sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Jorge de Lima


Jorge Mateus de Lima


Estou molhado dos limos primitivos
e ao mesmo tempo ressôo as trombetas finais


Nasce no dia 23 de abril, em União dos Palmares, AL
Morre em 15 de novembro no Rio de Janeiro - RJ




Jorge de Lima nasceu no dia de São Jorge, e teve como madrinha Santa Maria Madalena, a padroeira de sua terra natal. Aos sete anos, já escrevia poesia. Adolescente, foi estudar no Colégio Diocesano, em Maceió, onde criou um jornalzinho, O Corifeu. Ali, publicou os primeiros versos e um romance escrito nos tempos de menino. Um dia, porém, em pleno recreio, um grupo de alunos rasgou toda a edição. Para se vingar dos colegas, Jorge de Lima passou a publicar nos melhores jornais da cidade. Foi assim que, de passagem por Maceió, Osório Duque Estrada leu o poema O acendedor de lampiões. Os elogios do autor da letra do Hino Nacional valeram a Jorge de Lima - então com 17 anos de idade - o título de "Príncipe dos Poetas das Alagoas".

Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Jorge de Lima regressou a Maceió em 1915, para montar seu consultório médico. Atendia de graça aos mais humildes, visitando diariamente os doentes na periferia, um hábito que manteve a vida inteira. Este trabalho tornou-o tão popular na cidade, que ele foi eleito deputado estadual. Casou-se, em 1925, com D. Ádila, com quem teve um casal de filhos, e voltou definitivamente ao Rio de Janeiro em 1930. O escritório que instalou na Cinelândia tornou-se ponto de encontro de escritores, como José Lins do Rego e Murilo Mendes. No final dos anos 40, foi eleito para a Câmara dos Vereadores da cidade, onde chegou a presidente.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

Gentileza, Profeta - José Datrino


Texto poético-gráfico em pilastra do Viaduto do Gasômetro, RJ
A graphic poem by Gentileza on a pillar of the Gasometer Viaduct, RJ

Gentileza, Profeta  Prophet Gentleness
[José Datrino]
1917, Cafelândia/SP
1996, Mirandópolis/SP

Nome que atribuiu José Datrino, nascido em Mirandópolis, São Paulo,  e que ficou conhecido como o profeta dos viadutos da cidade do Rio de Janeiro.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

O estigma de uma geração (por Gilberto Mendonça Teles)

Gilberto Mendonça Teles
Vinte anos depois da Semana da Arte Moderna, a poesia brasileira já havia conquistado o seu estatuto de modernidade.
Foi o tempo necessário para que o "espírito moderno" deixasse o litoral (Rio e São Paulo) e se expandisse pelo interior, ganhando as capitais dos estudos e indo aos poucos penetrando na mentalidade dos leitores, dos professores e estudiosos de poesia. Vinte anos depois, portanto, muita coisa já havia mudado na pregação modernista. Não era mais necessária a poesia-tese, como na Paulicea Desvairada. A ideologia programática dos manifestos ainda não se havia esgotado na prática poética. Certas técnicas de retórica e linguagem, desprezadas e combatidas inicialmente, porque repetidas e quase exauridas pelo modelo parnasiano, começam a ser reexaminadas e passam a adquirir novas funções diante do alargamento das concepções poéticas do século XX. Mas, infelizmente, a preguiça mental de professores e críticos já havia também assimilado os "modelos" postos em voga de que o Modernismo havia abolido a métrica, acabado com a rima, com o soneto, e mudado totalmente a construção dos poemas. A verdade (e isto está patente na obra  dos poetas da época) é que nem a métrica desapareceu, nem a rima, nem o soneto, mas tudo isso recebia tratamento novo de que os "estudiosos" não se deram conta, porque não examinavam diretamente as obras.

sábado, 2 de fevereiro de 2019

Arte Pública


  • Tamboretes de festa de largo. Stools used in open-air festivals - Salvador, Bahia - 1998
  • TAMBORETES de Festas de Largo da Bahia. In: ENCICLOPÉDIA Itaú Cultural de Arte e Cultura Brasileiras. São Paulo: Itaú Cultural, 2019. Disponível em: . Acesso em: 02 de Fev. 2019. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7

No fluir do processo que vai concentrando, no século XX, 70% da população brasileira nas cidades grandes, várias manifestações de arte pública ocorrem com frequência crescente em âmbito urbano. Transculturam-se conhecimentos e experiências de coletividades rurais e novas informações e vivências urbanas, com uma riqueza e variedades imensa e também grande celeridade no seu aparecimento e desaparecimento.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Noah Gordon - O Físico


Noah Gordon - O físico

O fisico / Noah Gordon: tradução de Aulyde Soares Rodrigues. - Rio de Janeiro: Rocco, 1988. 


Maravilhosa narrativa!

O físico, de Noah Gordon, relata a trajetória de vida miserável do jovem Rob J., na Inglaterra do século XI, partindo para a Pérsia, determinado na causa humanitária da arte do conhecimento científico, da Medicina, onde surgiram suas primeiras descobertas.

terça-feira, 1 de janeiro de 2019

segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Eli Heil - Eli Malvina Heil

Eli Malvina Heil


Eli Heil, revelada na década de 60 pelo crítico João Evangelista de Andrade Filho, ultrapassou, em 1966, os limites da Ilha de Santa Catarina ao expor individualmente no Museu da Arte Contemporânea da USP, apresentada por Walter Zanini

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Lêdo Ivo

Ignoro o quinhão que me coube na partilha
de tantos bens dispersos entre a luz raiante
e a névoa que mascara a borra dos naufrágios.



Lêdo Ivo

Nasce no dia 18 de fevereiro, em Maceió - AL, faleceu em 23 de dezembro de 2012.

Mesmo tendo nascido numa família sem tradição literária, desde a infância Lêdo Ivo manifestou o desejo de ser escritor. Quando se mudou com a família para o Recife, aos 16 anos de idade, passou a colaborar com a imprensa local e participou de um grupo literário do qual fazia parte o escritor e crítico literário Willy Lewin.

sábado, 22 de setembro de 2018

Afonso Felix de Sousa



Afonso Félix de Souza

Palavras e palavras, esta a herança
que tive e vou deixando.

1925
Nasce no dia 5 de julho, em Jaraguá - GO.

Desde a idade escolar, os versos despertaram em Afonso Felix de Sousa uma espécie de fascínio, especialmente pelos românticos e parnasiano. Logo, começou a escrever sonetos, acrósticos e quadras metrificadas. Na adolescência, descobriu os simbolistas e, logo a seguir, os modernistas. Mudou-se com a família ara Goiânia, em 1943, e passou a publicar seus versos nos jornais locais, como O Popular, Folha de Goiás e Oeste. No final da década, começou a trabalhar no Banco do Brasil e participou da fundação da Associação Brasileira de Escritores de Goiás. Foi transferido para o Rio de Janeiro, onde vive até hoje. Em 1959, Afonso Felix de Sousa se casou com a diplomata e também poetisa Astrid Cabral, com quem tem cinco filho.

quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Bené da Flauta de Bambú - Benedito Pereira da Silva


Bené da Flauta de Bambu -
Foto: Dimas Guedes

Iniciou a produção de flautas de bambu e outros instrumentos de sopro de sua invenção aos 17 anos.
Vivia com a irmã, analfabeta e pobre, em uma casa de pedra, no morro da Quimada. Tocava saxofone e vendia flautas na praça Tiradentes em Ouro Preto, sua cidade natal. Guilherme Mansur, em Bené Blake (1999), primoroso livrinho que editou com fotos do artista por Dimas Guedes e versos de William Blake, descreveu-o como "um dionisíaco homme sauvage" que andava pelas ruas da cidade nos anos 60/70 e morreu no final daquela última década. Bené usava roupas espelhadas e coloridas, e se dizia possuído por Deus. Realizou muitas esculturas em pedra e madeira com vigor e poder de síntese. Consta do Dicionário de Artes Plásticas no Brasil, de Roberto Pontual (1969).

c.1922, Ouro Preto/MG - c.1978

sábado, 15 de setembro de 2018

Francisco de Oliveira Carvalho



Francisco de Oliveira Carvalho

O rio de meus avós já não passa pela aldeia dos meninos.


De sua terra natal, Francisco Carvalho recorda as tardes poeirentas do verão, os doidos de rua, as procissões das sextas-feiras santas, os sinos da matriz dobrando pelos mortos de malária, transportados em redes para o cemitério. Em vários de seus poemas existem vestígios desta época, para sempre impresso na sua alma.

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Agnaldo Manuel dos Santos

Agnaldo Manuel dos Santos -
Pequeno Dicionário da Arte do Povo Brasileiro - Século XX -Lélia Coelho Frota


Descendente de índios e negros, trabalhou desde os dez anos de idade. Depois de diversas ocupações, incllusive a de mineiro em uma caieira, empregou-se, em 1947, como vigia no estúdio do escultor, gravador e desenhista Mário Cravo Júnior, em Salvador. incentivado por esse artista, Agnaldo começou a esculpir em 1953. Viajou com Franco Terranova pelo rio São Francisco, resultando daí a recuperação de inúmeras antigas carrancas que haviam navegado na proa de embarcações. Conheceu, então, o principal autor de carrancas no século XX, o mestre Francisco Biquiba Dy Lafuente Guarany, de quem declarou ter aprendido novas maneiras de olhar para o processo criativo. Suas esculturas em madeira participaram de importantes mostras coletivas e individuais, como a Bienal de São Paulo em 1957. Quatro anos após sua morte recebeu o prêmio internacional de escultura no I Festival Mundial de Arte e Cultura Negra, em Dakar, Senegal, em 1966, com Rei. Sua obra foi estudada por Clarival do Prado Valladares, que viu nela "a expressão eterna da sua ancestralidade cultural". Voltado para a representação de sobrenaturais afro e também de imaginário transculturado com o do catolicismo, o trabalho de Agnaldo, ao emergir com absoluta autenticidade da sua experiência histórica individual e do seu conhecimento das grandes artes africanas, se encontra entre as mais originais realizações da escultura brasileira do século XX. Seu trabalho consta do acervo do Museu Nacional de Belas Artes do Rio de Janeiro e integra importantes coleções privadas de arte.

terça-feira, 14 de agosto de 2018

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata



A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata


Ler o livro e conferir o filme é a ordem natural e desejável.  Uma obra literária quando transposta para outra arte nem sempre segue fiel ao texto original.

A curiosidade para se obter essa obra o mais breve possível fez com que o filme fosse assistido anteriormente a leitura do livro, faltando a percepção do mesmo para o caro leitor.

Quanto ao filme, surpreendente! 

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Cassiano Ricardo Leite


Cassiano Ricardo

Não fui quem sou, quando nasci.
Nem sei quem sou, quando amo.



1895
Nasce no dia 26 de julho, em São José dos Campos - SP

1974
Morre em 14 de janeiro, no Rio de Janeiro - RJ



sexta-feira, 13 de julho de 2018

C. S. Lewis - As crônicas de Nárnia


C. S. Lewis - As crônicas de Nárnia 

As crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis é um livro para se ler a noite,  não somente para se criar o hábito de leitura, mas essencialmente um livro que levará os jovens a outro patamar literário.

domingo, 8 de julho de 2018

Rewbenio Frota - O jogador que desejava perder



Rewbenio Frota -
Que Peça eu quero ser?


Amigos dispensam apresentações, Rewbenio Frota, atua na indústria como Engenheiro e tem na escrita e no xadrez a grande paixão de vida.

Tanto que tem um endereço online: Lances Quase Inocentes

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Gabriel Garcia Márquez - Amor nos tempos do cólera

Amor nos tempos do cólera -
Gabriel Garcia Márquez

Um romance real com uma poesia densa e crua como só Gabriel Garcia Márquez é capaz de contar: Amor nos tempos do cólera (...). De maneira excepcional, Gabo (apelido carinhoso do autor) usa o realismo fantástico para falar sobre as relações humanas e o amor. Este colombiano que estaria com 91 anos se estivesse vivo (1927-2014) foi escritor, jornalista, roteirista, editor, ativista e político (sempre de esquerda). Tornou-se conhecido aos 40 anos, conquistou prêmios de grande relevância ao longo de sua vida, entre eles o Nobel de literatura de 1982 pelo conjunto de sua obra. Com mais de 50 milhões de livros vendidos em 36 idiomas, Gabo é mais que um grande autor, é um dos fundadores da literatura latino-americana, um ícone literário do século 20.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

Mário Quintana

Mário Quintana
Jamais compreendereis a terrível simplicidade das minhas palavras porque elas não são palavras: são rios, pássaros, naves...



terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Renata Pallottini

Renata Pallottini
Renata Pallottini começou a publicar seus poemas na revista da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, na qual ingressou aos 17 anos. Fez também o curso de Filosofia, formando-se em 1951. Um ano depois, lançou seu primeiro livro, Acalanto. Desde muito cedo, a poesia foi, para Renata Pallottini, sua "maneira peculiar de colocar-se no mundo, de interpretá-lo, de comunicar-se com ele".

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Anderson Braga Horta

Anderson Braga Horta

"Pequeno verme num pomar de estrelas,
deu-me o pai infinitas vidas
para em todas ardê-las."

Anderson Braga Horta começou a conviver com a poesia ainda na infância, pois seus pais eram poetas. Entretanto, só desenvolveu o gosto pela literatura depois que se mudou para a casa dos aós, em Manhumirim, cidade próxima de Laginha, onde ficara sua família. O entusiasmo pela poesia foi despertado pelo "estonteante mergulho na poesia de Castro Alves, especialmente no Navio Negreiro". Posteriormente, a leitura das obras de Olavo Bilac, Cruz e Souza, Alphonsus de Guimaraens e Augusto dos Anjos ampliou seu horizonte literário. Outros integrantes de sua "salada de versos": Camões, Guerra Junqueiro, Pessoa e Drummond.

sábado, 23 de setembro de 2017

Jorge Luis Borges

200 años de poesía argentina -
Jorge Monteleone

Jorge Luis Borges nació en Buenos Aires en 1899. Obra poética: Fervor de Buenos Aires, 1923; Luna de enfrente, 1925; Cuaderno San Martín, 1929; El hacedor, 1960; El otro, el mismo, 1964; Para las seis cuerdas, 1965; Elogio de la sombra, 1969; El oro de los tigres, 1972; Obras completas, 1974; La rosa profunda, 1975; La moneda de hierro, 1976; Historia de la noche, 1977; La cifra, 1981; Los conjurados, 1985. Cuentista y ensyista de vasta influencia en la literatura occidental del siglo XX. Falleció em Ginebra, Suiza, en 1986.


quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Virgílio

Virgílio

70 a.C. - Em outubro, nasce Virgílio (em latim, Publis Vergilius Maro), em Andes, vilarejo próximo a Mântua, Itália.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Joseph Conrad

Joseph Conrad

1857 - Em 3 de dezembro, em Terechowa, Polônia,nasce Teodor Joseph Conroad Korzeniowski, filho único de Apolo Nalecz Korzeniowshi e Evelina Bobrowska.

domingo, 10 de setembro de 2017

Guy de Maupassant

Guy de Maupassant

1850 - Em 5 de agosto, no Castelo de Miromesnil, Toyrville-sur-Arques, França, nasce Henry-René-Albert-Guy de Maupassant.

sábado, 9 de setembro de 2017

Astrid Cabral

Astrid Cabral Félix de Souza

Rio Negro
contigo arrastas ao abismo
invisível carga de risos de meninos

1936, Nasce no dia 25 de setembro, em Manaus - AM

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Antonio Carlos Secchin


Antonio Carlos Secchin

O dia. Arcos da manhã
em nuvem. Riscos de luz
como vidros arriados.

Antonio Carlos Secchin morou em Cachoeiro de Itapemirim até 1959, ano em que sua família mudou-se para o Rio de Janeiro. Os primeiros poemas foram escritos aos 13 anos de idade, inspirados pela leitura assídua de Drummond, Bandeira e Pessoa. Quatro anos depois, ganhou menção honrosa em um concurso de poesia e ingressou na Faculdade de Letras da UFRJ, onde fez mestrado e doutorado, para, em 1992, tornar-se professor titular de literatura brasileira.

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Alexei Bueno

Alexei Bueno
Sem ti é falso o jardim velho, e fica o frio,
E fica o mármore, o feijão, o olhar vazio,
E a melhor frase que uma boca não falou.


Alexei Bueno escreveu seus primeiros versos aos 10 anos de idade. Foi um leitor precoce, mergulhado desde cedo nos escritores brasileiros da escola romântica e na obra dos grandes poetas portugueses. Depois veio a descoberta dos clássicos da poesia universal. Ao mesmo tempo, nutria uma especial admiração pela poética épica, dramática e lírica. Tantas leituras não traduzem necessariamente influências. Todavia, ele percebe claramente uma proximidade entre seus versos e o Simbolismo e o pós-simbolismo.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Arnaldo Antunes

Arnaldo Antunes
fecha os olhos de dentro -
Acorda, esquecimento.

Arnaldo Antunes é poeta, músico, cantor, compositor e artista plástico. Surgiu em 1982, com o grupo de rock Titãs, no qual ficou por 10 anos - período em que lançou três livros de poemas. O primeiro CD solo, Nome, veio acompanhado de livro e vídeo, revelando as múltiplas trilhas que seguiria em sua carreira.

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Salgado Maranhão

Salgado Maranhão
dentro da jaula do peito
meu coração é um leão faminto

José Salgado Santos é o caçula entre seis irmãos - sendo quatro mulheres. Quando tinha 16 anos, emigrou com a família para Teresina, onde fez o curso secundário. Um dia, na biblioteca pública, descobriu Fernando Pessoa, e a poesia entrou definitivamente em sua vida. Depois, vieram as leituras de Maiakovski, João Cabral, Drummond, Joaquim Cardozo, Cecília Meireles e Murilo Mendes, "poetas inquestionáveis em qualquer idioma".

domingo, 3 de setembro de 2017

domingo, 27 de agosto de 2017

domingo, 4 de junho de 2017

Festival Varilux de Cinema Francês 2017


É com alegria que anunciamos o "Festival Varilux de Cinema Francês 2017":



O nobre Festival Varilux de Cinema Francês 2017 que ocorrerá no período de 7 a 21 de junho, em 55 cidades do Brasil, distribuídas em 21 estados e Distrito Federal e apresenta 19 produções da cinematografia francesa.


Veja também algumas edições anteriores:

Festival Varilux de Cinema Francês 2016
Festival Varilux de Cinema Francês 2015
Festival Varilux de Cinema Francês 2014
Festival Varilux de Cinema Francês 2013
Festival Varilux de Cinema Francês 2012
Festival Varilux de Cinema Francês 2011

sábado, 8 de abril de 2017

Italo Calvino - Fábulas Italianas


Italo Calvino - Fábulas Italianas

Calvino, Italo - Fábulas italianas: coletadas na tradição popular durante os últimos cem anos e transcritas a partir de diferentes dialetos - Italo Calvino; tradução Nilson Moulin. - São Paulo : Companhia das Letras, 2006.

Trabalho fenomenal de Italo Calvino, que teve como impulso inicial o desafio para produção do livro pela necessidade que surgiu de uma exigência editorial: pretendia-se, ao lado dos grandes livros de contos populares estrangeiros, uma antologia italiana. Mas que texto escolher? Existiria um "Grimm italiano"? se pergunta o autor, na introdução do livro.

O autor ao terminar o complexo trabalho, mas antes tem a real visão de que é "um salto no escuro, como pular de um trampolim e mergulhar num mar em que há um século e meio só se atreve a entrar quem é atraído não pelo prazer esportivo de nadar em ondas insólitas, mas por um apelo do sangue, como para salvar algo que se agita lá no fundo e que, caso contrário, se perderia sem voltar à tona".

Longa introdução o autor resenha todo o trabalho para conseguir catalogar e priorizar toda a narrativa encontrada desta arte popular visando resgatar, retratar a história escrita e contada do povo italiano.

"São, tomadas em conjunto, em sua sempre repetida e variada casuística de vivências humanas, uma explicação geral da vida nascida em tempos remotos e alimentada pela lenta ruminação das consciências camponesas até nossos dias; são o catálogo do destino que pode caber a um homem e a uma mulher, sobretudo pela parte de vida que juntamente é o perfazer-se de um destino: a juventude, do nascimento que tantas vezes carrega consigo um auspício ou uma condenação, ao afastamento da casa, às provas para tornar-se adulto e depois maduro, para confirmar-se como ser humano. E, neste sumário desenho, tudo: a drástica divisão dos vivos em em reis e pobres, mas sua paridade substancial; a perseguição do inocente e seu resgate como termos de uma dialética interna a cada vida; o amor encontrado antes de ser conhecido e logo depois sofrimento enquanto bem perdido; a sorte comum de sofrer encantamentos, isto é, ser determinado por forças complexas e desconhecidas, e o esforço para libertar-se e autodeterminar-se como um dever elementar, junto ao de libertar-se libertando; a fidelidade a uma promessa e a pureza de coração como virtudes basilares que conduzem à salvação e ao triunfo; a beleza como sinal de graça, mas que pode estar oculta sob aparências de humilde feiura como um corpo de rã; e sobretudo a substância unitária do todo: homens animais plantas coisas, a infinita possibilidade de metamorfose do que existe."

Explica ainda que o trabalho de natureza híbrida é também "científico" pela metade ou, em três quartos, sendo a quarta parte fruto de arbítrio individual.

Surpreendente é sua conclusão após o minucioso trabalho de que "as fábulas são verdadeiras."

Quem é capaz de duvidar?

São elas:
Joãozinho Sem Medo;
Corpo Sem Alma;
O Pastor que não crescia nunca;
Nariz de Prata;
A barba do conde;
A menina vendida com as peras;
O príncipe canário;
Os Biellenses, gente dura;
A linguagem dos animais;
As três casinhas;
A terra que não se morre nunca;
As três velhas;
O príncipe-Caranguejo;
O menino no saco;
A camisa do homem feliz;
Uma noite no paraíso;
Jesus e são Pedro no Friul;
O anel mágico;
O braço de morto;
A ciência da preguiça;
Bela Testa;
Luna;
O corcunda Sapatim;
O Ogro com penas;
Belinda e o Monstro;
A rainha Marmota;
O filho do mercador de Milão;
O palácio dos macacos;
O palácio encantado;
Cabeça de búfula;
A filha do sol;
O florentino;
O presente do vento do norte;
A moça-maça;
Salsinha;
O Pássaro Bem Verde;
Grãozinho e o boi;
A água na cestinha;
Catorze;
João Bem Forte que a quinhentos deu a morte;
Galo-cristal;
O soldado napolitano;
Belmel e Belsol;
Chico Pedroso;
O amor das três romãs;
José Peralta que, quando não arava, tocava flauta;
Corcunda, manca e de pescoço torto;
A falsa avó;
O ofício de Francisquinho;
Crie, Croc e Mão de Gancho;
A primeira espada e a última vassoura;
Os cinco desembestados;
Eiro-eiro, burro meu, faça dinheiro;
Leombruno;
Os três órfãos;
O reizinho feito à mão;
O rei-serpente;
Cola-peixe;
Grátula-Bedátula;
Desventura;
A cobra Pepina;
Dono de grãos-de-bico e favas;
O sultão com sarna;
Alecrina;
Diabocoxo;
A moça-pomba;
Jesus e são Pedro na Sicília;
O relógio do barbeiro;
A irmão do conde;
O casamento de uma rainha com um bandido;
Pelo mundo afora;
Um navio carregado de...;
O filho do rei no galinheiro;
A linguagem dos animais e a mulher curiosa;
O bezerrinho com chifres de ouro;
A velha da horta;
A rainhazinha com chifres;
Yufá;
O homem que roubou os bandidos;
Santo Antônio dá o fogo aos homens;
Março e o pastor;
Pule no saco!

JOÃOZINHO SEM MEDO

"Era uma vez um menino chamado Joãozinho Sem Medo, pois não tinha medo de nada. Andava pelo mundo e foi parar em uma hospedaria, onde pediu abrigo.
- Aqui não tem lugar - disse o dono -, mas, se você não tem medo posso mandá-lo para um palácio.
- Por que eu sentiria medo?
- Porque ali a gente sente e ninguém saiu de lá a não ser morto. De manhã, a Companhia leva o caixão para carregar quem teve a coragem de passar a noite lá.
Imaginem Joãozinho! Levou um candeeiro, uma garrafa, uma linguiça, e lá se foi.
À meia-noite, comia sentado à mesa quando ouviu uma voz saindo da chaminé:
-Jogo?
E Joãozinho respondeu:
- Jogue logo!
Da chaminé desceu uma perna de homem. Joãozinho bebeu um copo de vinho.
Depois a voz tornou a perguntar:
- Jogo?
E Joãozinho:
- Jogue logo!
E desceu outra perna de homem. Joãozinho mordeu a linguiça.
- Jogo?
- Jogue logo!
E desceu um braço. Joãozinho começou a assoviar.
- Jogo?
- Jogue logo!
Outro braço.
- Jogo?
- Jogue!
E caiu um corpo que se colou nas pernas e nos braços, ficando de pé um homem sem cabeça.
- Jogo?
- Jogue!
Caiu a cabeça e pulou em cima do corpo. Era um  homenzarrão gigantesco e Joãozinho levantou o copo dizendo:
- À saúde!
O homenzarrão disse:
- Pegue o candeeiro e venha.
Joãozinho pegou o candeeiro mas não se mexeu.
- Passe na frente! - disse Joãozinho.
- Você! disse o homem.
- Você! disse Joãozinho.
Então o homem se adiantou e de sala em sala atravessou o palácio, com Joãozinho atrás, iluminando. Debaixo de uma escadaria havia uma portinhola.
- Abra! Disse o homem a Joãozinho.
- Você! - disse Joãozinho.
Então o homem se adiantou e de sala em sala atravessou o palácio, com Joãozinho atrás, iluminando. Debaixo de uma escadaria havia uma portinhola.
- Abra! - disse o homem a Joãozinho.
E Joãozinho:
- Abra você!
E o homem abriu com um empurrão. Havia uma escada em caracol.
- Desça - disse o homem.
- Primeiro você - disse Joãozinho.
Desceram a um subterrâneo, e o homem indicou uma laje no chão.
- Levante!
- Levante você! - disse Joãozinho, e o homem a ergueu como se fosse  uma pedrinha.
Embaixo havia três tijelas cheias de moedas de ouro.
- Leve para cima! - disse o homem.
- Leve para cima você! - disse Joãozinho. E o homem levou uma de cada vez para cima.
Quando foram de novo para a sala da chaminé, o homem disse:
- Joãozinho, quebrou-se o encanto! - Arrancou-se uma perna, que saiu esperneando pela chaminé. - Destas tigelas uma é sua. - Arrancou-se um braço, que trepou pela chaminé.
- Outra é para a Companhia que virá buscá-lo pensando que você está morto. - Arrancou-se também o outro braço, que acompanhou o primeiro. - A terceira é para o primeiro pobre que passar. - Arrancou-se outra perna e ele ficou sentado no chão. - Pode ficar com o palácio também. - Arrancou-se o corpo e ficou só a cabeça no chão. - Porque se perdeu para sempre a estirpe dos proprietários deste palácio, - E a cabeça se ergueu e subiu pelo buraco da chaminé.
Assim que o céu clareou, ouviu-se um canto: Miserere mei, miserere mei, e era a Companhia com o caixão que vinha recolher Joãozinho morto. E o veem na janela, fumando cachimbo.
Joãozinho Sem Medo ficou rico com aquelas moedas de ouro e morou feliz no palácio. Até um dia aconteceu que, virando-se, viu sua sombra e levou um susto tão grande que morreu.

Italo Calvino (1923-85) nasceu em Santiago de Las Vegas, Cuba, e foi para a Itália logo após o nascimento. Participou da resistência ao fascismo durante a guerra e foi membro do Partido Comunista até 1956. Publicou sua primeira obra, A trilha dos ninhos de aranha, em 1947.

quarta-feira, 29 de março de 2017

Mario Vargas Llosa - O herói discreto



Mario Vargas Llosa - O herói discreto
Na estante, Revista Cidade Nova - Março 2017 - n. 3 - pág. 47, Andrea Russo Vilela

"Neste mês de março (dia 28), o escritor peruano Mario Vargas Llosa completa 81 anos. Devo admitir que é um de meus autores favoritos. Ou melhor, favorito ainda é pouco para descrevê-lo e, em homenagem ao seu aniversário, gostaria de apresentá-lo a partir de como ele próprio definiu seu ofício em texto publicado no Correio Braziliense: "Escrever é um trabalho que requer perseverança, horários, impor-se uma disciplina e respeitá-la, e creio que isso é fundamental. A razão pela qual me submeto com tanta facilidade a essa disciplina em meu trabalho é porque não tenho a sensação de que seja um trabalho, e sim um prazer".
Nascido em 28 de março de 1936, em Arequipa, Vargas Llosa é um intelectual de grande vulto e um dos mais importantes nomes da literatura latino-americana e mundial na atualidade. Jornalista, acadêmico (doutor em Filosofia e Letras), dramaturgo e cidadão engajado em questões políticas peruanas, já escreveu mais de 40 romances publicados (traduzidos para 30 idiomas), além de peças para teatro e ensaios. Vencedor de prêmios como Príncipe de Astúrias (1993) e Miguel de Cervantes 2006), ele foi agraciado com o Nobel de Literatura em 2010 pelo conjunto de sua obra e "por sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens vigorosas sobre a resistência, revolta e derrota individual".
Confesso a dificuldade de escolher apenas uma de suas obras para indicar. Vargas Llosa tem estilo enraizado. Não é escritor com foco só na ficção, vai além disso. Transforma realidade e fatos históricos, que marcam um determinado espaço e tempo em ficção, sem distorcê-los. Tudo está ligado: literatura, realidade, história e ficção são indissolúveis. Ele os costura de forma a dar impressão de que nasceram juntos.
Como, ao apresentá-lo, detive-me em seus livros mais antigos, indico um romance mais atual: O herói discreto (2013), que aborda questões bastante pertinentes ao atual cenário brasileiro: honestidade - ou melhor, a falta dela -, ganância, egocentrismo e impunidade. Duas histórias seguem paralelas. A primeira é a do empresário do ramo dos transportes Felícito Yanaqué, pai de dois filhos e casado com Gertrudes. Correto e austero, é vítima de extorsão feita por meio de uma carta anônima com ameaças à sua empresa e sua família.
O empresário se recusa a ceder à chantagem, procura a polícia e o caso se torna assunto da pacata cidade de Piura, ao norte do Peru. A segunda história se passa na capital, Lima, onde Ismael Carrera, 80 anos, viúvo, empresário bem-sucedido e proprietário de uma seguradora sofre um infarto, fica à beira da morte e escuta seus dois filhos discutirem sobre sua suposta morte ao lado de seu leito no hospital.
Recuperado, resolve se vingar e escandaliza a família casando-se com Arminda, antiga empregada doméstica da família.
Duas histórias aparentemente sem ligação se entrelaçam no final - e surpreendem o leitor. O livro é um melodrama carregado de humor, suspense e mistério. As questões sociais, o amor, o ódio na relação entre pai e filhos, as fraquezas humanas, a traição, a vingança e o perdão permeiam as duas histórias e nos questionam sobre o que é certo e errado. A leitura é fácil e flui prazerosamente. Desarme-se e dispa-se de preconceitos e julgamentos para desfrutar o enredo. Mas, ao concluir a  leitura da última página, reflita e tire as suas conclusões sobre as complexas relações humanas e como você vem lidando com elas.
Vargas Llosa mais uma vez aponta temas polêmicos e nos conta com maestria a história real de uma vida fictícia. Boa leitura!"

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Elena Ferrante - A filha perdida

Elena Ferrante - A filha perdida

Na Estante, por Andrea Russo VilelaRevista Cidade Nova - Fevereiro 2017n. 2pág. 47.

"Dediquei alguns dias de minhas férias para conhecer um pouco da obra e da trajetória literária de uma nova escritora que vem dando o que falar. Se nome, ou melhor, pseudônimo, é Elena Ferrante, uma italiana que optou por manter sua identidade em segredo.

Elena concede poucas entrevistas, sempre por escrito e intermediada por seus editores italianos. Como ela mesma afirma, optou pelo anonimato para preservar sua liberdade de escrita e, de certa forma, não deixar sua imagem influenciar na recepção de seus livros pelo público. As obras dela abordam o universo feminino a partir de uma narrativa realista, seca, dura, sem amarras ou meias palavras. Elena retrata mulheres comuns, mães, filhas, amigas, mas de forma nada romanceada. O feminino de Ferrante não tem nada de cor de rosa. Escreve desde 1991, data do primeiro romance, L´amore molesto (Um estranho amor), sucesso de crítica e vendas. A obra inspirou uma adaptação para o cinema.

No Brasil a produção literária de Elena desembarcou em 2015 com a série Napolitana, que publicou as obras A amiga genial, História do novo sobrenome e Dias de abandono.

Qual o motivo de seu sucesso?

Elena consegue seduzir, envolver, transportar, provocar, encantar, causar angústia e raiva à medida que o leitor avança página a página.

Escolhi como indicação para este mês o livro A filha perdida, que aborda a temática da maternidade sob o ponto de vista um tanto quanto peculiar: o amor, a felicidade e a realidade que envolvem as agruras de ser mãe. O dilema de ser o que a sociedade espera de toda mulher: boa mãe - e o preço do julgamento quando não se segue ou se enquadra nos padrões tidos como "corretos".
Como mãe de uma garota de 18 anos, à medida que fui avançando na leitura, duas questões mexeram muito comigo: todas as mulheres realmente nasceram para ser mães?
O amor pelos filhos é fato, nada se assemelha, e ele é pulsante, forte e vigoroso, mas não pode subjugar a essência da mãe.
A leitura é simples, fluida e potente.
Cenas e falas aparentemente banais são complexas e significativas.
A honestidade de sentimentos da protagonista pode despertar em você ideias que já passaram pela sua cabeça - mas não se sinta mal, a história vale a pena.

Em A filha perdidaElena Ferrante narra a história de Leda, uma professora universitária, carente e carregada de vaidade intelectual, chegando na faixa dos 50 anos, mãe de duas jovens já adultas que resolvem morar com o pai no Canadá.
Após a partida das filhas, Leda resolve tirar férias e segue para uma praia.

Você pode se perguntar se ela vive a síndrome do ninho vazio ou se sente-se livre da responsabilidade materna. Porém nada é tão simples na ótica de Ferrante. A história seria fácil se esse fosse o tema, mas o ponto central vai muito além de saber o que fazer com a liberdade de não estar mãe. Na praia, Leda observa uma família italiana grande e muito barulhenta que a faz lembrar da própria família. Dois membros dessa família destacam-se por estarem sempre juntas: Nina, uma jovem mãe, e Eleba, sua filhinha que não se separa da boneca (atenção a esta boneca no contexto da história).

A partir daí a protagonista não consegue mais parar de observá-las, enquanto tece pré-julgamentos ao comportamento delas que a incomoda a ponto de causar inveja. 

Leda revive memórias relacionadas às suas filhas, ao seu casamento, ao relacionamento com a própria mãe e a ela mesma enquanto filha. Ela nos mostra todos os seus questionamentos, entre eles o que é na verdade ser mãe. A filha perdida é um romance curto, mas carregado de significado que fará você reavaliar escolhas e questionar julgamentos."


domingo, 19 de fevereiro de 2017

Ransom Riggs - Contos Peculiares


Ransom Riggs - Contos Peculiares

Contos Peculiares, de Ransom Riggs, belíssima ilustração por Andrew Davidson, Millard Nullings (org.), edições Syndrigast.


Surpreendente! 

O livro tem como conto inicial  o primoroso "Os esplêndidos canibais" que já faz valer a aquisição da obra.

Os esplêndidos canibais aborda temas como educação financeira, convivência social, entre outros temas, como valores morais, que são fortemente apontados na história que se passa na aldeia de Swampmuck onde viviam de forma bastante humilde os peculiares que deixaram vender seus membros para um grupo de canibais em troca de melhores condições financeiras para suas vidas apresentando novo status social, com casas cada vez maiores e melhores em detrimento cada vez maior de seus corpos físicos e sua liberdade cada vez mais comprometida em detrimento da mutilação a que estavam expostos. Final surpreendente por esboçar claramente a alma humana e suas fraquezas.

O leitor fica preso à narrativa que utiliza a técnica de suspense crescente quanto ao destino dos personagens.

Li somente os contos: Os esplêndidos canibais,  A princesa da língua bifurcada e A primeira ymbryne, excelente história, o que já foi suficiente para qualificar como um dos melhores livros de contos já lidos.

Por certo um belo livro de cabeceira com a capa e o material gráfico impecáveis. 

O tom do livro remonta a nostalgia das histórias do livro "As Mil e Uma Noites", por ser uma coletânea de folclore passado de geração a geração desde tempos imemoriais, portadores de um conhecimento secreto, onde há informações importantes para a sobrevivência de um peculiar neste mundo hostil, conforme aponta na apresentação sob clima de suspense ao leitor.

Demais histórias:
A mulher que era amiga de fantasmas;
Cocobolo;
As pombas (da Catedral) de St. Paul; 
A menina que domava pesadelos;
O gafanhoto;
O garoto que podia controlar o mar;
A história de Cuthbert.

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