terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Honoré de Balzac

Honoré de Balzac
1799 - Em 20 de maio, nasce em Tours Honoré de Balzac, filho de Bernard François Balssa e Laure Sallambier.
1807-1813 - Estuda no Colégio dos Oratorianos de Vendôme.
1814 - A família Balzac instala-se em Paris.
1816-1819 - Balzac estuda Direito.
1819 - Muda-se para a mansarda da rua Lesdiguières. A família transfere-se para Villeparisis.
1820 - Balzac conclui a tragédia Cromwell.
1821 - Conhece Laure de Berny.
1822-1825- Funda uma editora e em dois anos está arruinado financeiramente.
1829 - Publica Os Chouans e A Fisiologia do Casamento.
1830 - Publica Cenas da Vida Privada. Colabora em diversos periódicos.
1831 - Obtém grande êxito com A Pele de Onagro e compõe mais nove romances. Começa a escrever A Mulher de Trinta Anos (*).
1832 - Candidata-se a deputado. Recebe a primeira carta anônima de "a estrangeira", a senhora Eveline Hanska.
1833 - Publica Pai Goriot, usando pela primeira vez o processo de "retorno de personagens". Planeja A Comédia Humana, conjunto de 95 romances, entre os quais Eugênia Grandet, editado nesse mesmo ano.
1835 - Encontra Eveline Hanska emViena.
1836 - Viaja à Itália.
1836-1840 - Publica 21 livros.
1841 - Em outubro, assina um contrato para editar A Comédia Humana.
1842 - Morre o conde Hanski.
1843 - Balzac viaja a São Petersburgo. Padece de várias enfermidades.
1846 - Adquire o palacete da rua Fortunée, em Paris.
1850 - Em março, casa-se com Eveline Hanska. Retorna a Paris. Adoece e, no dia 18 de agosto, morre. É enterrado três dias depois no Cemitério de Père-Lachaise. Victor Hugo pronuncia o discurso fúnebre.

(*) A Mulher de Trinta Anos
Em A Mulher de Trinta Anos Balzac levanta questões fundamentais da vida amorosa e sentimental das mulheres e revela sua perplexidade diante do fracasso do casamento.
Esse retrato da alma feminina é bastante atual; sua personagem principal, Júlia D´Aiglemont, é uma mulher malcasada, consciente da razão de seus sofrimentos e revoltada contra a instituição imperfeita do matrimônio.



Desde pequeno Balzac tinha um sonho: viver em sociedade entre aritocratas, imortalizado pela atividade literária. Como primeiro passo, o menino de Tours, filho de modesto funcionário público, resolve alterar sua linhagem. Julgando plebéia a ascendência do pai, Bernar François Balssa, liga-a artificialmente a antigos nobres franceses. Mal aprende a escrever, passa a asisnar Balzac e acrescenta entre o prenome e o sobrenome um "de", índice de nobreza na França: Honoré de Balzac. Armado assim de nobreza e tradição pensava poder conquistar importância e celebridade.

Não lhe importa a indiferença da mãe nem a falta de atenção do pai e dos irmãos. Só Laure, a irmã mais nova, emocionada, ouve-o falar de seus planos, da obra colossal que pretendia criar, do reconhecimento que acredita receberá um dia.

Em 1814 a família Balzac muda-se para Paris, onde Honoré poderia estudar. Com vinte anos diploma-se em Direito e vai estagiar no escritório do advogado Goyonnet de Merville, que mais tarde se transformaria no Derville de A Comédia Humana. Os anos de estágio não lhe servem como prática na profissão, mas fornecem-lhe material para vários romances. Logo se cansa da vida no cartório. Quer escrever o que vê. Ao comunicar seu desejo aos pais, causa estupefação geral. Exceto Laure, toda a família responde com ironia, desestimulando-o.

Honoré não dá ouvidos aos que tentam desanimá-lo e recusa-se a acompanhar a família, que está de mudança para Villeparisis, lugarejo próximo a Paris. Os pais de Balzac, ao perceberem que o filho não abriria mão de seus sonhos, fazem um trato com ele: iriam sustentá-lo durante um ano na capital. Terminado esse prazo, se não obtivesse êxito na literatura teria de trabalhar como advogado.

Para evitar que leve uma vida desregrada, os pais restringem-lhe a mesada ao mínimo essencial, obrigando-o a viver num quarto miserável, sob os cuidados de uma velha criada. Mas Balzac sente-se o homem mais feliz do mundo; está convencido de que se tornará um grande escritor: tem um nome aristocrático e um sótão em Paris.

Depois de um ano, passado entre leituras, passeios e dúvidas, Balzac conclui a tragédia Cromwell e leva-a à família e aos amigos. Todos acham a obra lamentável, mas ele não se dá por vencido. Talvez não fosse o teatro o gênero em que seu talento haveria de se revelar. Quem sabe se no romance teria algum êxito.

O prazo de um ano está terminado. Os pais anunciam que não mais sustentariam as fantasias do filho. Balzac, animado pela confiança da irmão e pela certeza de guardar dentro de si um universo a ser revelado, acha necessário dar-se tempo para amadurecer.

Os romances sentimentais estão na moda, publicados em fascículos mensais, segundo os modelos ingleses. Balzac sabe não ser esse o caminho da arte. Mas precisa de dinheiro para sobreviver. Temendo arruinar seu prestígio antes de alçar-se à posição de grande escritor, publica sob pseudônimo as composições elaboradas de 1822 a 1825.

A atividade incessante e o desgosto com as coisas que produz levam-no a buscar algum descanso em Villeparisis. Encontra ali o primeiro amor de sua vida: Laure de Berny, amiga da família, 22 anos mais velha que ele, casada com um fidalgo irascível, mãe de sete crianças. Amável e inteligente, atrai desde o início as simpatias de Balzac. percebendo, contudo, que provocaria uma tempestade se correspondesse aos sentimentos do admirador, tenta evitá-lo o quanto pode. E não pode muito. A mãe de Balzac e as três filhas mais velhas da amada tudo fazem para impedir a ligação. Mas o amor vence e resite por dez anos, transformando-se depois numa "amizade quase sublime". Em O Lírio do Vale, de 1835, Balzac celebra liricamente sua "dileta" sob o nome de senhora de Mortsauf, imagem da "perfeição terrestre", adorável criatura dotada das melhores qualidades físicas e espirituais.

Balzac, até então, não escrevera uma só linha da grande obra que projetara. As publicações folhetinescas esgotam-lhe tempo e energia. Precisa achar uma maneira de se manter com menor desgaste. Resolve transformar-se em editor, primeiro de obras alheias, depois das suas. Com recursos da família da senhora de Berny, monta uma editora; mas é obrigado a fechá-la e a volta a escrever para pagar as dívidas que contraíra. O desastre financeiro rende-lhe experiência e inspiração, que mais tarde lhe servirão como assunto de uma impiedosa sátira contra os meios editoriais.

Em meio a todas essas turbulências, Balzac encontra no escocês Walter Scott o modelo para a criação de uma obra verdadeiramente literária. Scott é famoso na época como o criador do romance histórico. Parte então para a Bretanha, ao norte da França, a fim de estudar de perto o cenário e pesquisar os documentos sobre a rebelião dos Chouans, monarquistas que se insurgiram contra a Revolução Francesa. Ao voltar a Paris, leva o manuscrito. Em 1829, aos trinta anos, publica-o, assinando seu nome pela primeira vez.

Os Chouans e A Fisiologia do Casamento abrem-lhe as portas dos mais importantes círculos literários. O êxito dos dois romances permite-lhe colaborar em periódicos e revistas de sucesso, ganhando muito mais. Consegue finalmente as condições materiais necessárias para se dedicar com sossego à realização das suas aspirações. Põe-se a escrever febrilmente, e em um único ano conclui, além de inúmeros artigos, dezenove novelas e romances e grande parte de Pequenas Misérias da Vida Conjugal, Beatriz, A Pele de Onagro e Catarina de Médicis. Com a ambição de se tornar um "historiador da sociedade contemporânea", Balzac abandona o romance histórico. De Walter Scott mantém apenas o processo narrativo: assim, o público pode visualizar facilmente os personagens e o ambiente, apresentados com minúcias.

Jovem cheio de planos e energia, Balzac monopoliza as atenções. Mais feio que bonito, com tendência à obesidade, veste-se ora em desalinho, ora com espalhafatoso dandismo. Tem o nariz disforme, rosto arredondado, cabelos longos e estranhos "olhos de ouro". Fala muito, e sempre de si próprio, dos livros que fizera e dos que planeja, das noites que passa em claro, tomando café incessantemente para se manter acordado e redigir. É a grandeza. Vai longe o tempo dos projetos cochichados a Laure, no escuro, para que a mãe não os escutasse.

A fama e o sucesso dá-lhe esperanças de vencer na política, e, em 1832, aos 33 anos, candidata-se a deputado. Mas não consegue os votos que esperava.

Em fins desse mesmo ano Balzac recebe uma carta da parte de uma mulher que apenas se assina "A Estrangeira" e lhe expressa admiração incondicional. Mais tarde descobre ser ela a condessa polonesa Eveline Hanska, casada e infeliz, muito mais velha que o romancista. Encontra-a pessoalmente pela primeira vez na Suíça e tornam-se amantes. Apesar de se avistarem esporadicamente, a relação entre ambos perdura até a morte de Balzac, e durante muitos anos se mantém somente através de volumosa correspondência.

A ligação com a senhora Hanska não o impede, porém, de viver efêmeras aventuras amorosas e de escrever. Nada no mundo o faria abandonar a literatura. Em 1834 termina Pai Goriot, iniciando o sistema de repetição de personagens de obra para obra. Percebe que poderia fazer romances sem começo nem fim, ligados uns aos outros como se fossem os diversos momentos da vida, preciosos fragmentos de um grande quadro social e psicológico. Ocorre-lhe a idéia de compor uma série de romances cíclicos, abrangendo todos os já escritos e excluindo apenas os que publicara sob pseudônimo. Um amigo, o marquês de Belloy, sugere-lhe que intitule o conjunto de A Comédia Humana, em contraposição à Divina Comédia, de Dante: nesta foram tratados os problemas espirituais do homem e da sociedade; naquela seriam analisados os dramas do mundo. Balzac esboça o plano: a obra iria se dividir em três partes: Estudo de Costumes, Estudos Filosóficos e Estudos Analíticos. A primeira compreenderia Cenas da Vida Privada, Cenas da Vida das Províncias (grupo a eu pertence Eugênia Grandet, publicado em 1833), Cenas da Vida Parisiense, Cenas da Vida Política e Cenas da Vida no Campo. Os Estudos Filosóficos (análise dos sentimentos) e os Analíticos (procura dos princípios) não foram sub-divididos Ao todo, A Comédia Humana engloba 95 romances, compostos de 1829 a 1848.

Seu objetivo inicial é elaborar uma espécie de tipologia social, mais científica do que artística, que supunha uma certa analogia da sociedade humana relativamente à vida animal. Desde logo o ousado projeto se revela, ao autor, incompatível com suas convicções religiosas. Limita-se a retratar os costumes de seu tempo, sublimando o poder e os perigos da imprensa, o papel da burocracia, a sede por dinheiro. Sobre esse pano de fundo da realidade social do século XIX, sua poderosa imaginação cria episódios e intrigas emocionantes.

Trabalhando quase 21 horas por dia (À Procura do Absoluto, As Ilusões Perdidas) e descansando pouquíssimo, ao cabo de um ano sua saúde está deteriorada. Engorda rapidamente, embora se alimente mal. Sente tonturas. Os editores, apesar dos lucros que usufruem com seus romances, continuam lhe pagando mal. Os credores vivem à sua porta. A senhora Hanska está presente só em cartas ou em encontros fugazes. Seu único consolo é a pilha de volumes que vai crescendo: O Contrato de Casamento, O Lírio do Vale (um de seus melhores romances, obra-prima de lirismo) e Memórias de uma Jovem Esposa.

Com a morte do conde Hanski, em 1841, Balzac pode unir-se a "A Estrangeira". Em seus sonhos de nobreza, ele a imagina sobrinha de Maria Leszczynska, a polonesa com que Luís XV se casara. Muitas vezes a própria Eveline Hanska tenta fazê-lov er que o parentesco com a rainha é mais uma de suas fantasias. Tendo conquistado a glória literária, só lhe falta pertencer realmente à aristocracia para sentir-se realizado.

O casamento tarda. Antes de levar para junto de si a mulher amada, Balzac quer pagar as dívidas e comprar uma casa que cobiçara nos seus primeiros dias de Paris, um belo palacete na rua Fortunée. Com a compra e a instalação, realizada com grande requinte, gasta dinheiro que não possui e tem de redobrar o trabalho. Está doente e enfraquecido; planeja vários romances; não executa nenhum. Sabendo que a ele restam poucos anos de vida, Eveline finalmente o desposa em 1850, em Berdtcheft.

"Não tenho mais força e poder senão para a felicidade, e, se esta não vier... nada mais desejarei no mundo", escreveria Balzac em Albert Savarus, de 1842. A felicidade não vem, nem há mais tempo. Acamado desde o retorno a Paris, não há como minorar o cansaço acumulado durante anos de trabalho incessante. Em 18 de agosto de 1850 seu estado se torna desesperador. O organismo debilitado já não reage. E Honoré de Balzac morre, aos 51 anos, sem ter sido um aristocrata, mas imortalizado como o grande retratista da burguesia do século XIX.


Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

Um comentário:

  1. Grande Balzac autor divino de romances que constitui a "Comedia Humana" - destaque para "Ilusões Perdidas", "Misérias e esplendores das Cortesãs", "Eugenia Grandet" - Criador de Luciano de Rubempré,bela Ester, Jack Collins e do forreta Pai Grandet

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