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sábado, 9 de julho de 2011
El Puente - Mário Benedetti
Para cruzarlo o para no cruzarlo
ahí está el puente
en la otra orilla alguien me espera
con un durazno y un país
traigo conmigo ofrendas desusadas
entre ellas un paraguas de ombligo de madera
un libro con los pánicos en blanco
y una guitarra que no sé abrazar
vengo con las mejillas del insomnio
los pañuelos del mar y de las paces
las tímidas pancartas del dolor
las liturgias del beso y de la sombra
nunca he traído tantas cosas
nunca he venido con tan poco
ahí está el puente
para cruzarlo o para no cruzarlo
yo lo voy a cruzar
sin prevenciones
en la otra orilla alguien me espera
con un durazno y un país.
(Mário Benedetti)
Mário Benedetti nasceu em 1920 em Paso de los Toros. Em 1973, teve que sair de Montevidéu depois do golpe militar e foi viver em Madri. Com a redemocratização do país, voltou ao Uruguai, dividindo seu tempo entre os dois países. É autor de mais de 50 livros, entre eles, Quem de nós, Correio do Tempo, O amor, as mulheres e a vida, já resenhados aqui onde Nós Todos Lemos.
sábado, 19 de março de 2011
Mario Benedetti - Quem de nós
Quem de nós: uma história de amor / Mário Benedetti ; tradução Maria Alzira Brum Lemos. -
Rio de Janeiro : Record, 2007.
"Incorremos em vários erros, mas acho que o nosso grande equívoco, o mais irremediável, foi nunca falar sobre eles. A única franqueza possível, aquela que possui a maioria dos casais que diariamente se insulta, amaldiçoa e desfruta por igual de suas etapas de ódio e apaziguamento, foi isso que perdemos. Eles estão constantemente atualizando a imagem do outro, sabem reciprocamente a que se ater, mas nós estamos atrasados, você em relação a mim, eu em relação a você."
Após ler a poesia e a prosa descontraída de Mario Benedetti no livro Correio do tempo, conforme tópico anterior, difícil foi não reler o romance Quem de nós por pura saudade da prosa caudalosa de Benedetti.
Quem de nós é um romance extraordinário, retrata, ao longo de três partes, o triângulo amoroso entre os amigos Miguel, Alicia e Lucas, cujos laços afetivos remontam à infância, aos bancos escolares.
Em "Miguel", parte dedicada ao vértice mais delicado da relação, o leitor entra em contato com as anotações do marido que há poucos dias levara a esposa Alicia ao porto de Montevidéu, e cujo último aceno já era a certeza de que ela não mais voltaria; iria a Buenos Aires ao encontro de Lucas, com quem sempre partilhara os mesmos interesses. Ao longo de anos, os dois homens trocaram cartas, e sempre, ao pé da missiva, houve a furtiva intromissão da mulher: "carinhosas lembranças ao bom amigo Lucas".
Na parte dedicada a "Alicia", a narrativa ganha a forma epistolar, e a mulher explica em um longo texto ao ex-marido as razões de sua partida. É patente, nas palavras dela, sua desilusão em perceber que miguel, dono de uma enorme insegurança, acabou empurrando-a aos braços do amigo.
Por fim, a genialidade de Mario Benedetti se reafirma na última parte do livro. "Lucas" (escritor e tradutor) apresenta seu relato do triângulo sob os contornos de um conto, no qual personagens de sua ficção dialogam com os protagonistas desta primorosa novela de Benedetti, cuja genialidade lhe valeu um lugar no panteão dos maiores escritores da América Latina.
Belíssima narrativa!
sexta-feira, 11 de março de 2011
Mario Benedetti - Correio do tempo
Correio do Tempo / Mario Benedetti ; tradução Rubia Prates Goldoni. - Rio de Janeiro : Objetiva, 2007.
Bela a capa do livro Correio do tempo de Mario Benedetti. Difícil não lembrar de um amigo blogueiro que parece fascinado por imagens com tema de mulher submersa. Surpresa para a capa, pois sendo um autor como Benedetti, já se imagina o belo conteúdo que nos aguarda deste extraordinário autor. Especial já se torna o livro pelos dois motivos expostos.
Um livro de contos, com um tom engraçado permeando toda a leitura, entremeado com belas poesias, aqui apresento a denominada título do livro:
Correio do tempo
No correio do tempo se acumulam
a paixão desolada/ o gozo trêmulo
e lá fica esperando seu destino
a paz involuntária da infância/
há um enigma no correio do tempo
uma aldrava de queixas e candores
um dossiê de angústia/ promissória
com todos os valores declarados
No correio do tempo há alegrias
que ninguém vai exigir/que ninguém nunca
retirará/ e acabarão murchas
suspirando o sabor da intempérie
e no entanto/ do correio do tempo
sairão logo cartas voadoras
dispostas a fincar-se em algum sonho
onde aguardem os sustos do acaso
Lembro do intrigante romance 'Quem de Nós', do autor e de como fiquei impressionada com a linguagem intimista envolvendo o leitor com a trama do início ao término do trabalho. Seus temas abordam preferencialmente as mais profundas inquietações da alma humana: amor, morte, tempo, miséria, injustiça, solidão, esperança. Tudo isto com uma linguagem simples e direta deixando o leitor fã incondicional de sua narativa.
Em Correio do tempo não foi diferente: nostalgia, amor e desamor, alegria, abandono, lembranças do passado e reencontros. Mario Benedetti emprega toda a sua habilidade para compor uma coleção de breves relatos que é, ao mesmo tempo, um mosaico de sentimentos e estados da alma que só um escritor como ele é capaz de revelar.
Os contos neste livro tratam dos mais diversos tipos de encontros e despedidas: uma criança passa um fim de semana na casa do pai separado; um homem doente escreve ao amigo pela última vez; uma mulher, isolada, avalia sua relação amorosa com o cônjuge; sobreviventes de dois naufrágios diferentes se encontram acidentalmente numa ilha deserta. A maestria de Benedetti é evidente nos mínimos detalhes. E, principalmente, no humor sutil, que percorre suas histórias mesmo nos momentos mais improváveis e que se tornou uma de suas marcas registradas
Mario Benedetti nasceu em setembro de 1920, em Paso de los Toros, Uruguai. Trabalhou como vendedor, taquígrafo, contador, funcionário público e jornalista. Entre 1938 e 1945, morou em Buenos Aires. Ao retornar a Montevidéu, passou a trabalhar no semanário Marcha.
Dono de uma vasta obra, traduzida em todo o mundo. Morou, nos 12 anos de exílio, na Argentina, Peru, Cuba e Espanha. Benedetti é considerado um dos principais autores latino-americanos da atualidade.
Na obra: Sinais de fumaça, Fim de semana, Conciliar o sono, Jacinto, Cambalache, Sonhou que estava preso, Conversa, O dezenove, Não há sombra no espelho, Assalto na noite, Velho Tupí, Os robinsons, Mais ou menos hipócritas, Ausências, Correio do tempo, Com os golfinhos, Terapia da solidão, Bolsa de viagens curtas, A velha inocência, A morte é brincadeira, Um gosto azedo, Secretária eletrônica, Testamento hológrafo, As estações, Primavera dos outros, Nuvem de verão, Revelação de outuno, O inverno próprio, O acabou-se.
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