quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Daniel Defoe - vida e obra

Daniel Defoe
1660 - Provavelmente no dia 30 de setembro, nasce em Londres Daniel Foe, filho do James e Mary Foe.
1665 - A "Grande Peste" mata mais de 70 mil pessoas em Londres.
1670 - Daniel fica órfão de mãe.
1674 - Daniel é matriculado na academia do reverendo Charles Morton, em Newington Green.
1683 - Estabelece-se como negociante especializado no comércio de meias.
1684 - Casa-se com Mary Tuffley.
1685 - Estoura em Londres a Rebelião de Monnmouth, Daniel Foe junta-se ao movimento.
1688 - Guilherme III de Orange sitia Londres e força a fuga de Jaime II. Daniel estabelece-se como comerciante.
1689 - O Parlamento oferece a coroa a Guilherme III. Eclode a guerra entre Inglaterra e França.
1697 - O comerciante torna-se escritor: redige Ensaios sobre Projetos.
1701 - Publica, em 1701, O Verdadeiro Inglês Nato e as Considerações sobre a Sucessão da Coroa da Inglaterra. Elabora a famosa Petição da Legião.
1702 - Publica o mais famoso de seus panfletos: O Caminho mais Rápido com os Dissidentes.
1703 - A London Gazette anuncia a oferta de uma recompensa pela captura de Defoe. Em 20 de maio é capturado e enviado para a prisão de Newgate. Compõe o audacioso Hino ao Pelourinho.
1704 - Daniel torna-se colaborador do líder tory e começa a redigir uma revista semanal. É libertado em novembro.
1714 - Sem emprego e endividado, começa a escrever Robison Crusoé.
1719 - Publica Robson Crusoé, As Últimas Aventuras de Robison Crusoé e O Rei dos Piratas.
1720 - Publica Histórias da Vida e Aventuras do Sr. Duncan Campbell, Memórias de um Cavaleiro e Vida, Aventuras e Piratarias do Famoso Capitão Singleton.
1722 - Publica Moll Flanders, O Coronel Jack, Os Antecedentes da Peste e o Diário do Ano da Peste.
1724 - Publica Roxana.
1730 - Desaparece misteriosamente.
1731 - Morre em abril, em Ropemaker´s Alley.

"Procura-se um homem de estatura mediana, de aproximadamente quarenta anos, pele morena, cabelos castanho-escuros, que usa peruca, possui nariz em forma de gancho, queixo pontiagudo, olhos cinzentos e um grande sinal perto da boca. A quem informar sobre seu paradeiro, oferece-se uma recompensa de cinquenta libras."

O anúncio, publicado na London Gazette de 10 de janeiro de 1703, não surpreende ninguém. O que provoca surpresa e revolta é a identidade do procurado: Daniel Defoe. Para o governo, um panfletário perigoso; para o povo, um herói. Ao crime de dizer o que pensa, ele acrescenta o fato de ser presbiteriano, e portanto um dissidente, como todos os protestantes ingleses que não adotam o anglicanismo, religião oficial. A situação dos dissidentes na Inglaterra está longe de ser ideal, porém em algumas épocas chegaria a ser quase insustentável. Conhece um período de relativa tranquilidade no reinado de Carlos II, que, em 1660, restaura a monarquia inglesa. No mesmo ano de sua coroação, o soberano assina a Declaração de Breda, garantindo anistia geral para os delitos religiosos e proclamando a liberdade de culto.
O nascimento de Defoe coincide co a abertura desse período de calma e otimismo para os dissidentes. Filo do presbiteriano James Foe, nasce em Londres, provavelmente, de acordo com biógrafos, em 30 de setembro de 1660.
O pai de Daniel dedica-se à fabricação de velas de sebo, ofício que lhe garante uma situação modesta mas respeitável na paróquia londrina de Cripplegate, onde mora com a mulher e dois filhos.
Daniel está com cinco anos quando sobrevém a Grande Peste, que ceifa a vida de 70 mil habitantes de Londres. As rus enchem-se de cadáveres, o luto penetra em todas as famílias. Nem bem a dor havia desaparecido dos semblantes, uma nova calamidade se abate sobre a capital: o Grande Incêndio, que reduz a cinzas a maior parte da cidade. Milagrosamente, a vivenda dos Foe escapa ao fogo, mas o terrível espetáculo de Londres em chamas jamais se apagaria da memória de Daniel.
Passadas as catástrofes, Daniel retoma a calam de sua infância, embebida em leituras bíblicas, sermões dominicais, ensinamentos austeros. Pode conceder-se o luxo de praticar a música, ler poemas e estudar. Seu pai progredira o bastante para trocar o ofício de fabricante de velas pelo de açougueiro, mais respeitável e lucrativo. Visa garantir fundos suficientes para fazer o filho um bom ministro presbiteriano. Com tal propósito, confia-o aos cuidados do reverendo James Fisher, em cuja escola o menino realiza os estudos primários. Em 1674, como as universidades estivessem fechadas para os dissidentes, matricula-o na prestigiada academia do reverendo Charles Morton, em Newington Green.
A perspectiva de tornar-se um ministro presbiteriano não entusiasma o jovem Foe. Abandonando os projetos paternos, em 1683 estabelece-se como negociante. Mas seu primeiro grande negócio é o casamento, um ano mais tarde, com a filha de um rico mercador. Mary Tuffley, a escolhida, tinha então vinte anos e um dote bastante considerável.
A atmosfera política torna-se a cada dia mais tensa. O problema da sucessão ao trono preocupa a todos. Muitos apóiam Jaime II, irmão e herdeiro do soberano reinante. No Parlamento, o assunto dá origem a dois partidos políticos: os tories, favoráveis ao herdeiro, e os whigs, conrários ao futuro monarca. Quando Carlos II morre, em 1685, estoura em Londres a Rebelião de Monmouth, que visa a ascensão de Jaime II.
Daniel Foe junta-se ao movimento. A revolta francesa, e Jaime II torna-se rei da Inglaterra, iniciando vasta e sangrenta repressão aos puritanos.
Os dissidentes, dentre os quais Daniel Foe, resolvem pedir ajuda ao príncipe holandês Guilherme III de Orange, genro do caprichoso monarca britânico. Em 1688, apoiado por vários generais ingleses, Guilherme sitia Londres e força a fuga de Jaime II.
Interpretando a atitude do rei como uma abdicação, o Parlamento oferece, em 1689, a coroa ao príncipe estrangeiro.
A tranquilidade parece restabelecida. Inflamado panfletário de Guilherme III de Orange, Daniel Foe prospera rapidamente. Retoma suas viagens pela ilha britânica em busca de clientes, adquire uma casa em Londres, um loja em Cornhill e um chalé no campo para as férias de verão e os fins de semana. É provavelmente nessa época que adota o nome Defoe, uma transcrição mais aristocrástica da assinatura D.Foe. A paz e a prosperidade têm, no entanto, curta duração. Ainda nesse ano eclode a guerra entre a Inglaterra e a França. Em função do conflito, o comércio sofre sensível baixa. Afetado pela depressão econômica geral, Daniel vai à falência, deixando atrás de si uma vultosa dívida.
A experiência convida à reflexão. Enquanto procura meios de quitar seus débitos, o comerciante faz-se escritor e redige, em 1697, Ensaios sobre Projetos.
Em 1701 Defoe publica, em defesa de Guilherme III, O Verdadeiro Inglês Nato. Poucos meses mais tarde edita as Considerações sobre a Sucessão da Coroa da Inglaterra, em que novamente defende a legitimidade de Guilherme III e a soberania da vontade popular.
Ainda em 1701, toma corpo no Parlamento uma inflamada polêmica sobre a preparação do país para a guerra contra a França. Os Whigs reclamam providências urgentes, enquanto os tories, conservadores e oposicionistas procuram retardar os preparativos bélicos, na esperança de que um ataque repentino dos franceses derrube o monarca britânico. Defoe segue com interesse os debates,porém só se pronuncia quando cinco cavalheiros de Kent apresentam aos tories uma petição de defesa e são presos. O escritor rapidamente elabora a famosa Petição da Legião, endereçada ao líder tory Robert Harley. Graças a isso, os prisioneiros são libertados, e Defoe é festejado pelos cidadãos de Londres como um herói.
Com a morte de Guilherme de Orange e ascensão de sua cunhada Ana, filha de Jaime II, inicia-se um período negro para os dissidentes. Aos ataques contra seu grupo Defoe responde, em 1702, com o mais famoso de seus panfleto: O Caminho mais Rápido com o Dissidentes. Se a Petição já lhe havia granjeado inimizades entre os tories, esse último escrito é acusado de "libelo sedicioso", e o autor, perseguido pela Justiça como temível desordeiro. É quando, em 1703, a London Gazette anuncia a oferta de uma recompensa por sua captura.
Defoe torna-se um fugitivo. De diversos esconderijos envia petições a Nottingham, secretário de Estado, solicitando uma sentença um pouco mais tolerável. Mas as autoridades mostram-se inflexíveis. Em 20 de maio de 1703, descoberto na casa de um tecelão, é preso e em seguida sentenciado a pagar uma elevada multa, ficar por três vezes no pelourinho e permanecer no cárcere por tempo indeterminado. Enquanto aguarda a execução da pena, compões o audacioso Hino ao Pelourinho, que, tornado público, transforma a punição em triunfo. Da prisão de Newgate, para onde é levado, Defoe acompanha atentamente a vida política, aguardando uma ocasião de "reabilitar-se". O momento oportuno parece chegar no início do ano de 1704, quando Nottigham, combatido por Robert Harley, começa a cair em descrédito junto à rainha. Defoe escreve ao líder tory, oferecendo-lhe seus préstimos de redator. Conhecendo de longa data as qualidades do escritor como panfletário, o deputado propõe-lhe que redija uma revista semanal, que, protegida pelo rótulo de "independente", defenderia os pontos de vista de Harley e de seu grupo. Defoe começa e elaborar o primeiro número da Review: nesse trabalho consiste sua única esperança de recuperar a liberdade.
Em maio de 1704 Nottingham é substituído por Robert Harley como secretário de Estado, mas Daniel Defoe só seria libertado em novembro. Ao sair do cárcere o escritor cai nas garras dos credores, enraivecidos com o atraso dos pagamentos provocado pela prisão. Não lhe resta alternativa: oou volta às grades, dessa vez por dívidas, ou continua servindo a Harley com sua pena. A Review passa a sair duas e logo três vezes por semana. Juntamente com o Observador, de tendência whig, e a Rehearsal, do partido tory, a Review de Defoe exerce notável influência sobre a vida cultural e política da Inglaterra.
Findo o reinado de Ana em 1714, os escritores perdem a posição privilegiada de propagandistas, e Defoe, sem emprego e endividado, tem de procurar ocupação em outro setor. Resolve lançar-se na ficção e escreve, sem muito entusiasmo, o romance Robinson Crusoé publicado em 1719.
A crítica recebe a obra com certa ironia. Os intelectuais não dão importância ao livro, mas o sucesso de público é extraordinário.
Ainda em 1719 o romancista e seus editores procuram repetir o êxito da estréia com As Últimas Aventuras de Robison Crusoé e O Rei dos Piratas. No ano seguinte aparecem História da Vida e Aventuras do Sr. Duncan Campbell, Memórias de um Cavaleiro e Vida, Aventuras e Piratarias do Famoso Capitão Singleton. Mas o grande sucesso de público só seria igualado por Moll Flanders, ou, no título completo: Venturas e Desventuras da Famosa Moll Flanders e Cia.
O ano de 1722 é o mais fértil de sua carreira: além de Moll Flanders, publica O Coronel Jack, Os Antecedentes da Peste e o Diário do Ano da Peste.
Para muitos críticos, Defoe é o verdadeiro criador do romance inglês, o primeiro autor britânico a elaborar relatos dinâmicos, extraídos do real ou do plausível. Seus heróis são criaturas modeladas no povo, desprovidas dos atributos semidivinos que caracterizam os heróis cavaleirescos.
A partir de 1724, quando publica Roxana, seu último romance, Defoe adota uma forma documentária, procurando transformar em leitura agradável as anotações que fizera durante quarenta anos de viagens através da Inglaterra e da Escócia. A primeira obra publicada sobre esse tema é Viagem através de Toda a Ilha da Grã-Bretanha (1724-1726), em três volumes. O segundo livro, O Perfeito Homem de Negócios Inglês (1725-1727).
Aos setenta anos Daniel Defoe parece finalmente haver encontrado a tranquilidade. Escritor de renome, pai de oito filhos, ele conseguira sobreviver aos muitos problemas financeiros e às duras perseguições políticas. No verão de 1730, estranhamente, desaparece. Em setembro do ano anterior havia escrito a seu editor dizendo-se muito doente. Depois silenciara. Para tentar esclarecer esse misterioso desaparecimento, existe apenas uma carta, datada de 12 de agosto e endereçada ao genro Henry Baker. No topo da página, uma indicação: "a aproximadamente 2 milhas de Greenwich, Kent"; ao final da carta, a assinatura: "seu infeliz D.F.". Ao destinatário, Defoe queixa-se de ter sido abandonado por todos. Não se tem idéia da razão desse "exílio" do escritor. A morte não tarda a encontrá-lo. Chega em abril de 1731, em Ropemaker´s Alley, e encontra-o tão solitário como o seu Robison Crusoé.

Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

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