver, no Alto Alentejo. Ao que parece, um amor malsucedido teria sido a causa do seu afastamento do paço. Algum tempo depois, mediante despacho real, Camões é transferido para Ceuta, no Marrocos, posto avançado contra os mouros, que ainda assediam a península Ibérica. Numa das refregas em que toma parte, perde o olho direito. A partir daí passaria a ser representado com essa deformidade em todos os seus retratos conhecidos.

Quando regressa da África, o poeta já não encontra em Lisboa os amigos do passado. É um homem marcado, a quem ninguém faz deferências. Em 16 de junho de 1552 envolve-se em um triste incidente. Nesse dia, durante uma procissão de Corpus Christi, Camões, por motivo desconhecido, desentende-se com um funcionário da Casa Real, Gonçalo Borges, e golpeia-o gravemente no pescoço com uma espada. Levado á prisão da cidade, fica encarcerado durante nove meses, enquanto o adversário aos poucos se restabelece.

Indultado no ano seguinte, é posto em liberdade após  o pagamento de quatro mil-réis exigido pelo rei. Poucos dias depois, na qualidade de simples soldado, Camões embarca na armada de Fernão Álvares Cabral (filho de Pedro Álvares) em direção a Goa. Durante os seis meses que passa no mar, enfrenta sucessivas calmarias nas costas da África e tempestades no Índico, conhece aldeias de selvagens e civilizações estranhas. Toda essa experiência seria transformada em versos na composição das cenas marítimas do grande poema épico que futuramente escreveria.

Apesar da liberdade de costumes que caracteriza a vida da Índia, cinco nobres portugueses convidados por Luís de Camões para um banquete em sua casa, em Goa, ficam surpresos por lhes serem apresentados pratos cheios de folhas manuscritas de poesias em vez das iguarias que esperam. Dessa maneira, com humor e uma nota de tristeza, Camões, nobre, soldado e poeta, anuncia a seus compatriotas, que haviam feito fortunas astronômicas nas colônias da Ásia, o deplorável estado de suas finanças.

Esse é um dos poucos episódios da vida atribulada do poeta português que se conhece com exatidão. No seu tempo, raras foram as notas ou observações que se escreveram a seu respeito. Sabe-se que, sempre malsucedido do ponto de vista financeiro, Camões faz representar em Goa, perante o governador Francisco Barreto, o seu Auto de Filodemo. Mais tarde atacaria de forma ainda mais violenta os costumes de nobres e de plebeus na Índia.

Nomeado para o cargo de provedor-mor dos bens de defuntos e ausentes da China, Camões parte para Macau em 1556. Antes de entrar no exercício de suas funções, participa de várias campanhas militares: ataca beduínos na Arábia, toma parte em batalhas contra nativos que combatem os portugueses e em expedições ao Vietnã e a Malaca, atividades bélicas que muito bem descreveria depois em Os Lusíadas, tirando delas conclusões que ainda hoje continuam válidas.

De acordo com estudiosos da vida de Camões, a ideia de escrever Os Lusíadas ocorrera-lha ainda em Portugal, mas sem dúvida a maior parte dos seus dez cantos ele compõe ao longo dos dezessete anos em que vagueia pela Ásia.

Conta a lenda que, enquanto permanece em Macau, Camões dirige-se a uma gruta à beira-mar onde, ao lado da sua  amada chinesa, Dinamene, escreve, dia após dia, os versos de Os Lusíadas. Todavia, a própria gruta parece desmentir a versão da lenda: é extremamente pequena, quase uma fenda na rocha, frequentemente salpicada pelas águas das marés mais altas. É improvável que Camões tenha conseguido permanecer nela durante tanto tempo.

Retorna à Índia por volta de 1560, aonde chega depois de naufragar na foz do rio Meckong e de salvar-se a nado. Camões, contudo, consegue livrar seu poema. Pelo que se sabe, nadando apenas com um braço, e com o outro estendido acima das onda, erguendo Os Lusíadas, o poeta atinge a praia.

Acusado de não ter exercido satisfatoriamente sua gestão sobre os bens dos defuntos e ausentes, um ano após sua chegada a Macau Camões é destituído do cargo e enviado, sob custódia, a Goa, onde seria ser julgado. Nessa cidade consegue, ao que parece graças a um amigo influente, livrar-se do julgamento e obter nova nomeação, agora para feitor em Chaul, cargo que nunca chegaria a exercer.
Por essa altura, e a requerimento de um tal Miguel Roiz, Camões é preso por dívidas, fato que o leva a dirigir um poema humorístico ao vice-rei, Dom Francisco de Sousa Coutinho, Conde de Redondo, invocando seu auxílio.

Em 1567, finalmente, Camões deixa a índia. Do capitão de uma nau consegue passagem gratuita até Moçambique, onde espera encontrar a proteção de um amigo. Porém, suas esperanças frustram-se, e a situação torna-se-lhe a pior possível.

Quem o encontra nessas tristes circunstâncias é o historiador Diogo do Couto, que faz referências ao caso em sua obra Décadas da Índia: "Em Moçambique achamos aquele Príncipe dos Poetas, Luís de Camões, tão pobre que comia de amigos, e, para se embarcar para o reino, lhe ajuntamos toda a roupa que houve mister; e não faltou quem lhe desse de comer. E aquele inverno que esteve em Moçambique, acabando de aperfeiçoar as suas Lusíadas para as imprimir, foi escrevendo muito em um livro, que intitulava Parnaso de Luís de Camões, livro de muita erudição, doutrina e filosofia, o qual lhe juntaram. E nunca pude saber, no reino, dele, por muito que inquiri. E foi furto notável."

Camões volta para Lisboa com Diogo do Couto, e chega por ocasião de uma grande peste que dizima a população em 1568 e 1569. Tem então conhecimento de que uma das suas grandes amadas havia morrido prematuramente, aos 25 anos, quando ele ainda estava em Macau.

Nessa mesma ocasião Camões empenha-se para publicar Os Lusíadas. Depois de o aperfeiçoar, tira uma cópia especial para dedicá-la ao rei Dom Sebastião. O portador do poema - ao que parece Camões já não tem acesso à corte - é seu amigo de juventude Dom Manuel de Portugal. O soberano recebe com agrado a oferta. Talvez por isso o frade dominicano Bartolomeu Ferreira, encarregado pelo Santo Ofício da censura eclesiástica, não cria dificuldades à publicação, embora em Os Lusíadas sobejem as divindades pagãs, misturadas com o maravilhoso cristão.

Sobre esse assunto delicado, Frei Bartolomeu comenta em seu despacho favorável: "Como isto é poesia e fingimento, e o autor, como poeta, não pretende mais que ornar o estilo poético, não tivemos por inconveniente ir esta fábula na obra. E por isso me parece o livro digno de se imprimir, e o autor mostra nele muito engenho e muita erudição nas ciências humanas".

Um alvará régio de setembro de 1571 concede a licença de impressão e garante a Camões direitos de autor por dez anos. Em 1572 o poema é publicado, e o rei decide conceder uma tença ao seu autor, no montante de quinze mil-réis por ano - quantia, aliás, pequena em relação a outras pensões atribuídas naquela época.

Mesmo assim, numa prova evidente de que o valor de Os Lusíadas ainda não fora compreendido, o decreto real que concede a referida tença salienta como justificativa os serviços prestados por Camões na Índia.

Os últimos anos da vida do poeta são reconstituídos, praticamente, à base de conjeturas. As tenças concedidas pelo rei são pagas com atraso, e isso, tendo em conta sa exiguidade, só faz aumentar as já não poucas dificuldades de Camões.

Em 10 de junho de 1580 morre o grande poeta português. O historiador Diogo do Couto, nas Décadas, faz um simples relato: "Em Portugal morreu este excelente poeta em pura pobreza".

Entre 1579 e 1581 grassa em Lisboa, mais uma vez, violenta peste. A morte sobrevém em quatro ou cindo dias. No meio do caos reinante, com a acumulação de cadáveres para ser inumados, o copro de Camões é apenas envolvido numa mortalha e lançado, com os de outras numerosas vítimas da epidemia, na cripta da Igreja de Santa Ana. Um terremoto em 1755 destrói o templo e mistura ainda mais as ossadas que sob ele jazem. Em 1880 todos os despojos mortais que ali se encontram são levados para o Panteão dos Jerônimos, onde ficam sepultados, na esperança de que entre eles estivessem os restos do maior poeta português.

Do grande poema épico há traduções em quase todas as línguas do mundo, e entre os grandes admiradores de Camões contam-se célebres figuras da literatura e da cultura universais. Cervantes, seu contemporâneo, refere-se a Os Lusíadas como "O Tesouro do Luso".

Os Lusíadas tem hoje um lugar de relevo na literatura universal. Seu valor maior foi, porém, o de incorporar na própria vida dos portugueses o relato dos feitos heroicos dos navegadores da pequena nação ibérica, que escrevia então, sozinha, as primeiras páginas da história do mundo moderno.


Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

domingo, 29 de setembro de 2013

Choderlos de Laclos

Choderlos de Laclos
1741 - Em 18 de outrubro nasce em Amiens Pierre-Ambroise-François Choderlos de Laclos.
1759 - Laclos entra para a Escola de Artilharia de La Fère.
1763 - Liga-se ao regimento de Toul.
1769 - Sere em Grenoble.
1779 - Destacado para a ilha de Aix.
1782 - Publica As Relações Perigosas (*).
1783 - Em La Rochelle, seduz Marie-Soulange Duperré.
1784 - Com a ajuda de Marie-Soulange escreve A Educação das Mulheres. A srta. Duperré dá à luz um filho, Étienne.
1785 - É eleito membro da Academia de La Rochelle.
1786 - Casa-se com a srta. Duperré e reconhece seu filho.
1788 - Deixa o Exército e entra para o serviço do duque de Orléans. Nasce Soulange, sua segunda filha.
1789 - Acompanha o duque de Orléans a Londres.
1790 - Retorna à França e torna-se membro do Clube dos Jacobinos.
1792 - Em Toulouse, torna-se chefe do Estado-Maior do Exército dos Pireneus, com o grau de general.
1793 - É preso em 1. de abril por ser considerado um orleanista. Em 10 de maio tem decretada sua prisão domiciliar.
1794 - É libertado em 3 de dezembro.
1795 - Nasce seu terceiro filho, Charles. É nomeado secretário-geral das Hipotecas.
1800 - É reintegrado ao Exército com o grau de general-de-brigada. Em abril é designado para o Exército do Reno. Em agosto é designado para o Exército da Itália.
1801 - Volta a Paris.
1803 - É designado para Tarento, quartel-general francês no sul da Itália. Morre no dia 5 de setembro.

(*) As Relações Perigosas
Obra-prima de análise e elaboração narrativa, As Relações Perigosas é o único livro importante de Laclos, observador perspicaz dos costumes de sua época, final do século XVIII. A estrutura do romance, com suas sutilezas de construção e desenvolvimento, valoriza as características dos personagens. Espécie de manual maquiavélico erótico, é um verdadeiro estudo psicológico da alma humana. Esta obra está entre o que de melhor já se produziu na literatura francesa e mundial.


Paris, século XVIII. Numa mesa de canto no Café de la Régence, Diderot discute, com outros literatos e filósofos, o assunto do dia: como apressar a transformação social que a França vem sofrendo. O poder real está bastante desacreditado, mas para se chegar à Revolução é preciso destruir, de uma vez por todas, os privilégios dos aristocratas. Ao mesmo tempo, no café Procope, Voltaire elogia a física de Newton e discorre sobre a Razão. Numa mesa próxima, um pequeno grupo também defende a Razão, porém aliada ao Sentimento, e enaltece a vida simples e virtuosa, em contato com a natureza, como prega Rousseau, o grande pensador do Iluminismo.

Desde meados do século anterior os cafés multiplicam-se rapidamente por Paris, tornando-se ponto de encontro de artistas, intelectuais e filósofos que se ocupam em discutir o presente e programar o futuro do país. Vivem eles um dos períodos mais movimentados da história da França.

Nessa França, fervilhante de idéias, ação e transformação, vem ao mundo Pierre-Ambroise-François Choderlos de Laclos, em 18 de outrubro de 1741, em Amiens, filho de Jean-Ambroise Choderlos de Laclos e de Marie-Catherine Galois. Sua família, embora modesta pertence à nobreza, possui elevada cultura e revela forte gosto pelas letras. Até a adolescência o pequeno Pierre-Ambroise recebe uma educação cuidada e vive com tranquilidade, carinho e afeto na casa de seus pais.

Em 1756 explode a Guerra dos Sete Anos. As tropas francesas combatem em toda a Europa, acumulando sucessivos fracassos. Apesar do panorama desfavorável do Exército francês, Laclos sente-se atraído pela carreira militar e ingressa no corpo de artilharia.

Em 1759, aos dezoito anos, é  nomeado aspirante na Escola de Artilharia de La Fère. Ao formar-se, incorpora-se na brigada das colônias destinada a expedições à Índia e ao Canadá. As viagens não chegam a se realizar. Pelo Tratado de Paris, firmado no fim da Guerra dos Sete Anos, a França perde seus poderes sobre aqueles dois países, que passam a pertencer à Inglaterra.

Laclos e seu regimento partem para Toul em 1763. Três anos mais tarde transferem-se para Steasburgo; logo depois estão em Grenoble. Por mais ativa que fosse, a vida militar deixa aos oficiais muito tempo ocioso. Laclos aproveita-o para frequentar a sociedade e escrever poesias. Nem dramas nem excessos marcam o período de sua juventude. Durante os sete anos que passa em Grenoble, seus superiores não se cansam de lançar-lhe elogios. Mas Laclos parte para Valence e leva consigo o romance Ernestine, considerado a obra-prima de uma amiga, sra. Riccoboni. Lá, o transforma em ópera cômica e o encena em 1777.

O prestígio literário da sra. Riccoboni atrai para o teatro a mais alta aristocracia francesa. A estréia, no entanto, redunda em completo fracasso. A platéia vaia do princípio ao fim.

Ainda com as vaias ecoando-lhe nos ouvidos, Laclos deixa Paris e volta ao quartel, onde sua reputação de oficial competente e devotado se mantém intata.

Corre o anod e 1779. Choderlos está com 38 anos, e é encarregado de construir uma fortaleza na ilha de Aix, apesar de ele sonhar com a guerra. As forças francesas, em luta pela independência das colônias inglesas na América, enfrentam os exércitos britânicos. Passam-se três anos de luta, e os vencedores voltam cobertos de glórias. Quanto a Laclos, tudo que conquistara foram elogios - e críticas - pela construção da fortaleza de Aix e o posto de capitão-comandante, encarregado de complexas missões.

Mas ser  apenas militar não lhe basta mais. Quer fazer algo maior, como escrevr um livro "qeu fizess escândalo e fosse comentado mesmo depois de sua morte". No dia 4 de setembro de 1781 pede seis meses de afastamento para dedicar-se à tarefa. No dia 23 de março de 1782 As Relações Perigosas está à venda.

Sucesso imediato. Satiricamente retratada, a aristocracia reage com indignação.

Escrito sob a forma de cartas trocadas entre os personagens, As Relações Perigosas mostra a decadência moral da sociedade aristocrata do século XVIII. A intenção do autor aparece claramente expressa no frontispício do romance, onde se lê: "As Relações Perigosas, ou Cartas Recolhidas em uma Sociedade e Publicadas para a Instrução de Algumas Outras". Em seguida há a citação de Rousseau, tirada do prefácio da Nouvelle Héloise: "Vi os costumes de meu tempo e publiquei estas cartas".

Ao tomar conhecimento de As Relações Perigosas, o marechal de Ségur, ministro do Exército, ordena o retorno imedito do escritor para o seu regimento, que então se encontra em Brest. Duro golpe para Laclos. Não suporta a idéia de trocar os prazeres da glória pelos deveres do quartel. Graças à interferência do marquês de Montalembert, consegue do ministro um posto em La Rochelle. Ali conhece a jovem Marie-Soulange Duperré. É ela que o ajuda na elaboração de A Educação das Mulheres, ensaio em que defende a igualdade entre os sexos e que seria publicado apenas em 1903.

Usando de todo o conhecimento sobre a arte de seduzir, Laclos conquista a jovem em 1783, apesar da diferença de idade - está com 42 anos, e ela, com dezoito. Só se casariam, contudo, em 1786, dois anos após o nascimento de seu primeiro filho, Étienne.

Logo após o casamento, Laclos faz circular por Paris e La Rochelle uma carta dirigida "aos senhores da Academia Francesa" na qual se manifesta contra os elogios daquela instituição ao marechal de Vauban, considerado um mestre em fortificações e um verdadeiro deus para o Exército francês. Em resposta a Laclos, o ministro da Guerra retira-lhe o direito de gozar um mês de afastamento pelas núpcias e ordena-lhe que se reintregue imediatamente às tropas, então em Metz. Laclos permanece no Exército até outubro de 1788, quando seu regimento é transferido para La Fère e ele passa a trabalhar para o duque Orléans. Em pouco tempo torna-se o único conselheiro de seu amo. Ativo e cauteloso, observa o que se passa ao redor e age em segredo, ampliando suas ligações com grupos revolucionários e frequentando três clubes, onde se reúnem alguns dos homens mais importantes do movimento.

O inverno que precede a Revolução é o pior do século. A colheita fora desastrosa, e o povo passa fome. Seguindo os conselhos de Laclos, Filipe de Orleans faz largos gestos filantrópicos, e em pouco tempo torna-se um ídolo do povo. Mas seus ideais de transformação política e social não encontram ressonância nso comandantes da Revolução, que consideram perigosa sua popularidade. A Luís XVI tampouco agradam os atos do duque. Para distanciá-lo da corte, envia-o a Londres. Corre o ano de 1789, e Laclos acompanha o duque.

Durante a estada em Londres, Filipe de Orléans dedica-se a resolver seus problemas financeiros. A Laclos, ninguém vê. Fechado em seu gabinete de trabalho, encarrega-se da correspondência do duque e, ao mesmo tempo, prepara uma retirada honrosa para si próprio.

Mas em 5 de fevereiro de 1790 é assinada a aliança entre Inglaterra, Prússia e Holanda.

Depois de tentar em vão obter o cargo de embaixador em Londres, o duque de Orléans resolve voltar à França. Encontra Paris tumultuada: a Revolução explodira em 1789. pessoalmente, nada sofre. Na assembléia, recebe calorosos aplausos da ala esquerda. Laclos continua a seu lado, embora sua importância houvesse diminuído bastante, assim como seu salário. Laclos, então, lança-se abertamente na política, acreditando que só mesmo da Revolução poderia esperar alguma coisa. Adere à Sociedade dos Amigos da Constituição e passa a fazer parte do Clube dos Jacobinos, centro de reunião de um grupo de revolucionários.

Luís XVI acompanha atentamente a evolução dos acontecimentos no reino, prevendo a violência que se desencadearia. O soberano resolve deixar as Tulherias para a Semana Santa em Saint-Cloud. No caminho, é barrado por populares enraivecidos. Na manhã seguinte toda a imprensa monarquista ataca Laclos, acusando-o de haver incitado o povo a impedir a viagem de Luís XVI. Sua reputação cai sensivelmente.

Em 21 de junho de 1792 Paris amanhece sem rei: é constatada a fuga de Luís XVI. Num célebre reunião dos jacobinos, Laclos propõe elaborar-se uma petição assinada por milhares de cidadãos para ser enviada à Assembléia, declarando vago o trono. A Assembléia recusa a proposta. Desgostoso com a política, ele não vê outra solução a não ser voltar para a vida militar: por meio de indicações, consegue o posto de comissário do poder executivo em Châlons, onde as forças francesas enfrentam os exércitos da Prússia. Sob suas ordens, a França conquista a importante vitória de Valmy.

No dia 22 de setembro de 1792 é proclamada a República. Laclos, aos 52 anos, é nomeado chafe do Estado-Maior do Exército dos Pireneus, e parte com a família para Toulouse. Após envolver-se em discussões políticas, é designado governador-geral dos estabelecimentos franceses da Índia. Há tempos ele vem solicitando essa colocação. O outro lado do mar seria, na realidade, sua única salvação: como colaborador do duque de Orléans, angariara o ódio de todos. A mudança para a Índia, porém, não se realiza.

A situação de Filipe de Orléans não é menos complicada: é preso, julgado e condenado à guilhotina. Laclos, cujo nome sempre estiver aligado ao orleanismo, também é preso, mas graças à influência de um velho amigo do tempo de La Rochelle, o escritor é transferido do cárcere para a prisão domiciliar. Pouco tempo depois, contudo, recebe nova ordem de prisão. Em 3 de dezembro de 1794 é novamente libertado.

Suas amizades lhe garantem um emprego que lhe permite viver como um burguês. Nomeado general-de-brigada em 27 de fevereiro de 1800, Laclos, aos 59 anos e com os membros paralisados pelo reumatismo, solicita um posto ativo, e é designado para o Exército do Reno. Em abril do mesmo ano serve na Basiléia, e em junho é indicado para um comando em Grenoble. Permanece ali durante pouco mais de um mês: em agosto transfere-se para a Itália, com todos os seus homens, cavalos e material. Retorna à França em 1801, onde fica, por três meses, junto da mulher e dos filhos - "o grande Étienne, a esperta Soulange e o gordo Charles". No ano seguinte porém, como membro do Comitê de Artilharia, sua atividade volta a ser intensa.

Na primavera de 1803, aos 62 anos, recebe ordens de partir para São Domingos, a fim de combater os negros amotinados. De última hora é alterado seu roteiro: deve ir para Tarento, sul da Itália, região de prais quentes e pantanosas, onde grassam as febres mais temidas que os soldados inimigos. Ao cabo de uma longa e penosa viagem, por estradas horríveis e sob um sol tórrido, chega finalmente a seu destino. Vítima de disenteria, Lalcos fica preso ao leito desde o dia 2 de agosto até a hora de sua morte. Não tem mais forças nem para escrever. Seu ajudante-de-campo trata-o como "o filho mais dedicado". O soldado velho e cansado pressente que vai morrer. Em nenhum momento pronuncia o nome de Deus. Em lugar de preocupar-se com o futuro misterioso, volta-se para a vida que ficará atrás de si, única realidade que pode conceber. Dita para a mulher conselhos detalhados sobre a administração a ser dada à sua pequena fortuna e sobre o futuro dos filhos. Envia cartas a Marmont e Bonaparte, pedindo-lhes que cuidem de sua família. No dia 5 de setembro de 1803, após 35 dias de doença, morre o autor de As Relações Perigosas. Gouvion Saint-Cyr manda sepultá-lo na pequena ilha de São Pedro, diante da enseada de Tarento, no meio de um forte qeu recebe o nome de Laclos. Diz-se, porém, que em 1815 suas cinzas foram espalhadas ao vento.

Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

sábado, 28 de setembro de 2013

Bram Stoker

Bram Stocker


1847 - Em 8 de novembro, nasce Abraham Stoker, em Dublin, Irlanda.
1863 - Ingressa no Trinity College, em Dublin.
1866 - É contratado para trabalhar no castelo de Dublin. Escreve o manual Deveres dos Amanuenses e escrivães nas Audiências para Julgamento de Pequenas Causas e Delitos na Irlanda.
1870 - Forma-se em Matemática Pura com louvor.
1876 - Conhece o ator Henry Irving e torna-se seu amigo.
1878 - Casa-se com Florence Balcombe. Aceita a oferta de Irving para administrar o Royal Lyceum Theatre de Londres.
1879 - Nasce Noel, o único filho do casal. Publica seu primeiro livro, The Duties of Clerks of Petty Sessions in Ireland.
1882 - Publica Under the Sunset, uma coleção de contos.
1890 - Começa a escrever um romance de vampirismo, ainda sem título.
1891 - Publica o romance O Castelo da Serpente.
1894 - Publica The Watter´s Mou e Croken Sands.
1895 - Publica The Shoulder of Shasta.
1897 - Em 26 de maio publica Drácula (*).
1898 - Publica Miss Betty.
1903 - Publica Os Sete Dedos da Morte.
1904 - Publica The Man.
1905 - Morre o amigo Henry Irving. Stoker sofre um derrame cerebral.
1906 - Publica Personal Reminiscences of Henry Irving.
1909 - Publica O Caixão da Mulher-Vampiro.
1911 - Publica seu último romance, O Monstro Branco.
1912 - Morre em Londres, em 20 de abril.
1922 -Estréia Nosferatu, primeiro filme baseado no romance Drácula, de Bram Stoker.


(*) Drácula
O publicitário e escritor inglês Bram Stoker inspirou-se no conde Vlad Tepes, o Empalador, príncipe da Valáquia na segunda metade do século XV, para criar o personagem-título de seu romance de terror. O príncipe, também conhecido como Vlad Dracul (nome que em romeno significa dragão, diabo), foi de fato um tirano e um guerreiro muito cruel, porém jamais um vampiro. A história do conde Drácula se passa na Transilvânia, região lúgubre ao norte da Romênia.
Sucesso desde que foi publicado, em 1897, o livro recebeu uma série de adaptações para o cinema, a primeira delas em 1931.


Na primeira metade do século XIX Dublin, na Irlanda, vive um momento político bastante tenso. Daniel O´Connel, líder nacionalista, é um incansável agitador e mobilizador das massas. Lidera um movimento popular que resulta na concessão aos católicos de alguns direitos até então reservados apenas aos protestantes, como o voto e o acesso a cargos públicos. O´Connell é responsável, também, pela campanha que defende a separação política entre Irlanda e Inglaterra.

Para agravar ainda mais a situação do país, em 1846 tem inicio um período de terrível de fome na Irlanda, seguido de uma epidemia de tifo, que perduraria por dois anos. Em consequência, quase dois milhões de irlandeses emigram, a maioria para os EUA.

Esse é o retrato da época em que nasce Abraham Stocker, em 8 de novembro de 1847, no subúrbio de Clontarf, Dublin.

Terceiro dos sete filhos de Abraham Stoker - um funcionário público da secretaria do castelo de Dublin - e de Charlotte Thornley, o pequeno Bram, como prefere  se chamado, passa os primeiros oito anos da vida confinado a uma cama em decorrência de uma misteriosa doença que os médicos não conseguem diagnosticar. Jamais se saberia se a causa dessa enfermidade era de ordem física ou psicológica e até que ponto iria influenciar seu futuro fascínio pela morbidez.

O relacionamento de Bram com a mãe é excepcionalmente afetivo. A sra. Stoker partilha com o filho seu conhecimento e amor por contos de fadas, histórias de fantasmas e apavorantes narrativas sobre a pandemia de cólera que atingira a Europa de 1826 a 1837 e da qual ela havia sido testemunhas.

Em 1863, com dezesseis anos de idade, Bram ingressa no Trinity College de Dublin, onde cursa Matemática Pura. Destaca-se notavelmente no curso, pratica esportes - chega a ganhar um prêmio em atletismo - e torna-se presidente da Sociedade Filosófica.

O jovem Bram sonha ser escritor, porém, induzido pelo pai, que tem planos mais práticos para ele, acaba seguindo-lhe os passos na carreira pública e, a partir de 1866, também passa a trabalhar no castelo de Dublin.

Nesse período, como um burocrata a serviço da Justiça, escreve um manual denominado Deveres dos Amanuenses e Escrivães nas Audiências para Julgamento de Pequenas Causas e Delitos na Irlanda, que só seria publicado em 1879.

Obtém com louvor, em 1870, o diploma de Bacharel em Ciências. Durante os oito anos em que trabalha como funcionário público, Stocker desempenha também cargos universitários, participa de sociedades científicas e literárias e colabora em periódicos. É cronista, jornalista, contador, crítico teatral do Evening Mail de Dublin e editor do The Irish Eco.

Ao assistir no palco a uma interpretação de Henry Irving, em 1876, Stoker fica impressionado com o talento do ator inglês, que representa as peças de Shakespeare em uma temporada no teatro de Dublin. Bram publica em sua coluna uma análise da atuação de Irving, pois eles são apresentados após o término do espetáculo e tem início uma amizade que se manteria por quase trinta anos.

Dois anos depois, Henri Irving oferece ao amigo Stoker o cargo de administrador do Royal Lyceum Theatre de Londres. Stoker imediatamente pede demissão do cargo público, casa-se com Florence Balcombe, uma linda jovem de dezenove anos que rompera um noivado de três anos com Oscar Wilde, e segue para a Inglaterra. No ano seguinte Florence dá à luz o único filho do casal, Noel. Nesse mesmo ano Stoker publica seu primeiro livro, The Duties of Clerks of Petty Sessions in Ireland.

Seu segundo livro, Under the Sunset, publicado em 1882, consiste em oito contos infantis de mistério.

Bram Stoker trabalha intensamente: além de ser responsável por mais de uma centena de funcionários do teatro, organiza turnês internacionais da companhia teatral, cuida da correspondência e desempenha a função de empresário e secretário de Henri Irving. Em meio a todas essas atividades, ainda encontra tempo para escrever. Ao entrar em contato com a sociedade londrina, que tende a ser apaixonada pelo sobrenatural, Bram Stoker começa a encontrar inspiração e material para escrever suas histórias soturnas.

Em 1890 Stoker começa a escrever um romance sobre vampiros, ainda sem título definido. No verão desse mesmo ano passa férias em Whitby, onde passa a cogitar o nome Drácula para esse romance que está escrevendo. Ao mesmo tempo trabalha em outro livro O Castelo da Serpente, que é publicado em 1891.

O panorama intelectual da época em que vive Bram Stoker revela a forte influência dos movimentos espiritualistas na Inglaterra Vitoriana do final do século XIX e início da era Eduardiana - a chamada Belle Époque.

Estranhas combinações de esotérico cientificismo e ritualístico misticismo são dadas à luz e ganham notoriedade e aclamação popular. Racional e irracional encontram-se estreitamente ligados. Reunindo o gosto pelo fantástico e pelo oculto com base em suas observações em penitenciárias da Inglaterra, onde lhe despertam a atenção alguns detentos obcecados pela compulsão de verter sangue e até mesmo de ingeri-lo - sintoma de uma disfunção metabólica de origem genética causada por uma deficiência enzimática e que reduz a produção das células sanguíneas -, Bram Stoker começa a fazer pesquisas para complementar o livro que viria a ser sua obra-prima. Ao ser publicado em maio de 1897, sete anos depois de iniciado, lançaria o protagonista Drácula em projeção mundial, bem como o próprio autor. Durante esse período publica três livros: The Watter´s Mou e Croken Sands em 1894 e The Shoulder of Shasta em 1895.

Nas lendas e no folclore os vampiros já eram conhecidos havia séculos. Em suas pesquisas, Stoker reúne informações sobre a crença em vampiros na Transilvânia e baseia-se ainda na sintomatologia de algumas anomalias genéticas ligadas a grupos mediterrânicos e que podem ser aliviadas com transfusões de sangue: palidez, crescimento anormal de pelos, unhas e dentes, retraimento da gengiva, sensibilidade à luz e, em alguns casos, crises de insanidade.

Existe também a possibilidade de que, para criar o personagem-título de seu romance de terror Bram Stoker, já familiarizado com a literatura inglesa do século XIX sobre vampiros, tenha se inspirado no príncipe da Valáquia Vlad Tepes Dracul (nome originário de drac, que em romeno significa dragão, diabo). Dracul, que viveu no século XV, foi um tirano e um guerreiro muito cruel, porém nao exatamente um vampiro.

Aliás, é Henry Irving, com sua voz sibilante quem serve de modelo a Stoker para a descrição do demoníaco personagem Drácula.

Um ano depois da publicação de Drácula, Bram Stoker escreve outro livro: Miss Betty; mas sua carreira entra em declínio: um incêndio no Lyceum Theatre destrói a maior parte dos figurinos, adereços e equipamentos do teatro, que viria a ser fechado em 1902. Em 1903 Bram publica Os Sete Dedos da Morte, e no ano seguinte The Man. Nesse período também sua saúde começa a declinar. Henry Irving morre em 1905, e a saúde de Bram piora ainda mais. Nesse mesmo ano sofre um derrame cerebral e, logo em seguida, contrai uma doença nos rins. É com grande dificuldade que escreve os últimos livros. Em 1906 publica Personal Reminiscences of Henry Irving, em homenagem ao amigo. Em 1909 publica O Caixão da Mullher-Vampiro, e dois anos depois, O Monstro Branco.

No dia 20 de abril de 1912, com 64 anos de idade, esgotado e enfraquecido pelos problemas de sáude, Bram Stoker morre, sem ter tido a oportunidade de assistir ao notável sucesso de sua obra.

Em 1922 é produzido na Alemanha o primeiro filme baseado no romance Drácula, de Bram Stoker: Nosferatu.

Drácula continua sendo a obra literária mais frequentemente adaptada para o cinema, e seus personagens as figuras mais retratadas na tela, ao lado do detetive Sherlock Holmes e seu fiel auxiliar Watson, do escritor inglês Arthur Conan Doyle. Em 1987 a Associação de Escritores de História de Horror dos EUA instituiu um conjunto de prêmios anuais em seu campo de atuação que recebeu o nome de Bram Stoker Award.

O ator Christopher Lee, que encarnou onze vezes o personagem de Drácula, cujo papel consagrou sua longa carreira no cinema, declarou no Festival Imagfic de Madri, em 1990: "Drácula é um herói maléfico, a que eu tenho dado um certo toque de tristeza, sem esquecer que é um personagem heróico, romântico e sensual".

Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Homero

Homero
Século  XV-X a.C. - Período pré-homérico ou micênico.
Os primeiros povos indo-europeus - os aqueus - chegam à Grécia e fundam diversas cidades, entre elas Micenas, Tirinto e Pilos.
Os habitantes de Micenas entram em contato com a ilha de Creta e surge a cultura creto-mecânica.
Chegam à Grécia os jônios e os eólios. É fundada a cidade de Atenas.
A Grécia é invadida pelos dórios, que fundam a cidade de Esparta e destroem a civilização creto-micênica.
Eclode a guerra de Tróia, qeu dura dez anos e termina com a vitória da Grécia.
Séculos IX-VI a.C. - Período homérico ou arcaico.
850 a.C. - Provável data de nascimento de Homero.
800 a.C. - Início da colonização grega. Expansão do comércio marítimo. Desenvolvimento das cidades-Estados.
750 a.C. - Introdução da escrita na Grécia.


(*) Odisséia
Ao longo do tempo muito se tem discutido sobre a verdadeira autoria de A Odisséia, atribuída a Homero, embora sem resultados conclusivos. A obra é uma exaltação do povo grego ao herói mortal Ulisses, conhecido também como Odisseu. A história tem início quando Menelau, tei de Esparta, e Agamênon, rei de Atenas, convocam todos os reis e nobres da Grécia para ajudá-lo a montar uma expedição contra Tróia. Diante da convocação, Ulisses finge estar louco. 
Descoberta a farsa, só lhe resta partir para a guerra.
Após a tomada de Tróia, tem início a viagem de Ulisses, cheia de peripécias e aventuras, de volta a Ítaca, sua terra natal.


Por volta do século XV a.C. a Grécia e ocupada pelos aqueus, povo indo-europeu. Com base em uma sociedade altamente estruturada e original, esse povo é responsável pelo surgimento de uma nova cultura que se expande pelo Mediterrâneo oriental. O centro irradiador dessa cultura é Micenas.

Com a chegada dos jônios é fundada a cidade de Atenas, e a civilização creto-micênica atinge o apogeu, até que a região é invadida pelos dórios, também de origem indo-européia, entre 1200 a.C. e 1100 a.C.

A chegada desse povo guerreiro ao território grego contribui decisivamente para a decadência da ilha de Creta e o consequente desaparecimento por completo da antiga civilização micênica. Tem início então uma nova fase no desenvolvimento histórico das regiões situadas na bacia do mar Egeu.

Os gregos da Antiguidade chamavam a si próprios de "helenos", que incluíam todos aqueles que estavam unidos pela mesma cultura e religião e falavam grego, mesmo que usassem dialetos diferentes ou não vivessem na Grécia. Em oposição, eram chamados "bárbaros" os que não falavam grego.

Até o século VIII a.C. as relações dos helenos entre si e com os bárbaros eram esporádicas e inexpressivas, embora as influências culturais do Oriente nunca deixassem de estar presentes. A adoção do alfabeto fenício, adaptado às exigências da língua grega, constitui o resultado mais improtante desse contato. Remontam à segunda metade do século VIII a.C. as mais antigas inscrições alfabéticas e, nessa época, aparecem documentos epigráficos, como listas de magistrados e de vencedores nos jogos olímpicos, que contribuem, desde então, para um conhecimento mais preciso do passado.

O renascimento da técnica de escrita evidencia, antes de tudo, a intensidade do progresso cultural no Egeu helênico, e sua origem indica a importância do Oriente nas transformações sociais em curso. A influência oriental estimula  o alargamento do horizonte geográfico e econômico dos gregos, que atinge o ponto máximo com a vasta colonização efetuada entre meados do século VIII e fins do VI a.C.

Por volta de 750 a.C. o surgimento de algumas tendências no desenvolvimento das comunidades helênicas assinala ma nova fase de sua história. Do ponto de vista histórico, a época arcaica representa uma fase de intensa transformação em todos os níveis da sociedade.

O termo "arcaico", que os especialistas empregam para denominá-la, provém da periodização arqueológica, pois classifica inicialmente os traços peculiares da escultura, arquitetura, decoração, cerâmica etc., que aos poucos abandonam a linha geométrica dominante na produção artística e prenunciam as formas do clássico. Três fenômenos sintetizam essa mutação: o movimento de renovação cultural processado sob a influência do Oriente; o deslocamento de populações pela implantação de colônias em vasta área mediterrânea; e o processo que consolidou as estruturas clássicas da cidade-Estado em algumas regiões mais expostas às correntes do progresso. Numerosos relatos literários da fundação de colônias referem-se a rivalidades entre facções, banimentos, privação de direitos cívicos, como episódios que precederam a emigração. As tensões ocasionadas pela escassez do solo também figuram nessas histórias, que, apesar de construídas com dados lendários, são adequadas ao que se conhece do contexto social vigente na fase áurea do desenvolvimento. De fato, nas cidades da Grécia européia que encabeçaram o movimento, era muito rígido o domínio dos aristocratas.

O aumento da população, a produção agrícola insuficiente e a miséria dos camponeses levam os gregos à procura de novas terras, aventurando-se pelos mares Egeu, Mediterrâneo e Negro, e fundando colônias costeiras ao longo desses mares, o que resulta na expansão do comércio marítimo e no desenvolvimento das cidades-Estados, ou seja, centros de poder que têm em comum a língua, a proximidade e a cultura.

Dentre o material literário disponível para o conhecimento desse período, o mais antigo e rico é constituído pela Ilíada e pela Odisséia, dois dos maiores poemas épicos da Grécia antiga e que tiveram profunda influência sobre a literatura ocidental, que incorporaram episódios pertencentes a um dos ciclos lendários que os poetas talvez cantassem desde a época micênica. Tradicionalmente atribui-se a Homero a autoria dessas obras, mas ainda hoje é discutida não só a questão da autoria dessas epopéias como a data de sua composição. Estima-se que esteja situada nos marcos cronológicos fornecidos por uma importante expansão cultural efetivada em ambas as margens do Egeu.

Com base em referências às condições sociais dessa época encontradas nos poemas de Homero, o historiador grego Heródoto (século V a.C.) situa o período de vida do poeta entre os séculos IX e VIII a.C., fixando a provável data de seu nascimento por volta de 850 a.C. em algum lugar da Jônia, antigo distrito grego da costa ocidental da Anatólia, que hoje constitui a parte asiática da Turquia. Entretanto, outras cidades gregas reivindicam a honra de ser o local do nascimento de Homero: Esmirna, Rodes, Quios, Argos, Ìtaca, Pilos e Atenas.

São poucas as informações concretas sobre a vida de Homero. Não há nem mesmo a comprovação de que ele tenha de fato existido. São inúmeras as lendas e contradições, e todas essas dúvidas geraram a "questão homérica", que até hoje não foi inteiramente esclarecida. Uma das fontes que defende ser Homero natural da Esmirna ou de Quioz diz que ele era pobre e de origem plebéia, e que percorrera o mundo conhecido em sua época anotando nomes, datas e características física, enquanto recebia hospedagem em troca de poesias. Ao retornar a Ítaca, após uma viagem à Espanha, teria contraído uma doença nos olhos que o teria levado a perder a visão. Supões-se que fosse cego pela origem do seu nome em grego (aquele que não vê), embora existisse, também, em épocas remotas, a noção geral de que os poetas fossem cegos e que justamente essa falta de visão lhes possibilitava "ver" o que as outras pessoas não viam, ou seja, a deficiência visual os tornava mais sensíveis à inspiração artística e literária.

Consta ainda das principais fontes a informação de que a morte de Homero teria ocorrido em uma das ilhas Cíclades. No entanto, as contradições e a escassa confiabilidade dos dados biográficos levaram alguns estudiosos a questionar sua existência.

Alguns sugerem que Homero teria sido simplesmente um compilador, que reuniu vários poemas anônimos e pequenas canções populares até formar um todo homogêneo. Outra corrente supões que "Homero" seja um nome coletivo e que a Ilíada e a Odisséia resultem do trabalho de dois ou mais poetas. Um primeiro teria concebido e composto um núcleo primordial que foi depois desenvolvido por outros. Essa questão tem gerado controvérsias, pois há duas opiniões contraditórias: enquanto alguns vêem falta de unidade e variações de linguagens, estilo, ponto de vista e tema nas duas obras, sinal de que não teriam sido escritas por um só poeta, há quem afirme que existe equilíbrio e homogeneidade na linguagem, no tom solene dos versos, no retrato do ideais e valores da sociedade helênica, na visão realista que engloba o fantástico e o real, o histórico e o imaginário. E há ainda a corrente que nega a existência do poeta, baseada na ausência de provas arqueológicas de que os gregos soubessem escrever na época em que Homero teria vivido, e que seria impossível compor poemas tão longos sem o conhecimento da escrita. Os achados arqueológicos indicam que a escrita foi introduzida na Grécia a partir de 750 a.C., e o mais antigo documento literário conhecido data do século IV a.C.

Antes disso, a literatura era transmitida oralmente, e o povo grego conheceu os poemas de Homero ouvindo-os recitados em festivais ou lendo cópias manuscritas. O filósofo e escritor grego Aristarco de Samotrácia (século II a.C),  e outros filólogos da época Alexandrina encarregaram-se da tarefa de produzir a edição do texto das epopéias de Homero. Aos manuscritos em pergaminho oriundas desse trabalho acrescentaram-se anotações de diversos outros helenistas e eruditos bizantinos, ao longo de pelo menos mil anos.

Os estudiosos que admitem a existência de Homero e que atribuem a ele a autoria das epopéias - entre eles, o pensador grego Aristóteles (século IV a.C) - situam a composição da Ilíada na época de juventude do poeta, e a da Odisséia no final de sua vida, o que explicaria as diferenças de estilo e de linguagem apontadas por aqueles que negam a autoria comum das duas obras.

Em dialeto jônico, o que confirmaria a hipótese da origem jônica de Homero, a Odisséia é uma exaltação do povo grego ao herói mortal Ulisses, conhecido também como Odisseu. A história tem início quando Menelau, rei de Esparta, e Agamênon, rei de Atenas, convocam todos os reis e nobres da Grécia para ajudá-los a montar uma expedição contra Tróia. Diante da convocação, Ulisses finge estar louco. Descoberta a farsa, só lhe resta partir para a guerra. Após a tomada de Tróia, tem início a viagem de Ulisses, cheia de peripécias e aventuras, de volta a Ítaca, sua terra natal.

Os poemas homéricos desfrutaram imensa popularidade na Antiguidade. Cópias desses poemas transformaram-se em compêndios básicos que as crianças gregas usavam para aprender a ler e para estudar as lendas e os mitos da Grégia antiga. Platão (séculos V-IV a.C.) chega memso a referir-se ao poeta como "o educador da Grécia". Os gregos formaram seus pontos de vista religiosos a partir dos retratos dos deuses feitos por Homero em seus poemas. As epopéias também foram tomadas como padrão ético e estético e constituíram um exemplo incontestado para todos os poetas épicos gregos ou latinos, além de fornecer personagens e enredo para os grandes dramaturgos do século V a.C.

Além dos clássicos Ilíada e Odisséia, atribui-se também a Homero a autoria de uma coleção de 34 hinos - os Hinos Homéricos -, do poema Margites e da paródia épica Batracomaquia. Entretanto, a ausência de comprovação também gerou opiniões divergentes quanto à autoria dessas obras.

As obras de Homero refletem vividamente a antiguidade mais remota da civilização grega. Desde o século XVI ocupam um lugar preponderante na cultura literária clássica européia, e na originalidade, riqueza e colorido influenciaram inúmeros poetas e artistas do Ocidente. As situações descritas e narradas por Homero tornaram-se simbólicas de toda a aventura humana sobre a terra, e seu nome chega a confundir-se com a própria poesia.


Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Jane Austen

Jane Austen
1775 - Nasce em 16 de dezembro, no presbitério de Steventon Parish, em Hampshire, Inglaterra.
1784 - É levada para uma escola em Oxford juntamente com a irmã Cassandra, sob os cuidados de uma preceptora.
1787 - Jane e a irmã voltam para casa.
1790-1793 - Nesse período escreve os primeiros romances, que comporiam a coletânea juvenilia.
1795 - Conhece o irlandês Thomas Lefroy, por quem se apaixona.
1796 - Escreve à irmã uma carta relatando o rompimento com Lefroy.
1795-1798 - Nesse período escreve as versões originais de A Abadia de Northanger, Razão e Sensibilidade e Orgulho e Preconceito.
1801 - Muda-se com a família para Bath.
1805 - Morre George, seu pai. Começa a escrever The Watsons e Lady Susan, mas não conclui as obras.
1807 - As duas irmãs e a mãe mudam-se para Southampton e passam a residir com o irmão Frank e sua esposa.
1809 - Jane, a irmã e a mãe mudam-se para uma casa em Chawton, cedida pelo irmão Edward.
1811 - Publica Razão e Sensibilidade (*). Começa a escrever Mansfield Park.
1813 - Publica Orgulho e Preconceito. Sai a segunda edição de Razão e Sensibilidade.
1814 - Começa a escrever Emma. Publica Mansfield Park.
1815 - Começa a escrever Persuasão. Publica Emma.
1816 - Conclui Persusão. Sai a segunda edição de Mansfield Park.
1817 - Começa a escrever Sanditon, mas adoece e vai para Winchester para se tratar. Fica paralítica e morre em 18 de julho, aos 41 anos.


(*) Razão e Sensibilidade
Na Inglaterra do século XX, as irmãs Elinor, Marianne e Margareth Dashwood ficam desemparadas com a morte do pai, cujas propriedades ão deixadas como herança para um filho do primeiro casamento. Bonitas, inteligentes e sensíveis, as irmãs e a mãe mudam-se para um chalé oferecido por um parente distante. Sem dote, Elinor (a razão) e Marianne (a sensibilidade0 têm pouca chance de conseguir um bom casamento. Mas a grandeza de seus sentimentos revela-se importante contra a hipocrisia de uma sociedade preocupada apenas com os bens materiais. Essa obra é um retrato mordaz de tipos interesseiros, cujo objetivo de vida é enriquecer e projetar-se socialmente.


A Europa do século XVIII passa por importantes mudanças políticas e econômicas. Os tratados de Utrecht (1713-1715) encerram o período da preponderância francesa, que passa a ser britânica. O absolutismo triunfa até meados desse século em boa parte do continente, onde ocorrem diversos conflitos: aguerra da Tríplice Aliança, a guerra da sucessão da Áustria, a guerra dos Sete Anos e outros.

As rivalidades coloniais entre França e Inglaterra pesam muito nas relações entre esses países. Na Índia os britânicos suplantam definitivamente a influência francesa no decorrer da guerra dos Sete Anos.

A partir de 1760 tem início na Inglaterra a Revolução Industrial. A invenção da máquina a vapor é decisiva para a aceleração da série de transformações tecnológicas, econômicas e sociais que só depois de muitas décadas se entenderiam ao continente.

O impacto causado na Europa pela Revolução Francesa, em 1789, é tão profundo e marcante que a partir daí tem início outra época, tradicionalmente denominada Idade Contemporânea.

A segunda metade do século XVIII passa a ser denominada Século da Luzes, em virtude do predomínio gradual das idéias de tolerância religiosa e reforma política e social que asseguram maior liberdade individual.

É nesse período de ebulição política na Europa que nasce Jane Austen, em 16 de dezembro de 1775, no presbitério de Steventon Parish, em Hampshire, zona rural da Inglaterra, no reinado de Jorge III.
Jane é a segunda filha e a penúltima dos oito filhos do reverendo George Austen e sua esposa Cassandra Leigh Austen, pertencentes a uma família tradicional e numerosa.Jane recebe em casa a maior parte de sua instrução. Tem uma infância feliz em meio aos irmãos e a outros garotos, que se hospedam na casa e dos quais o reverendo George é tutor. Amantes do romance e da poesia, para se divertir as crianças escrevem e inventam jogos e charadas, e mesmo  sendo garotinha, Jane é incentivada a escrever. Desde cedo revela sua inclinação para as letras, ao escrever bilhetes para parentes e amigos em uma época em que escrever cartas é uma espécie de modismo. A leitura pelas crianças de livros da extensa biblioteca do reverendo George fornece material para que escrevam pequenas peças teatrais, que elas próprias representam.

Em 1784, quando seu pais decidem enviar Cassandra - a inseparável irmã mais velha, então com dez anos -  para uma escola em Oxford, Jane implora para ser levada junto, no que é atendida. Elas ficam sob os cuidados de uma preceptora; contudo, sem recursos par manter as meninas estudando fora, o pai traz as filhas de volta para casa três anos depois. Jane nunca mais se separaria da família.

Em 1790, com catorze anos de idade, Jane escreve seu primeiro romance, Amor e Amizade, sob a forma epistolar - estilo que nunca seria inteiramente dominado pela escritora. Essa e outras obras escritas anonimamente na adolescência além de uma coleção de cartas, comporiam os três volumes da coletânea Juvenilia.

A vida de Jane Austen até então não é marcada por grandes acontecimentos, nada ocorre que possa perturbar a sua pacata existência. Contudo, apesar da tão pouca vivência, do restrito convívio social e de morar sempre em pequenas cidades do interior da Inglaterra, a escritora possui uma visão extraordinariamente cosmopolita.

Transforma-se em uma notável cronista da sociedade inglesa da época, que, ao contrário do que se poderia supor, não é uma sociedade rural típica inglesa, est´vel, conservadora, e sim uma sociedade burguesa, um mundo fluido e arbitrário em que algumas famílias nadam em dinheiro novo, enquanto outras lutam para manter o pouco que possuem.

Com percepção aguda dos fatos e estilo pacífico, sereno e equilibrado, Jane consegue construir em seus romances uma descrição minuciosa do ambiente a que pertence com uma sutil ironia. Seus primeiros escritos contêm imagens anárquicas e de violência em abundância, e por ser filha de um eclesiástico do século XVIII, isso revela uma ousadia incomum.

O romance Lady Susan, escrito na adolescência, em 1792, é inspirado em As Relações Perigosas, de Choderlos de Laclos, um livro que seria proibido para uma senhorita da pequena burguesia, educada nos rigores do puritanismo. É possível que os pais de Jane não lhe censurem as leituras,, pis seu trabalho literário também recebe influência de Sir Chales Dickinson, escrito por Samuel Richardson, e de Tom Jones, de Henry Fielding, livros considerados igualmente escandalosos na época.

A criação aristocrática também aflora na temática dos romances de Jane Austen, sobretudo na caracterização psicológica de suas personagens femininas, verdadeiras heroínas burguesas, cuja preocupação máxima é conseguir um bom casamento. Sem dúvida a principal diferença entre Jane Austen e suas heroínas sensuais é que, no caso destas, não só suas percepções e critérios são importantes como também em geral têm a oportunidade de escolher o próprio destino.

Ainda em 1782, Jane escreve Kitty ou o Caramanchão, e entre 1795 e 1798 Elinor e Marianne, romance epistolar que serviria de base para Razão e Sensibilidade,  A Abadia de Northangeer, que parodia os livros de terror, muito populares à época, mas que só seria publicado postumamente, e Orgulho e Preconceito.

Em 1795, no final da adolescência, Jane se apaixona por um irlandês encantador chamado Thomas Lefroy, mas o romance não se concretiza e termina no ano seguinte. Essa desilusão amorosa sem dúvida desencadeia em Jane os mesmos sentimentos de vulnerabilidade e de um relativo abandono que marcaram sua infância, quando a mãe a deixara juntamente com a irmã Cassandra Elisabeth aos cuidados de uma preceptora em Oxford.

Em 1801, aos 26 anos, muda-se com os pais e Cassandra, para Bath. Após a morte do irmão George, deficiente mental, do pai, em 1805, e da cunhada, que deixa órfãos os onze filhos de seu irmão Edward, ela passa por um período de depressão, durante o qual escreve muito pouco.

Em março de 1807, Cassandra e a mãe mudam-se para Castle Square, Southampton. Passam a morar com seu irmão Frank, um capitão naval, e sua esposa.

Em 1809 as três mulheres transferem-se para uma pequena mas confortável casa cedida pelo próspero irmão Edward em Chawton, próximo a Winchester, no sul da Inglaterra. Jane retoma a atividade literária e começa a preparar a versão final de Razão e Sensibilidade e de Orgulho e Preconceito.

Em 1811, então com 36 anos, publica Razão e Sensibilidade e começa a escrever Mansfield Park, que seria publicado em 1814, ano em que começa a escrever Emma, obra dedicada ao príncipe regente, futuro George IV, e publicada no ano seguinte.

No início de 1817 Jane começa a escrever outro romance, Sanditon, mas poucos meses depois adoece, vitimada por uma complicação pulmonar, e vê-se obrigada a ir para Winchester para se tratar. Porém, fica paralítica e morre  em 18 de julho, aos 41 anos de idade. Cassandra está a seu lado. Uma semana depois é sepultada na catedral da cidade, sem a presença da irmã, já que nessa época mulheres não assistem a funerais.

Além de A Abadia de Northanger, outras obras publicadas após sua morte são Persuasão e Lady Susan, com um prefácio biográfico escrito por Henry, seu irmão predileto. As obras The Watsons e Sanditon também são póstumas, mas são trabalhos não concluídos.

A linguagem pura e simples, o tom humorístico, sarcástico, a agudeza de espírito e os sempre atuais temas de maor e casamento garantem a imortal popularidade de Jane Austen, cujos romances são frequentemente reproduzidos com sucesso nas telas de cinema.

Ao longo dos séculos, biógrafos e críticos têm se perguntado como a tímida e reservada filha de um clérigo protestante do interior da Inglaterra viria a produzir livros tão sofisticados, como uma mulher de temperamento doce, morta aos 41 anos de idade, solteira e com pouco convívio social, se converteria em autora de romances tão irônicos e profundamente modernos, que não se enquadram em nenhum dos padrões literários característicos de sua época.

Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Stendhal

Stendhal


1783 - Nasce em Grenoble, em 23 de janeiro, Henri Beyle, filho de Chérubin-Joseph Beyle e Caroline-Adelaide-Henriette Gagnon.
1790 - Morte da mãe.
1796 - Ingressa na escola de Grenoble.
1799 - Vai a Paris.
1800 - Viaja para a Itália como subtenente do 6. Regimento dos Dragões.
1802 - Deixa o exército. Volta a Paris.
1803- Adere aos "Ideólogos".
1804 -  Liga-se à atriz Mélanie Guilbert. Estabelece-se como comerciante na cidade de Marselha.
1806 - Volta a Paris e ingressa novamente no Exército.
1809 - Viaja a Viena.
1811 - Viaja à Itália.
1814 - Publica Vidas de Haydn, Mozart e Metastásio.
1817 - Publica História da Pintura na Itália e Roma, Nápoles e Florença.
1821 - Regressa a Paris.
1822 - Publica De Amor com o pseudônimo Stendhal.
1823 - Publica Racine e Shakespeare.
1827 - Publica Armance.
1830 - Publica Passeios em Roma.
1831 - Transferido como cônsul para Civitavecchia.
1832 - Conclui Lembranças de Egotismo, publicado postumamente.
1833 - Começa a escrever Lucien Leuwen.
1835 - Redige Vida de Henri Brulard.
1836 - Viaja a Paris.
1838 - Escreve Memórias de um Turista e A Cartuxa de Parma.
1842 - Em 22 de março tem um ataque apoplético, em Paris. Dia 23, às 2 horas da madrugada, morre.


(*) O Vermelho e o Negro
O Vermelho e o Negro é uma das obra-primas de Stendhal. O perfil psicológico e a vida de Julien Sorel, um dos personagens mais marcantes da literatura de todos os tempos, tem por fundo a França do período da restauração napoleônica, retratada ao mesmo tempo com agudo realismo e fantasia transfiguradora. O título, simbólico, evoca uma opção entre a carreira militar e a eclesiástica que se oferece ao herói, ele mesmo um símbolo, de certo modo, da idéia de vontade individual como força criadora dos acontecimentos, que anima a obra de Stendhal.



A neve cai em grossos flocos sobre Grenoble. Cobre de branco os telhados escuros e as ruas estreitas. Afugenta os transeuntes, interdita os passeios. No ardor da despedida, o pequeno grupo junto à diligência nem chega a sentir o frio. Henri Beyle está de partida para Paris: aspira conquistar o amor e a glória. Por certo, na capital sentirá falta das monanhas ao redor de Grenoble, e lamentará não ter a irmã, Pauline, o avô e o tio Romain a seu lado. Porém, em compensação não castigará os olhos com os feios traços da cidade natal. Olha para a irmã caçula, que espera indiferente pelo fim das despedidas. Perto dela, o Abade Raillane parece fitar Henri em reprovação. Entende essa viagem a Paris como uma fuga para a aventura. Teme que, sem religião nem disciplina moral, o jovem Beyle se perca. Só falta dizer adeus ao pai, que, emocionado, retém na sua a mão do filho, sem dizer uma palavra. Havia muito tempo Chérubin-Joseph Beyle perdera o hábito das confidências. As mágoas, as dificuldades e a morte precoce da esposa, em 1790, quando Henri tem apenas sete anos, o haviam endurecido ao longo da vida.

Soltando a mão do pai, contempla as casas escuras e as ruas estreitas, adivinhando as montanhas que a nevada encobre. Murmura um "adeus, Grenoble" e sobe na diligência, junto com o avô.

Com o velho doutor Gagnon aprende a admirar a beleza e a arte, e dele recebe tanto carinho como só sua mãe lhe havia dado. No canto da diligência, Henri Beyle se comove, pensando que em breve terá de despedir-se do avô. E, furtivamente, com o punho do casaco enxuga uma lágrima indiscreta.
O avô percebe-lhe o gesto, e, para distraí-lo, fala sobre os exames vestibulares e sobre o triunfo certo de seu exame na Escola Politécnica.

Mas no dia da prova, ainda cansado da viagem, Henri acorda tarde demais. Nem avô nem neto lamentam o fato; afinal, estudar engenharia fora apenas um pretexto para sair de Grenoble. O doutor Gagnon deixa o neto aos cuidados de um primo e parte. Por intermédio de Pierre Daru, homem de prestígio no governo de Napoleão, engaja-se no Exército e, em 1800, parte para a Itália.

Encanta-se com a beleza da paisagem e das mulheres.

Aaixona-se pela literatura e pela música, em particular pela ópera O Matrimônio Secreto, de Domenico Cimarosa.

Aborrecido com o Exército, em1802 desliga-se das armas, diz adeus a Angela Paietragrua, sua amada milanesa, e volta a Paris.

Apesar dos parcos recursos, Henri decide tornar-se um cavalheiro perfeito e põe-se a tomar lições de dança. Para ler Shakespeare no original, dedica-se ao estudo do inglês. Para conhecer as idéias da moda, frequenta os saões de Destutt de Tracy e lê as obras de Condillac. Mas estudos e exercícios não o fazem deixar de ser conquistador.

Corre o ano de 1804. Sua apaixão pela atriz Mélanie Guilbert o faz seguir-lhe os passos: muda-se ocm ela para Marselha e, para sobreviver, estabelece-se como comerciante. Tanto a temporada como a empresa comercial redundam em grande fracasso, e os amantes têm de se separar. Henri Beyle regressa a Paris, falido. O primo o readmite no Exército e confia-lhe uma intendência na Áustria, onde fica por dois anos. em 1810, aos 27 anos, volta a Paris, para logo em seguida partir em viagem para a Itália, a Rússia e a Alemanha. Outra vez de volta a Paris, presencia a tomada da capital pelas forças aliadas e a fuga de Napoleão, em 1814. Nada mais lhe resta fazer na França: rumo então para Milão, decidido a dedicar-se exclusivamente à literatura.

Data desses anos de derrocadas a publicação de Vidas de Haydn , Mozart e Metastásio, seu primeiro trabalho, com o pseudônimo de Bombet. Sua estréia literária provoca um grande escândalo. Giuseppe Carpani, escritor italiano, acusa-o de haver plagiado sua biografia de Haydn. Imediatamente, um certo Bombet Júnior, que se declara irmão mais novo do Bombet plagiador (e que na verdade era o mesmo Henri Beyle), acorre para defendê-lo. Pela imprensa consegue distorcer de tal modo os fatos que Carpani, verdadeiro autor da obra, acaba aparecendo aos olhos do público não só como mentiroso mas também como ladrão. O debate desperta a curiosidade dos leitores, e o livro revela-se um grande sucesso.

Três anos depois publica História da Pintura na Itália - mais um plágio - e Roma, Nápoles e Florença, evolução de suas lembranças de viagem. Porém as críticas e suas amizades com os liberais italianos despertam nos austríacos - que dominam boa parte do norte da Itália - a suspeita de que Beyle trama contra eles. Temendo ser preso, em 1821 volta a Paris. Está com 38 anos e deixa atrás de si mais um amor atormentado: Métilde Dembowski, "a maior de todas as dores que já sofrera".

A influência dos "ideólogos" revela-se claramente no tratado Do Amor, publicado em 1822 e primeira obra assinada com o pseudônimo Stendhal. Apesar da leveza do estilo, o ensaio não obtém sucesso.
Os anos seguintes vêem aparecer a Vida de Rossini (1823), um dos raros sucessos de Stendhal, e Racine e Shakespeare (1825), este considerado uma de suas obras mais importantes.

Fazendo jus à fama de conquistador, em 1824 liga-se a Clementine Curial, casada com um general de Napoleão. Durante dois anos vivem intensa paixão e as mágoas de sucessivas traições. Em setembro de 1826 o caso está terminado. Stendhal passa por uma crise terrível, que o coloca "à beira do suicídio".

A desilusão transparece em seu primeiro romance, publicado em 1827 aos 44 anos: Armance narra uma história de amor impossível, na qual o herói vai buscar a morte na bela paisagem da Grécia, e a heroína entra para o convento.

Stendhal não opta por nenhum desses caminhos para esquecer seu triste caso com Clementine. Lança-se, isso sim, nos braços de Alberte de Rubempré. Mas ao regressar de uma viagem à Espanha encontra-a nos braços de um amigo seu e desfaz a ligação. Vai procurar consolo nos encantos da italiana Giulia Rinieri de´Rochi. De Alberte e de Giulia Stendhal tira vários traços para compor a personagem de Matilde de La Mole, figura destacada de O Vermelho e o Negro.

O significado do título suscita muita discussão. Segundo alguns críticos, Stedhal quer representar o jogo da roleta. Outros vêem no vermelho o Exército, o sangue das batalhas, e no negro a Igreja, o preto das batinas. Há também os que consideram o negro uma alusão ao estado de seminarista do herói, e o vermelho o sangue que o embebe no cadafalso.

A publicação de O Vermelho e o Negro em 1830 coincide com a Revolução de Julho, que coloca no poder Luís Filipe. O novo rei envia Stendhal para Trieste, como cônsul. Porém a Áustria, que domina essa cidade na ocasião, recusa-se a aceitá-lo, temendo idéias liberais. Após cinco meses de espera, o escritor recebe ordens para assumir o consulado em Civitavecchia, próximo a Roma. O Vaticano não o vê com bons olhos, prova disso é que colocara Roma, Nápoles e Florença na lista dos livros proibidos.

Para evitar novos problemas, Stendhal decide não publicar nada enquanto estiver no exercício de funções oficiais; ms continua a escrever. Em 1832 conclui Lembranças de Egotismo, uma reconstituição de suas peripécias em Paris. No ano seguinte inicia a composição de Lucien Leuwen, romance que deixa inacabado, publicado postumamente em 1894. Talvez por não poder descrever os meios diplomáticos de Romas, onde deveria desenrolar-se a segunda parte do livro, Stendhal suspende a redação de Lucien Leuwen, que nunca mais retomaria, e começa a elaborar a Vida de Henri Brulard, minuciosa autobiografia que alguns críticos julgam ser sua obra-prima. Escondendo-se sob outro nome, Stendhal procura uma definição de si mesmo, após uma revisão o mais objetiva possível de seus atos e impulsos.

Em 1839 publica A Cartuxa de Parma, seu último romance, em que descreve o luminoso panorama italliano que tantas vezes palmilhara deslumbrado.

A Itália figura como personagem central nas Crônicas Italianas, escritas em Roma, cidade que Stendhal amarra sem o entusiasmo juvenil que o prendera a Milão, mas com uma terra melancolia.
Encontra ali o ambiente perfeito para esperar com serenidade a velhice e a morte e tentar reconstituir os fatos de sua vida. As Crônicas não focalizam nem as artes nem a beleza da paisagem, mas o elemento humano, disposto nas diferentes camadas sociais que Stendhal analisa.

Ao elaborar essas últimas obras Stendhal sente-se só e desamparado. Não conta mais com o forte primo Daru. As mulheres se afastam, seus livros não alcançam mais grande sucesso. Stendhal não havia escrito para o grande público; como dizia, sua literatura se dirigia para os séculos seguintes: "Posso fazer uma obra que não agrade a ninguém e que será reconhecida como bela no ano 2000". Um dos poucos a compreendê-lo em seu próprio tempo é Balzac, cujo artigo elogioso sobre A Cartuxa de Parma constitui uma das últimas alegrias de Stendhal.

O coração enfraquecido não lhe dá mais muito tempo de vida. Em 15 de março de 1841 sofre um primeiro ataque. Apressado, deixa Civitavecchia e retorna à França: quer morrer em sua pátria. É mês de outubro. É outono em Paris.

Cinco meses mais tarde, em 22 de março de 1842, anda pela Rua Neuve des Capucines quando cai sob um fulminante ataque de apoplexia.

Transportado para o hotel, falece na madrugada do dia seguinte. O amigo Romain Colomb providencia os serviços fúnebres, realizados na igreja de Assunção. Com mais duas pessoas apenas, acompanha o féretro até o cemitério de Montmartre. Ali repousa o homem ambicioso e ávido de amor, o escritor orgulhoso que escrevera para gerações futuras. Em vida, não conhecera a glória. Após a morte, consagra-se como um dos maiores autores do século dezenove.

Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Dostoiévski

Dostoiévski

1821 - Em 30 de outubro, em Moscou, nasce Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski.
1837 - Morre a mãe de Dostoiévski. Transfere-se para São Peterburgo e ingressa na Escola de Engenharia Militar.
1839 - Seu pai é assassinado.
1841 - Inicia as obras Bóris Godunov e Maria Stuart, mas não as conclui.
1843 - Passa a trabalhar na seção de Engenharia de São Petersburgo. Traduz Eugênia Grandet, de Balzac, e Dom Carlos, de Schiller.
1844 - Dostoiévski demite-se do cargo público para se dedicar à literatura.
1845 - Publica Pobre Gente.
1847 - Sai a segunda edição de Pobre Gente. Sofre uma crise de epilepsia.
1848 - Publica o romance O Duplo.
1849 - É preso e condenado à morte. Comutada a pena, parte para a Sibéria.
1854 - É incorporado como soldado raso em uma guarnição siberiana.
1857 - Casa-se com Maria Dimítrievna Issáievna.
1859 - Volta a São Petersburgo.
1861 - Publica Recordações da Casa dos Mortos. Funda o jornal O Tempo.
1862 - Viaja ao exterior com a jovem Polina Súslova.
1863 - Retorna à Rússia.
1864 - Funda o periódico A Época. Morrem sua esposa e seu irmão.
1867 - Dostoiévski casa-se com Ana Grigórievna. Publica Crime e Castigo (*).
1868 - Nasce a primeira filha.
1871 - Volta a São Petersburgo e publica Os Possessos.
1874 - Publica O Adolescente e Diário de um Escritor.
1880 - Publica Os Irmãos Karamázovi.
1881 - Morre em 28 de janeiro, e é sepultado três dias depois no Cemitério Alieksandr Niévski, em São Petersburgo.

(*) Crime e Castigo
Dostoiévski parece ter se inspirado em seu sofrimento ao escrever Crime e Castigo. Nesse livro, cujo cenário retrata os becos sombrios e vielas com imensos casarões de São Petersburgo, bem como a paisagem desolada da Sibéria, estão presentes o interesse permanente pelo problema moral do crime e todas as contradições da época em que viveu Dostoiévski, considerado um dos maiores escritores russos de todos os tempos.


Em junho de 1812 a Rússia é invadida pelas tropas napoleônicas, e a elas se rende após sanguenta batalha. Após cinco semanas numa Moscou incendiada, abandonada por seus moradores, tem início a famosa retirada do Grande Exército, ordenada por Napoleão. Mas as tropas russas seguem-lhe as pegadas atá a Alemanha, e nesse país travam diversas batalhas. A perseguição continua até Paris, onde, no mês de março de 1814, Alexandre I entra triunfalmente.

De volta à Rússia, jovens oficiais se impressionam com os abusos da burocracia, com a arbitrariedade do governo, com o sofrimento dos servos, com juízes corruptos, entre outros desmandos. Algumas sociedades secretas começam a se organizar para reverter a situação, e até 1820 ocorrem vários movimentos revolucionários por todo o país.

Nesa Rússia conturbada, na cidade de Moscou, nasce Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski, em outubro de 1821, descendente de uma aristocrática família lituana, porém agora sem fortuna alguma.
O pequeno Dostoiévski cresce em meio à pobreza e a pessoas doentes; seu pai é médico em um sanatório para pobres em Moscou, e é aí que reside a família.

Além das condições materiais bastante adversas, ainda lhe amarguram a vida o temperamento despótico e brutal do pai, que vive aos gritos com ele, e a passividade triste e nervosa de sua mãe, Maria Fiódorovna Nietcháieva. Martiirzado, o menino alimenta a esperança de que o pai morra o que chega a pedir a Deus em suas preces. Contudo, quem morre é sua mãe, que não resite a tantos sofrimentos.

Viúvo, Mikhail dedica-se com mais afinco ao trabalho e resolve mandar o filho para a escola militar de engenharia, em São Petersburgo, atual Leningrado E é ali entre exercícios de campanha e cálculos matemáticos, que o adolescente Fiódor descobre o prazer da literatura. Entrega-se febrilmente à leitura, e fica impressionado com Schiller, Dickens, George Sand e Balzac. As idéias de muitos escritores de séculos anteriores, como Byron, Shakespeare e Cervantes, e de seu contemporâneo Victor Hugo, mais tarde influenciariam suas obras.

A inesperada notícia do assassinato do pai, em 1839, acaba pesando na consciência do jovem Fiódor, que tanto rezara para ver-se livre dele. Amargurado, angustiando pelo remorso, sentindo-se responsável por toda a miséria do ser humano, ele busca se redimir por meio da criação literária. Aos vinte anos começa a escrever Bóris Godunow e Maria Stuart, que não só refletem a preocupação de seguir a moda romântica como também sua problemática pessoal: o primeiro é a história de um tirano, como seu pai, e o segundo é o drama de uma rainha infeliz e injustiçada, como sua mãe. Fiódor não conclui nenhuma das duas obras.

Em 1843 termina os estudos e vai servir como alferes na seção de Engenharia de São Petersburgo. Nessa mesma época traduz duas obras românticas: Eugênia Grandet, de Victor Hugo, e a peça Dom Carlos, de Schiller. No ano seguinte, ainda tentando seguir os padrões do romantismo, Dostoiévski começa a elaborar Pobre Gente, novela que descreve o ambiente medíocre em que vive. Por fim, cada vez mais fascinado pela literatura, demite-se do cargo público para dedicar-se inteiramente à carreira de escritor.

Publicada em 1845, Pobre Gente transforma-se em grande sucesso de público e de crítica, o que o encoraja a escrever com mais afinco. Em 1847, ano em que sai a segunda edição de Pobre Gente, sofre uma série crise de epilepsia. No ano seguinte publica O Duplo, romance que não obtém o mínimo sucesso literário.

A fase de glória parece estar chegando ao fim, a fama começa a declinar: os críticos e autoridades literárias russas quer tanto o haviam elogiado chegam a confessar de público que se enganaram e que haviam exaltado equivocadamente seu talento literário.

Tão inesperada mudança de opinião isola Dostoiévski do convívio geral. É tomado então por repentinas dúvidas a respeito da própria capacidade e de qual seria sua real vocação.

Em 1848 Dostoiévshi, aos 21 anos, começa a frequentar um grupo socialista revolucionário em São Petersburgo, do qual passa a fazer parte. Mais tarde, no entanto, no livro Os Possessos, denunciaria o clima de violência e niilismo vigente entre os revolucionários, acusando-os de agir sobretudo movidos pelo tédio e de viverem inutilmente à custa dos servos.

Antes do rompimento com o grupo, porém, o escritor já se havia comprometido em favor do socialismo, em seus discursos públicos. Denunciado juntamente com os companheiros de grupo, é preso e condenado à morte por fuzilamento.

Já no patíbulo, no momento em que se iria cumprir a sentença, um toque de clarim interrompe a execução. Para incredulidade e imenso alívio dos réus, o auditor imperial anuncia que Nicolau I mudara de idéia e que a pena de morte fora comutada em prisão perpétua com trabalhos forçados na Sibéria.

Para lá segue o escritor, então, na véspera do Natal de 1849. Na bagagem que leva é pouco o peso: um exemplar do Evangelho - só! Mas quanto alento, força e inspiração lhe dá a leitura desse único livro. Daí a certeza renovada de que os sofrimentos são o preço necessário da redenção.

Na convivência com ladrões, criminosos e prostitutas no exílio, Dostoiévski jamais põe em dúvida a bondade humana. No livro Recordações da Casa dos Mortos, ele registraria: "Posso testemunhar que no ambiente mais ignorante e mesquinho encontrei sinais incontestáveis de uma espiritualidade extremamente viva".

Após cinco intermináveis anos de trabalhos forçados, em 1854, com 33 anos, Dostoiévski é incorporado como soldado raso em uma guarnição siberiana, onde passa outros cinco anos. Não tem amigos nem família, tampouco dinheiro. Na fria solidão da Sibéria, sofre o suplício de apaixonar-se por uma mulher casada, Maria Dimítrievna Issáievna. Seu sofrimento aumenta quando ela se muda para outra cidade, mas depois de alguns meses, para sua alegria, ele vislumbra uma esperança: Maria fica viúva. Em menos de um ano, passado o período de luto, eles se casam, em 1857.

O casamento, porém, não tem um bom começo. Na noite de núpcias Dostoiévski sofre uma violenta crise de epilepsia, como já tivera anos antes. A mulher apenas o observa, com o espanto estampado nos olhos.

Não há consolo na Sibéria: a desolação da paisagem o deprime, sua saúde é péssima, o casamento revela-se um fracasso. Tudo que lhe resta é escrever um novo romance, Recordações da Casa dos Mortos, e esperar que o czar lhe dê permissão para voltar a São Petersburgo.

Nicolau I já está morto, e seu sucessor, Alexandre II, atende-lhe o pedido. Em novembro de 1859 o escritor volta à cidade que tão bem retrataria em seus contos e romances.

O retorno, porém, é melancólico e solitário: os amigos já o esqueceram, o público também. Com o irmão Mikhail, funda um periódico, O Tempo, em 1861, A publicação de Recordações da Casa dos Mortos, nesse mesmo ano, ajuda-o a fazer ressurgir seu nome, mas a fama não é suficiente para livrá-lo das graves dificuldades financeiras. Tudo o que ganha, Dostoiévski gasta com o jornal e com a mulher doente, contrai empréstimos que não consegue pagar, e por fim, ao ver-se ameaçado por credores, foge para o exterior, em 1862. Deixa a mulher em São Petersburgo e, com recursos obtidos na Caixa de Socorros a Escritores Necessitados, percorre a Alemanha, Itália, Suíça, França e Inglaterra, levando consigo uma jovem estudante, partidária do feminismo, entusiasta da literatura e candidata a romancista: Polina Súslova, que posteriormente seria a musa inspiradora das personagens de O Jogador, O Idiota e Os Irmãos Karamázovi, entre outros. No entanto, gasta no jogo tudo o que lhe resta e mais o que consegue ganhar com a penhora de seus pertences e os de Polina.

De volta a Petersburgo, em 1863, Dostoiévski encontra Maria agonizante e o jornal fechado por ordem do governo. No ano seguinte, encontra ânimo e funda então outro periódico, A Época. Ainda em 1864, num período de três meses, morrem Maria e Mikhail, ficando a seu encargo a sobrevivência da cunhada viúva e dos sobrinhos. É em meio a esse sentimento de angústia que Dostoiévski inicia a redação de Memórias do Subterrâneo, obra que marca o completo amadurecimento literário do escritor. A partir desse livro ele superaria os modismos românticos que marcaram as obras anteriores, passando a interessar-se pela sondagem dos mistérios da existência e da complexidade da alma humana, pelo refortalecimento das qualidades essenciais do povo russo e pela busca do homem bom. Entretanto, embora tenha encontrado o caminho para se realizar como escritor, Dostoiévski é um homem solitário e infeliz. Polina, que ele deixara em Paris, recusa seu pedido de casamento, e ele se afunda mais e mais em dívidas de jogo. Quando seu editor exige que ele cumpra o prazo para a conclusão do manuscrito de Crime e Castigo, ele contrata a estenógrafa Ana Grigórievna para ajudá-lo, e finalmente encontra na jovem de 21 anos a companheira que procurara por toda sua vida. Casa-se com ela em 1867, aos 46 anos. A paixão pelo jogo, porém, só faz aumentar-lhe as dívidas. Os credores voltam com as ameaças de cadeia, e Dostoiévski emigra com Ana para a Europa Ocidental. Um adiantamento do editor permite-lhe fixar-se em Genebra. Mas o vício o persegue, tudo empenha - da aliança ao capote - e tudo perde.

A morte da primeira filha em 1868, com três meses de idade, ameaça comprometer sua sanidade mental, o que é agravado pelo sentimento de culpa por privar a amada esposa do conforto e dos bens materiais. Sem filha, sem paz, o casal abandona Genebra e a literatura. Vagueia pela Itália, atormentado pela solidão, curtindo a saudade da pátria distante e da filha morta. Amigos compadecidos e o editor mandam-lhe da Rússia uma ajuda financeira, que, mais uma vez, esvai-se nos cassinos. A Dostoiévski não resta escolha senão voltar a escrever, e o faz sem cessar, procurando ganhar o mínimo para o sustento doméstico. O nascimento da segunda filha, em 1869, vem atenuar um pouco a rudeza da vida. Com ânimo renovado, o casal retorna à Rússia em 1871, ano que publica Os Possessos.

Dois anos depois Dostoiévski assume o cargo de redator-chefe em O Cidadão. E é a partir dessa época que escreve algumas de suas obras-primas. Em 1874 publica O Adolescente Diário de um Escritor, e em 1880 Os Irmãos Karamázovi .Torna-se ídolo de seus leitores, guia espiritual, exemplo de força e coragem, o "Escritor da Rússia", que , ao retratar a alma de seu povo, evidenciara a própria condição humana.

As aspirações de Dostoiévski estão, enfim, realizadas. Não só o escritor alcança seus intentos: o homem encontra o amor sofridamente buscado, a alegria de ter os filhos que quis e a paz que tanto almejara.

Mas já não há tempo para ser feliz. Num dia nevado de 1881, vítima de uma hemorragia, morre aos sessenta anos Fiódor Mikháilovitch Dostoiévski, consagrado até hoje como um dos mestres da literatura universal.

Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

domingo, 22 de setembro de 2013

Dante Alighieri

Dante Alighieri
1265 - Em Florença, provavelmente em 29 de maio, nasce Dante Alighieri.
1274 - Vê Beatriz Portinari em uma festa e por ela se apaixona.
1283 - Morre o pai de Dante.
1285 - Casa-se com Gemma di Manetto Donati.
1287 - Beatriz casa-se com o banqueiro Simone dei Bardi.
1289 - Dante luta com o exército guelfo de Florença na batalha de Campaldino.
1290 - Morre Beatriz, aos 24 anos.
1293 - Escreve A Vida Nova.
1295 - Passa a dedicar-se ativamente à política.
1300 - É eleito um dos seis priores do Conselho de Florença, pelo partido dos guelfos.
1302 - É exilado de Florença quando a facção dos negros toma o poder.
1306-1309 - Durante esse período escreve O Banquete, De Vulgari Eloquentia De Monarchia e O Convívio.
1307 - Começa a escrever A Divina Comédia.
1316 - Recusa o perdão do exílio.
1317 - Muda-se para Ravena, onde escreve Quaestio de Aqua et Terra.
1321 - Conclui A Divina Comédia (*).
            Ao retornar de uma viagem a Veneza, morre em 14 de setembro, com 56 anos.

(*) A Divina Comédia
Obra-prima de Dante Alighieri, A Divina Comédia exerceu grande influência em poetas, músicos, pintores, cineastas e outros artistas nos últimos setecentos anos. Dante, o personagem da história, narra uma odisséia pelo Inferno, pelo Purgatório e pelo Paraíso, descrevendo cada etapa da viagem com detalhes quase visuais. Nessa viagem é guiado, no Inferno e no Purgatório, pelo poeta Virgílio, e no Céu por Beatriz, musa do autor em várias de suas obras.


Em plena idade de ouro do mundo medieval, a Florença do século XIII é um rico centro cultural, a mais importante cidade da Itália central, com sua prosperidade baseada na manufatura de tecidos, no comércio de cereais e nos negócios financeiros.

 Em meados desse século a cunhagem do florim de ouro constitui-se numa etapa decisiva da hist´ria econômica européia. Casas bancárias já indicam a importância do intercâmbio realizado, e uma burguesia comercial começa a predominar. É uma época de mudanças e definições, de renovação e também de conflitos internos.

O poder na Itália divide-se entre o papa e o Sagrado Império Romano. As cidades são centros independentes, e as facções políticas, que representam os interesses das famílias, frequentemente se enfrentam em disputas sangrentas. Em Florença a aristocracia se divide entre guelfos e guibelinos, representantes, respectivamente, da baixa nobreza e do clero e da alta nobreza e do poder imperial.

Essa Florença é o berço de Dante Alighieri, que nasce me maio de 1265, descendente de uma família de baixa nobreza guelfa. À época, a cidade é dirigida pelos guibelinos.

Órfão de mãe ainda criança, com apenas nove anos Dante apaixona-se pela menina Beatriz, da mesma idade. Nessa época os casamentos são motivados por alianças políticas entre as famílias. Aos doze anos já está prometido em casamento a uma moça da família Donati.

Em 1283, aos dezoito anos, perde o pai. Nesse mesmo ano reencontra Beatriz, após nove anos sem vê-la. O amor platônico que nutre por Beatriz o domina. Mas ela, assim como ele, também já está prometida em casamento. De fato, em 1285 Dante se casa com Gemma di Manetto Donati, com qeum teria quatro filhos: Jacopo, Pietro, Giovanni e Antonia. Esta sua filha se tornaria freira e assumiria o nome Beatriz.

Em 1287, com 22 anos, Beatriz casa-se com o banqueiro Simone dei Bardi. A forma como Dante encara o amor por sua musa, entretanto, não se altera. Para ele Beatriz continua sendo a dama por quem estaria apaixonado até o fim de seus dias.

Em 1289 Dante ingressa no exército e toma parte na batalha de Campaldino, na qual os guelfos vencem os guibelinos de Pisa e Arezzo e recuperam o poder sobre a cidade de Florença.

Em 1290, aos 24 anos, Beatriz morre prematuramente, deixando Dante inconsolável. Do período imediato à morte de Beatriz, pouco se sabe além de que teria se entregado a uma vida dissoluta. Depois de uma mudança radical, passa a dedicar-se á filosofia e à literatura, e o amor latônico por sua musa é expresso em A Vida Nova. Escrito por volta de 1293, é uma coleção de sonetos e canções dedicados a Beatriz, complementados por um commentário em prosa que elucida o leitor sobre as circunstâncias em que os poemas foram escritos e o estado da alma do poeta. Essa obra revela a influência da poesia dos trovadores que floresceu no sul da França durante os séculos XII e XIII.

Discípulo de Brunetto Latini, consagrado escritor florentino que influencia fortemente sua obra, a juventude de Dante é marcada pela amizade com destacados poetas, como Guido Cavalcanti, o que lhe possibilita ingressar numa camada da sociedade inacessível a sua pequena nobreza guelfa.

Os interesse de Dante, contudo, não se restringem à literatura. Em 1295, aos trinta anos, passa a tomar parte na política florentina, sempre cheia de paixão, à beira da guerra civil. Encarrega-se de missões diplomáticas importantes e contribui para exaltar as paixões facciosas que agitam Florença.
Em 1300 é eleito membro do Colégio dos Priores. Porém, com a entrada em Florneça de Charles de Valois, que fora enviado pelo papa para pacificar as dissensões entre as duas facções guelfas adversárias - os negros e os brancos -, o partido dos negros triunfa e toma o poder. Dante pertence ao partido dos brancos. Derrotado, acusado de corrupção, improbidade administrativa e oposição ao papa, em 1302 o poeta é obrigado a seguir para o exílio, sob pena de ser condenado à morte caso retorne a Florença.

Entregue a uma vida errante por Forlì, Veneza, Bolonha, Pádua e Lucca, e perseguindo seu itinerário filosófico e poético, entre 1306 e 1309 Dante compõe um tratado filosófico, O Banquete, uma obra inacabada composta de três odes; um ensaio linguístico, De Vulgari Eloquentia, em que defende a língua italiana; e um tratado político, De Monarchia, no qual prega a autonomia do poder temporal em relação ao poder espiritual. Inicia também O Convívio, obra projetada para quinze volumes sobre a importância da cultura, mas da qual escreveu apenas três. Nessa obra o autor exibe erudição enciclopédica, dominando todo o saber de sua época.

A partir de 1315 fixa-se em Verona por dois anos. Em 1316 recebe o perdão do exílio e é convidado pelo governo a retornar a Florença, mas as condições impostas são por demais humilhantes e vexatórias, assemelham-se àquelas reservadas aos criminosos, e Dante rejeita o convite. Em represália a sua negativa, recebe nova condenação, dessa vez extensiva aos filhos.

Em1317 parte de Verona para Ravena, e aí escreve Quaestio de Aqua et Terra, versão pouco alongada de aula ministrada pelo poeta sobre a então apaixonante questão de não poder a água, em lugar algum, superar, em altura, a terra imensa.

As experiências do poeta, entretanto, alimentam sobretudo a inspiração de A Divina Comédia. Obra em forma de poema épico, sem ser tecnicamente uma epopéia, foi escrita entre 1307 e 1321, e nela Dante relata seu desenvolvimento espiritual e concentra a atenção do leitor sobre a vida depois da morte. Composto de numerosos episódios, vistos e testemunhados por Dante durante uma imaginária migração pelos três reinos do outro mundo, a obra transfigura no plano poético não apenas a própria vida do autor mas a de toda a literatura ocidental.

A Divina Comédia seria posteriormente considerada pelos críticos uma das melhores obras da literatura mundial, não apenas por sua poesia magnífica mas também por sua sabedoria e erudição, uma "síntese do pensamento medieval".

Dante se tornaria um grande pensador, poeta, político e um dos escritores mais eruditos de todos os tempos, influenciando autores importantes do século XIX, entre ele lorde Byron e Victor Hugo.
Em se tratando de Dante, passados quase sete séculos de sua obra principal, não se conhece outra que tão bem tenha decantado o amor platônico nem que tenha provocado tamanha paixão e tanta polêmica.

Em 1321, logo após regressar a Ravena de uma viagem a Veneza, aonde fora enviado como embaixador pelo príncipe Guido Novello da Polenta, Dante adoece e morre em 14 de setembro, aos 56 anos. Junto a seu leito de morte encontram-se sua filha Antonia - a freira Beatriz -, seu médico e o príncipe Guido. É sepultado na Igreja de São Francisco. As honrarias que lhe ficara devendo a cidade de Florença lhe são prestadas ainda hoje por toda a humanidade.

Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

LinkWithin

Related Posts with Thumbnails