quinta-feira, 29 de maio de 2014

Sonho 2014: um livro!


Caros leitores e amigos,
Quem nunca teve um sonho (prefiro a palavra sonho a projeto) a latejar os pensamentos?
Pois eis que vagarosamente ando caminhando alguns passos em direção a edição de meu primeiro livrinho. Sim, digo livrinho porque ele é bem tímido, pequeno, poucas páginas.
Está em final de gestação.
Como é difícil colocar palavras impressas. Sim, porque as palavras ficam mas os pensamentos são mutantes. Então o que gostaríamos de dizer em determinado momento da vida que sabemos que poderão não ser mais nossos pensamentos futuros? Poderão estar em algum momento do nosso passado de idéias. Mas a falta do dizer não constrói. Então o hoje é importante para construir o amanhã que se espera.
Assim, estarei editando um livro para contar quem sabe o que vi, imaginei ver ou ainda vivenciei, seja através do meu olhar ou do olhar do outro.
Até o final deste ano desejo compartilhar este sonho: um livro de contos.

quinta-feira, 13 de março de 2014

Érico Veríssimo - Fantoches e outros contos



A revista Cidade Nova de janeiro do corrente ano na seção "na estante", por Fernanda Pompermayer (fernanda@cidadenova.org.br) apresentou um crítica literária sobre o livro de contos de Érico Veríssimo entitulado Fantoches e outros contos aqui reproduzida:

Livro: Fantoche e outros contos
Autor: Érico Veríssimo

terça-feira, 11 de março de 2014

Carla Guedes - Rosas



Já não tenho medo das rosas.
Lindas, rubras...
Antes meu medo era rubro
Rubro meu sangue
Colhido nos espinhos
Do medo perfurante
Da ausência e desilusão.

Murchas.
Rosas murchas,
Feitos sonhos murchos
Despetalados na praça.
Já não tenho medo das rosas.
Perfume com espinho dentro,
Sofreguidão com espinho dentro
Beleza, mesmo que dure
Só na paixão da entrega?

Já não me envergonham as rosas.
Faces rubras,
Sangue, sofreguidão e espinhos.
Porque hoje me enfeito de rosas
Mesmo que a carne grite,
Mesmo que os dedos gritem,
Porque sei, agora murchas,
Que eram lindas e inocentes.

Eram apenas rosas.

quarta-feira, 5 de março de 2014

A Menina que roubava livros - filme



O filme A menina que roubava livros é uma leitura fiel à narrativa do livro, no tom correto: sério, poético, delicado e reflexivo. Recomendo!

domingo, 2 de março de 2014

Clarice Lispector - primeiro esboço


Clarice Lipector, primeiro esboço, by Lígia.
Quem sabe um dia ainda acredito que posso desenhar e entro em um curso, quem sabe.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Oliver Sacks - Um antropólogo em Marte

Oliver Sacks
Um antropólogo em Marte : sete histórias paradoxais - Oliver Sacks; tradução Bernardo Carvalho. - São Paulo: Companhia das Letras, 2006.

O caso do pintor daltônico, O último hippie, Uma vida de cirurgião, Ver e não ver, A paisagem dos seus sonhos, Prodígios e Um antropólogo em marte são casos clínicos extraordinários de que o neurologista nos apresenta com uma visão tendo como foco a individualidade humana e suas complexidades pois faz referência a indivíduos cujas vida, pressionadas por situações-limite (por vezes trágicas, em geral dramáticas) podendo nos levar a compreender melhor o que somos.

O caso do pintor daltônico
Relata a história do Sr. I que teve um colapso abrupto e completo da visão das cores, após um suposto acidente de carro passando a viver num mundo em preto-e-branco. Daltonismo total, raro. A partir do relato do paciente, desse sensível artista que em início de março de 1986 relata sua história em carta ao Dr. Oliver começa assim uma batalha pela compreensão das possibilidades da situação vigente e futura:
"Sou um artista consideravelmente bem-sucedido que acaba de passar dos 65 anos. No dia 2 de janeiro deste ano eu ia dirigindo meu carro quando levei uma trombada de um pequeno caminhão, do lado do passageiro. Durante a consulta no ambulatório de um hospital local, me disseram que eu tinha sofrido uma concussão. Durante o exame de vista, descobriram que eu não conseguia distinguir letras ou cores. As letras pareciam caracteres gregos. Minha visão era tal que tudo parecia visto através de uma tela de um televisor em preto-e-branco. Depois de alguns dia passei a distinguir as letras e fiquei com uma visão de águia - consigo ver uma minhoca se contorcendo a uma quadra de distância. A precisão do foco é inacreditável. MAS ESTOU COMPLETAMENTE DALTÔNICO. Procurei oftalmologistas que nada sabem sobre esse daltonismo. Procurei neurologistas - inutilmente. Mesmo sob hipnose, continuo sem distinguir as cores. Passei por todo tipo de exame. Todos os que você conseguir imaginar. "

A reflexão possível deste primeiro conto, poderia assim chamá-lo é instantânea ao que leva a refletir José Saramago no seu livro "Ensaio sobre a cegueira". É um mundo novo descortinado a partir da narrativa. Um mundo em que o ser humano poderá desfrutar, renovando percepções, novas concepções de vida possível a partir de novos ângulos. Ângulo diferente de tudo a que está acostumado, suas regras sociais, suas rotinas, tudo caindo por terra e novos valores a aflorar para que a vida continue, seja de que forma for.

Sete narrativas sobre a natureza e a alma humana, aviso o autor no prefácio, e sobre como elas colidem de formas inesperadas. As pessoas deste livro passaram por condições neurológicas tão diversas quanto a síndrome de Tourette, o autismo, a amnésia e o daltonismo total. Elas exemplificam essas condições, são "casos" no sentido médico tradicional - mas também são indivíduos únicos, cada um vivendo (e, em certo sentido, criando) seu próprio mundo.

Oliver Sacks nasceu em Londres, em 1933, e mora nos EUA, onde leciona no Albert Einstein College of Medicine (Nova York). É autor de Enxaqueca, Tempo de Despertar (que inspirou o filme homônimo com Robert de Niro e Robin Williams), O homem que confundiu sua mulher com um chapéu, A ilha dos daltônicos, Vendo vozes, Tio Tungstênio, Com uma perna só e Alucinações musicais - todos publicados pela Companhia das Letras.


sábado, 22 de fevereiro de 2014

Henry James

Henry James
1843 - Em 15 de abril, nasce Henry James, em Nova York.
1855 - Viaja para estudar em Genebra, Londres e Paris.
1862 - Estuda na Faculdade de Direito de Harvard.
1864 - A família muda-se para Boston. Publica seu primeiro conto: A Tragedy of Error.
1865 - Publica The Story of a Year, primeiro conto assinado.
1866 - A família transfere-se para Cambridge, Estados Unidos.
1870 - Em março recebe a notícia da morte de sua prima Minny Temple.
1875 - Publica A Passionate Pilgrim, Transatlatic Sketches e Roderick Hudson.
1877 - Publica O Americano.
1880 - Publica A Herdeira.
1881 - Publica O Retrato de uma Dama.
1882 - No mês de janeiro morre sua mãe; em dezembro morre o pai.
1884 - Publica Lady Barberina (*).
1886 - Publica Os Bostonianos e A Princesa Casamassina.
1890 - Publica A Musa Trágica.
1891 - É encenada Gy Domville.
1896 - Muda-se para Lamb House, em Rye, na Inglaterra.
1898 - Publica A Outra Volta do Parafuso (*).
1902 - Publica As Asas da Pomba.
1903 - Publica Os Embaixadores.
1904 - Publica A Taça de Ouro. Viaja aos Estados Unidos.
1905 - Publica The American Scene.
1915 - Torna-se cidadão britânico em 26 de julho.
1916 - Morre no dia 28 de fevereiro, aos 73 anos.


(*) Lady Barberina - A Outra Volta do Parafuso
Lady Barberina é o retrato de um grande amor norteado pelos valores sociais; revela as experi~encias de vida do autor e traça um paralelo entre a cultura dos Estados Unidos e a da Inglaterra no século XIX.

A Outra Volta do Parafuso é um excepcional conto de horror. No século XIX, governanta inglesa que cuida de duas crianças descobre que elas podem estar sendo manipuladas pelo espírito de dois empregados.



Não: nada de cadáveres. Nem crimes. Nem castelos escuros. Nem sangue. Nem alçapões secretos. Nem monstros que caminham pela noite.

Não: o mistério e o pavor não dependem dessas coisas. Os fantamas, se existem, caminham à luz do dia. Quando se tem medo, é o próprio sangue que esfria nas veias. Fora dos túmulos, os cadáveres existem apenas na imaginação. E os alçapões secretos são as ciladas preparadas pelo subconsciente. A atmosfera é assustadora porque o impossível coexiste com o possível.

Imagine seu próprio medo. O homem, esse angustiado, tem imensa capacidade de temer a si próprio, criando em sua fantasia as coisas que o apavoram.

Era assim que Henry James queria: nada de histórias macabras. Para ele, os relatos de fantasmas eram a "forma mais aproximada do conto de fadas", e suas experiências fantásticas, apenas vôos da imaginação poe´tica. Henry James teve uma infância rica. O pai, também chamado Henry James, era homem de posses. Mary Robertson James, a mãe, era uma mulher de hábitos simples.

Segundo filho do casal, Henry nasceu em 15 de abril de 1843, perto de Washington Square, onde passou a infância. Em julho de 1855 a família partiu para a Europa. Durante os cinco anos seguintes, entre várias idas e vindas, as crianças frequentaram, alternadamente, escolas européias e americanas. Em 1860 voltaram a morar nos Estados Unidos.

Em 1861 começou a fazer o curso de Direito, mas as conferências do escritor James Russel Lowel lsobre literatura faziam-no esquecer as leis. Em 1863 escreveu seu primeiro conto - A Tragedy of Error -, publicado, sem assinatura, na revista Continental Monthly, em fevereiro de 1864. Pouco depois redigiu uma nota crítica para The North American Review. No ano seguinte se tornou colaborador da revista The Nation e publicou na revista Atlantic Monthly seu primeiro conto assinado.

Em fevereiro de 1869 partiu para a Europa. Levava consigo o pequeno lastro de suas experiências literárias, os primeiros contos, em que já aparecem alguns dos temas que seriam constantes em sua obra - os artistas, o sobrenatural, o americano viajado.  

Esteve na Inglaterra, França, Suíça e Itália. Em março de 1870 recebeu a notícia da morte de sua prima Minny Temple, da qual gostava muito e em quem se inspiraria, anos mais tarde, para criar vários personagens. Em abril voltou para os Estados Unidos e tornou-se crítico de arte do período The Atlantic, no qual publicou, em 1871, sua primeira novela: Watch and Ward.

Em 1875 publicou o romance Roderick Hudson e o livro de contos A Passionate Pilgrim. Em novembro do mesmo ano mudou-se para Paris, onde trabalhou como correspondente do jornal Tribune. Um ano depois James chegou à conclusão de que não tinha talento para repórter. E partiu para Londres. Antes de arrumar as malas, fez um balanço dos aspectos positivos de sua estada em Paris. Em termos de criação literária, a melhor obra desse período foi o romance O Americano, publicado pela revista The Atlantic em 1877. Além disso, teve oportunidade de conhecer escritores como Turguêniev, Flaubert, Zola, Maupassant, Édmond Goucourt. Entre eles, quem mais o impressionou foi Turguêniev, sobretudo por sua maneira de concentrar-se nos personagens, dando pouca importância ao enredo. Em dezembro de 1876 fixou-se em Londres, na esperança de conquistar seu público também na Inglaterra - o que só aconteceria em 1879, com a edição inglesa de Roderick Hudson e O Americano. Dos três romances escritos até então, apenas Watch and Ward não foi publicado, pois o próprio escritor julgava-o imaturo.

Nem foi preciso esperar o lançamento desses dois romances para James firmar-se perante a crítica britânica. A consagração veio em 1878, com a publicação dos ensaios literários French Poets and Novelist, do romance Os Europeus e de mais de trinta contos, entre os quais Daisy Miller e An International Episode.

Em 1880 foi publicado na Inglaterra e nos Estados Unidos A Herdeira um de seus melhores livros. E em outubro desse ano aparecia a primeira parte de O Retrato de um Dama, sua obra mais extensa e popular e que encerraria a primeira fase da produção de James. Fase de aprendizado, de sucesso, de descoberta e de uso de temas cosmopolitas.

De repente, uma má notícia: sua mãe está doente. Henry  James arruma as malas e viaja para os Estados Unidos. Outubro de 1881: ele vai rever a cidade que deixara seis anos antes. Instala-se em um hotel em Boston, onde escreve à vontade e aproveita as horas livres para visitar Nova York e Washington. Em janeiro de 1882 sua mãe morre. Nada mais tem ele a fazer na América. Em dezembro está de volta à Europa, e logo recebe outra notícia que o faz arrumar as malas de novo: agora é seu pai. Viaja apressadamente, mas não chega a tempo de encontrar o velho James vivo. Corre ao cemitério e, junto ao túmulo, depara com uma carta de seu irmão William: "Boa noite, adorado pai. Se eu não te vir de novo, então adeus, um feliz adeus".

Henry ficou na América até agosto do ano seguinte. Depois retornou novamente á Inglaterra. Sua produção não sofreu abalos. Ao contrário: durante a década de 1880 escreveu vários contos, a novela The Reverberator e os três romances considerados naturalistas: Os Bostonianos, Princesa Casamassina e A Musa Trágica.

Os Bostonianos trata dos reformadores da Nova Inglaterra. Princesa Casamassina fala dos anarquistas europeus. Nos dois romances as cenas da vida urbana mostram uma visão baste ampla das cidades de Boston e Londres. Os leitores, porém, esperavam mais contos a respeito dos americanos na Europa ou de viajantes estrangeiros na América. Por isso, as duas publicações foram um fracasso.

Henry James não se deixou abalar. Continuou a compor seus contos, nos quais se percebe uma constante evolução de técnica aliada a temas mais ricos e variados. os escritos desse período podem ser agrupados por assuntosra. Domvilles: internacionais - alguns na América, outros na Europa -, sobre o casamento e sobre artistas. Ao primeiro grupo pertence Lady Barberina, publicado em 1884, história de uma jovem inglesa que se casa com um rico médico americano. Entre os contos do segundo grupo, destaca-se A London Life, uma análise da corrupção do casamento. Por fim, dos contos sobre artistas, distinguem-se The Author of Beltraffic, cujo tema é a incompatibilidade de gênio entre um artista e sua esposa, e The Lesson of the Master, que trata do casamento de um escritor e dos efeitos dessa união sobre seu trabalho.

O romance The Reverberator, de 1888, é uma produção menor, que pode ser utilizada como argumento contra as opiniões de que James era sério demais: seu tema é o jornalismo mexeriqueiro, o colunismo social. Em 1889 o escritor fez nova tentativa naturalista no romance, com A Musa Trágica, mas que também não alcançou êxito com o público. No fim da década de 1880 o escritor era considerado um artista de extraordinária habilidade artesanal e havia recebido o reconhecimento da crítica. Mas o sucesso não se traduzia em dinheiro. Por isso, em 1890 resolveu tentar o teatro, muito mais rendoso na época. Assim, de 1890 a 1895, escreveu sete peças, das quais apenas duas foram encenadas. Na primavera de 1890 terminou a dramatização de O Americano, que, embora bem recebida pela crítica, não alcançou sucesso com o público.

Em 1892 fez a versão teatral de Daisy Miller, recusada pelo empresário, que a considerou literária demais. James, contudo, não desistia de conquistar o palco. Em 1893 escreveu mais quatro peças, que também não chegaram a ser montadas. No ano seguinte publicou-as em forma de livro, sob o título Theatricals.

Em 1895, o popular ator e produtor George Alexander encerrou a peça Guy Domville. A estréia foi um desastre. No segundo ato, quando a Sra. Domville apareceu com um alto chapéu preto, alguém gritou: "Onde foi que você arranjou esse chapéu?". E no final, quando Guy exclama: "Sou, meu senhor, o último dos Domville", uma voz respondeu: "E já não é sem tempo". Até esse instante James não estava no teatro; chegou ao cair do pano e apresentou-se à platéia. Foi uma tempestade de vaias. Em uma carta, o autor referiu-se ao episódio como um "dos mais detestáveis incidentes de minha vida". Antes de Guy Domville James havia escrito a peça The Other House, publicada em 1896 e jamais encenada. Depois de Guy Domville, ainda tentou conquista o público teatral com Summersoft, representada, com algum êxito, em 1908, sob o título The High Bid.

Apesar dos fracassos, James continuou insistindo no teatro até 1909, quando escreveu sua última peça, The Outcry. A obra deveria ser representada na temporada desse ano, mas atrasos na revisão do manuscrito e no preenchimento do elenco foram adiando a estréia, que acabou cancelada.

Entristecido, James desistiu do palco. Retirou-se definitivamente de Londres e mudou-se para Lamb House, em Rye, cidade costeira do Sussex. Voltou a compor romances, novelas e contos. Até 1900 concluiu um grande número de obras de ficção, além de mais de vinte contos. São desse período suas experiências com o relato fantástico, em que se destaca A Outra Volta do Parafuso.

No entanto, mais importantes que os temas são as inovações técnicas introduzidas por Henry James. O teatro deu-lhe muitas lições: apresentação da ação por meio da cena, uso do diálogo como processo narrativo e supressão do autor onisciente como informador e comentarista. Seus escritos posteriores constituiriam a sua  maior fase. Nos primeiros dez anos do século XX Henry James trabalhou intensamente. De 1990 a 1904 escreveu seus três maiores romances: Os Embaixadores, As Asas da Pomba e A Taça de Ouro.

Em 1904 viajou para a Flórida e para a Califórnia, onde realizou algumas conferências. Quando retornou à Inglaterra, escreveu The American Scene, um livro de observações sobre suas viagens.

Embora tenha sido publicado em 1903, Os Embaixadores foi concluído antes de As Asas da Pomba; apareceu, a princípio, na North American Review, em capítulos. Nos dois romances, analisou dramas humanos, dentro dos grandes sistemas sociais que o homem criou e dentro dos grandes sistemas sociais que o homem criou e dentro das idéias pelas quais edificou sua civilização, conservando-se um realista apegado às coisas visíveis e palpáveis.

Em A Taça de Ouro, James procura solução para problemas não resolvidos em trabalhos anteriores. Havia muito tempo queria escrever sobre o adultério; não podia fazê-lo, pois as familiares revistas americanas obrigavam-no a tratar o tema superficialmente. Como não havia planos para o romance ser publicado em série, sentia-se livre para abordar o assunto sem nenhuma restrição. Foi o que fez.

Na mesma época foram publicados mais três livros de contos: The Soft Side, The Better Sort e The Finer Grain. Dessas coletâneas o conto mais popular é The Beast in the Jungle, que narra a história de um indivíduo tão egoísta que era incapaz de perceber o mundo à sua volta, de compreender e amar. Esse conto é uma representação alegórica da insensibilidade, da cautela e da falta de ação que, segundo o autor, caracteriza o homem moderno.

Nas horas de folga James dedicava-se à preparação da chamada "Edição Nova York" de suas obras. A cada romance e livro de contos, juntou um longo prefácio, no qual faz reflexões sobre os princípios de sua arte e os formula claramente. Mais tarde esses prefácios foram reunidos num volume sob o título The Art of Novel, em que três elementos se destacam: o estudo do processo de criação, a forma pela qual chegou a escrever histórias e as associações pessoais despertadas por uma nova leitura de sua própria obra. Esses trabalhos forneceram à crítica uma terminologia valiosa para a discussão do romance, que até hoje é amplamente utilizada. Em bora não tenha voltado a escrever romances, sua produção literária dos últimos anos foi extraordinária.

Dedicou-se à elaboração de textos autobiográficos críticos e de viagens. Escreveu English Hours, Italian Hours e Little Tour in France. Pouco antes do início da Primeira Guerra Mundial, publicou Notes on Novelists, com estudos sobre Zola, Flaubert, Balzac, H. G. Wells e Bennett, além dos dois volumes de memórias: A Small Boy and Others e Notes of a Son and Brother. Um terceiro livro sobre sua vida em Londres e Paris - The Middle Year - seria publicado somente após sua morte.

Em 1910 William James viajou à Europa para tratamento de saúde. Embora não estivesse muito bem, Henry acompanhou-o de volta à América. William piorou e faleceu no dia 26 de agosto.

Profundamente abaldo o escritor ficou na América até agosto do ano seguinte. Antes de retornar à Inglaterra foi homenageado com o grau honorário da Universidade de Harvard. Meses depois recebeu o título de Doutor Honorário de Oxford. Em 1913 seus setenta anos foram intensamente comemorados.

Em agosto de 1914 começou a guerra. Henry James cessou toda a sua atividade literária, lamentando "o horror de ter vivido para testemunhar tudo isso", e ingressou num grupo de americanos que voluntariamente prestavam assistência espiritual aos feridos. Nas horas vagas redigia vários artigos sobre os refugiados de guerra.

Desejava que os Estados Unidos se aliassem à Inglaterra e à França. Irritado com a neutralidade do presidente Wilson, adotou a cidadania britânica em julho de 1915.

Em dezembro desse ano sofreu um derrame. Em fevereiro de 1916, morreu. Seu corpo foi cremado, e suas cinzas enviadas para a América e colocadas no jazigo da família, em Cambridge, Massachusetts.


Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

sábado, 8 de fevereiro de 2014

Jonathan Swift

Jonathan Swift
1667 - Em Dublin, nasce Jonathan Swift, em 30 de novembro.
1668 - É levado secretamente para a Inglaterra.
1670 - Volta à Irlanda. É entregue aos cuidados do tio Godwin.
1673 - Estuda na escola Kilkenny, em Dublin.
1681 - Ingressa na Universidade de Trinity, em Dublin.
1688 - Morre seu tio Godwin. Swift é diplomado pela universidade. Parte para Leicester, na Inglaterra.
1689 - Conhece Esther Johnson (Stella), por quem nutre profunda paixão.
1693 - Forma-se doutor em Teologia pela Universidade de Oxford.
1697 - Escreve A Batalha dos Livros.
1699 - Morre William Temple, seu suposto irmão e de quem era empregado.
1701 - Publica anonimamente Discurso sobre as Dissensões entre Nobres e Comuns em Atenas e Roma.
1704 - Publica A Batalha dos Livros e O Conto do Tonel.
1710 - Inicia o Diário a Stella. É nomeado deão da Catedral de São Patrício; em Dublin.
1713 - Escreve o poema Cadenus.
1725 - Começa a redigir As Viagens de Gulliver (*).
1726 - Publica As Viagens de Gulliver.
1728 - Morre Stella.
1731 - Escreve o peoma Sobre a Morte do Dr. Swift.
1738 - Publica A Conversação Polida.
1745 - Morre, surdo e louco, em 19 de outubro, em Dublin.

(*) As Viagens de Gulliver
Nesta sátira fantástica, o personagem Gulliver visita países imaginários: Lilliput, cujos habitantes medem menos de 15cm; Brobdingnag, habitado por gigantes; Laputa, ilha voadora habitada por sábios loucos; o país dos Houynhnms, cavalos que domina os Yahoos, antropóides degradados. Swift critica a sociedade inglesa e questiona as teorias intelectuais e as instituições políticas.


A infância de Jonathan Swift esteve longe de ser feliz. Abriu os olhos para a vida num escuro dia dublinense - 30 de novembro de 1667 - e não achou seu pai, morto sete meses antes. Logo vieram os comentários dos bisbilhoteiros: talvez o pequeno Jonathan não fosse filho do velho Swift, e sim de uma ligação da mãe com o nobre John Temple. Os comentários foram tantos e tão plausíveis que nunca se soube ao certo se afinal aquele Swift que fugira da Inglaterra para escapar à ditadura de Oliver Cromwell era ou não pai do Swift que, com sátiras irreverentes, abalaria o público da Europa em sua época.

Jonathan tinha um ano de idade e crescia sem muitos cuidados maternos quando sua ama o levou secretamente para a Inglaterra. O país vivia tempos agitados. Depois de onze anos de república, o Exército inglês resolvera restaurar a monarquia, entregando o governo a Carlos II, em 1660. Para evitar disputas religiosas como as que se vinham desenrolando desde a morte da rainha Elizabeth, fizeram-no assinar uma declaração prometendo anistia geral e liberdade de crença. Contudo, o rei mostrava fortes tendências ao catolicismo, provocando o desagrado de seus ministros e oficiais anglicanos.

A ama do pequeno Jonathan sentia a atmosfera cada vez mais pesada e, cerca de dois anos após sua chegada ao solo inglês, voltou com o menino para a Irlanda.

A mãe de Swift, ao contrário, desconhecendo os problemas políticos, estava ansiosa por viver na Inglaterra. Para realizar seu desejo, confiou o pequeno Swift aos cuidados de seu cunhado Godwin. O tio mandou-se estudar na escola Kilkenny e ensinou-lhe boas maneiras. Amor não lhe deu, nem carinho. Quando ele padecia de vertigens e crises de surdez, limitava-se a medicá-lo, frio e indiferente. Em 1681 matriculou-o na Universidade de Trinity, onde o sobrinho só se distinguiu pelas punições: mais de setenta em dois anos. Aborrecia-se com os compêndios. Irritava-se com os mestres. Desacreditava dos conhecimentos. Ao fim de algum tempo, a congregação deu-lhe o diploma, para ver-se livre dele.

Mesmo que não o diplomassem, Swift teria de abandonar a universidade por falta de condições econômicas. A morte do tio em 1688 privara-o de seu único esteio financeiro, e a situação caótica da Irlanda impelia-o para longe. O rei Jaime II, católico professo, já provocava o descontentamento popular antes de ser coroado. No ano de 1685, ano da morte de seu pai, os políticos ingleses dividiram-se em facções antagônicas, formando os grandes partidos britânicos: de um lado, os whigs, mais liberais, porém contrários á ascensão de um rei católico; de outro lado, os tories, conservadores, defensores da monarquia e partidários de Jaime.

Coroado em 1685, Jaime II reinaria apenas três anos; em 1688 era destronado pela chamada Revolução Gloriosa, que colocou no poder seu genro Guilherme III de Orange. Jaime asilou-se na Irlanda, católica como ele.

Swift não esprou para ver os desastres acarretados pela presença de Jaime II na Irlanda. No mesmo ano da Revolução Gloriosa foi juntar-se a sua mãe em Leicester. A situação da Inglaterra não era calma, porém Leicester era o lugar mais distante da Irlanda aonde suas economias lhe permitiam ir.
A mãe não dispunha de muito dinheiro para ajudá-lo. O rapaz tinha de procurar um emprego e sustentar-se. Valeu-lhe nessa busca antiga amizade materna com o família Temple. Sir William, estadista e escritor de grande prestígio durante o reinado de Carlos II, deu-lhe um emprego de guarda-livros em sua propriedade rural de moor Place, na Inglaterra.

Swift entediava-se no campo, dividido entre os livros de contabilidade e as leituras para sir William, do qual diziam ser irmão. Um dia, Moor Place ganhou novo encanto. Trouxe-lhe uma doce menina de oito anos: Esther Johnson, que, segundo as más línguas, era filha de William Temple com uma ama da casa - e, portanto, sobrinha de Jonathan. O possível parentesco e a diferença de idade não constituíram barreira para o desabrochar de um afeto entre o jovem e a criança. Swift amou-a até  fim da vida e a ela dedicou alguns de seus mais belos poemas. Chamou-a Stella - estrela -, fiel à moda corrente de rebatizar a amada com nome latino.

A presença de Stella era um bálsamo para o escritor, mas não bastava para retê-lo como empregado de seu suposto irmão. Tinha ambições. Compreendia que, para realizá-las, precisava de um diploma. Em 1693 doutorou-se em Teologia pela Universidade de Oxford. Pouco depois assumiu o posto de cônego em Kilrooth, Irlanda, obtido graças às boas relações de sir William.

Longe de Stella, julgou-se apaixonado por uma certa Jane Waring, a quem apelidou de Varina e dedicou poemas ardentes. O arrebatamento amoroso - não se sabe se correspondido - durou pouco. Em questão de meses, Swift arrependia-se de ter jurado amor eterno e de haver pedido a moça em casamento. Em 1695 voltou para Moor Place. Encontrou William escrevendo um panfleto altamente conservador sobre a "batalha dos livros" travada na Inglaterra. A rivalidade entre whigs e tories refletia-se na literatura, dividindo os escritores em conservadores e modernizantes. Mal saíra o escrito de sir Temple, os modernizantes atacaram-no vivamente. Swift, promovido a secretário de sir Temple, achou-se obrigado a defendê-lo e redigiu, em 1697, A Batalha dos Livros. Por trás da defesa, todavia, ironizava sutilmente ambas as posições. A obra foi publicada em 1704, juntamente com O Conto do Tonel, um ataque à vida religiosa da Inglaterra, também escrito em Moor Place. A sátira, o pessimismo e o riso amargo seriam, a partir de então, a característica da obra de Swift.

A morte de William Temple em 1699 privou Swift de um emprego fácil. Novamente teve de perambular pelas casas dos grandes de Leicester em busca de proteção. Fizeram-no cônego de Dunlevin, na Irlanda. A nomeação desgostou-o, mas Swift não teve alternativa senão aceitá-la. Em 1701 estava instalado em seu novo lar, perdido entre planícies desertas e silenciosas.

Não ficaria sozinho por muito tempo. Atendendo a seu pedido, Stella foi viver ali perto. Porém levava consigo a sra. Dingley, prima de sir William. Jamais permitiu a Swift o menor gesto de namorado, e, tanto quanto se sabe, nem ele o tentou.

A proximidade da menina pareceu dar-lhe alento para continuar escrevendo. Em 1701 publicou anonimamente o Discurso sobre as Dissenções entre os Nobres e Comuns em Atenas e Roma. A alusão aos partidos ingleses era clara, e sua posição, ao lado dos whigs, valeu-lhe o ataque dos tories e a proteção de estadistas como Somers e Halifax, de elevado prestígio junto ao governo.

Vislumbrado com a possibilidade de ascender na Igreja anglicana com a ajuda dos políticos, Swift começou a viajar frequentemente para Londres. Conseguiu editores para A Batalha dos Livros e O Conto do Tonel. Popularizou-se apoiado por satíricos como Pope, escritores polemistas como Richard Steele e Joseph Addison - fundadores do The Spectator, um dos primeiros periódicos ingleses.

Reconheciam em suas sátiras motivos semelhantes aos deles: profundo amor à verdade, feroz aversão à hipocrisia, honesto desejo de demolir as ilusões de seu povo. Reinava desde 1702 a filha de Jaime II, Ana. Com ela subiram ao poder os tories moderados, representados pelo primeiro-ministro Robert Harley. Para Swift tanto fazia ser tory ou whig, achava todos os políticos igualmente corruptos e incapazes. Fora whig enquanto lhe conviera. Com a mudança de governo, não hesitou em proclamar-se tory, conquistando assim a proteção e a simpatia de Harley.

A ambição e as amizades mantinham-no em Londres, com Stella presente em seu coração. Escrevia-lhe numerosas cartas, fazia-lhe confidências no Diário a Stella. Todas as noites, à luz de vela, fechava-se no quarto para o diálogo mental com a amada. Ao falar de assuntos íntimos, expressava-se numa linguagem cifrada, composta de combinações de letras e palavras, compreensível apenas para ele e sua Stella. É a chamada "pequena linguagem", que criou especialmente para comunicar-se com a amada. Mais tarde a experiência daria frutos em As Viagens de Gulliver.

Em 1713 abandonou o Diário, ferido pelo que considerava uma injustiça a rainha Ana pretendia dar-lhe a Sé de Hereford, por ele ambicionada, mas, diante das intrigas do arcebispo de York, escandalizado com O Conto do Tonel, e da duquesa de Somerset, desgostosa com as sátiras do escritor sobre sua pessoa, abandonou o projeto. Nomeou-o deão da Catedral de São Patrício em Dublin.

A acolhida dos irlandeses foi fria, senão hostil. Tinham ciúme de sua vida londrina e desconfiavam de suas atividades políticas, que lhes pareciam incompatíveis com as funções eclesiásticas. No "exílio" de Dublin, como o considerava, Swift não tinha amigos nem prestígio, nem a presença consoladora de Stella. Ao contrário, as más notícias se acumulavam.

Em 1714 morriam a rainha Ana e também a herdeira do trono, Sofia, neta de Jaime I. Pelo direito de sucessão, a coroa cabia ao filho desta, Jorge I, alemão que estabeleceu na Inglaterra a dinastia Hannover. O descontentamento era geral. Os ingleses não desejavam um  monarca estrangeiro, porém não podiam ignorar sua própria constituição. A Swift particularmente a sucessão atingiu na medida em que os whigs voltaram ao poder e os tories - ele inclusive - passaram a ser perseguidos.

Ao saber de seus problemas, Stella foi juntar-se a ele em Dublin. Swift dedicou-se então  a escrever As Viagens de Gulliver, uma aventura por países imaginários, com personagens de características ímpares. Publicado pela primeira vez em 1726, por Benjamin Motte, e reeditado no ano seguinte, causou estranheza e reações inesperadas. Pelo fantástico de certas situações - na verdade um artifício do autor para atacar mais livremente as instituições inglesas -, pelo dinamismo das aventuras, pela simplicidade do estilo, pela simpatia que o herói transmite, As Viagens de Gulliver tornou-se, ao longo do tempo, livro predileto do público infantil. No entanto, não foi elaborado absolutamente com a intenção de entreter nem as crianças - Swift jurava detestá-las - nem pessoa alguma. Ao iniciar a redação da obra, em 1725, o autor escreveu a seu amigo Alexandre Pope afirmando que, com As Viagens de Gulliver, pretendia agredir o mundo, não diverti-lo.

Além de desmascarar a humanidade e demolir os falsos valores - seu objetivo primacial -, Swift visava ainda a ridicularizar a moda da narrativa de viagem, uma obsessão da época.

Enquanto isso, a doce Stella chegava ao fim de seus dias.

Os poemas que Swift lhe escrevia em todos os seus aniversários, convidando-a à plenitude e à primavera, não conseguiam devolver-lhe a energia. Em 1728 ela morre, acometia por um mal desconhecido. Foi um forte abalo para Swift. Esse homem amargo, que proclamava horror às crianças, guardava no íntimo sentimentos profundos, zelosamente protegidos pro uma couraça.

Em público, todavia, esforçava-se por manter a imagem de um escritor irreverente e pessimista, que não poupava à mordacidade nem a própria Stella. Num dos últimos poemas comemorativos de seu aniversário, em 1725, compara-a a uma vaca, que, após sofrer os rigores do inverno, volta a apascentar-se na relva verde da primavera. Ele mesmo se faz objeto da sátira em seu poema Sobre a Morte do Dr. Swift, composto em 1731.

Por essa época trabalhava num sarcástico ensaio destinado a despojar a conversação inglesa das banalidades e incorreções que a levavam ao ridículo. A Conversação Polida, publicada em 1738, representa o resultado de vinte anos de observação e pesquisa, e foi a última obra de Swift. Perdia aos poucos a sanidade mental, da qual muitos duvidavam havia tempo. A surdez, que o ameaçava na infância em crises espaçadas, acometera-o de todo. Surdo e louco, Swift recolheu-se a Dublin, onde servia de espetáculo aos ociosos: para poderem espiá-lo pelas frestas, pagavam ingressos a seus criados.

Num momento de lucidez, inclui em seu testamento uma cláusula em benefício dos asilos de loucos. Parece ter sido esse seu último ato. Em 19 de outubro de 1745 morreu imerso nas sombras da loucura e na solidão de sua surdez. Foi enterrado na Catedral de São Patrício, em Dublin. Na lápide, o epitáfio, em latim, escrito por ele mesmo: "Aqui jaz o corpo de Jonathan Swift, doutor em Teologia e deão desta catedral, onde a colérica indignação não poderá mais dilacerar-lhe o coração. Segue, passante, e imita, se puderes, esse que se consumiu até o extremo pela causa da Liberdade.




Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Júlio Verne

Júlio Verne
 1828 - Em 8 de fevereiro nasce Jules Gabriel Verne Allote, em Nantes, França.
1829 - Nasce o irmão Paul.
1834 - Júlio começa a frequentar a escola.
1841-46 - Vai para o Petit Séminaire e depois para o Liceu Royal de Nantes.
1847 - Estuda Direito em Paris.
1848 - É apresentado aos escritores Alexandre Dumas, pai e filho.
1851 - Publica Viagem num Balão.
1852-55 - Torna-se secretário do Teatro Lírico de Paris. Publica várias obras.
1857 - Em 10 de janeiro casa-se com Honorine-Ane de Vianne.
1859-1860 - Viaja à Escócia. Escreve Viagem à Inglaterra e à Escócia.
1861 - Em 3 de agosto nasce Michel, seu único filho.
1862 - Viaja à Noruega e à Dinamarca.
1863 - É publicado Cinco Semanas num Balão. Escreve Paris no Século Vinte.
1864 - Publica Aventuras do Capitão Hatteras e Viagem ao Centro da Terra.
1866 - Publica Da Terra à Lua e Os Filhos do Capitão Grant.
1868 - Viaja a Londres a bordo de seu iate Saint Michel.
1870 - Publica 20.000 Léguas Submarinas.
1871 - Morre Pierre, seu pai.
1873-74 - Publica A Volta ao Mundo em Oitenta Dias (*) e A Ilha Misteriosa.
1878 - Entre junho e agosto faz uma viagem a Portugal.
1879-80 - Verne viaja para a Noruega, Irlanda e Escócia.
1885 - Publica Mathias Sandorf.
1887 - Em 15 de fevereiro morre Sophie, sua mãe.
1905 - Em 17 de março Júlio Verne adoece gravemente, em consequência de diabetes. Em 24 de março morre. É sepultado em Amiens.

(*) A Volta ao Mundo em Oitenta Dias
Tido como um dos pais da ficção científica, Júlio Verne antecipou em dezenas de anos a invenção de muitos dos equipamentos que utilizamos hoje. Sua novela mais célebre, A Volta do Mundo em Oitenta Dias, narra as peripécias do excêntrico inglês Phileas Fogg, que aposta com seus companheiros ser capaz de realizar uma viagem ao redor da Terra em exatos oitenta dias. Uma façanha e tanto para o século XIX.


Em 31 de janeiro de 1863, um livro de formato pequeno começa a aparecer nas prateleiras das livrarias na França. Conta a história de três viajantes, liderados por um tal dr. Fergusson, que se aventuram no coração da África viajando em um balão. Os valentes personagens da história enfrentam tribos selvagens, animais ferozes e outros perigos.

Os leitores estão perplexos, intrigados. Será fato ou ficção... Parece um autêntico diário de bordo, que inclui descrições detalhadas dos fenômenos naturais presenciados e anotações sobre longitude e latitude à medida que os exploradores avançam em sua viagem, mas as aventuras parecem fantásticas!

No jornal parisiense Le Fígaro, um comentário na coluna literária diz: "A viagem do dr. Fergusson é realidade ou não... Tudo o que se pode dizer é que é envolvente como o mais bem-escrito dos romances e instrutivo como um livro didático de ciências. Nem mesmo os grandes descobrimentos da história do mundo foram tão bem narrados".

O título desse incrível livro era Cinco Semanas num Balão, e o autor era um desconhecido chamado Júlio Verne.


Jules Gabriel Verne Allottte (seu nome de batismo) nasceu em 8 de fevereiro de 1828, em Nantes, no estuário de Líger, frança. Era o primeiro dos cinco filhos de Pierre Verne, um próspero advogado, e Sophie (Allote de la Fuye por nascimento), filha de uma família de militares. Seus irmãos eram Paul, Anne, Mathilde e Marie.

Criado numa cidade portuária, o garoto tímido vivia na marina e nas docas, observando o movimento do cais, o vaivém dos navios e das escunas, enquanto sua imaginação o transportava para portos longínquos, empoleirado no mastro de alguma embarcação. Sempre que podia, Júlio alugava um barco e passava o dia navegando nas imediações do cais. Algumas vezes Paul, o irmão um ano mais novo, o acompanhava. Mas foi numa ocasião em que estava sozinho que Júlio se viu à deriva, a cera de cinquenta quilômetros da orla, quando uma das pranchas se soltou e o barco acabou afundando. Encurralado numa ilhora, ele foi forçado a esperar que a maré baixasse para atravessar o trecho até terra firme e voltar para casa. Outro caso conta que aos onze anos, Júlio, apaixonado pelas histórias de países distantes, resolveu fugir de casa. Seu pai o teria conseguido pegar no porto de Poimboeuf, na primeira escala do navio. Pela fuga o menino receberia uma inesquecível surra. Em uma das primeiras biografias de Júlio Verne esse episódio seria romanceado, como uma tentativa do jovem Verne de viajar trabalhando de camareiro num navio mercante com destino às Índias, no qual teria chegado a embarcar clandestinamente. Teria sido resgatado pelo pai no último instante, antes de o navio zarpar. Não há evidências de que essas histórias sejam verdadeiras.

Júlio estudou em colégios católicos, e ao terminar o ensino secundário, em 1847, seu pai o enviou a Paris para estudar Direito. Nessa cidade Júlio passou a se interessar por teatro e escreveu uma peça, a comédia de um ato Les Pailles Rompues, que seria publicada em 1850. Seu pai ficou indignado quando Júlio anunciou que não queria prosseguir com os estudos e parou de lhe mandar dinheiro. Júlio então foi forçado a vender suas histórias para se sustentar. Introduzido por seu tio Châteaubourg nos círculos literários de Paris, Júlio Verne começou a publicar peças sob a influência de escritores famosos, como Victor Hugo e Alexandre Dumas (filho), a quem conhecia pessoalmente.

Em 1849 Charles Baudelaire traduziu os livros de Edgar Allan Poe para o francês. Júlio Verne tornou-se um dos mais devotados admiradores do autor americano; e em 1851 escreveu seu primeiro conto de ficção científica - Viagem num Balão, sob a influência de Poe.

Passou a trabalhar como secretário do Teatro Lírico de Paris em 1852, onde ficou por dois anos. Nesse período conheceu Honorine-Ane Hebe Freyson de Vianne de Morel, uma jovem viúva que tinha duas filhas, com a qual se casaria em 1857. Ele vivia com a mulher e as enteadas numa espaçosa residência e ocasionalmente saía para velejar. Para sustentar a família, trabalhou durante algum tempo como corretor da Bolsa de Valores, já que sua carreira de escritor progredia lentamente. Em 1861 nasceu Michel, o único filho do casal.

Em 1862 Júlio Verne conheceu Pierre Jules Hetzel,, escritor e editor de publicações infanto-juvenis, que começou a publicar a série Viagens Extraordinárias. Essa colaboração duraria até o fim da carreira de Verne. Depois de passar horas e horas nas bibliotecas de Paris estudando geologia, engenharia e astronomia, Verne publicou, em 1863, o seu primeiro romance, Cinco Semanas num Balão. O livro fazia parte da série Viagens Extraordinárias. O espetacular sucesso da obra, alcançado primeiramente na França e em seguida em vários países da Europa, rendeu-lhe um contrato de vinte anos com o editor Hetzel. Esse contrato seria alterado cinco vezes, sempre para incluir condições cada vez mais vantajosas para o escritor. Com os ganhos de suas futuras obras, Verne pode deixar seu emprego na Bolsa e dedicar-se inteiramente à literatura.

Apesar de se entregar com afinco à atividade de escrever, Verne conseguiu concluir o curso de advocacia. Foi nessa época que ele começou a sofrer de problemas digestivos, que periodicamente recorreriam até o fim de sua vida.

As histórias de Júlio Verne logo ganharam enorme popularidade no mundo inteiro. Como não era cientista nem tinha uma vasta experiência de viagens, Verne pesquisava muito para escrever seus livros. Ao contrário de outras obras de literatura de ficção, ele procurava ser realista e prático na narrativa e na descrição dos detalhes.

Outros livros vieram: Viagem ao Centro da Terra, em 1864; Da Terra à Lua, em 1866; 20.000 Léguas Submarinas, em 1870. O clássico A Volta ao Mundo em Oitenta Dias, história baseada em uma viagem real do americano George Francis Train, foi escrito em 1873. Na primeira parte de sua carreira Júlio Verne expressava otimismo com o progresso e o papel central da Europa no desenvolvimento social e tecnológico do mundo. Já nos romances seguintes, o pessimismo do autor em relação ao futuro da civilização humana refletia o clima de fatalidade de fim de século.

Escritor de imensa popularidade, Júlio Verne é considerado o pai da ficção científica, ao lado de H. G. Wells. Embora Júlio Verne não tenha sido o primeiro escritor a descrever viagens à Lua ou aventuras no fundo do mar a bordo de um submarino, suas histórias foram as primeiras desse gênero que alcançaram projeção e popularidade internacional. Escritas tanto para adolescentes quanto para adultos, geralmente em forma de diários de bordo, elas levam o leitor a embarcar em aventuras, captam o espírito aventureiro do século XIX e o fascínio incondicional pelo progresso científico e pelas invenções tecnológicas.

Júlio Verne foi considerado um visionário, uma vez que muitas de suas idéias se profetizaram posteriormente nos avanços da ciência ao longo do tempo.

Durante mais de quarenta anos Júlio Verne publicou pelo menos um livro por ano, sobre uma ampla variedade de temas. Embora escrevesse sobre lugares exóticos, ele viajou relativamente pouco - seu único vôo de balão durou apenas 24 minutos.

Em 1872 mudou-se com a família para um palacete adquirido em Amiens, cidade em que nascera sua mulher.

Em um dia de março de 1886 Júlio Verne estava chegando a casa, depois de passar a tarde no clube, quando ouviu o som de disparos. Em seguida sentiu uma dor aguda na perna esquerda. O tiro que o deixaria manco para o resto da vida fora disparado por seu próprio sobrinho Gaston - que tinha problemas mentais -, filho do irmão Paul. Uma vingança por Verne ter se recusado a lhe dar dinherio para fazer uma viagem.

Desgostoso coma a perda parcial da mobilidade, com a morte da mãe, ocorrida em 1887, e por outros motivos, sua outrora tranquila felicidade ficou abalada. Em carta dirigida ao irmão em 1894, ele se queixaria: "Tornou-se insuportável para mim qualquer alegria, o meu caráter está profundamente alterado, e recebi golpes de que nunca conseguirei me recuperar". Paul morreria em 1897, e a Júlio Verne , cada vez mais desolado, apenas restava confessar: "Quando não trabalho, deixo de sentir-me viver".

O último romance de JúlioVerne foi A Invasão do Mar, de 1905. Sua obra completa é composta por 65 romances, cerca de vinte contos e ensaios, trinta peças, alguns trabalhos geográficos e também librettos de ópera.

A antecipação científica baseada em feitos verídicos e as aventuras de personagens audazes e inteligentes foram a principal fonte dos romances de Verne, os mares e lugares inexplorados o cenário adequado para o desenrolar de suas histórias, que são uma rara combinação de inventividade e habilidade literária.

No fim da vida, com problemas de saúde, Verne já não podia ir à biblioteca, os livros eram levados até ele. Mas mantinha a rotina de escrever pela manhã e ler à tarde.

Na noite de 24 de março de 1905, em Amiens, Júlio Verne pediu um exemplar do livro 20.000 Léguas Submarinas. Perguntou pela mulher e pelos filhos, fechou os olhos e morreu, em consequência de complicações por diabetes. Foi sepultado no cemitério Madeleine, em Amiens.
Após a morte de Verne, seu filho Michel concluiu e publicou algumas das obras inacabadas do pai.


Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Edgar Allan Poe

Edgar Allan Poe
1809 - Em 19 de janeiro nasce em Boston, nos Estados Unidos, Edgar Poe.
1811 - Em 8 de dezembro fica órfão de mãe.
1812 - Edgar é batizado como Edgar Allan Poe.
1814 - Com cinco anos Edgar começa a frequentar a escola.
1815 - Em 22 de junho John e Frances, com Edgar e a irmã de Frances, Ann Moore Valentine partem para a Inglaterra.
1820 - Em 22 de julho a família retorna à América.
1826 - Em fevereiro Edgar ingressa na Universidade da Virgínia, em Charlottesville.
1827 - Em março Edgar vai embora de casa. Publica, em Boston, seu primeiro livro, Tamerlão e Outros Poemas.
1829 - Em 28 de fevereiro morre a mãe adotiva de Edgar. Em dezembro é publicado seu segundo livro, Al Aaraaf, Tamerlão e Poesias Menores.
1830 - Em outubro John Allan se casa com Louisa Patterson, com quem teria três filhos.
1831 - O livro Poemas é publicado em Nova York. Em agosto morre em Baltimore o irmão de Edgar, Henry, provavelmente de tuberculose ou de cólera.
1833 - Em março Edgar recebe um prêmio de 50 dólares do The Saturday Visitor, de Baltimore, pelo conto Manuscrito Encontrado numa Garrafa.
1834 - Em março, em Richmond, morre Johnn Allan.
1836 - Em 16 de maio, com 27 anos, Edgar se casa com sua prima Vigília, de treze.
1838 - Em fevereiro Poe e a família mudam-se para a Filadélfia. Em julho é publicada A Narrativa de Arthur Gordon Pym.
1839-41 - Publica A Queda da Casa de Usher, Contos do Grotesco e do Arabesco e Os Crimes da Rua Morgue.
1843 - Em junho Poe ganha do Dollar Newspaper um prêmio de 100 dólares pelo conto O Escaravelho de Ouro.
1844 - Em outubro Poe e a família mudam-se para nova York.
1845 - Torna-se editor do The Broadway Journal. O Corvo é publicado no Evening Mirror. Contos e O Corvo e Outros Poemas são publicados em Nova York.
1846 - Em janeiro o The Broadway Journal encerra suas atividades. Em maio Poe muda-se com a família para Fordham, Nova York.
1847 - Em 30 de janeiro, em Fordham, Virgínia Poe morre de tuberculose.
1849 - Poe volta a Richmond e reencontra Elmira, agora viúva. Em 27 de setembro deixa Richmond com destino a Baltimore. Em 7 de outubro morre em Baltimore, no Hospital Universitário de Washington. No dia seguinte é sepultado no mausoléu do avô, no cemitério da Igreja Presbiteriana de Westminster, em Baltimore, Maryland. Charles Baudelaire publica Contos do Grotesco e do Arabesco na França, com o nome de Histórias Extraordinárias (*).


Histórias Extraordinárias
Em 1849 Baudelaire publicou na Frnaça Contos do Grotesdo e do Arabesco, de Alla Poe, com o título Histórias Extraordinárias. Trata-se de um conjunto de textos - como A Queda da Casa de Usher, O Barril de Amontilado, O Gato Preto, Os Crimes da Rua Morgue, dentre outros - nos quais, com extrema habilidade, Poe enfoca o fantástico e o sobrenatural com descrições minuciosas, conduzindo o leitor a um mundo noturno, enigmático, neurótico e de terror.




Segundo filho de um casal de atores itinerantes fracassados - David Poe Jr. e Elisabeth Arnold Hopkins -, Edgar Poe nasceu em 19 de janeiro de 1809, em Boston, onde os pais trabalhavam à época. Edgar, contudo, sempre considerou Richmond, capital da Virgínia, sua cidade natal. Foi onde passou a maior parte da infância e a juventude. Após a morte da mãe, Poe, com três anos incompletos, e sua irmã Rosalie, de onze meses, foram adotados por duas famílias de Richmond - Poe foi levado para a casa da John e Frances Valentine Allan, e Rosalie para a de William e Jane Scott MacKenzie. O irmão mais velho, Henry, ficou em Baltimore com os avós.

John Allan era sócio de uma tabacaria, e na época a família vivia num apartamento na sobreloja do estabelecimento.

Em 1815 Allan Poe viajou com os pais de criação e a tia, irmã de Frances, para a Inglaterra, onde viveu até 1820. De volta aos Estados Unidos, JOhn Allan comprou uma bela casa na Virgínia, onde Edgar morou até ingressar na universidade, em 1826. Do outro lado da rua morava a família Royster e sua filha Elmira, que se tornou a namorada de adolescência de Edgar. Mas, devido à desaprovação dos pais de Elmira, o relacionamento com Poe foi rompido, e ela casou-se com Alexander Shelton, que os pais consideravam melhor partido.

Na Universidade de Virgínia Allan Poe estudou francês, espanhol, italiano, latim e grego. Viciado em jogo, desentendeu-se com o pai adotivo por causa de uma dívida de 2 mil dólares contraída na universidade. Mesmo tendo quase certeza de que fora trapaceado, Edgar insistia em pagar a dívida mas John recusou-se a ajudá-lo. Edgar então abandonou os estudos e saiu da casa dos pais adotivos e da cidade de Richmond. Viajou para Boston e alistou-se no exército, de onde mais tarde seria expulso por indisciplina.

Foi em Boston que, em 1827, publicou seu primeiro livro, Tamerlão e Outros Poemas. Sua poesia refletia os conflitos com os pais de criação e provavelmente foram escritos, pelo menos em parte, ainda na Virgínia.

No dia 28 de fevereiro de 1829, Frances, a mãe adotiva de Edgar, morreu em Richmond. Ele obteve autorização para afastar-se do posto, mas não conseguiu chegar a tempo para o enterro.
Depois de servir durante dois anos no exército, por alguns meses na Academia Militar de West Point e da publicação de um segundo livro de poesias, Al Aaraaf, Tamerlão e Poesias Menores, Allan Poe mudou-se para a cidade de Baltimore.

Em 1831 publicou Poemas, e em 1833 ganhou o primeiro prêmio num concurso literário com o conto Manuscrito Encontrado numa Garrafa. O êxito no concurso rendeu a Poe um prêmio de 50 dólares e garantiu-lhe a oportunidade de emprego que o levaria de volta a Richmond, em dezembro de 1835, como redator e editor da revista Southern Literary Messenger, onde trabalharia até 1837, escrevendo análises literárias de obras e recebendo tanto elogios quanto críticas por seus comentários francos. Nesse período publicou vários de seus próprios poemas e histórias.

Edgar morava em uma pensão com sua tia viúva Maria Clemm, o filho dela e a filha, Virgínia, com quem se casou em 16 de maio de 1836. Eles se uniram clandestinamente, tendo apenas Maria Clemm como testemunha, uma vez que os parentes haviam se mostrado contrários ao casamento. Na certidão emitida pelo cartório de Richmond, a idade de Virgínia era de 21 anos, mas na verdade ainda não tinha completado catorze. Após uma cerimônia simples, o casal viajou em lua-de-mel para Petersburg, cidade ao sul de Richmond, onde se hospedaram na casa de Hiram Haines, editor de um jornal local.

Enquanto trabalhava na Southern Literary Messenger, Poe começou a escrever seu único romance, A Narrativa de Arthur Gordon Pym. A primeira parte do romance foi publicada na revista e garantiu a Poe o reconhecimento do público como crítico, poeta e escritor. Mas, com problema de alcoolismo, Poe deixou o emprego na revista. Em 1837 passou a morar em Nova York, e em 1838 partiu para a Filadélfia. Sustentava-se realizando serviços editoriais para publicações como Burton´s Gentleman´s Magazine, Graham´s Magazine, New York Evening Mirror e The Broadway Journal.

Em 1839 escreveu A Queda da Casa de Usher e Contos do Grotesco e do Arabesco. No ano seginte publicou Os Crimes da Rua Morgue, seu primeiro conto policial. Durante o período em que Poe trabalhou na Graham´s Magazine, a circulação da revista aumentou de 5000 para 37000 assinaturas, tornando-se de longe o periódico mais popular da época.

Em março de 1842 Poe encontrou-se com o escritor inglês Charles Dickens na Filadélfia. No ano anterior Dickens ficara impressionado com a perspicácia de Poe, que advinhou o final da história de Barnaby Rudge, de sua autoria, - publicado em capítulos no jornal Saturday Everning Post - depois de analisá-la. Dickens comprometeu-se a encontrar uma editora inglesa para publicar Contos do Grotesco e do Arabesco, embora nada de concreto tenha resultado da promessa.

Edgar tentou publicar seu próprio periódico, mas não obteve apoio nem verba. Em 4 de março de 1843 o Saturday Courier da Filadélfia publicou um artigo autobiográfico de Poe, repleto de informações distorcidas, presumidamente fornecidas pelo próprio escritor. E foi a partir daí que a imagem pública de Poe começou a se estabelecer.

Em junho de 1843 o Dollar Newspaper da Filadélfia publicou o conto O Escaravelho de Ouro, que rendeu a Poe um prêmio de 100 dólares. O sucesso foi tão grande que uma segunda edição do jornal foi publicada. Além do prêmio em dinheiro, Poe recebeu uma significativa projeção nacional e internacional. Algumas de suas obras começaram a ser adaptadas para o teatro e traduzidas para o francês.

Em novembro desse mesmo ano Poe deu uma palestra sobre poesia americana, na Filadélfia. A platéia ficou lotada, e as críticas foram favoráveis. Isso o incentivou a fazer outras palestras, entre as quais "Os Poetas e a Poesia da América", "O Princípio Poético" e "O Universo". Em fevereiro de 1845 Poe tornou-se um dos editores do The Broadway Journal. Em julho passou a ser o único editor e em outubro tornou-se o único proprietário do periódico. Finalmente Poe conseguira: era dono de uma publicação, mas que operava perigosamente no vermelho. No ano seguinte, afundado em dívidas, o The Broadway Journal encerrou suas atividades. Em maio Poe mudou-se com a família para um chalé em Fordham, New Yoork.

A dependência do álcool foi a perdição de Allan Poe. Seu talento era imenso, e ele tinha contatos influentes e boa oportunidades. Alguns amigos de Washington conseguiram uma audiência na Casa Branca para levar adiante seu tão sonhado projeto de lançar uma revista, que até já tinha título - The Stylus. Mas quando ele se apresentou, visivelmente embriagado nem mesmo seu melhor amigo, o escritor e político F.W.Thomas,  pode fazer alguma coisa para ajudá-lo. Daí por diante, a sorte o abandonou.

Com o agravamento do estado de saúde da esposa acometida de tuberculose, Poe passou a recorrer à bebida com mais frequência. Virgínia morreu em 30 de janeiro de 1847. No ano seguinte Poe escreveu A Balela do Balão e publica O Corvo, conto que o tornou famoso nos Estados Unidos e na Europa.

Inspirado em uma de suas palestras - "O Universo" -, escreveu o livro Eureka, um extenso "poema em prosa", de teor semicientífico e metafísico, publicado em março de 1848. Essa foi a décima e última obra do poeta publicada em vida. De volta a Richmond em 1849, retornou o contato com a namorada da adolescência, Elmira. Mas a morte da esposa o deixara profundamente abalado, e ele nunca se recuperaria do golpe. Sua saúde se deteriorava cada vez mais, e quem lhe dava assistência era a tia e sogra, Maria Clemm.

O fim da vida de Poe foi marcado pela publicação de alguns de seus mais notáveis poemas - Os Sinos, Ulalume, Annabel Lee e outros - e por seu deslumbramento com várias mulheres.

Edgar Allan Poe virtualmente criou a história de detetive e aperfeiçoou o gênero de suspense.
Também escreveu alguns dos mais importantes textos críticos de sua época - citações teóricas sobre poesia e conto -, e sua influência na literatura mundial é extensa.

Alguns de seus poemas se destacam pela construção literária impecável, pelos temas sombrios de morte, melancolia, crueldade, tortura culpa e vingança, pelos cenários lúgubres e pela extraordinária manipulação da métrica e do ritmo, que por vezes chegam a reproduzir sons e estados de espírito.

Allan Poe influenciou poetas e escritores modernos entre os quais, certamente, Sir Arthur Conan Doyle - criador do personagem Sherlock Holmes e seu assistente Watson - , cujo estilo e estrutura são muito semelhantes às histórias de detetive de Poe.

As circunstâncias da morte do escritor Poe permanecem um mistério. Após uma visita a Norfolk e Richmond para dar algumas palestras, ele foi encontrado inconsciente numa rua de Baltimore, em 3 de outubro de 1849, e levado a um hospital, onde ficou internado por quatro dias, com febre alta, tremores e delírios. Morreu no dia 7 de outubro. Edema cerebral, indicava o diagnóstico publicado no breve obituário. Edgar Allan Poe foi sepultado no cemitério da Igreja Presbiteriana de Westminsteer, em Baltimore, Maryland, no mausoléu de seu avô.

Nesse mesmo ano Charles Baudelaire publicou Contos do Grotesco e o Arabesco na França, com o nome de Histórias Extraordinárias.

Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Honoré de Balzac

Honoré de Balzac
1799 - Em 20 de maio, nasce em Tours Honoré de Balzac, filho de Bernard François Balssa e Laure Sallambier.
1807-1813 - Estuda no Colégio dos Oratorianos de Vendôme.
1814 - A família Balzac instala-se em Paris.
1816-1819 - Balzac estuda Direito.
1819 - Muda-se para a mansarda da rua Lesdiguières. A família transfere-se para Villeparisis.
1820 - Balzac conclui a tragédia Cromwell.
1821 - Conhece Laure de Berny.
1822-1825- Funda uma editora e em dois anos está arruinado financeiramente.
1829 - Publica Os Chouans e A Fisiologia do Casamento.
1830 - Publica Cenas da Vida Privada. Colabora em diversos periódicos.
1831 - Obtém grande êxito com A Pele de Onagro e compõe mais nove romances. Começa a escrever A Mulher de Trinta Anos (*).
1832 - Candidata-se a deputado. Recebe a primeira carta anônima de "a estrangeira", a senhora Eveline Hanska.
1833 - Publica Pai Goriot, usando pela primeira vez o processo de "retorno de personagens". Planeja A Comédia Humana, conjunto de 95 romances, entre os quais Eugênia Grandet, editado nesse mesmo ano.
1835 - Encontra Eveline Hanska emViena.
1836 - Viaja à Itália.
1836-1840 - Publica 21 livros.
1841 - Em outubro, assina um contrato para editar A Comédia Humana.
1842 - Morre o conde Hanski.
1843 - Balzac viaja a São Petersburgo. Padece de várias enfermidades.
1846 - Adquire o palacete da rua Fortunée, em Paris.
1850 - Em março, casa-se com Eveline Hanska. Retorna a Paris. Adoece e, no dia 18 de agosto, morre. É enterrado três dias depois no Cemitério de Père-Lachaise. Victor Hugo pronuncia o discurso fúnebre.

(*) A Mulher de Trinta Anos
Em A Mulher de Trinta Anos Balzac levanta questões fundamentais da vida amorosa e sentimental das mulheres e revela sua perplexidade diante do fracasso do casamento.
Esse retrato da alma feminina é bastante atual; sua personagem principal, Júlia D´Aiglemont, é uma mulher malcasada, consciente da razão de seus sofrimentos e revoltada contra a instituição imperfeita do matrimônio.

Desde pequeno Balzac tinha um sonho: viver em sociedade entre aritocratas, imortalizado pela atividade literária. Como primeiro passo, o menino de Tours, filho de modesto funcionário público, resolve alterar sua linhagem. Julgando plebéia a ascendência do pai, Bernar François Balssa, liga-a artificialmente a antigos nobres franceses. Mal aprende a escrever, passa a asisnar Balzac e acrescenta entre o prenome e o sobrenome um "de", índice de nobreza na França: Honoré de Balzac. Armado assim de nobreza e tradição pensava poder conquistar importância e celebridade.

Não lhe importa a indiferença da mãe nem a falta de atenção do pai e dos irmãos. Só Laure, a irmã mais nova, emocionada, ouve-o falar de seus planos, da obra colossal que pretendia criar, do reconhecimento que acredita receberá um dia.

Em 1814 a família Balzac muda-se para Paris, onde Honoré poderia estudar. Com vinte anos diploma-se em Direito e vai estagiar no escritório do advogado Goyonnet de Merville, que mais tarde se transformaria no Derville de A Comédia Humana. Os anos de estágio não lhe servem como prática na profissão, mas fornecem-lhe material para vários romances. Logo se cansa da vida no cartório. Quer escrever o que vê. Ao comunicar seu desejo aos pais, causa estupefação geral. Exceto Laure, toda a família responde com ironia, desestimulando-o.

Honoré não dá ouvidos aos que tentam desanimá-lo e recusa-se a acompanhar a família, que está de mudança para Villeparisis, lugarejo próximo a Paris. Os pais de Balzac, ao perceberem que o filho não abriria mão de seus sonhos, fazem um trato com ele: iriam sustentá-lo durante um ano na capital. Terminado esse prazo, se não obtivesse êxito na literatura teria de trabalhar como advogado.

Para evitar que leve uma vida desregrada, os pais restringem-lhe a mesada ao mínimo essencial, obrigando-o a viver num quarto miserável, sob os cuidados de uma velha criada. Mas Balzac sente-se o homem mais feliz do mundo; está convencido de que se tornará um grande escritor: tem um nome aristocrático e um sótão em Paris.

Depois de um ano, passado entre leituras, passeios e dúvidas, Balzac conclui a tragédia Cromwell e leva-a à família e aos amigos. Todos acham a obra lamentável, mas ele não se dá por vencido. Talvez não fosse o teatro o gênero em que seu talento haveria de se revelar. Quem sabe se no romance teria algum êxito.

O prazo de um ano está terminado. Os pais anunciam que não mais sustentariam as fantasias do filho. Balzac, animado pela confiança da irmão e pela certeza de guardar dentro de si um universo a ser revelado, acha necessário dar-se tempo para amadurecer.

Os romances sentimentais estão na moda, publicados em fascículos mensais, segundo os modelos ingleses. Balzac sabe não ser esse o caminho da arte. Mas precisa de dinheiro para sobreviver. Temendo arruinar seu prestígio antes de alçar-se à posição de grande escritor, publica sob pseudônimo as composições elaboradas de 1822 a 1825.

A atividade incessante e o desgosto com as coisas que produz levam-no a buscar algum descanso em Villeparisis. Encontra ali o primeiro amor de sua vida: Laure de Berny, amiga da família, 22 anos mais velha que ele, casada com um fidalgo irascível, mãe de sete crianças. Amável e inteligente, atrai desde o início as simpatias de Balzac. percebendo, contudo, que provocaria uma tempestade se correspondesse aos sentimentos do admirador, tenta evitá-lo o quanto pode. E não pode muito. A mãe de Balzac e as três filhas mais velhas da amada tudo fazem para impedir a ligação. Mas o amor vence e resite por dez anos, transformando-se depois numa "amizade quase sublime". Em O Lírio do Vale, de 1835, Balzac celebra liricamente sua "dileta" sob o nome de senhora de Mortsauf, imagem da "perfeição terrestre", adorável criatura dotada das melhores qualidades físicas e espirituais.

Balzac, até então, não escrevera uma só linha da grande obra que projetara. As publicações folhetinescas esgotam-lhe tempo e energia. Precisa achar uma maneira de se manter com menor desgaste. Resolve transformar-se em editor, primeiro de obras alheias, depois das suas. Com recursos da família da senhora de Berny, monta uma editora; mas é obrigado a fechá-la e a volta a escrever para pagar as dívidas que contraíra. O desastre financeiro rende-lhe experiência e inspiração, que mais tarde lhe servirão como assunto de uma impiedosa sátira contra os meios editoriais.

Em meio a todas essas turbulências, Balzac encontra no escocês Walter Scott o modelo para a criação de uma obra verdadeiramente literária. Scott é famoso na época como o criador do romance histórico. Parte então para a Bretanha, ao norte da França, a fim de estudar de perto o cenário e pesquisar os documentos sobre a rebelião dos Chouans, monarquistas que se insurgiram contra a Revolução Francesa. Ao voltar a Paris, leva o manuscrito. Em 1829, aos trinta anos, publica-o, assinando seu nome pela primeira vez.

Os Chouans e A Fisiologia do Casamento abrem-lhe as portas dos mais importantes círculos literários. O êxito dos dois romances permite-lhe colaborar em periódicos e revistas de sucesso, ganhando muito mais. Consegue finalmente as condições materiais necessárias para se dedicar com sossego à realização das suas aspirações. Põe-se a escrever febrilmente, e em um único ano conclui, além de inúmeros artigos, dezenove novelas e romances e grande parte de Pequenas Misérias da Vida Conjugal, Beatriz, A Pele de Onagro e Catarina de Médicis. Com a ambição de se tornar um "historiador da sociedade contemporânea", Balzac abandona o romance histórico. De Walter Scott mantém apenas o processo narrativo: assim, o público pode visualizar facilmente os personagens e o ambiente, apresentados com minúcias.

Jovem cheio de planos e energia, Balzac monopoliza as atenções. Mais feio que bonito, com tendência à obesidade, veste-se ora em desalinho, ora com espalhafatoso dandismo. Tem o nariz disforme, rosto arredondado, cabelos longos e estranhos "olhos de ouro". Fala muito, e sempre de si próprio, dos livros que fizera e dos que planeja, das noites que passa em claro, tomando café incessantemente para se manter acordado e redigir. É a grandeza. Vai longe o tempo dos projetos cochichados a Laure, no escuro, para que a mãe não os escutasse.

A fama e o sucesso dá-lhe esperanças de vencer na política, e, em 1832, aos 33 anos, candidata-se a deputado. Mas não consegue os votos que esperava.

Em fins desse mesmo ano Balzac recebe uma carta da parte de uma mulher que apenas se assina "A Estrangeira" e lhe expressa admiração incondicional. Mais tarde descobre ser ela a condessa polonesa Eveline Hanska, casada e infeliz, muito mais velha que o romancista. Encontra-a pessoalmente pela primeira vez na Suíça e tornam-se amantes. Apesar de se avistarem esporadicamente, a relação entre ambos perdura até a morte de Balzac, e durante muitos anos se mantém somente através de volumosa correspondência.

A ligação com a senhora Hanska não o impede, porém, de viver efêmeras aventuras amorosas e de escrever. Nada no mundo o faria abandonar a literatura. Em 1834 termina Pai Goriot, iniciando o sistema de repetição de personagens de obra para obra. Percebe que poderia fazer romances sem começo nem fim, ligados uns aos outros como se fossem os diversos momentos da vida, preciosos fragmentos de um grande quadro social e psicológico. Ocorre-lhe a idéia de compor uma série de romances cíclicos, abrangendo todos os já escritos e excluindo apenas os que publicara sob pseudônimo. Um amigo, o marquês de Belloy, sugere-lhe que intitule o conjunto de A Comédia Humana, em contraposição à Divina Comédia, de Dante: nesta foram tratados os problemas espirituais do homem e da sociedade; naquela seriam analisados os dramas do mundo. Balzac esboça o plano: a obra iria se dividir em três partes: Estudo de Costumes, Estudos Filosóficos e Estudos Analíticos. A primeira compreenderia Cenas da Vida Privada, Cenas da Vida das Províncias (grupo a eu pertence Eugênia Grandet, publicado em 1833), Cenas da Vida Parisiense, Cenas da Vida Política e Cenas da Vida no Campo. Os Estudos Filosóficos (análise dos sentimentos) e os Analíticos (procura dos princípios) não foram sub-divididos Ao todo, A Comédia Humana engloba 95 romances, compostos de 1829 a 1848.

Seu objetivo inicial é elaborar uma espécie de tipologia social, mais científica do que artística, que supunha uma certa analogia da sociedade humana relativamente à vida animal. Desde logo o ousado projeto se revela, ao autor, incompatível com suas convicções religiosas. Limita-se a retratar os costumes de seu tempo, sublimando o poder e os perigos da imprensa, o papel da burocracia, a sede por dinheiro. Sobre esse pano de fundo da realidade social do século XIX, sua poderosa imaginação cria episódios e intrigas emocionantes.

Trabalhando quase 21 horas por dia (À Procura do Absoluto, As Ilusões Perdidas) e descansando pouquíssimo, ao cabo de um ano sua saúde está deteriorada. Engorda rapidamente, embora se alimente mal. Sente tonturas. Os editores, apesar dos lucros que usufruem com seus romances, continuam lhe pagando mal. Os credores vivem à sua porta. A senhora Hanska está presente só em cartas ou em encontros fugazes. Seu único consolo é a pilha de volumes que vai crescendo: O Contrato de Casamento, O Lírio do Vale (um de seus melhores romances, obra-prima de lirismo) e Memórias de uma Jovem Esposa.

Com a morte do conde Hanski, em 1841, Balzac pode unir-se a "A Estrangeira". Em seus sonhos de nobreza, ele a imagina sobrinha de Maria Leszczynska, a polonesa com que Luís XV se casara. Muitas vezes a própria Eveline Hanska tenta fazê-lov er que o parentesco com a rainha é mais uma de suas fantasias. Tendo conquistado a glória literária, só lhe falta pertencer realmente à aristocracia para sentir-se realizado.

O casamento tarda. Antes de levar para junto de si a mulher amada, Balzac quer pagar as dívidas e comprar uma casa que cobiçara nos seus primeiros dias de Paris, um belo palacete na rua Fortunée. Com a compra e a instalação, realizada com grande requinte, gasta dinheiro que não possui e tem de redobrar o trabalho. Está doente e enfraquecido; planeja vários romances; não executa nenhum. Sabendo que a ele restam poucos anos de vida, Eveline finalmente o desposa em 1850, em Berdtcheft.

"Não tenho mais força e poder senão para a felicidade, e, se esta não vier... nada mais desejarei no mundo", escreveria Balzac em Albert Savarus, de 1842. A felicidade não vem, nem há mais tempo. Acamado desde o retorno a Paris, não há como minorar o cansaço acumulado durante anos de trabalho incessante. Em 18 de agosto de 1850 seu estado se torna desesperador. O organismo debilitado já não reage. E Honoré de Balzac morre, aos 51 anos, sem ter sido um aristocrata, mas imortalizado como o grande retratista da burguesia do século XIX.


Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Shakespeare

William Shakespeare
1564 - Em abril, provavelmente no dia 23, nasce William Shakespeare, em Straford-on-Avon, Inglaterra.
1582 - Em 27 de novembro casa-se com Anne Hathaway.
1583 - Em maio nasce a filha Susanna.
1585 - Em fevereiro nascem os gêmeos Hamnet e Judith.
1592 - Depois de deixar Stratford e ir para Londres, William é reconhecido como um ator talentoso, bem como um grande poeta. Torna-se membro da companhia teatral Os Homens de Lord Chamberlain.
 1596 - O filho Hamnet morre com onze anos de idade. William torna-se "cavalheiro" quando seu pai recebe um brasão de armas do College of Heralds.
1597 - William compra uma casa à qual dá o nome de "The Great House of New Place" (A Grande Casa do Novo Lugar).
1599 - Em julho o Globe Theater é construído com as ruínas do The Theater.
1603 - Em mao a companhia teatral de Lord Chamberlain passa a se chamar Homens do Rei.
1613 - O Globe Theater pega fogo durante uma apresentação de Henrique VII. Shakespeare se aposenta e volta para sua terra natal.
1616 - Em 23 d abril, em Stratford, morre William Shakespeare, aos 52 anos. Em 26 de abril é sepultado na igreja de Stratford.


(*) Tragédias
A primeira grande obra de Shakespeare foi Romeu e Julieta, de 1594. Da segunda e maior fase da dramaturgia shakespeariana são Macbeth e Otelo, entre outras grandes tragédias. Reunidas em um só volume, aqui estão três dos mais consagrados trabalhos do autor, peças até hoje entusiasticamente aplaudidas nos palcos de todo o mundo.


Terceiro filho de John Shakespeare e Mary Arden, William Shakespeare nasceu emStratfor-on-Avon, a cinquenta qulômetros de Londres, em abril de 1564. Não há registro de seu nacimento, mas existena igreja local o registro de seu batismo, em 26 de abril. Na época, pr ser alto o índice de mortalidade de recém-nascidos, as crianças normalmente eram batizadas com dois ou três dias de vida. Dessa forma foi estabelecido, então, o dia 23 de abril como a data de seu nascimento.

William era neto de fazenderios, e seu pai era um próspero comerciante de couros que chegou a ser vereador na cidade de Stratford-on-Avon (o nome indica que a cidade se localiza às margens do rio Avon). William foi o terceiro filho de John e Mary, porém o primeiro que chegou à idade adulta. Londres e as regiões próximas, á época, eram constantemtne assoladas por epidemias de peste, e as duas irmãs mais velhas de William morreram ainda crianças.

Tudo que se sabe da juventude de Shakesperare é que ele provavelmente estudou na Stratford Grammar Shool, onde teria aprendido gramática e literatura latina. Grande parte de sua obra demonstra conhecimento do teatro romano, da história antiga e da mitologia clássic.

Não há registro de que Shakespeare tenha ido para a universidade. Sabe-se que William caosu-se com Anne Hathaway, oito anos mais velha que ele. Anne estava grávida de tr~es meses, e William, que estava com dexoito anos de idade, precisou de uma autorização especial para se casar, provavelmente na Temple Gafton Church. Antes de completar 21 anos William já era pai de três ciranças, sendo que duas eram um casal de gêmeos. Houve especulação de que fora um casamento sem amor e de que o relacionamento de William com a esposa estava longe de ser um mar de rosas.

No entanto, William sempre permaneceu leal - se não fiel - a Anne durante toda a vida, não tendo deixado nunca de visitá-la regularmente, depois que se mudou para Londres.

Nada se sabe sobre o período compreendido entre o nascimento dos gêmeos e a ascensão de William Shakespeare como ator, poeta e dramaturgo, em 1592. No entanto cogita-se que ele teria fugido de Stratford para Londres para escapar de um processo por ter caçado um veado em propriedade particular, e também que teria feito parte de um grupo de atores itinerantes e trabalhado como professor numa escola rural.

Em 1594 Shakespeare ingressou na companhia teatral de Lord Chamberlain, que mais tarde, no reinado de James I, receberia o nome de King´s Men (Homens do Rei).

Shakespeare permaneceu nessa companhia teatral até o final de sua carreira em Londres. Presume-se que, como ator, ele tenha representado o papel de personagens idosos, como o fantasma em Hamlet e o velho Adam em As You Kike It (comédia de 1599). Em 1596 a família de Shakespeare recebeu um brasão de armas, e em 1597 a condição financeira de William lhe permitiu adquirir uma imponente residência em Stratford, onde ele viveria até o final da vida.

Em 1599 tornou-se um dos sócios-proprietários do Globe Theatre. Em 1613 Shakespeare se aposentou e retornou a Stratford, depois que ocorreu um incêndio no Globe durante uma apresentação.

É graças á petulante declaração de um dramaturgo rival, Robert Greene, que hoje se sabe que em 1592 Shakespeare já adquirira reputação como ator e escritor. Numa publicação que circulava à época, Greene referiu-se e ele como "uma gralha emergente".

O trabalho inicial de Skakespeare para o teatro foi interrompido por uma epidemia de peste em Londres que levou as autoridades a fechar os teatros.

Nesse período, apoiado por Henry Wriothesley, prestigiado conde de Southampton, ele escreveu dois poemas narrativos eróticos: Vênus e Adônis, em 1593, e O Rapto de Lucrécia, em 1594, ale´m de 154 sonetos - publicados em 1609, embora já circulassem anteriormente em forma de manuscrito -, que expressavam agitação, frustração, homossexualismo e masoquismo. Essas obras estabeleceram a reputação de Shakespeare como um talentoso e popular poeta da Renascença.

Houve mais sessões especiais para apresentação das peças de Shakespeare nas cortes da rainha Elizabeth I e do rei James I do que para qualquer outro dramaturgo. Certa vez, porém, arriscou-se a perder as boas graças da corte quando, em 1599, sua companhia teatral apresentou "a peça de destituição e assassinato do rei Ricardo II", a pedido de um grupo de conspiradores contra a rainha Elizabeth. No inquérito que se abriu, a companhia foi absolvida de cumplicidade na conspiração.

Por volta de 1608 a produção dramática de Shakespeare diminuiu, e ele começou a passar mais tempo na residência da família em Stratford, onde desfrutava uma vida confortável, embora nunca tenha sido um homem rico.

Shakespeare foi pai de duas filhas. De Judith, a mais nova, não aprovava o namoro com Thomas Quiney, quatro anos mais jovem que ela e dono de uma taberna em Stratford. E não era sem motivo, pois, já comprometido com Judith, Thomas tinha um caso com uma mulher, que morreu ao dar à luz seu filho, na época do casamento com Judith. Shakespeare chegou a alterar seu testamento para que Thomas não pudesse se beneficiar da herança, cuja maior parte ficou para a filha Susanna, que foi quem deu a Shakespeare sua única neta, Elizabeth.

As histórias sobre a morte de Shakespeare não são comprovadas. A mais conhecida delas é a de que ele teria contraído uma febre fatal após um banquete com seus amigos escritores Michel Drayton e Ben Jonson. O registro de seu sepultamento data de 25 de abril de 1616, quando acabara de completar 52 anos.

A obra de Shakespeare é dividida em quatro períodos: o primeiro, até 1594; o segundo, de 1594 a 1600; o terceiro, de 1600 a 1608; e o quarto, após 1608. Ao longo desse tempo o estilo de Shakespeare evoluiu da retórica barroca ao lirismo despojado.

O primeiro período foi caracterizado, até certo ponto, em voga na época o gênero de peça histórica, e Shakespeare escreveu os afrescos Henrique VI entre 1589 e 1592 e Ricardo III entre 1592  1593. também se destacam nesse período as comédias ligeiras A Comédia de Erros, de 1592, A Megera Domada, escrita entre 1593 e 1594, e Os Dois Cavalheiros de Verona, de 1594, além da tragédia Tito Andrônico, de 1593-1594.

No segundo período o estilo e a abordagem de Shakespeare se tornaram altamente individualizados. Foi quando escreveu as peças históricas Ricardo II, Henrique IV e Henrique V, as comédias Sonho de Uma Noite de Verão, em 1595, O Mercador de Veneza, em 1596, Muito Barulho por Nada, em 1598, e As Alegres Comadres de Windsor, em 1600. Desse período são também as tragédias Romeu e Julieta, de 1594-1595, e Júlio César, de 1599.

As tragédias escritas no terceiro período são consideradas as obras de maior profundidade de Shakespeare. Nelas ele usa a linguagem poética como um instrumento extremamente dramático, capaz de registrar o pensamento e as várias dimensões de determinadas situações dramáticas: entre 1601 e 1606 escreveu Hamlet, Otelo, Macbeth e Rei Lear. São também desse período as comédias Tróilo e Créssida, Tudo Está Bem Quando Acaba Bem e Medida por Medida.

O quarto período é o do equilíbrio. Nele destacam-se as principais tragicomédias românticas do escritor: Tímon de Atenas, Cimbelina, Conto de Inverno e A Tempestade.

Nesse período Shakespeare escreveu também as peças históricas Antônio e Cleópatra e Coriolano.

Na opinião de muitos críticos, as tragicomédias significam o auge do amadurecimento de William Shakespeare, embora uma outra linha considere que essa evolução reflete simplesmente as mudanças de estilo no drama daquele período.

A obra dramática de Shakespeare funde uma visão poética e refinada com um forte caráter popular, no qual os assassinatos, as violações, os incestos e as traições são os ingredientes mais leves para o divertimento do público. Além disso, na época de Shakespeare os palcos consistiam em uma plataforma elevada ao redor da qual o público se sentava, como em uma arena. E a utilização dos temas antigos também contribuía para que os personagens de Shakespeare falassem ao coração da platéia.

Já houve cerca de trezentas adaptações das peças de Shakespeare para o cinema, entre elas diferentes versões de Hamlet, Otelo, Romeu e Julieta, Macbeth, Júlio César, Rei Lear e Sonho de Uma Noite de Verão. Até hoje suas peças são representadas nos teatros do mundo inteiro, sempre com muito sucesso.

Shakespeare é sempre atual. Sua mensagem atinge todas as classes sociais, religiões, ideologias políticas e estados da alma. Ele festeja o amor, os manjares, a bebida a música, a amizade, a conversação e a beleza variável e constante da Natureza. O homem que Shakespeare apresenta reflete sua experiência, senso comum e invulgar sabedoria.

Shakespeare sabia manejar a língua com inigualável mestria. A forma como falava de uma coisa fazia com que ela se materializasse. Condensava o Universo em monossílabos: "Ser ou não ser" é a questão mais complexa e profunda que se põe ao homem, traduzida pelas palavras mais curtas e simples. Sabia como tocar a alma humana.

Assim como conduz o homem aos limites da eternidade, Shakespeare remete-o para o comum da Humanidade. Ante o cadáver de Cordélia, o Rei Lear, atormentado pela dor, exclama: "Como é possível que um cão, um cavalo e um rato tenham vida, enquanto tu jazes inerte?". No auge do seu desespero, diz: "Não voltarás mais". E acrescenta:"Nunca mais, nunca mais,  nunca mais, nunca mias, nunca mais!" Em seguida, o dique que represava sua angústia cede com este pedido prosaico:"Por favor, desaperta-me este botão".

Só mesmo William Shakespeare poderia ter ousado empregar conceitos tão díspares em um momento tão dramático. Shakespeare sobrevive porque a seu respeito só se consegue dizer a penúltima palavra - nunca a última. Suas criações são tão opacas como as da própria vida. Seus personagens são imensamente desconcertantes.

Hamlet é dos personagens sobre a qual mais se tem escrito ao longos do séculos. No entanto, a única coisa que se sabe de Hamlet é que sua tragédia é ser Hamlet - como a de todos ser humano é ser o que é. Todas as épocas e todos os homens encontram sua imagem refletida no espelho universal de Shakespeare. Os ecos da sua paixão e da sua poesia ressoam no nosso espírito - e assim será, certamente, ainda por muito tempo.


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