terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Elena Ferrante - A filha perdida

Elena Ferrante - A filha perdida

Na Estante, por Andrea Russo VilelaRevista Cidade Nova - Fevereiro 2017n. 2pág. 47.

"Dediquei alguns dias de minhas férias para conhecer um pouco da obra e da trajetória literária de uma nova escritora que vem dando o que falar. Se nome, ou melhor, pseudônimo, é Elena Ferrante, uma italiana que optou por manter sua identidade em segredo.

Elena concede poucas entrevistas, sempre por escrito e intermediada por seus editores italianos. Como ela mesma afirma, optou pelo anonimato para preservar sua liberdade de escrita e, de certa forma, não deixar sua imagem influenciar na recepção de seus livros pelo público. As obras dela abordam o universo feminino a partir de uma narrativa realista, seca, dura, sem amarras ou meias palavras. Elena retrata mulheres comuns, mães, filhas, amigas, mas de forma nada romanceada. O feminino de Ferrante não tem nada de cor de rosa. Escreve desde 1991, data do primeiro romance, L´amore molesto (Um estranho amor), sucesso de crítica e vendas. A obra inspirou uma adaptação para o cinema.

No Brasil a produção literária de Elena desembarcou em 2015 com a série Napolitana, que publicou as obras A amiga genial, História do novo sobrenome e Dias de abandono.

Qual o motivo de seu sucesso?

Elena consegue seduzir, envolver, transportar, provocar, encantar, causar angústia e raiva à medida que o leitor avança página a página.

Escolhi como indicação para este mês o livro A filha perdida, que aborda a temática da maternidade sob o ponto de vista um tanto quanto peculiar: o amor, a felicidade e a realidade que envolvem as agruras de ser mãe. O dilema de ser o que a sociedade espera de toda mulher: boa mãe - e o preço do julgamento quando não se segue ou se enquadra nos padrões tidos como "corretos".
Como mãe de uma garota de 18 anos, à medida que fui avançando na leitura, duas questões mexeram muito comigo: todas as mulheres realmente nasceram para ser mães?
O amor pelos filhos é fato, nada se assemelha, e ele é pulsante, forte e vigoroso, mas não pode subjugar a essência da mãe.
A leitura é simples, fluida e potente.
Cenas e falas aparentemente banais são complexas e significativas.
A honestidade de sentimentos da protagonista pode despertar em você ideias que já passaram pela sua cabeça - mas não se sinta mal, a história vale a pena.

Em A filha perdidaElena Ferrante narra a história de Leda, uma professora universitária, carente e carregada de vaidade intelectual, chegando na faixa dos 50 anos, mãe de duas jovens já adultas que resolvem morar com o pai no Canadá.
Após a partida das filhas, Leda resolve tirar férias e segue para uma praia.

Você pode se perguntar se ela vive a síndrome do ninho vazio ou se sente-se livre da responsabilidade materna. Porém nada é tão simples na ótica de Ferrante. A história seria fácil se esse fosse o tema, mas o ponto central vai muito além de saber o que fazer com a liberdade de não estar mãe. Na praia, Leda observa uma família italiana grande e muito barulhenta que a faz lembrar da própria família. Dois membros dessa família destacam-se por estarem sempre juntas: Nina, uma jovem mãe, e Eleba, sua filhinha que não se separa da boneca (atenção a esta boneca no contexto da história).

A partir daí a protagonista não consegue mais parar de observá-las, enquanto tece pré-julgamentos ao comportamento delas que a incomoda a ponto de causar inveja. 

Leda revive memórias relacionadas às suas filhas, ao seu casamento, ao relacionamento com a própria mãe e a ela mesma enquanto filha. Ela nos mostra todos os seus questionamentos, entre eles o que é na verdade ser mãe. A filha perdida é um romance curto, mas carregado de significado que fará você reavaliar escolhas e questionar julgamentos."


domingo, 19 de fevereiro de 2017

Ransom Riggs - Contos Peculiares


Ransom Riggs - Contos Peculiares

Contos Peculiares, de Ransom Riggs, belíssima ilustração por Andrew Davidson, Millard Nullings (org.), edições Syndrigast.


Surpreendente! 

O livro tem como conto inicial  o primoroso "Os esplêndidos canibais" que já faz valer a aquisição da obra.

Os esplêndidos canibais aborda temas como educação financeira, convivência social, entre outros temas, como valores morais, que são fortemente apontados na história que se passa na aldeia de Swampmuck onde viviam de forma bastante humilde os peculiares que deixaram vender seus membros para um grupo de canibais em troca de melhores condições financeiras para suas vidas apresentando novo status social, com casas cada vez maiores e melhores em detrimento cada vez maior de seus corpos físicos e sua liberdade cada vez mais comprometida em detrimento da mutilação a que estavam expostos. Final surpreendente por esboçar claramente a alma humana e suas fraquezas.

O leitor fica preso à narrativa que utiliza a técnica de suspense crescente quanto ao destino dos personagens.

Li somente os contos: Os esplêndidos canibais,  A princesa da língua bifurcada e A primeira ymbryne, excelente história, o que já foi suficiente para qualificar como um dos melhores livros de contos já lidos.

Por certo um belo livro de cabeceira com a capa e o material gráfico impecáveis. 

O tom do livro remonta a nostalgia das histórias do livro "As Mil e Uma Noites", por ser uma coletânea de folclore passado de geração a geração desde tempos imemoriais, portadores de um conhecimento secreto, onde há informações importantes para a sobrevivência de um peculiar neste mundo hostil, conforme aponta na apresentação sob clima de suspense ao leitor.

Demais histórias:
A mulher que era amiga de fantasmas;
Cocobolo;
As pombas (da Catedral) de St. Paul; 
A menina que domava pesadelos;
O gafanhoto;
O garoto que podia controlar o mar;
A história de Cuthbert.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Marie Kondo - A mágica da arrumação


Marie Kondo - A mágica da arrumação

Sempre gostei do tema organização. Foi algo que desenvolvi de forma natural pelo hábito de querer ver os objetos nos lugares devidos e de encontrá-los quando necessito deles.

Certa vez, no meu trabalho na indústria, crescíamos a passos largos. Eram recordes após recordes e o espaço físico de trabalho continuava o mesmo apesar do crescimento de recursos humanos e materiais.
Era época de implantar a qualidade total no ambiente de trabalho. O tema 5S surgiu como uma luva às nossas necessidades de melhoria e otimização do espaço físico.
Desenvolvi o trabalho com mérito "5S - Uma forma de conviver melhor" que me rendeu uma viagem a Bahia para apresentação em um Seminário de Qualidade e uma ida à Caixa Econômica Federal sede no Rio de Janeiro para também apresentá-lo.

Gosto de ler temas de organização em blog pela rede social, mais por pura curiosidade.

Surpresa fiquei quando encontrei o livro "A mágica da arrumação" no quarto de minha filha.
Ela comprou pois necessita muito controlar toda a bagunça a que vive rodeada.
É uma pessoa um pouco compulsiva e vive enchendo os armários e gavetas de itens de que gosta e em seguida acredita que doar quase todos, esvaziar tudo dá uma sensação de organização. O problema é até quando novos itens retornarão em sua vida, em sua rotina de vida.
Já havíamos conversado sobre como um ser humano não tendo a habilidade nata de classificar e organizar seus pertences, ainda assim, pode se esmerar e usar técnicas que o ajudarão a se organizar.

Obvio que li o livro em dois tempos. A linguagem é leve e aborda detalhes do dia-a-dia com muita habilidade.

A autora Marie Kondo, palestrante e consultora, aos 30 anos conta como gosta do tema desde os 5 anos de idade e que na juventude teve oportunidade de pesquisar sobre organização o que a tornou especialista no tema.
Seu método é simples, porém transformador. Em vez de basear-se em critérios vagos, como "jogue fora tudo o que você não usa a um ano", ele é fundamentado no sentimento da pessoa por cada objeto que possui.
O ponto principal da técnica é o descarte. O objeto a ser dispensado passa pelo crivo da análise do tema alegria. O objeto te proporciona alegria? Permaneça com ele. Se a resposta for negativa, se desfaça. Doa ou jogue fora.
A partir do que te trás felicidade, a segunda etapa é partir para a classificação e organização.
Rodeado pelo que você ama, você se tornará mais feliz e motivado a criar o estilo de vida com que sempre sonhou.
E isto passa pelo quesito livros, inclusive ela dá a dica para após a leitura do livro dela, fazer a mesma pergunta e seguir adiante organizando não somente a estante, mas a própria vida.

A mágica da arrumação / Marie Kondo; tradução de Marcia Oliveira; Rio de Janiero: Sextante, 2015

- Por que não consigo manter minha casa organizada?;
- Em primeiro lugar, descarte;
- Como organizar por categoria;
- Arrumando suas coisas para ter uma vida sensacional;
- A mágica da organização transforma sua vida.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

David Gilmour - O clube do filme


David Gilmour - O clube do filme

Livro autobiográfico, em que o crítico cinematográfico Canadense David Gilmour discorre sobre como utilizou de sua paixão, a arte, especificamente, o cinema, para aproximar-se do filho adolescente, onde o rapaz poderia deixar de estudar desde que juntos assistissem a três filmes semanais.

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Varlam Chalámov - Contos de Kolimá





Varlam Chalámov - Contos de Kolimá


NA ESTANTE, por Fernanda Pompermayer, Cidade Nova, Outubro 2016 - n.10

"Se você já leu Recordações da casa dos mortos, de Dostoiévski, ou Arquipélago Gulag, de Alexander Sljenítsin, não pense que Contos de Kolimá é só mais um relato da vida nos campos de trabalhos forçados da Sibéria.

terça-feira, 27 de setembro de 2016

A cigarra e a Formiga - Bocage



La Fontaine - Fábulas - Vol. I

FÁBULA I

A CIGARRA E A FORMIGA

Tendo a cigarra em cantigas
Folgado todo o verão,
Achou-se em penúria extrema
Na tormentosa estação.

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Anthony Doeer - Toda luz que não podemos ver


Toda luz que não podemos ver - Anthony Doerr
NA ESTANTE, por Fernanda Pompermayer, Cidade Nova, Junho 2016 - n. 6

A história de uma garota cega, filha do chaveiro do Museu Nacional de História Natural de Paris, em meio à Segunda Guerra, esconde e revela uma trama: Toda luz que não podemos ver. Assim como em A menina que roubava livros, de Markus Zusak (também da Editora Intrínseca), o livro enxerga o grande conflito mundial a partir do olhar da população comum, que viveu os seus dramas na França ocupada pelas tropas de Hitler e na própria Alemanha. Marie-Laure ficou cega aos seis anos de idade. Para que ela tivesse um mínimo de mobilidade e de orientação espacial, o pai constrói uma maquete do bairro onde moram. 

quarta-feira, 8 de junho de 2016

Festival Varilux de Cinema Francês 2016


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Festival Varilux de Cinema Francês 2016


O Festival Varilux de Cinema Francês ocorrerá em 50 cidades brasileiras, no período de 08 a 22 de junho de 2016, com duração de uma semana a mais.



A programação contará com 15 filmes inéditos e um grande clássico do cinema francês.

Imperdível!


sábado, 14 de maio de 2016

Allison Hoover Bartlett - O homem que amava muito os livros.

O homem que Amava muito os Livros -
Allison Hoover Bartlett

NA ESTANTE, Revista Cidade Nova, Maio 2016 - n. 5, por Fernanda Pompermayer.

Este é um livro para amantes de livros. É a história real - ocorrida nos Estados Unidos, na virada do milênio - de uma escritora em contato com um famoso ladrão de livros raros (John Gilkey) e um livreiro-detetive (Ken Sanders) cuja meta é capturar o ladrão.

O que leva uma pessoa a roubar?

A roubar não por necessidade, mas por um capricho intelectual? Por aspirar ao status que uma biblioteca repleta de obras valiosas e incomuns confere? Será apenas a ambição pelo poder? "Eu não podia conceber o poder que os livros exerciam para motivá-lo a arriscar-se continuamente a passar um tempo na prisão por sua causa", declara Bartlett.

Há uma enorme quantidade de livros "que custam mais do que Gilkey pode ou deseja pagar por eles; por isso, ele os rouba", admite a autora. "Isto, segundo a sua lógica, é apenas uma correção aplicada ao sistema."

Para o crítico cultural Walter Benjamin, "a posse é a relação mais íntima que alguém pode manter com os objetos. Não que (por meio da posse) estes se tornem vivos para seu possuidor; mas este torna-se vivo através deles."

Além de analisar os meandros da psicologia humana, essa obra de Bartlett é uma verdadeira excursão guiada pelo universo dos livros, livrarias, bibliotecas, com todos os tesouros que encerram.

Encontrar-se em meio a tantos livros tão cativantes é uma experiência inebriante, mesmo para o amante de livros moderado; mas para Gilkey, tratava-se de um acontecimento tão importante quanto inesquecível e vertiginoso (p. 56).

Gilkey deu vasão à sua compulsão em grandes feiras de livros,na visita a bibliotecas e, principalmente, com a "aquisição" em livrarias especializadas em raridades. O ladrão costumava aplicar calotes milionários, com cheques sem fundos ou débito em contas falsas. Essas manobras Mas o levaram à cadeia diversas vezes. Mas era só voltar à liberdade que os roubos tornavam a acontecer. A pergunta que não queria calar na mente de Bartlett era: seria Gilkey um homem normal ou mentalmente doente? 

Através de sua coleção, Gilkey poderia ocupar uma posição reverenciada, em um mundo idealizado. Talvez ele fosse apenas um pouquinho mais louco do que as outras pessoas (p. 161).

Não pretendia perder o contato nem com Gilkey, nem com Sanders. Nós três éramos buscadores muito persistentes: Gilkey, por livros; Sanders, pelos ladrões de livros; e eu, pelas histórias de ambos.
O que eu não poderia ter adivinhado era que o meu papel na história se tornaria mais complexo. Deixaria o papel de observadora objetiva, para entrar diretamente no enredo (p. 153).

Os livros podem nos enraizar em algo  maior do que nós mesmos, algo real. Por este motivo, creio que os livros encadernados, feitos de papel, sobreviverão, até mesmo muito tempo depois de os livros eletrônicos se tornarem populares. Quando caminho por uma rua e vejo pessoas passarem poor mim, absortas no universo dos seus i-Pods ou telefones celulares, não posso evitar pensar que a nossa conexão com os livros ainda é, após todos esses séculos, tão importante quanto intangível. É essa conexão que torna os velhos livros que pertenceram aos meus pais e aos meus avós tão especiais para mim... (p.166)

Antes mesmo que O Homem que amava muito os livros fosse impresso o "bibliodetetive" Sanders alertou seus colegas livreiros sobre o mais recente golpe de Gilkey, no Canadá. E o personagem principal deste livro ainda não tinha sido preso.

domingo, 27 de março de 2016

Leonard Mlodinow - De Primatas a Astronautas


Leonard Mlodinow -
De Primatas a Astronautas

De Primatas a Astronautas - A jornada do homem em busca do conhecimento, de Leonard Mlodinow, Editora Zahar, Rio de Janeiro, 2015.

terça-feira, 1 de março de 2016

Lígia Guedes Joaquim - Cartas e Pássaros - Macaé - RJ - Brasil

Cartas e Pássaros -
Lígia Guedes Joaquim

29.01.2016































































































Cartas e pássaros - Lígia Guedes Joaquim, Rio de Janeiro : MDM Editora, 2015, Contos Brasileiros.

Lígia Guedes Joaquim nasceu na cidade de Macaé (Princesinha do Atlântico), no estado do Rio de Janeiro, Brasil.
Formada em Letras, Pós-Graduada em Psicopedagogia e Orientação Educacional.
Trabalha na indústria.

Sinopse:
A autora, desde tenra idade, descobriu o prazer de brincar com as letras e apreciar o azul profundo do mar na Princesinha do Atlântico, Macaé, litoral do estado do Rio de Janeiro.

Gosta de observar o olhar dos homens do mar, sejam eles pescadores ou trabalhadores da indústria, onde a diversidade de rostos e cultura é uma constante. Assim transparecem os contos "A pescaria", "O acidente", "Homenagem" e "Cartas e pássaros".

Retrata ainda a exclusão em um mundo farto de recursos nos contos "Cara da avó", "Galinho", "Pai Nosso", "Papagaios" e "Porta de igreja".

Espelhos sociais são apresentados nos contos "202", "Fluxo de consciência", "Verão" e "Alça de caixão", onde a frágil vida pode esvair-se como o sopro de uma leve brisa alçando novos rumos, como o voo de um pássaro.

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