sexta-feira, 31 de maio de 2013

Euclides da Cunha


Euclides da Cunha


CRONOLOGIA

1866 - Nasce Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha, no município de Cantagalo, Rio de Janeiro.
1869 - Morre sua mãe.
1871 - Inicia os estudos em São Fidélis, no Rio de Janeiro.
1877 - Vai morar com os avós paternos, em Salvador, no Bahia.
1883 - Publica seus primeiros artigos no jornal estudantil O Democrata, do Colégio Aquino, do Rio de Janeiro.
188- Cursa o primeiro ano de Engenharia na Escola Politécnica.
1886 - Transfere-se para a Escola Militar da Praia Vermelha.
1888 - Após um incidente com o ministro da Guerra, dá baixa no Exército e muda-se para São Paulo, onde começa a colaborar no jornal A Província de S. Paulo.
1889 - Retorna à Escola Politécnica no Rio.
           Proclama a República, é reintegrado no Exército.
1890 - Casa-se com Ana Sólon Ribeiro.
1891 - Diploma-se em Matemática e em Ciências Físicas e Naturais.
1894 - É enviado para a cidade de Campanha, em Minas Gerais.
1896 - Desliga-se do Exército e passa a trabalhar na Superintendência de Obras de São Paulo.
1897 - Volta a colaborar no jornal O Estado de S. Paulo, antigo A Província de S. Paulo, que o envia a Canudos para cobrir os acontecimentos.
1899 - De volta de Canudos, escreve grande parte do livro Os Sertões em São José do Rio Pardo, SP.
1902 - Em dezembro é publicada a primeira edição de Os Sertões (*).
1903 - Em julho, é publicada a segunda edição de Os Sertões.
            É eleito para a Academia Brasileira de Letras.
            É nomeado membro do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.
1904 - Ocupa o cargo de chefe da Comissão de Saneamento de Santos.
            É nomeado chefe da Comissão de Reconhecimento do Alto Purus.
1905 - Passa todo o ano no Amazonas.
1906 - Trabalha como adido ao gabinete do barão do Rio Branco.
1907 - Publica Contrastes e Confrontos e Peru Versus Bolívia.
1909 - Termina de escrever À Margem da História.
            É nomeado para o cargo de professor de Lógica no Ginásio Nacional.
            Morre em 15 de agosto, assassinado pelo amante de sua mulher.


(*) Os Sertões
Em 1897 o jornal O Estado de S. Paulo enviou o jornalista e engenheiro Euclides da Cunha ao sertão da Bahia para cobrir a rebelião de Canudos, liderada por Antônio Conselheiro. A descrição do que presenciou transformou-se num clássico da literatura brasileira, hoje publicado em onze idiomas em dezenas de países. A obra trata da natureza e da estrutura social do mundo sertanejo nordestino. De estilo bem-elaborado e prolixo, Os Sertões constitui a primeira análise sociológica sobre as populações camponesas carentes do Brasil.


À época do Império, na segunda metade do século XIX, o Brasil vive sérias questões políticas externas, como o rompimento de relações diplomáticas em 1863 com o Reino Unido e a intervenção brasileira no Uruguai em 1864. Um dos efeitos dessa intervenção resultaria no maior conflito armado já ocorrido no continente americano: a Guerra do Paraguai, que duraria cinco anos.

No auge do conflito, em 20 de dezembro de 1866, nasce no município de Cantagalo, então Província do Rio de Janeiro, Euclides Rodrigues Pimenta da Cunha, filho de Manuel Rodrigues Pimenta da Cunha e de Eudóxia Rodrigues Pimenta da Cunha. Euclides e a irmã, Adélia, mal chegam a conhecer a mãe, que morre de tuberculose quando Euclides está com apenas três anos de idade.

Órfão de mãe, Euclides passa a infância e a adolescência na casa de parentes. Primeiro mora com duas tias, em Teresópolis e São Fidélis, onde inicia seus estudos. Depois, antes de se mudar para a casa de um tio que mora no Rio de Janeiro, passa dois anos em Salvador, com os avós paternos.

Ainda jovem, Euclides e alguns colegas fundam o jornal estudantil O Democrata, no qual publica suas primeiras produções literárias. As 84 poesias escritas nessa época trazem a forte influência de Castro Alves, Gonçalves Dias e Fagundes Varela.

Aos dezenove anos, Euclides decide seguir a carreira de engenheiro civil. Contudo, depois de cursar por um ano a Escola Politécnica, forçado talvez por motivos econômicos, transfere-se para a Escola Militar da Praia Vermelha. A revista da escola - A Família Acadêmica - tem nele um assíduo colaborador. Defensor extremado dos ideais republicanos, Euclides envolve-se, em seu primeiro no como militar, num incidente que seria comentado nos jornais antimonarquistas e chega a repercutir até nas tribunas do Senado Federal.

Inconformado com a proibição do diretor de impedir as manifestações dos estudantes no desembarque de Lopes Trovão - republicano que passara um período na Europa pro pressão do governo monárquico -, Euclides sai do alinhamento quando o ministro da Guerra passa a tropa em revista, atira-lhe aos pés o espadim e, diante dos oficiais boquiabertos, grita um viva à República.

Recolhido á enfermaria como insubordinado e afetado das faculdades mentais, seu desligamento dos quadros do Exército por incapacidade física sem maiores consequências, é conseguido graças à intervenção de alguns amigos seus junto ao imperador. Euclides transfere-se para a cidade paulista de Descalvado, onde seu pai é proprietário de uma pequena fazenda. Encontra boa acolhida entre os membros do Partido Republicano Paulista, que lhe franqueiam as páginas do jornal A Província de S. Paulo, para o qual escreve artigos de natureza política, assinando-se Proudhon.

Em 15 de novembro de 1889 o Brasil acorda sob um novo regime de governo. Cai o império, a monarquia já não dirige o destino do país. Um governo provisório é empossado: o marechal Deodoro da Fonseca exerceria o poder até novembro de 1891. Sem conseguir superar os obstáculos iniciais do regime republicano, Deodoro renuncia. É sucedido por seu vice, o também marechal Floriano Peixoto, mas levantes, revoltas e tentativas de golpe vão minando seu governo.

Euclides volta para o Rio de Janeiro e é reintegrado no Exército. Promovido a alferes-aluno, matricula-se na Escola Superior de Guerra, de onde sai em 1892 como primeiro-tenente da arma de artilharia e coadjuvante de ensino teórico na Escola Militar. Em 1893 irrompe a Revolução Federalista; a guerra civil se estenderia até 1895, já no governo de Prudente de Morais, empossado em novembro de 1894. Nessa época já está casado com Ana Sólon Ribeiro, de apenas dezesseis anos, filha do major Frederico Sólon Ribeiro, que fora o encarregado de entregar ao imperador deposto a ordem de abandonar o país no dia seguinte ao da Proclamação da República. A comprovada lealdade ao novo regime, porém, não impede Euclides de protestar, pelas páginas da Gazeta de Notícias, contra a proposta de um senador cearense de executar sumariamente todos os presos políticos recolhidos na ilha das Cobras, e em outros presídios, em represália à colocação de uma bomba, que não chegara a explodir, na escadaria da redação do jornal O Tempo. Entre os presos está seu sogro, então elevado à patente de general.

Em virtude desse protesto, é enviado para a cidade de Campanha como auxiliar da Diretoria de Obras Militares de Minas Gerais. Encarregado da construção de um quartel, recebe dos campanhenses uma inusitada homenagem para um jovem de 28 anos: a inauguração de uma praça com seu nome, em reconhecimento pelos serviços prestados.

Desiludido com a República, cujos ideais, porém, continua a defender, e decidido a abandonar a carreira militar, passa a dedicar a maior parte do tempo ao estudo de problemas brasileiros e de teorias socialistas, pelas quais já vinha se interessando havia algum tempo.

Desligado do Exército em julho de 1896, Euclides é nomeado engenheiro-ajudante de primeira classe na Superintendência de Obras Públicas de São Paulo, a princípio em São Carlos do Pinhal.

Nesse período de transição e consolidação do novo regime, destacam-se os movimentos de cunho político e religioso que levam à Campanha de Canudos, no sertão da Bahia.

Euclides reinicia sua colaboração nos jornais com dois artigos sob o título único de A Nossa Vendéia, publicados em março e julho de 1897 em O Estado de S. Paulo. E é dando vivas à República que Euclides segue rumo a Canudos em agosto desse mesmo ano, como repórter do jornal e como adido ao Estado-Maior do Ministério da Guerra. Contudo, testemunha ocular das atrocidades cometidas, antes mesmo de deixar Canudos já tem em mente o plano de escrever uma obra de ataque às expedições enviadas para massacrar os sertanejos revoltosos.

De volta a seu emprego na Superintendência de Obras Públicas, Euclides logo é transferido de São Carlos do Pinhal para a cidade de São José do Rio Pardo, onde, entre 1898 e 1901, cuida da reconstrução de uma ponte sobre o rio Pardo.

Nesse período conclui a redação do livro que o consagraria como um dos maiores escritores da língua portuguesa, Os Sertões, que viria a ser publicado em dezembro de 1902, quando Euclides já estava residindo em Lorena. Com o sucesso imediato da obra vem consagração nacional, traduzida em sua eleição para a Academia Brasileira de Letras e em sua indicação para sócio-correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro.

Essas distinções, contudo, não resultam em algo mais prático: um trabalho condizente, ao menos, com sua folha de serviços. Nem mesmo o sucesso de seu livro, com duas edições em menos de sete meses, lhe abre novas perspectivas de um emprego estável. Ao contrário, tendo seus vencimentos reduzidos, deixa o cargo na Superintendência de Obras e volta a colaborar na imprensa, como solução provisória para a sobrevivência da família. Provisória também é sua mudança para Guarujá, como chefe da seção da Comissão de Saneamento de Santos. Em 1904, de volta ao Rio, a iniciativa do barão do Rio Branco, ministro das Relações Exteriores, de nomeá-lo para chefiar a Missão de Reconhecimento do Alto Purus faz crer que seu valor começa, afinal, a ser reconhecido. Mas é justamente essa missão - levada a cabo com o escrúpulo e a seriedade com que Euclides se desincumbe de todas as tarefas que lhe são confiadas - que cria a série de circunstância que culminariam com sua morte.

Euclides se ausenta de casa durante mais de um ano: parte para o Amazonas em dezembro de 1904 e permanece lá durante todo o ano de 1905. Ao voltar, no início do 1906, encontra a mulher grávida de alguns meses e sua casa frequentada pelos irmãos Dilermando e Dinorá, amigos de Sólon, seu filho mais velho.

A primeira reação de Euclides ante a situação inesperada é a de fechar os olhos diante da evidência. Registra como seu filho, que morre pouco depois de nascer, não dá importância aos comentários que apontam o jovem Dilermando Cândido de Assis como seu rival e mergulha mais do que nunca nos trabalhos de que o incumbe o Itamarati, como adido sem função fixa ao gabinete de Rio Branco. Sua vontade, revelada mais de uma vez aos amigos, que nada sabem do que se passa, é voltar para o Amazonas, como fiscal das obras da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, ou ir para a Venezuela, a fim de cuidar d demarcação de fronteiras em litígio. Mas esses projetos de fuga não se concretizam. Por insistência do escritor Coelho Neto, Euclides concorda em se inscrever no concurso para professor de Lógica no Ginásio Nacional. Tira o segundo lugar, mas assim mesmo é nomeado para o cargo. Catedrático, dá apenas dez aulas, a última no dia 13 de agosto de 1909. De personalidade contraditória, "misto de celta, de tapuia e grego", como se define em uns versos escritos a um amigo, a resolução de medir forças com um rival vinte anos mais moço, e além disso campeão de tiro, é mais do que um gesto desesperado, capaz de lavar sua honra: é um verdadeiro suicídio. Euclides não se sente mais com forças para viver. Além da situação familiar insustentável, os primeiros sintomas da tuberculose, que já vitimara sua mãe, começam a se manifestar.

Sem forças físicas e emocionais para adotar a linha de conduta otimista que ele próprio transmite em Uma Comédia Histórica - "levar as coisas a rir mesmo quando elas são de fazer-nos chorar" - e decidido a pôr termo a uma situação que já se prolonga por mais de três anos, Euclides cai morto numa troca de tiros com o amante de sua mulher numa casa da Estrada de Santa Cruz, junto à estação da Piedade, subúrbio do Rio de Janeiro, no dia 15 de agosto de 1909, aos 43 anos de idade. O rigor científico, as preocupações humanísticas e a extraordinária habilidade poética são as características mais marcantes na produção literária de Euclides da Cunha. Sua obra-prima, Os Sertões, não é um frio relatório ou um conjunto de artigos jornalísticos neutros, mas a denúncia apaixonada da miséria e do isolamento da população do sertão nordestino e da ignorância, descaso e desumanidade com o que o governo central tratou o levante popular de Canudos.

Traduzido para mais de dez idiomas, Os Sertões assegurou ao seu autor projeção mundial e o reconhecimento como um dos grandes clássicos da literatura brasileira.

Leia mais sobre Euclides da Cunha na postagem Caravanas Euclidianas: Euclides da Cunha - Os Sertões - O Enigma dos Sertões, feita aqui no Blog "Nós Todos Lemos".


sexta-feira, 24 de maio de 2013

Sobressalto - Kenneth Cook


Sobressalto - Kenneth Cook
"um homem sentia que tinha que ou beber ou explodir seus miolos"
(ainda não tinha passado por sua cabeça que escolher o primeiro não evitaria o segundo)


Sobressalto, Kenneth Cook, tradução Maria Alice Stock. - São Paulo : Grua Livros, 2010.
 
Simplesmente surpreendente o livro Sobressalto, de Kenneth Cook, que adquiri após a dica de um caro leitor do Blog.
Leitura de um só fôlego, de adentrar madrugada com os olhos pregados nas páginas ávidos por acompanhar o rumo que leva o personagem principal, o jovem professor John Grant, em sua trajetória pelo semi-deserto australiano, naqueles cinco dias em que estivera em um pesadelo em vida.
A narrativa envolvente, econômica em palavras e um excelente poder de visualização, acompanha a trajetória desse professor  que parte rumo a seis semanas de férias em Sidney, onde pretende encontrar Robyn, uma mulher que imunda seus sonhos, após período escolar na minúscula Tibonga, passando por Bundanyabba, uma pequena cidade mineradora onde ocorre o todo o desfecho do romance.
Como em um pesadelo, após experimentar o jogo, Grant passa dias, sem o desejar, em companhia de sujeitos que não conhece, caçando cangurus, curando uma ressaca com outra, onde a cerveja é sempre servida gelada, em detrimento de água, bem escassa, que já não se recorda existir após ultrapassar o limite do seu senso moral. Assim vê surgir um Grant rude, que vivencia um mundo rude e selvagem esmagado pelo calor e encharcado de suor, poeira e cerveja, um mundo em que as pessoas têm jeitos de viver que lhe são complemente estranhos:
 
"Traço peculiar esse das pessoas do oeste, pensou Grant, eu você pudesse dormir com suas esposas, espoliar suas filhas, aproveitar-se deles, defrauda-los, fazer quase qualquer coisa que significaria no mínimo ostracismo na sociedade normal, e eles nem pareceriam notar. Mas recuse-se a beber com eles e você de imediatamente se torna um inimigo mortal. Que diabos...".
 
O romance foi publicado pela primeira vez em 1961 quando Kenneth Cook tinha trinta e dois anos. Era seu segundo romance e um sucesso editorial, publicado na Inglaterra e nos Estados Unidos, traduzido para várias línguas, e adotado como leitura obrigatória nas escolas. Após quatro décadas de sua publicação o livro retém seu frescor, sua narrativa ainda envolve, e sua visão sombria ainda inquieta.

Kenneth Cook nasceu em Sidney, em 1929, e morreu em 1987. Escreveu 21 livros, vários roteiros e também trabalhou como diretor de cinema. De sua estada como jornalista em Broken Hill, pequena cidade no coração outback, o deserto australiano, vieram as observações que deram origem a Sobressalto, seu mais famoso livro, ou Ware in Fright. Chegou às telas em 1971, em um filme que ficou mundialmente conhecido pelo nome de Outback.
 

terça-feira, 14 de maio de 2013

1. Concerto de Orquestra de Macaé 2013



Nunca é tarde para anunciar que ocorreu nos dias 19 e 20 de Maio do corrente ano, o  Encontro de Orquestras de Macaé, realizado ao ar livre, no Parque da Cidade, na cidade de Macaé, a Princesinha do Atlântico.

O grande espetáculo  reuniu a Orquestra Tabajara, criada há 79 anos em João Pessoa, capital da Paraíba, considerada patrimônio da música brasileira como a mais antiga orquestra em atividade no mundo, segundo o Guinness Book (o Livro dos Recordes). Outras atrações: a Cia. Filarmônica com o espetáculo The Beatles Song, interpretando clássicos dos Beatles; a Sanfônica de São Paulo, com um grupo de sanfoneiros que fez um concerto em homenagem aos cem anos de Luiz Gonzaga; a Rio Renascence Consort, que faz ressurgir a magia das danças e canções que encantaram príncipes, reis e rainhas.


O evento contou com a Rio Camerata, cujo repertório abrange mais de quatro séculos de música, do Barroco aos nossos dias; e a Banda Sinfônica Nova Aurora, parte da Sociedade Municipal Nova Aurora, fundada em Macaé, em 1873, e que mantém a tradição das bandas de música da cidade.

O público foi brindado com muita música clássica ou erudita, porém, associada às diversas formas e tipos de sons feitos por diferentes formações orquestrais, desmitificando o conceito de que a música orquestral instrumental é feita somente para grupos sociais elitizados.

O Primeiro Encontro de Orquestras de Macaé foi efetivamente um local de encontro de gerações, com público diversificado a apreciar e celebrar os 'bons tempos' musicais.


sexta-feira, 3 de maio de 2013

terça-feira, 16 de abril de 2013

Charles Dickens

Charles Dickens

"Minha prece de moribundo foi que os homens possam pelo menos aproximar-se mais uns dos outros do que quando eu, pobre-coitado, estive entre eles".
(Charles Dickens)


sábado, 23 de fevereiro de 2013

Semente de Luz - Carla Guedes



Semente de Luz

Sempre que houver escuridão ao seu redor
É preciso crescer
Sair de si, expandir, verdejar:
Abrir os  braços pra luz!

Quando os espinhos sufocam o sonho,
Seu impulso pro bem
Lembra que a força, o adubo é a fé
Regada no coração

Semente, se faz da terra o casulo
Desperta, vem germinar!
Somente se faz da vida um tesouro
Descobre que é muito mais... que

Semente, se faz da terra o casulo

Desperta, vem germinar!
Somente se faz da vida um tesouro
Descobre que é muito mais...

Que semente, és flores, e broto
És fruto, divino presente
A brotar!

(Carla Guedes - XXXIV COMEERJ - Polo XIX)

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Tolstói



Dada a largada para o trabalho braçal, conforme mencionado na postagem Grandes Autores - Biografias, de edição da vida e obra de grandes autores clássicos. Tenho a alegria de iniciar pelo grande Tolstói.

1828 - Em 28 de agosto nasce Leon Tolstói, em Iásnai Poliana, província de Tula.
1837 - Morre o pai de Tolstói.
1841 - Muda-se para Kazan.
1844 - Estuda letras orientais na Universidade de Kazan.
1845 - Transfere-se para a faculdade de direito.
1847 - Volta a Iásnai Poliana.
1848 - Viaja a Moscou.
1849 - Instala-se em São Petersburgo e retorna o curso de direito.
1851 - Parte para o Cáucaso.
1853 - Combate em Sebastópol.
1855 - Publica Relatos de Sebastópol. Volta a São Peterburgo.
1859 - Funda uma escola em Iásnaia Poliana.
1862 - Casa-se com Sófia Andriéievna Bers.
1863 - Fecha a escola. Publica Os Cossacos. Começa a escrever Guerra e Paz.
1865 - Inicia a publicação dos primeiros capítulos de Guerra e Paz no Mensageiro Russo.
1869 - Conclui Guerra e Paz.
1875/1877 - Publicação de Ana Karênina (*) no jornal Mensageiro Russo.
1880 - Publica Confissão.
1886 - Publica A Morte de Ivan Ilitch.
1889 - Publica Sonata a Kreutzer.
1891 - Organiza a ajuda aos flagelados da seca.
1899 - Publica Ressurreição.
1901 - É excomungado pela Igreja Ortodoxa.
1904 - Explode a guerra russo-japonesa.
1905 - Ocorrem levantes populares na Rússia.
1910 - Em 28 de outubro Tolstói foge de casa. Morre em 7 de novembro na aldeia de Astápavo. É sepultado dois dias depois no bosque de Stári Zakas, em Iásnaia Poliana.

(*) Ana Karênina
Uma das melhores obras de Tolstói, o romance Ana Karênina narra a história do amor controvertido e difícil vivido pela protagonista Ana na Rússia czarista. Ela é uma mulher casada que vai atrás de seu amante Vronski mas, arrebatada por uma paixão proibida, resvala cada vez mais para um abismo de mentiras e destruição. Tolstói questiona o significado da vida e da justiça social tendo como pano de fundo as crises familiares. É o maior romance do adultério na literatura universal.


Faz mais de meio ano que ingleses e franceses investem, sem trégua, contra Sebastópol. A cidade sitiada não se rende. Seu drama diário inspira os jornais da Rússia, penetra nos salões da nobreza, faz chorar o povo simples.

Instalada em seu palácio, Maria Alexándrovna ouve as notícias e se comove. Porém nunca lhe viera aos olhos uma lágrima pela sorte de Sebastópol. Até que um dia caem-lhe nas mãos três histórias de luta - três pequenos contos de um soldado desconhecido; pela primeira vez, desde o começo da guerra, a czarina abandona-se em um longo pranto. Leon Tostói. O nome não lhe é totalmente estranho Lembra-se de tê-lo ouvido ligado a uma família de aristocratas, mas não tem certeza. Põe, então, os secretários da corte à procura de mais dados.

Tolstói, pai, morrera em 1837. Viúvo, deixara cinco filhos: Dmítri, Sérgio, Nicolau, Maria e Leon, este nascido em agosto de 1828. Tia Alieksandra Osten-Sacken incumbira-se de cuidar das crianças.
Nesse tempo é moda entre os nobres estudar com professores estrangeiros. Não fica bem um aristocrata expressar-se em russo como qualquer camponês, e Alieksandra contrata um preceptor alemão para os sobrinhos.

Quatro anos dura o encargo de tia Alieksandra, na cidade de Iásnaia Poliana. Em 1841 ela morre, e os meninos são entregues aos cuidados de outra irmã de seu pai, Pielagueia, de rígidos princípios morais. Assim que põe os olhos em Leon, decide fazer dele um militar; como alternativa, pode ser diplomata. Em 1844, aos dezesseis anos, Leion vê-se estudando línguas orientais na Universidade de Kazan. Mas revela-se uma decepção para Pielagueia: nem se porta de acordo com o manua de boas maneiras da aristocracia nem se distingue nos estudos. Transfere-se então para o curso de direito, mas é reprovado nos primeiros exames. Desiludido com a escola e cansado de ouvir as recriminações da tia, retorna a Iásnai Poliana em 1847. Porém o tempo que fica naquele lugar desolado é pouco. Meses depois vai para Moscou. Essa cidade, contudo, também parece não ter muito a lhe oferecer. Em 1849, aos 21 anos, parte para São Petersburgo, e aí retoma o curso de direito. Não se distingue como aluno, e sim como farrista de primeira e namorador incorrigível. Instável, nem as noites nem as mulheres conseguem retê-lo. Meses mais tarde volta a Iásnaia Poliana. Começa a ler a Bíblia e as obras de Jean-Jacques-Rousseau. Ao terminar as leituras, sente-se ainda mais inquieto.

Seu irmão Nicolau acaba de voltar do Cáucaso, onde estivera em combate. Os relatos de suas aventuras despertam em Leon o desejo de partir para a luta. Em 1981 está no Cáucaso, combatendo com bravura. Encorajado pelos elogios e encantado com a vida militar, presta exame em janeiro de 1852 para ingressar no Exército e é admitido. Ao mesmo tempo publica os capítulos de A História da Minha Infância, em relato autobiográfico de sua meninice, na revista O Contemporâneo, de São Petersburgo.

Dois anos depois explode a Guerra da Criméia, conflito que opôs França, Inglaterra, Turqui e o Piemonte à Rússia. Toltói é designado para lutar em Sebastópol, onde compõe os contos que tanto comoveriam a rainha Maria Alexándrovna.

Volta a São Petersburgo depois do final da guerra e é recebido como herói. O tempo que fica ali é pouco. Em 1857 parte para o exterior - Alemanha, França, Itália, Suíça. Dois anos depois, volta a Iásnaia Poliana carregado de livros e de idéias formigando na cabeça. Sente urgência em fazer algo pela Rússia, e acha que deve começar pelos que lhe estão mais próximos: os servos. Preocupa-se com o analfabetismo, e em 1859, aos 31 anos, funda em sua propriedade uma escola para crianças e adultos. Como lhe falta conhecimento de pedagogia, vai para Dresden estudar. Antes de reiniciar suas atividades de professor, detém-se em Hyères, sul da França, onde seu irmão Nicolau tenta curar-se de uma enfermidade pulmonar. Ao lado dele começa a escrever Os Cossacos (1863), reminiscência de sua estada no Cáucaso.

Apesar dos cuidados médicos, Nicolau sucumbe à doença, o que abala Leon profundamente. Em vez de voltar à Rússia, reúne-se ao amigo Alexandre Herzen em Londres, e é aí que festeja a emancipação dos servos decretada por Alexandre II. É uma grande vistória dos ocidentalistas, que combatem o isolamento da Rússia, a monarquia e a servidão e lutam por uma aproximação cada vez maior com o Ocidente.

Leon, um ocidentalista convicto, volta a Iásnaia Poliana, aos 34 anos, e póe-se à disposição do governo. Trabalha como juiz de paz da província, com o encargo de contornar possíveis problemas entre proprietários e antigos servos, quando se surpreende a contemplar Sófia Andriêievna com um novo olhar. Conhece-a desde criança, mas agora, aos dezessete anos, ela lhe parece adorável. O escritor tem o dobro da idade da jovem, mas isso não chega a ser obstáculo, e o casamento realiza-se em setembro de 1862.

A felicidade de Tolstói seria completa se ele não tivesse de fechar a escola em 1863 e suspender a publicação que havia fundado logo depois do casamento.

As dificuldades financeiras levam Tolstói a encarar a literatura como um meio de vida. Quer escrever algo grandioso, e a resistência às invasões napoleônicas do início do século dezenove são pano de fundo para o romance Guerra e Paz, que começa a ser escrito em 1863 e só é concluído em 1869. Os primeiros capítulos começam a ser impressos em 1865 no Mensageiro Russo.

À medida que a narrativa evolui, o entusiasmo dos leitores aumenta.

Guerra e Paz propicia-lhe os lucros pretendidos, e dessa forma consegue reabrir a escola de Iásnaia Poliana, tempo para ler Goethe, Cervantes e Dickens e estudar grego para conhecer Ilíada no original.

É 1875. Numa pequena aldeia perto de Iásnaia Poliana nada acontece que consiga sacudir o marasmo daquela gente. Todo o divertimento é reunir-se na estação, uma vez ou outra, e ver passar o trem, que raramente deixa algum passageiro. Um dia corre sangue sobre os trilhos. A aldeia se agita. Uma mulher, sobrinha e amente de um homem poderoso da aldeia de Iássienki, desesperada com sua vida amorosa, joga-se  à linha do trem. Tolstói parte imediatamente para a vila, quer ver o cadáver. Decide investigar as razões que teriam levado a mulher ao suicídio. Há tempo pretende escrever a história de uma dama da alta sociedade russa envolvida numa trama de paixões e decadência. O suicídio da mulher fornece-lhe o desfecho para seu romance e o perfil para a protagonista. E Ana Karênina ganha vida.

Publicado de 185 a 1877 no jornal Mensageiro Russo, Ana Karênina agrada intensamente ao público e provoca variadas reações entre os críticos. Dentre os grandes romancistas russos, o único a aplaudir irrestritamente o livro é Dostoiévski.

Críticas e elogios deixam o autor indiferente. Suas preocupações haviam ultrapassado os limites da arte para concentrarem-se em problemas morais e religiosos. A pergunta sobre o sentido da vida repete-se em seu cérebro com insistência cada vez maior. Não pode continuar adiando a procura da resposta. Busca-a na religião ortodoxa, convive em mosteiros com monge, estuda os evangelhos: nenhuma explicação o satisfaz.

Em 1886, aos 58 anos, por insistência da mulher e dos admiradores, temerosos de que ele abandone a literatura, Tolstói abre um parênteses em suas investigações religiosas para escrever A Morte de Ivan Ilitch. O herói é um funcionário bem-sucedido, casado com uma boa moça e que vive como todos esperam que viva. Um dia sofre um acidente, os médicos não conseguem curá-lo, o homem definha lentamente. Todos se afastam dele, exceto um pobre servo que o assiste na agonia. Ivan Ilitch, em meio ao sofrimento, percebe a falsidade de sua vida e deseja libertar-se dos seus enganos antes de morrer. confusamente, descobre na caridade a verdadeira chave da salvação.

A conclusão à qual chega o personagem é aplicada na prática pelo autor, em 1891. O verão fora rigoroso, os campos russos estavam secos, os lavradores, desesperados. O governo veta qualquer iniciativa particular de ajuda aos flagelados. Tolstói, ignorando a proibição, organiza postos de serviço, recolhe fundos, faz campanhas por meio de artigos veementes. Contudo, nem sempre o romancista vive de acordo com as idéias que professa. Em Sonara a Kreutzer, publicado em 1889, por exemplo, prega a abstinência sexual entre os casais. No mesmo ano da publlicação nasce-lhe o décimo terceiro filho; aconselha o desapego dos bens materiais, mas a mulher e os filhos não lhe permitem vender as propriedades; deseja viver como mendigo e tenta uma experiência desse tipo, mas logo o reconhecem e o excluem do convívio com os pobres.

A atitude de Nicolau II fornece-lhe a oportunidade de praticar seus ideais. O povo anda insatisfeito com o czar; alguns desejam partir para a América, mas nem todos têm recursos suficientes para isso. Tolstói, então, volta à literatura com o objetivo de angariar fundos para a emigração dos insatisfeitos. Publica, em 1899, aos 71 anos de idade, Ressurreição, a história de uma camponesa que, seduzida e, depois, abandonada pelo filho da patroa, torna-se prostituta.

A Igreja Ortodoxa russa vem seguindo atentamente a evolução do tolstoísmo e não vê com bons olhos as pregações do mestre. Ressurreição parece ter sido a gota decisiva que provoca o rompimento com o escritor. Em 1901 Tolstói é excomungado. O país inteiro protesta. Mas o romancista limita-se a reafirmar seu próprio credo. Achara, enfim, respostas para suas dúvidas. Agora só o preocupa a saúde debilitada. No verão desse mesmo ano parte para a Criméia, a conselho médico. Acompanha a declaração de guerra entre Rússia e Japão a distância. Com a derrota, a Rússia perde a ilha de Sacalina, milhares de soldados e qualquer pretensão sobre a posse da Coréia. O descontentamento popular explode no ano seguinte, nos episódios do "Domingo Sangrento", de Moscou, quando mil operários são mortos pela guarda czarista, e na revolta do couraçado Potemkin.

Cansado e enfermo, aos oitenta anos Tolstói redige um artigo vibrante de indignação, que a censura imperial veta. Não Posso Calar, contudo, sai impresso em jornais estrangeiros, despertando a consciência da Europa para os problemas russos.

Apesar da severa vigilância, o artigo circula na Rússia de maneira clandestina. A polícia nada pode fazer contra Tolstói - velho e amado -, mas sai à caça dos que participam da veiculação do escrito e prende quantos pode.

Rebeliões, matanças, enfermidades, disputas - os últimos anos de Tolstói transcorrem dolorosos. Sófia começa a atormentá-lo para morar na corte. Pressiona-o de tal modo que em outubro de 1910 o escritor foge de casa. Conforme declara, deseja "viver em solidão e recolhimento os últimos dias da minha existência". Pressentindo que não seriam muitos esses dias, leva consigo Alieksandra, a filha mais querida, e o médico Pietróvitch, um velho amigo. Pretende tomar o rumo do sul, mas o corpo cansado não consegue ultrapassar a aldeia de Astápovo.

A notícia da fuga espalha-se rapidamente. A pequena vila inunda-se de discípulos, admiradores, fotógrafos, cinegrafistas. O escritor permanece encerrado em seu quarto, esperando mansamente a morte.Na manhã de 7 de novembro a espera acaba. Dois dias depois Tolstói é enterrado no bosque onde brincara na infância, em Iásnaia Poliana.

Ninguém lhe constrói monumentos nem lhe grava lápides. Seu túmulo é uma elevação de terra, coberta de grama. Leon Tolstói não desejara mais que isso.

Mais sobre o autor em cinema falado, com o filme "A última Estação".


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Entrevista: Janaína de Souza Roberto


O objetivo desta postagem entitulada 'entrevista' é mostrar o perfil do leitor brasileiro, tão diversificado. Assim, em poucas letras, ou seria em suas letras, Nina responde:

Nome: Janaína de Souza Roberto.

Idade: 23 anos.

Formação Acadêmica: Graduação em Letras.

Livro que esteja lendo: Quando me conheci, de Jorge Bucay.

Livro que indica: Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Johann Wolfgang von Goethe.

Autor preferido: Caio Fernando Abreu.

Janaína possui um blog: Nina e Suas Letras

Obrigada Janaína!

domingo, 27 de janeiro de 2013

Grandes Autores - vida e obra



Leitores deste Blog Nós Todos Lemos tem aqui chegado em busca de mais dados sobre grandes autores. 


Toda informação requer critério e o utilizado aqui será de autores clássicos.

A fonte de referência e ponto de partida será a Coleção Obras-Primas, publicada a mais de uma década aproximadamente, nas bancas de todo o Brasil.


Serão divulgadas as biografias (vida e obra) dos seguintes autores:

domingo, 30 de dezembro de 2012

Sinclair Lewis - Babbitt


"...escrever é tentar escapar de alguma coisa."
(Sinclair Lewis)

Babbitt / Sinclair Lewis, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, pela primeira vez concedido a um autor americano em 12 de dezembro de 1930, data que recebe o prêmio, pronuncia o importante discurso "O Medo Americano da Literatura", atacando as tradições aristocráticas e o academicismo dos críticos americanos.

Contos da América do Sul

Contos da América do Sul / (tradução Thereza Christina F. Stummer]. - São Paulo : Paulus, 1995. - (lendas e contos)

Na mitologia maia, depois que Tezcatlipoca - deus da escuridão - enganou a todos e começou a destruir a criação de Quetzalcoatl - deus da luz - , este envelheceu repetidamente e viu-se obrigado a sair em busca de sua juventude perdida.
Somente reencontrando a juventude é que o deus da luz poderia lutar de igual para igual com Tezcatlipoca. Para tanto, Quetzalcoatl assumiu a forma de serpente emplumada e alçou vôo à procura de sua juventude.
Acompanhemos a serpente emplumada nessa viagem, buscando com ela reencontrar a juventude.

Nesta edição:
Os quatro sóis (Maia - Asteca)
O quinto sol (Asteca)
Os homens (Maia)
A viagem à terra de Anahuac (Asteca)
A partida da serpente emplumada (Tolteca - Maia)
Popocatepetl e Ixtla (Asteca)
O grande dilúvio (Huitchol - Iaghan)
Como a esperteza chegou a Anansi (Jamaica)
O casamento da aranha (Jamaica)
Como Anansi tornou a ficar rico e qual foi o seu castigo (Jamaica)
Anansi e a Morte (Jamaica)
O bicho preguiça e a chuva (Panamá)
Como o gambá adquiriu o seu cheiro nauseante (Haiti)
Como o tatu queria se defender (Popoloko)
O Cruzeiro do Sul e a Flor-de-Prata-sobre-a-Água (Kuna-Guarani)
Os dois irmãos (Tolipang)
As serpentes que roubaram a noite (Mundurucu)
Por que a onça faz barulho à noite (Rio Branco)
Como os cipós cresceram na floresta virgem (Guaraju)
A tartaruga que era mais forte do que todo mundo (Tolipang - Tupi)
(continua)


Contos Chineses


Contos Chineses / coordenação editorial Paulo Bazaglia; tradução Thereza Christina F. Stummer; desenho e capa Soares. - São Paulo: Paulus, 1996. (Lendas e contos).

sábado, 29 de dezembro de 2012

Os Contos de Grimm


Os contos de Grimm / Ilustrações:Janusz Grabianski; tradução do alemão Tatiana Belinky - São Paulo: Paulus, 1989.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Contos de Perrault


Contos de Perrault / Charles Perrault; tradução: Maria Stela Gonçalves - São Paulo: Paulus, 2005


Charles Perrault, escritor, médico e advogado, viveu entre os anos 1628 e 1703. Sua obra Contos da mamãe gansa (1697) inaugurou o gênero literário "Contos de Fada" divulgando histórias tradicionais e outras que integravam o folclore europeu usando uma linguagem simples.
Perrault foi denominado "Homero burguês", pela propriedade com que retratou a sociedade de sua época, a partir da metamorfose de certos símbolos dos contos populares Seu trabalho consistiu em transformar os monstros e animais - aos quais os camponeses atribuíram poderes mágicos - em fadas. Utiliza o confronto dualista entre bons e maus, belos e feios, fracos e fortes, como exercício de crítica à corte. Não raramente, os personagens que representam as classes discriminadas se tornam superiores à nobreza pela inteligência.

Nesta Edição:

Os amores da régua e do compasso e os do Sol e da sombra
Anticontos à margem da Eneida
Os muros de Tróia
Contos e poemas Carta ao senhor Abade D´Aubignac
Diálogo do amor e da amizade
O espelho ou A metamorfose do orante
O corvo curvado pela cegonha ou O ingrato perfeito
O labirinto de Versalhes
A pintura
Crítica da ópera
Crítica da ópera ou Exame da tragédia intitulada ALCESTE, ou O triunfo de ALCIDES
O Banquete dos deuses pelo nascimento do senhor Duque de Borgonha
Júpiter
As gêmeas ou Metamorfose das nádegas de íris em astro
O holandês robusto
Metamorfose de um pastor em carneiro
Contos em versos
Grisélida
Pele de Asno
Os desejos ridículos
Histórias ou contos do tempo passado
A bela adormecida no bosque
Chapeuzinho vermelho
O barba azul
O mestre gato ou O gato de botas
As fadas
A gata borralheira ou O sapatinho de cristal
Ricardo do topete
O pequeno polegar
Tradução das fábulas de Faerne
Contos piedosos
O caniço do novo mundo ou A cana-de-açúcar

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Fábulas de Esopo


Fábulas de Esopo / adaptação de Regina Drummond; [desenhos e capa Soares]. - São Paulo: Paulus, 1996.

Fábulas de Esopo é um livro para todas as gerações. Se as fábulas são importantes para o imaginário infantil como pregam a teorias psicológicas modernas, não importa, ouvir ou contar uma fábula faz muito bem para quem participa deste prazeroso momento.

Esopo nasceu na Grécia, mais de 500 anos antes de Cristo. Era um escravo muito inteligente, que vivia salvando seu senhor de situações difíceis.
Contam que, certa vez, seu senhor garantiu a um amigo que seria capa de beber toda a água do mar. O amigo riu e debochou dele, e os dois acabaram apostando uma quantia fabulosa de dinheiro.
É claro qe o senhor estava bêbado! E, na manhã seguinte, ficou apavorado com o que fizera.
- Estou falido! - chorava. - Sou um homem pobre, agora! Como vou beber toda a água do mar?!
Esopo procurou consolá-lo:
- Calma, snehor! Tive uma idéia! Marque dia, hora, local. Sei como resolver o assunto.
Veio gente de longe para assistir à façanha. Juntaram-se na prais combinada, onde ficaram esperando, enquanto conversaram e riam. O senhor, apesar de já ter sido salvo em outras ocasiões pelo escravo, estava muito nervoso:
- É demais! Não vamos conseguir! Os deuses devem estar loucos!!! Primeiro eu, um homem sensato, aposto toda a minha fortuna numa bobagem; agora, vem você e me convence de que sou capaz de fazê-la!...
- Calma, senhor: vai dar tudo certo...
Na hora marcada, Esopo deu o sinal:
- Pode começar a beber!
E o senhor bebeu, bebeu e bebeu, mas não fez a menor diferença no volume da água do amr.
Foi então que Esopo exclamou!
- Ei esperem! Ele nunca conseguirá, porque o mar é alimentado por muitos rios. Vocês precisam, primeiro, secar as fontes que dão origem a estes rios.
E, pegando um copo aberto na lateral, ofereceu-o ao amigo com quem seu senhor apostara, dizendo:
- Beba.
Enquanto ele bebia, Esopo pegou uma ânfora cheia de água e começou a despejar no copo, devagar. Quanto mais ele bebia, mais água descia...
- Assim não vale! - protestou o outro. - Eu nunca vou conseguir!
- Entendeu, agora? Se vocês não secarem as fontes, meu amo jamais conseguirá beber a água do mar, já que à medida que ele vai bebendo, os rios vão despejando mais água... - E concluiu, categórico: - Sequem as fontes ou a aposta está desfeita!
Como ninguém conseguiu secar as fontes, o senhor também não precisou beber o que prometera.
Grato, ele concedeu a liberdade ao escravo.
Feliz, passou o resto da vida viajando por terra exóticas e distantes, e escrevendo as histórias que o tornaram famoso.
Nessas histórias ele apresenta, pela primeira vez, animais como personagens, e, através deles, elogia as virtudes e critica os defeitos humanos.
A este gênero criado por Esopo chamamos "fábula".

O livro Fábulas de Esopo apresenta as seguintes fábulas: 
A galinha dos ovos de ouro
O lobo e o cordeiro
O lobo e o burro coxo
A roa e a sempre-viva
A cigarra e a formiga
A raposa gulosa
As idades do homem
O leão e o ratinho
Um convidado para o jantar
A lebre e a tartaruga
O macaco e o golfinho
Uma disputa interessante
O deus Hemes e o lenhador
A águia e o escaravelho
A velhinha e o médico
Os dois burros de carga
Dois viajantes e um urso
A vaidade
Gedeão e Siringe
O contador de vantagens
Um rei para as rãs
As raposas da margem do rio

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Guy de Maupassant - Uma vida


"A vida não é tão boa nem tão má como as pessoas julgam"


Uma Vida - Guy de Maupassant - Tradução Roberto Domênico Proença, uma escolha perfeita para retornar aos clássicos.

Guy de Maupassant tem uma linguagem simples, envolvente, construindo um perfil psicológico para seus personagens que apesar do estilo detalhista, esmiuçando a rotina dos mesmos, faz a construção de um tempo histórico bem detalhado, sem chegar a cansar a narrativa que transcorre de forma extraordiária.

O autor inicia o romance relatando a bela história de vida de Jeanne, história de tantas mulheres, ocorrida no final do século XIX. Guy de Maupassant deixa claro suas preferências naturalistas no início do livro citando Rousseau, e assim vai traçando sua exaltação à natureza em todo o transcurso do livro, com belas passagens como presente ao leitor, e transcorrendo a história sem deixar de nos lembrar da máxima (o homem é bom, a sociedade o corrompe).

Assim Jeanne, filha única do nobre barão Simon-Jacqes Le Perthius des Vauds, recém saída de um convento sentindo-se livre como a natureza: "Jeanne, que no dia anterior havia saído do convento, livre para sempre e propensa a usufruir todos os prazeres da vida com que vinha sonhando fazia muito tempo, ..." vê sua vida muda radicalmente em pouquíssimo tempo. Já casada vê seu mundo desmoronar. Seu amor, seus sonhos de juventude desde a noite de nupcia mal processada, verdadeira surpresa à cara jovem, a fazem viver em um estado de letargia de vida, mantendo as convenções sociais em um casamento de aparência após presenciar seu marido e a ama engravidada juntos. Por orientação do pároco amigo da família, nossa cara volta-se ao lar por cumprir seu papel social, apegada apenas ao filho que espera.

O forte papel que a igreja exercia na vida das pessoas, seja camponeses ou nobres é retratado no livro, através do relacionamento com a igreja, percorrido no livro por todo o trajeto da vida da personagem. As máscaras sociais vão sendo rompidas e clareando nossa personagem da realidade do mundo. Bela passagem quando Jeanne descobre no dia do enterro da mãe que ela também tivera um amante em vida, afastando a personagem cada vez mais da naturalidade no relacionamento afetivo homem x mulher que a mesma somente vê possível quanto ao ato de procriar o que reforça a teoria religiosa para sua confusa vida.

Assim sem estrutura psicológica, cria seu filho sem limites se transformando em um jogador que arruinará sua fortuna e dias de ventura. Mas a vida dá voltas e surpresas são reservadas à cara protagonista recebendo amparo na conturbada velhice e novas perspectivas através da vida que se renova sempre.

Guy de Maupassant - Com a Revolução Industrial, ocorrida na Europa ocidental em meados do século XIX, novas oportunidades para a força de trabalho na França foram criadas. os camponeses trocaram as aldeias e vilarejos por cidades maiores, onde se tornaram parte da chamada "pequena-burguesia", caracterizada por um poder aquisitivo maior e pelo interesse na educação e na cultura. Curiosamente, com a abolição da monarquia e o estabelecimento da República, em 1870, na França, a consciência das diferenças de classes sociais aumentou. No novo Estado, o dinheiro exercia maior influência do que a posição social herdada. A burguesia rica, portanto, passou a ser considerada a aristocracia.
Outra consequência significativa desse período de transformação da humanidade ocorreu no modo de trabalho dos artesãos, que se viram forçados a trocar seus ofícios pelo trabalho monótono porém mais produtivo nas grandes fábricas.
Foi nessa época, em 5 de agosto de 1850, que nasceu em Tourville-sur-Arques, no Sena Marítimo, região no noroeste da França, Henry-René-Albert-Guy de Maupassant, filho de Gustave Maupassant e de Laure Le Poittevin, que descendia de uma família da alta burguesia normanda.
Embora seus pais fossem abastados, Guy teve uma infância infeliz, marcada pelas constantes desavenças e discussões entre os pais - Gustave era um homem dissoluto e violento, e Laure uma mulher prepotente e neurótica. Os pais se separaram em 1862, quando Guy estava com onze anos, e ele e o irmão, Hervé, seis anos mais novo, foram criados pela mãe dominadora, no Castelo de Miromesnil, na Normanda. Vivendo entre o mar e o campo, Guy cresceu amando a natureza e as atividades ao ar livre.
Os personagens de Guy de Maupassant geralmente são vítimas infelizes da ganância, do desejo ou do orgulho. Suas obras mostram o realismo da crueldade entre os seres humanos, bem como as dificuldades de relacionamento familiar e as ironias da vida. Com relação às mulheres ele era particularmente impiedoso. Raramente um personagem feminino é digno de admiração. Ao contrário de Zola, a obra de Maupassant não pretende ter alguma fundamentação teórica ou filosófica. Ele se limita a anlaisar a superfície dos fatos exteriores, e o que resulta dessa análise, por trás da ironia, é uma profunda amargura com a obstinação, a avareza e a estupidez de seus personagens. Por outro lado, suas obras são quase todas pessimistas; mesmo em suas páginas mais sensuais há um clima de grande melancolia.
Guy de Maupassant influenciaria grandes mestres do conto, entre as quais William Somerset Maugham e O. Henry.
Seu estilo de vida dissoluto e o excesso de trabalho e esforço mental contribuiram para enfraquecer sua saúde. Aos 37 anos teve complicações por sífilis, doença congênita de que ele e seu irmão eram vítimas e que levaria Hervé à morte em 1889. Passou a ter recorrentes problemas de visão, e suas faculdades mentais começaram a falhar aos quarenta anos, levando-o à demência.
Os críticos acompanharam a evolução da doença mental de Maupassant através de suas histórias semi-auto-biográficas, com temas pesicológicos, algumas das quais podem ser comparadas às visões sobrenaturais de Edgar Allan Poe
Em toda sua obra Maupassant permaneceu fiel ao ideal de simplicidade e clareza, traduzido por um linguagem límpida e segura. Seus contos, envolvido pela atmosfera de pessimismo, paixões, infelicidade e sensualidade, revelam uma grande paixão pela humanidade. A passagem para o romance obrigou-o a depurar e a aprofundar o perfil psicológico de seus personagens, a fim de construir o que denominou "os capítulos do sentimento". Entre seus trabalhos - a maioria deles inspirados em sua experiência pessoal de vida, suas observações de infância e adolescência, sua vida de burocrata e os longos passeios de barco a remo pelo Sena - destacam-se os contos de Mademoiselle Fifi (1882), Clair de Lune (1884), Contos do Dia e da Noite (1885) e os romances Uma Vida (1883), Bel-Ami (1885) e Forte como a Morte (1889).
Nos últimos anos de vida Maupassant desenvolveu um gosto exagerado pela solidão e um constante medo da morte e mania de perseguição. No dia 2 de janeiro de 1892 fez três tentativas de suicidio, cortando a garganta. Foi internado pelos amigos da clínica do doutro Esprit Blanche, em Passy, Paris. Ali passou dezoito meses praticamente inconsciente a maior parte do tempo, embora tivesse ocasionais crises de violência que obrigavam os enfermeiros a colocá-lo em camisa-de-força.
Guy de Maupassant morreu no dia 6 de julho de 1893, aos 43 anos de idade, e foi sepultado no Cemitério de Montparnasse, em Paris.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A Vila


Gênero: Suspense
Ano de Lançamento: 2004

Numa aldeia tranquila e isolada na Pensilvânia, encontra-se um pacto entre o povo da aldeia e as criaturas que residem na floresta circundante: o povo da cidade não entra na floresta, e as criaturas não entram na vila. O pacto permanece fiel por muitos anos, mas um dia...

Bem, contar o andamento de um filme de suspense é inimaginável. Fazer a releitura do filme que assisti no ano de 2006 quando fazia alguns projetos na área de psicopedagogia, muito interessante. Um filme é como um livro, quanto mais se lê e especialmente após um período de tempo considerável, a vivência fala mais forte, as percepções, enfim, as entrelinhas que o autor deixou de presente e que por uma única leitura não possamos ter observado.

Conforme  tive a oportunidade de comentar no grupo Livros & Filmes, no facebook, uma reedição (ou renovação) do grupo "Nós Todos Lemos", o filme faz refletir sobre onde mora a violência (intrínseca ao ser humano). Quando a questão da violência é tratada de forma isolada, quais consequências podem trazer ao ser humano ou grupo, quando para combatê-la umas das armas é ignorá-la como procedente da essência humana.

Interessante é a atualidade do filme por tratar questões que são inerentes a humanidade e não tão somente da era moderna. Melhor, se for feito um paralelo do filme com a atualidade podemos nos assustar ao percebermos que estamos muitas vezes por criar como forma de proteção inúmeras vilas em nossas vidas. A internet, por exemplo, não seria uma vila onde as pessoas se sentem mais seguras ao se relacionar com outras? Tais relacionamentos seriam por afinidade, temas de interesse, outros, enfim, está construída a suposta 'vila segura' , ou seria aldeia, mas o espaço está criado e não redime ao ser humano a responsabilidade de saber até onde vai sua vivência nesta ilha online para que não perca o contacto com a realidade, esta do dia-a-dia, onde imaginamos haver tantas e tantas formas de violência.

Vale a pena refletir!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

domingo, 21 de outubro de 2012

Ernest Hemingway - Por quem os sinos dobram




Por quem os sinos dobram/Ernest Hemingway; tradução de Luís Peazê. - 7a ed. - Rio de Janeiro:Bertrand Brasil, 2009.

Iniciei a leitura do livro Por quem os sinos dobram e confesso que a linda narrativa deslumbrou já no primeiro capítulo. Especialmente pela profundidade com que o autor desnuda os personagens. São relatos fiéis dos conflitos humanos mesmo em meio ao cumprimento fiel de seus papéis, seja um oficial de guerra ou um cidadão civil quando o quadro de atuação é a guerra e seus embates. 

A narrativa transcorre com Robert Jordan e sua missão de exterminar uma ponte sobre um rio em campo inimigo. O autor constrói os ambientes com extrema fidelidade, não somente pela própria experiência em vida quando teve a oportunidade de ser voluntário na primeira guerra mundial. É típico do autor a construção do ambiente indo além dos detalhes físicos mas perpassando o emocional, o psicológico do meio em que é construída a narrativa (fácil entender quem já leu O velho e o Mar).

Um livro inesquecível.

Hemingway, Ernest, 1899-1961, jornalista, novelista e contista norte-americano, foi o representante não apenas do seu país, mas também do nosso tempo, com cuja magnífica obra granjeou o Prêmio Nobel de 1954. Participou da Primeira Guerra Mundial como voluntário, com apenas 19 anos, junto aos exércitos francês e italiano, o que lhe permitiu melhor avaliar a alegria de viver e a exaltação da luta, que é a manifestação da própria vida, além de toda a sordidez da guerra, carnificina anônima, anárquica, insensata. Mais tarde, foi correspondente na Europa de jornais da América. A sua condição de combatente e jornalista proporcionou-lhe elementos preciosos para vários dos seus trabalhos literários, entre os quais sobressaem Adeus às Armas, pungente retrato de conflitos humanos gerados pela Primeira Guerra Mundial, e Por Quem os Sinos Dobram, extraordinária e comovente história cujo pano de fundo é a guerra civil espanhola.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Ana Cristina Cruz César

Ana Cristina César
"Acho que existe sim um tipo de sensibilidade feminina, que é uma sensibilidade meio caótica, é uma sensibilidade mais sutil, é mais desorganizada. Ela é uma sensibilidade talvez meio histérica. A mulher é histérica por tradição."


A vidente se recolhe

Ardo de curiosidade pelo futuro,
me diz a moça mais oca da sala. Está escrito?
Isso me interessa, seu suspiro náutico,
porque não era ardor: a doçura da tolice singra a festa.
Adiante encontro um moço que me tolhe o passo e diz,
deixe-me levar, a dança... Ainda não.
Passo. Ainda não. Sigo o fio espiral do telefone
em curvas que roçam no batente várias portas.
Disco. Venha me buscar às tantas. Chegando
o fusca no portão, estou ali debaixo da garoa.
Vou guiar. Desço sem rilhar pneu.
Te levo para a sombra de árvore rendada na luz branca.
Manchas de umidade sob o parapeito. Ar de horto.
Veja a vista da cidade atrás da sombra.
Céu cortado por metade de holofotes em circulação.
Pó de maresia ao longe. Lagoa e jóquei, istmo, hotéis.
Daqui a cidade é brilho para adivinhar e rumoreja.
Também dou meu ombro de marmota recolhendo.

A mãe de Ana Cristina César era professora de literatura; o pai intelectual respeitado nos círculos políticos e religiosos, líder da Confederação Evangélica do Brasil, diretor da revista Paz e Terra e um dos criadores do ISER - Instituto Superior de Estudos Religiosos. Ana Cristina cresceu ouvindo os poemas e cânticos de sua igreja. Espécie de menina-prodígio, antes mesmo de aprender a escrever, já ditava seus poemas para a mãe.

O golpe militar de 64 transformou a vida da família da poetisa. A pressão dos pais de alunos contra os diretores e professores de esquerda do Colégio Bennett fez com que ela fosse transferida para outra escola. Nem bem concluiu o ginásio, Ana Cristina já participava de protestos estudantis. Seu namorado levou um tiro na perna, em manifestação diante da embaixada americana. O apartamento da família, na rua Toneleros, seria invadido algumas vezes pelas forças de repressão, em busca de seu pai.

Ana Cristina viajou para a Inglaterra e foi viver na casa de uma família protestante. Estudou seis meses numa escola para meninas, conheceu Londres e viajou pela Europa, o que seria um ponto de mutação em sua v ida, como "perder a infância". De volta ao Brasil, em 1971, estudou Letras na PUC, onde se formou quatro anos depois. Armando Freitas Filho viu em Ana Cristina César as características da poesia marginal carioca de sua geração: "O tom coloquial, longe das dicções solenes, sisudas e premeditadas."

Em 1979, Ana Cristina voltou à Inglaterra, para fazer mestrado em tradução. Ao retornar para o Rio de Janeiro, foi morar sozinha na Gávea e iniciou um ritmo frenético de trabalho, fazendo traduções e trabalhando para a Rede Globo como leitora e avaliadora de novelas. Mas nada preenchia o grande vazio que sentia na época. Ítalo Mariconi, um de seus amigos mais próximos, nota que, em 1983, o quadro de depressão se agravara: "Nosso jantar, no restaurante Real, na praia do Leme, foi uma choradeira mútua. Não tive presença de espírito para notar que o papo dela de suicídio era à vera." Em fins de setembro, Ana tentou se matar. Foi internada e, uma semana depois de sair da clínica, na casa dos pais, em Copacabana, atirou-se de uma janela do sétimo andar. Caio Fernando Abreu comentou o comportamento de Ana Cristina César poucos dias antes, na festa de aniversário dele: "Lenta, concentrada. Ana não dizia nada, apenas tocava, um por um, todos os objetos do meu quarto. E me olhava. Profunda, atentíssima, remota. Parecia uma despedida."

"Nela o coloquial vinha emmpacotado numa outra economia do verso, numa outra dinâmica das relações de som e sentido entre as frases poe´ticas, deixando transparecer um tipo de foramção literária rara no Brasil."

(Ítalo Moriconi)


Obras da autora
POESIA: Cenas de abril, 1979; Luvas de pelica, 1980; A teus pés, 1982.
OUTRAS: Literatura completa (cartas), 1979; Escritos no Rio (texto; jornalísticos), 1993; Correspondência incompleta (cartas), 1999.

(Estou postagem está em rascunho a meses e não recordo mesmo o motivo de não tê-la liberado - talvez sua incompletude para uma autora tão vasta - uma postagem para retornar e retornar e alimentar o tópico sempre).

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Impressionismo: Paris e a Modernidade


Edouard Manet (1832-1883)
O pífano
1866
Óleo sobre tela
Alt. 160; Larg. 97 cm
Paris, Museu de Orsay
Doação do Conde Isaac de Camondo, 1911
© RMN (Musée d'Orsay) / Hervé Lewandowski

"São Paulo, Rio de Janeiro, Madri


Enquanto a velha Paris se apaga sob a influência do barão Haussmann, os pintores Jongkind e Lépine, Manet e Degas, Monet e Renoir, Pissarro e Gauguin, apaixonam-se pela cidade e pela sua vida frenética. Novos temas surgem para os artistas, com boulevards, ruas e pontes animados por um movimento incessante, jardins públicos, vibrantes mercados cobertos e a céu aberto, retraçados sob o céu cinza, bem como grandes lojas e vitrines, iluminadas a gás ou eletricidade, estações de trem, cafés, teatros e circos, corridas, sem falar dos bailes e noitadas mundanas...

Através destes lugares, os artistas pintam igualmente todas as camadas da sociedade: austeras famílias burguesas na obra de Fantin-Latour, burguesia mais elegante e frequentadora dos lugares da moda, moças da fina sociedade tocando piano em Renoir, prostitutas que rodam a bolsinha e sobre as quais artistas como Degas, Toulouse-Lautrec ou Steinlen lançam um olhar livre de qualquer
julgamento moral e até empático, como em Toulouse-Lautrec.

Entretanto, a atração pela natureza e o desejo de fugir da cidade também se manifestam de modo imperativo... São os mesmos artistas que se voltam para os temas mais “naturais” das cercanias de Paris (Monet, Bazile, Renoir, Sisley para Fontainebleau, Monet para Argenteuil, Pissarro para Pontoise…). A busca por novas aventuras picturais conduz ao refúgio na região do Midi (Van Gogh,
Gauguin e Cézanne) ou na Bretanha (Gauguin, Bernard), ao passo que os artistas do movimento Nabi privilegiam a intimidade de universos interiores."

Comissária

Caroline Mathieu, curadora chefe do Museu de Orsay

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Machado de Assis - Melhores Contos

Melhores Contos - Machado de Assis
Seleção de Domício Proença Filho

Poderia discorrer longo texto sobre a universalidade e atualidade da obra de Machado de Assis que nada estaria acrescentando de novo, do já editado, confirmado, por críticos, literários ou mesmo nobres  tradutores e conhecedores de sua obra, como o Domício Proença Filho, que bem selecionou os Melhores Contos - Machado de Assis.

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Anton Tchékhov - Contos de Tchékhov


Anton Tchékhov, Contos - Volume VI - Tradução (do russo): Nina Guerra e Filipe Guerra, Relógio D´ Água Editores, Outubro de 2006.

"Tais pessoas eram capazes de sonhar, mas incapazes de governar. Destruíam as suas vidas e as dos outros. Eram tolas, fracas, fúteis, histéricas; mas. por trás de tudo isto, ouve-se a voz de Tchékhov: abençoado o país que soube gerar este tipo humano. Eles deixavam escapar as ocasiões, evitavam agir, não dormim à noite inventando mundos que não sabiam construir; mas a própria existência destas pessoas, cheias de uma abnegação apaixonada e fervorosa, de pureza espiritual, de elevação moral, o simples facto de estas pessoas terem vivido e talvez ainda viverem hoje, algures, na implacável e reles Rússia actual é uma promessa de futuro melhor, para todos o mundo, porque, de todas as leis da natureza, a mais maravilhosa é talvez a da sobrevivência dos mais fracos."
(Do Prefácio de Vladimir Nabokov no Vol. I)

Depois deste prefácio fica claro que Tchékhov deixa à mostra a faceta social desprivilegiada, tirando um excelente retrato da exclusão, em tom maravilhosamente claro. Seus personagens são os bêbados, as prostitutas, um fugitivo, uma epidemia, enfim, todos aquelas situações em que a história muitas vezes maqueia essa condição humana e social fica totalmente desnudada. Uma linguagem forte, sem perder a sensibilidade, perpassando todos os detalhes da narrativa através da tensão de seus personagens e suas vivência.

A CORISTA

Um dia, no tempo em que ela tinha mais juventude, beleza e voz, estava na sua casa de campo, na sobreloja, Nikolai Petróvitch Kolpakov, seu admirador. O calor e o ar abafado eram insuportáveis. Kolpakov acabara de almoçar e, como bebera uma garrafa inteira de vinho do Porto horrendo, estava mal-humorado e indisposto. Ambos se aborreciam e esperavam que o calor acalmasse para irem dar um passeio.
De repente tocou a campainha da porta de entrada. Kolpakov, que estava sem sobrecasaca e de pantufas, saltou do lugar e olhou interrogativamente para Pacha.
- Deve ser o carteiro, ou talvez uma amiga - disse a cantora.
Kolpskov não tinha vergonha do carteiro nem das amigas de Pacha, mas, para o que desse e viesse, apanhou toda a sua roupa numa braçada e foi para o quarto contíguo, enquanto Pacha corria a abrir a porta. À entrada, para seu grande espanto, não estava o carteiro nem uma amiga, mas uma desconhecida, jovem, bonita, vestida como uma senhora e, por todos os indícios, das decentes.
A desconhecida estava pálida e respirava com dificuldade, como depois de se subir uma escada alta.
- O que deseja? - perguntou Pacha.
A senhora demorou a responder. Deu um passo em frente, passou um olhar lento pela sala e sentou-se, com o ar de quem já não pode ficar mais tempo de pé por cansaço ou por doença; depois, durante muito tempo, ficou a mexer os lábios exangues, tentando pronunciar qualquer coisa.
- O meu marido está consigo? - conseguiu articular finalmente, levantando para Pacha os seus olhos grandes com as pálpebras inchadas de chorar.
- Que marido? - sussurro Pacha e ficou de súbito tão assustada que sentiu as mãos e os pés a gelarem-lhe. - Que marido? - repetiu, começando a tremer.
- O meu marido... Nikolai Petróvitch Kolpakov.
- Não... não senhora... Eu... eu não conheço marido nenhum.
Um longo momento de silêncio. A desconhecida passou várias vezes o lenço pelos lábios pálidos e, para vencer o tremor, retinha a respiração. Pacha estava em frente dela como petrificada e olhava-a com perplexidade e medo.
- Diz-me então que ele não está cá? - perguntou a senhora com uma voz já firme e sorrindo de forma estranha.
- Eu... não sei de quem está a falar.
- Você é uma  mulher abominável, ignóbil, nojenta... - murmurou a desconhecida, envolvendo Pacha num olhar cheio de ódio e de repugnância. - Sim, sim... é nojenta. Estou satisfeita por poder finalmente dizer-lhe isto na cara!
Pacha sentiu que causava àquela senhora de preto, com os olhos zangados e os dedos finos e brancos, a sensação de qualquer coisa nauseabunda e monstruosa, e sentiu vergonha das suas faces rechonchudas e vermelhas, das marcas de bexigas no nariz e da franja na testa que não havia meio de puxar para cima. E parecia-lhe que se fosse magrinha, sem pó-de-arroz nem franja, poderia esconder que era uma mulher indecente e não teria medo nem vergonha de se ver em frente desta senhora desconhecida e misteriosa.
- Onde está o meu marido? - continuou a senhora. - De resto, tanto me faz que esteja aqui ou não, mas tenho a dizer-lhe, a si, que foi descoberto um desfalque e Nikolai Petróvitch é procurado pela polícia... Querem prendê-lo. Veja bem o que você fez!
A senhora levantou-se e, muito emocionada, pôs-se a passear pela sala. Pacha olhava para ela, e o seu medo era tanto que não percebia.
- Ainda hoje vão encontrá-lo e prendê-lo - soluçou a senhora, e ouvia-se a irritação e o insulto nos seus soluços. - Eu bem sei quem o levou até este horror! Criatura nojenta, repugnante! Abominável, venal! (A senhora franzia o nariz, torcia os lábios de repulsa.) Sinto-me imponente... Oiça você, mulher reles!... Não posso fazer nada, é mais forte do que eu, mas há quem me defenda, a mim e aos meus filhos! Deus vê tudo! Deus é justo! Deus vai castigá-la por cada lágrima minha, por cada noite que passei sem dormir! Há-de chegar a altura em que você se vai lembrar mim!
Caiu de novo o silêncio. A senhora andava pela sala e torcia as mãos, e Pacha olhava para ela com ar lorpa e perplexo, sem compreender, esperando que saísse dali qualquer coisa medonha.
- Minha senhora, eu não sei nada! - disse ela, e desatou a chorar.
- Mentirosa! - gritou a senhora, e os seus olhos brilharam de raiva. - Sei tudo! Há muito que a conheço! Sei que no último mês ele tem estado consigo todos os dias!
- É verdade. E depois? Que importância tem isso? Há muita gente que me visita, mas eu não obrigo ninguém a vir cá. A vontade é deles.
- Acabei de lhe dizer: foi descoberto um desfalque! Ele gastou dinheiro do serviço em proveito próprio! Para uma... como você, para si, ele atreve-se a cometer um crime. Oiça - disse a senhora em voz resoluta, parando em frente de Pacha. - Você pode não ter princípios, já que vive apenas para fazer o mal, é o seu objectivo, mas é impensável que tenha caído tão baixo ao ponto de não ter qualquer vestígio de sentimento humano! Ele tem mulher, filhos... Se for condenado e deportado, eu e os meus filhos morrerremos de fome... Tente compreender! Há uma maneira de o salvar e de nos salvar a nós da miséria e da vergonha. Se eu pagar hoje novecentos rublos, deixam-no em paz. Apenas novecentos rublos!
- Quais novecentos rublos? - perguntou Pacha em voz baixa. - Eu... eu não sei de nada... Não lhe levei...
- Não lhe peço os novecentos rublos... Você não os tem, nem eu quero o seu dinheiro. Peço-lhe outra coisa... Normalmente, os homens oferecem às mulheres da sua condição coisas preciosas. Devolva-me apenas as prendas que o meu marido lhe deu!
- Minha senhora, ele não me ofereceu nada! - guinchou Pacha, começando a compreender.
- Então, onde está o dinheiro? Ele esbanjou o dele, o meu e o alheio... Onde desapareceu tudo isto? Oiç, peço-lhe! Eu estava indignada e disse-lhe muitas coisas desagradáveis, mas peço desculpa. Deve odiar-me, eu sei, mas se tiver compaixão pode pôr-se no meu lugar! Imploro-lhe, devolva-me as jóias!
- Humm... - disse Pacha e encolheu os ombros. - Dava-lhas de boa vontade, mas Deus me fulmine já se ele me deu alguma coisa. Acredite na minha consciencia. Aliás, tem razão - embaraçou-se a conatora -, uma ocasião trouxe-me duas coisinhas. Devolva-lhas, faça o favor...
Pacha tirou de uma das gavetinhas do toucador uma pulseira de ouro oca e um anel barato com rubi.
- Tome! - disse ela, entregando as jóias à visitante.
A senhora corou, tremeu-lhe o rosto. Sentiu-se insultada.
- O que está a dar-me? - disse. - Não lhe peço uma esmola mas aquilo que não lhe pertence... aquilo que você, fazendo uso de sua condição, extorquiu ao meu marido... esse homem fraco, desgraçado... Na quinta-feira, quando a v i com o meu marido no cais, você tinha broches e pulseiras caros. Por isso não vale a pena fingir-se um cordeiro inocente! Pergunto pela última vez: devolve-me as jóias ou não?
- Que mulher estranha é a senhora, credo... - disse Pacha, começando a ofender-se. - Da parte do seu Nilolai Petróvitch, juro-lhe que só vi estas pendas, uma pulseira e um anel. Só me trazia pastéis doces.
- Pastéis doces... - sorriu-se a desconhecida. - Em casa, as crianças não têm nada para comer, mas para aqui vêm pastéis doces. Recusa-se então, definitivamente, a devolver-me as jóias?
A senhora, não recebendo resposta, sentou-se e, com ar pensativo, fixou os olhos num ponto vago.
- O que faço agora? - disse. - Se não arranjar novecentos rublos, é o fim dele e também o meu e dos filhos. Mato esta velhaca ou ponho-me de joelhos diante dela?
A senhora apertou o lenço à cara e desatou a chorar.
- Peço-lhe! - disse por entre os soluços. - Você arruinou o meu marido, levou-o à perdição, agora salve-o... Não é compaixão por ele, mas pelos filhos... os filhos...Que culpa têm os filhos?
Pacha imaginou umas crianças pequenas, na rua, a chorarem de fome, e começou também a chorar.
- O que posso fazer, minha senhora? - disse ela. - A senhora diz que sou velhaca e arruinei Nikolai Petróvitch, mas eu juro-lhe perante Deus que não tirei proveito nenhum dele... No nosso coro, só a Mótia tem um protector rico, mas nós, as outras todas, vivemos de mal a pior. Nikolai Petróvitch é um senhor culto e delicado, por isso é que o recebo. Não podemos deixar de receber...
- Peço-lhe as jóias! As jóias Estou aqui a chorar... a humilhar-me... Está bem, ponho-me de joelhos! Está bem!
Pacha soltou um grito de susto e abanou as mãos. Sentia que a senhora pálida e bonita que se exprimia com tanta nobreza, como no teatro, era realmente capaz de se ajoelhar diante dela, precisamente por orgulho, por nobreza, para se engrandecer e para humilhar a corista.
- Está bem, eu dou-lhe as jóias! - decidiu Pacha, limpando os olhos. - Mas olhe que não são de Nikolai Petróvitch... Recebi-as de outros convidados. Mas como queira...
Pacha abriu a gaveta superior da cómoda, tirou de lá um broche com diamantes, um fio de corais, vários anéis, uma pulseira e deu tudo à senhora.
- Já que as quer, tome, mas não tirei proveito enhum do seu marido. Tome, enriqueça! - continuou Pacha, sentindo-se insultada com a ameaça de ela se pôr de joelhos. - Mas se é nobre... esposa legítima dele, deveria mantê-lo ao pé de si. É isso! Eu não o convidava, ele vinha cá porque queria...
A senhora, por entre as lágrimas, examinou as jóias e disse:
- Não chega... Isto nem quinhentos rublos faz.
Pacha, impulsivamente, atirou-lhe da cómoda ainda um relógio de ouro, uma tabaqueira e botões de punho, e disse, abrindo os braços:
- Não tenho mais nada... Nem que me reviste!
A visitante suspirou, embrulhou tudo num lenço, com as mãos a tremer, e, sem dizer palavra, sem acenar sequer com a cabeça, saiu.
Abriu-se logo a porta do quarto do fundo e entrou Kolpakov. Estava pálido e sacudia nervosamente a cabeça, como se acabasse de tomar qualquer coisa muito amarga; brilhavam-lhe as lágrimas nos olhos.
- Que coisas o senhor me trazia? - investiu logo Pacha. - Quando, se me permite a pergunta?
- Coisas... O que interessam as coisas? - disse Kolpakov e sacudiu a cabeça. - meu Deus! Ela a chorar, a humilhar-se diante de ti...
- Pergunto-lhe: que coisas me trouxe? - gritou Pacha.
- Meu Deus, ela, tão decente, orgulhosa, pura... a querer pôr-se de joelhos à frente... à frente desta... rameira! Ao ponto a eu eu a levei! Fui eu!
Deitou as mãos à cabeça e gemeu:
- Não, nunca hei-de perdoar-me! Nunca! Afasta-te de mim... porca! - gritou com repugnãncia, recuando e repelindo Pacha com as mãos a tremerem. - Ela já queria ajoelhar-se e... diante de quem? Diante de ri! Oh, meu Deus!
Vestiu-se rapidamente e, contornando Pacha com nojo, dirigiu-se para a porta e saiu.
Pacha deitou-se e desatou num alto choro. Já tinha pena das suas coisas que entregara num impulso, estava ressentida. Lembrou-se de que, três anos atrás, um comerciante a espancou sem razão e ela chorou ainda mais alto.


Anton Tchékhov
1860 - Em 17 de janeiro nasce Anton Pavlovitch Tchekhov, em Tanganrog, na Rússia, filho de Pavel Yegorovich Tchekhov e Yevgenia Morozov.
1875 - O pai de Tchekhov foge da cidade e abandona a família quando sua mercearia vai à falência.
1879 - Tchekhov ingressa na faculdade de Medicina, na Universidade  de Moscou.
1882 - Torna-se colaborador de um periódico humorístico de São Petersburgo, escrevendo contos e vinhetas.
1884 - Começa a praticar a medicina. Apresenta os primeiros sintomas de tuberculose.
1887 - Alcança sucesso literário em São Petersbugo com sua primeira peça, Ivanov.
1890 - Viaja pela Sibéria para entrevistar prisioneiros e exilados.
1895 - Escreve A Gaivota.
1896 - A Gaivota estréia no teatro e é cancelada após a quinta apresentação.
1897 - O estado de saúde de Anton se agrava.
1998 - A Gaivota é produzida com sucesso pelo Teatro de Arte de Moscou.
1899 - Tio Vânia é encenada com sucesso no Teatro de Arte de Moscou.
1901 - Estréia As Três Irmãs, obra considerada sua maior criação. Anton se casa com Olga Knipper.
1904 - É produzida a última peça de Tchekhov, O jardim das Cerejeiras.
Em 2 de julho Anton morre de tuberculose, na Alemanha.


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