sábado, 21 de maio de 2011

Um Homem de Família

"Um Homem de Família"
Lançamento: 2000 (EUA)
Direção:        Brett_Ratner
Atores:          Nicolas Cage, T Leoni, Josef Sommer, Jeremy Piven.
Duração:       125 min
Gênero:         Comédia

Sinopse

Jack Campbell é um investidor de Wall Street jovem e solteiro vivendo uma vida de rico em Nova Iorque. Ele se surpreende quando sua ex-namorada, Kate, tentou ligar para ele após anos sem se verem.
Após uma conversa com o seu mentor na empresa, Jack resolve não atender no momento. Naquela noite de natal, ele resolve ir a pé até a sua casa, passando por uma loja de conveniências. No caminho acaba convencendo um vencedor da loteria, irritado, chamado Cash a não atirar no vendedor. Ele oferece ajuda à Cash antes de ir dormir em sua cobertura.
Tudo muda num passe de mágica quando na manhã seguinte ele acorda em um quarto no subúrbio de Nova Jersey com Kate, a sua atual esposa, com quem anteriormente ele havia deixado de se casar e ainda com duas crianças que ele se quer conhecia. Jack percebe então que esta é justamente a vida que ele teria se não tivesse se transformado em um investidor financeiro quando jovem. Ao inves disso, ele tem uma vida modesta, onde ele é um vendedor de pneus e kate é uma advogada não-remunerada.

O filme Um Homem de Família faz profundas reflexões acerca da essência da busca da vivência do ser humano: ser feliz. Na história específica, as facetas que compoem esta busca na vida de um homem são expressas por seu relacionamento com o trabalho e a família.

 A divertida história se passa em dois mundos na vida deste homem (Nicolas Cage): no topo do capitalismo (a vida de um alto executivo) e seu relacionamento empresariado como na vida de um trabalhador de nível social mediano, ou seja, um vendedor de pneus e seus relacionamentos sociais e familiar (mulher e dois filhos).

 Ponto alto na sutileza com que é tratado um tema tão importante quanto relacionamento amoroso e familiar x vida profissional, o valor da amizade, entre outros.



Bom filme!

sábado, 14 de maio de 2011

Cora Coralina



Ana Lins dos Guimarães Peixoto Brêtas (Cora Coralina) nasceu no dia 20 de agosto, em Goiás, GO 1889 e morreu em 10 de abril, em Goiânia, GO, em 1985.


TODAS AS VIDAS


Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando pra o fogo,
Benze quebranto,
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro,
Ogã; pai-de-santo...
Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d´água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de são-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.

"Amo a terra em místico amor consagrado, num esponsal sublimado procriador e fecundo."


Cora Coralina começou a escrever aos 14 anos de idade. Desde então, nunca mais abandonou a literatura, paixão que lhe garantiu o repúdio da sociedade local. A poesia não fazia parte das tarefas corriqueiras de uma mulher no interior de Goiás em princípios do século XX.

Resolveu dedicar-se com afinco à literatura depois de uma desilusão amorosa. Tinha 18 anos quando se apaixonou por um rapaz que estudava no Rio de Janeiro e estava passando férias em Goiás. A mãe dele cortou o relacionamento e antecipou o retorno do filho. Como diria Cora anos depois: "as mulheres do passado, não sabenod ser carinhosas - que que aquele tempo de dureza e severidade não ajudava - tornavam-se cruéis".

Apesar do preconceito, Cora aprendeu métrica, leu grandes poetas da língua portuguesa, como Camões, Bilac, Tomás Antônio Gonzaga, Garret e Gregório de Matos, e passou a colaborar para o Anuário Histórico e para um semanário publicado em sua cidade.

Em junho de 1911, a poetisa conheceu o novo chefe de polícia local, Cantídio, um homem que era 21 anos mais velho do que ela. A mãe de Cora proibiu terminantemente o namoro, de modo que, na madrugada do dia 25 de outubro daquele mesmo ano, o casal fugiu para o interior de São Paulo. Cora estava grávida de dois meses. O casal teve seis filhos - Paraguassu, Enéias, Cantídio, Jacintha, Maria Isis e Vicência -, 16 netos e 29 bisnetos.

Após a mudança para o interior paulista, Cora colaborou para diversos jornais, entre eles O Democrata, do qual seu marido era um dos redatores. Esporadicamente, também contribuía para o periódico A Informação Goiana, impresso no Rio de Janeiro mas distribuído no estado de Goiás.
Somente aos 75 anos Cora publicou seu primeiro livro, Poemas dos becos de Goiás e estórias mais. Doze anos depois, em 1976, lançou Meu livro de cordel, sem grande repercussão. Em 1979, ao ser "descoberta" por Carlos Drummond de Andrade, a obra de Cora Coralina ganhou projeção nacional: "Se há livros comovedores", escreveu Drummond a respeito da estréia da autora, "este é um deles. (...) Cora Coralina: gosto muito desse nome, que me invoca, me bouleversa, me hipnotiza, como no verso de Bandeira."

"Escrever é uma recriação da vida, e, recriando a vida, eu me comunico. Não invento, não sou uma criadora, sou uma recriadora da vida. Esta é a marca mais viva do meu espírito junto à minha capacidade de dizer uma mentira."
(Cora Coralina)

"Seu Vintém de cobre é, para mim, moeda de ouro, e de um ouro que não sofre as oscilações do mercado. É poesia das mais diretas e comunicativas que já tenho lido e amado. Que riqueza de experiência humana, que sensibilidade especial e que lirismo identificado com as fontes da vida!"
(Trecho de carta de Carlos Drummon de Andrade)



Fonte: 100 Anos de Poesia - Um panorama da poesia brasileira no século XX - volume II - organização Claufe Rodrigues e Alexandra Maia - O Verso Edições - 2001 - Rio de Janeiro.

sábado, 7 de maio de 2011

Clarice Fotobiografia - Nádia Battella Gotlib


Clarice Fotobiografia / Nádia Battella Gotlig. 2a. edição - São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo; Imprensa Oficial do Estado de São Paulo, 2009.


"Pegar o vivo e tirar o seu imóvel retrato e olhar-se no retrato e pensar que o flagrante deixou uma prova, a desse retrato já morto."
(Um Sopro de Vida - Clarice Lispector)

Clarice Lispector (1920-1977), nascida em Tchetchélnik, na Ucrânia (Rússia), e naturalizada brasileira, é escritora já reconhecida pela crítica, tanto no Brasil quanto no exterior, por sua obra ficcional e por sua atividade na imprensa carioca, desenvolvida ao longo de 37 anos de produção. Nascida durante a viagem dos pais, judeus imigrantes que vieram com as três filhas para o Brasil, morou em Maceió e Recife, depois, no Rio de Janeiro, em seguida, em países europeus (Itália, Suiça, Inglaterra) e nos Estados Unidos e, novamente, no Rio de Janeiro. Este livro registra, numa narrativa visual criada a partir de imagens acompanhadas de legendas e, de no final, textos explicativos mais detalhados, os momentos mais marcantes desse percurso de vida e obra pautado na busca, sempre renovada, de exprimir o inexprimível da natureza humana, em linguagem criativa, experimentada como selvagem "matéria viva pulsando".

A autora de Clarice Fotobiografia  já avisa de antemão: a prova e o enigma envolverá o leitor / espectador desta Fotobiografia. Os encontros mágicos podem ocorrer a partir de algumas transcrições de textos seus, ou de modo mais sutil, em cada detalhe gráfico: certas paisagens, pedaços de cidades, pessoas sós ou em grupo, na caligrafia de certas cartas e dedicatórias, em espaços interiores, em papéis ora desgastados pelo tempo, ora em sépia, ora voluntariamente rasgados, sinais gráficos do que existiu, como são também sinais os registros de passeios, posturas de corpo, olhares, gestos.

O livro é um deleite não somente aos olhos pois é uma construção histórica a partir da vida de Clarice e seus familiares através de imagens e textos que foi assim distribuída:

1. Da Ucrânia ao Brasil: em exílio.
2. Em Maceió: a infância nordestina
3. Em Recife: À beira do capibaribe
4. Rio de Janeiro: a mocidade carioca
5. Em Belém do Pará: a vida a dois
6. Em Nápoles: "O Mediterrâneo é azul, azul"
7. Em Berna: "Cemitério de sensações"
8. Em Trquay: o gosto pelo cinzento
9. Em Washington: quase sete anos
10. No Rio de Janeiro: a volta definitiva
11. Ainda no Rio de Janeiro: Horas de estrela
12. Para sempre: a obra viva
13. Do Brasil à Ucrânia: em Tchetchélnik

sábado, 30 de abril de 2011

As Cem Melhores Crônicas Brasileiras - Joaquim Ferreira dos Santos


As Cem Melhores Crônicas Brasileiras - Joaquim Ferreira dos Santos, Objetiva - Rio de Janeiro - RJ, 354 pág.

Sobre o Amor
(Ferreira Gullar)

"Houve uma época em que eu pensava que as pessoas deviam ter um gatilho na garganta: quando pronunciasse - eu te amo -, mentindo, o gatilho disparava e elas explodiam. Era uma defesa intolerante contra os levianos e que refleti sem dúvida uma enorme insegurança de seu inventor. Insegurança e inexperiência. Com o passar dos anos a idéia foi abandonada, a vida revelou-me sua complexidade, suas nuanças. Aprendi que não é tão fácil dizer eu te ano sem pelo menos achar que ama e, quando a pessoa mente, a outra percebe, e se não percebe é porque não quer perceber, isto é: quer acreditar na mentira. Claro, tem gente que quer ouvir essa expressão mesmo sabendo que é mentira. O mentiroso, nesses casos, não merece punição alguma."
(continua - pág. 279)

As crônicas desta antologia se consagram como pequenas obras-primas de emoção, baseadas nos espantos e alegrias, decepções e surpresas do cotidiano. Contam a história de um país e de um gênero que outrora foi considerado menor. Fenômeno de aceitação popular, a crônica superou o preconceito e se instalou como iguaria fina, assinada por mestres da nossa literatura.

Amorosa, bem-humorada, leve e refinada, a crônica brasileria conquistou seu lugar e inventou um estilo, modo de escrever e viver. Mistura as artes do espírito sensível com os fatos da atualidade, mesmo que seja aquela realidade passando embaixo apenas da janela do autor. Pois é falando na primeira pessoa, com voa poética ou perplexa, jornalística ou irônica, que o cronista nos encanta.

Craque do gênero, Joaquim Ferreira dos Santos fez esta seleção sem se deixar amarrar pelas leis acadêmicas, mas orientando-se pelo poder que as crônicas têm de seduzir - marca essencial  de todas reunidas neste volume, que se tornaram clássicos de referência da nossa educação literária e sentimental.

O livro apresenta crônicas escolhidas pelo curador no uso da sua subjetividade máxima, como convém ao gênero, e desafiam a idéia de apenas narrar seu tempo. Acabaram indo aonde ninguem poderia imaginar. Eternas. Peças de referência com representantes de primeira ordem:

De 1850 a 1920
( o cronista entra em cena e flana pela cidade)
Machado de Assis
João do Rio
Lima Barreto
José de Alencar
Olavo Bilac

De 1920 a 1950
(Com a bênção dos modernistas de bermudas)
Rubem Braga
Vinicius de Moraes
Oswald de Andrade
Alcântara Machado
Rachel de Queiroz
Mario de Andrade
Humberto de Campos
Graciliano Campos

Os anos 1950
(A década de ouro de uma geração de craques)
Paulo Mendes Campos
Rubem Braga
Antônio Maria
Vinicius de Moraes
Sérgio Porto
Marques Rebelo
Mario Filho
Rubem Braga
Carlos Drummond de Andrade
Paulo Mendes Campos
Nelson Rodrigues
Rachel de Queiroz
Stanislaw Ponte Preta
Rubem Braga
Luís Martins
Fernando Sabino
Antônio Maria

Os anos 1960
(Discursos na rua, humor nas páginas)
Stanislaw Ponte Preta
Jospe Carlos Oliveira
Antônio Maria
Elsie Lessa
Carlos Drummond de Andrade
Paulo Mendes Campos
Nelson Rodrigues
Millôr Fernandes
Clarice Lispector
José Carlos Oliveira
Clarice Lispector
Fernando Sabino

Os anos 1970
(Longe daqui, aqui mesmo)
Campos de Carvalho
Lourenço Diaféria
Caetano Veloso
Chico Buarque
Márui Quintana
João Saldanha
Ivan Lessa
José Carlos Oliveira
Fernando Sbino
João AntÔnio
Clarice Lispector
Millôr Fernandes
Ivan Lessa

Os anos 1980
(Sexo e assombrações)
Luis Fernando Verissimo
João Ubaldo Ribeiro
Aldir Blanc
Caio Fernando Abreu
Artur da Távoa
Lygia Fgundes Telles
Moacyr Scliar
Ivan Angelo
João Ubaldo Ribeiro
Caio Fernando Abreu

Os anos 1990 (A vida privad virou uma comédia)
Otto Lara Resende
Zuenir Ventura
Luis Fernando Veríssimo
Carlos Heitor Cony
Ignácio de Loyola Brandão
Roberto Drummond
Ferreira Gullar
Luis Fernando Verissimo
Mario Prata
Arthur Dapieve
Marcos Rey
Otto Lara Resende

Os anos 2000
(Próxima estação, internet)
Arnaldo Jabor
Xico Sá
Carlos Heitor Cony
Tutty Vasques
Marcelo Rubens Paiva
André Sant´Anna
Danuza Leão
Martha Medeiros
João Paulo Cuenca
Ricardo Freire
Antônio Prata

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Rubem Fonseca - A Coleira do Cão

Rubem Fonseca - A Coleira do Cão - 5.ed. - Rio de Janeiro : Agir, 2010. Conto Brasileiro.

"Fiquei de repente calado e sentindo a coisa que me dá de vez em quando, nas ocasiões em que os dias ficam compridos e isso começa de manhã quando acordo sentindo uma aporrinhação enorme e penso que depois de tomar banho passa, depois de tomar café passa, depois de fazer ginástica passa, depois do dia passar passa, mas não passa e chega a noite e estou na mesma, sem querer mulher ou cinema, e no dia seguinte também não acabou. Já fiquei uma semana assim, deixei crescer a barba e olhava as pessoas, não como se olha um automóvel, mas perguntando, quem é?, quem é?, quem-é-além-do-nome?, e as pessoas passando na minha frente, gente pra burro neste mundo quem é?"
(A Força Humana - pág. 31)


Cá estou no feriado a folhear a extraordinária narrativa de Rubem Fonseca. A Coleira do Cão é o segundo livro do autor, publicado em 1965. Questiona a prisão do homem a sua existência, vindo a imagem do cão que, mesmo liberto, carrega um pedaço da corrente. A imagem do prisioneiro de si mesmo.

Nas oito histórias do volume, "A força humana", "O gravador", "Relatório de Carlos", "A opção", "O grande e o pequeno", "Madona", "Os graus" e "A coleira do cão", conto que dá nome ao livro, Rubem Fonseca exercita, em contos longos, a capacidade de imersão completa no universo narrado. Uma das obras literárias mais ricas e complexas de nosso tempo, que pões cada leitor diante de sua própria imagem em meio à beleza e à violência do mundo.

"Havia uns trinta anos que eu não chorava;é uma coisa estranha que preciso contar em detalhes. Após algum tempo os olhos se fecham; você sente as lágrimas molhando o seu rosto e uma sensação de alívio como se você fosse um homem envenenado e uma veia se abrisse e lentamente pusesse para fora todo o sangue ruim, fazendo-o sentir-se melhor a cada gota que saísse - mais leve, mais leve, mais bom, mais puro, mais digno, mais feliz na sua automisericórdia."

Rubem Fonseca nasceu em 1925 e é autor de 25 livros, dentro os quais romances, novelas, coletâneas de contos e O romance morreu, que reúne crônicas publicadas no Portal Literal. Recebeu cinco vezes o premio Jabuti e em 2003 os prêmios Juan Rulfo e Camões.

quinta-feira, 31 de março de 2011

Francine Prose - Para Ler como um Escritor

Prose, Francine, 1947 - Para ler como um escritor : um guia para quem gosta de livros e para quem quer escrevê-los / Francine Prose; tradução, Maria Luisa X. de A. Borges. - Rio de Janeiro : Jorge Zahar, 2008.

Difícil acreditar que algum ser humano não tenha se imaginado autor de um livro em um momento na vida. Afinal, escrever um livro faz parte da felicidade neste terreno planeta, bem já o disseram. Seja um relato de uma biografia, seja fantasiar um romance onde os personagens possam carregar o que se aprendeu na vida, seja um momento de inspiração transportado quem sabe a uma ficção. Como concretizar ou como saber a qualidade do que se pretende escrever é o ponto de estímulo ou desânimo aos pretensos e inúmeros autores.

"a maioria das pessoas que tenta escrever experimenta não só necessidade de coragem como desalento, à medida que as consequências reais ou imaginárias - falhas e humilhações, exposição e inadequação - dançam diante de seus olhos através da tela ou da página e inadequação - dançam diante de seus olhos através da tela ou da página vazias. O medo de escrever mal, de revelar algo que gostaríamos de manter oculto, de cair no conceito dos outros, de violar nossos próprios padrões elevados, ou de descobrir algo sobre nós mesmos que preferiríamos ignorar são apenas alguns dos fantasmas amendrontadores o suficiente para levar o escritor a se perguntar se não haveria emprego disponível como lavador de janelas de arranha-céus." (pág. 243)


Adentrar na leitura de Para ler como um escritor é em primeiro lugar uma curiosidade de se permitir responder a pergunta: é possível ensinar alguém a ser escritor? Se a resposta é uma questão de talento, disciplina ou técnica, a discussão segue acalorada, mas o que o livro proporciona por uma autora de mais de 20 anos de experiência em criação literária é antes que respeitar o conhecimento adquirido de quem relata que talento não se ensina, mas defende que é possível aprender sim - e muito - com os grandes mestres da literatura. E o que é melhor, de uma forma objetiva mas sem perder a magia de se adentrar pelos caminhos das letras livremente e atentamente, detalhadamente, demorando-se em cada palavra, como afirma Francine Prose, romancista, crítica, ensaísta e professora de literatura e criação literária há mais de 20 anos em universidades como Harvard, Columbia e Iwoa, autora de vários livros, alguns já publicados no Brasil.

O livro Para ler como um escritor sugere listas de títulos que instigam a curiosidade pela variedade e diversidade. A primeira lista relata títulos já traduzidos e editados em língua portuguesa, ou seja,
Livros para Ler Imediatamente:

(01) Akutagawa, Ryunosuke. Contos fantásticos
(02) Alcott, Louisa May. Mulherzinhas
(03) Anônimo. A canção de Rolando
(04) Austen, Jane. Orgulho e preconceito
(05) Austen, Jane. Razão e Sensibilidade
(06) Bábel, Isaac. O exército de cavalaria
(07) Baldwin, James. Vintage Baldwin
(08) Balzac, Honoré de. Prima Bette
(09) Barthelme, Donald. Sixty Stories
(10) Brodkey, Harold. Quatro histórias ao modo quase clássico
(11) Baxter, Charles. Believers: A Novella and Stories
(12) Beckett, Samuel. The Complete Short Prose, 1929-1989
(13) Bowen, Elizabeth. The House in Paris
(14) Bowles, Jane. Duas senhoras bem-comportadas
(15) Bowles, Paul. Paul Bowles: Collected Stories and Later Writings
(16) Bronte, Emily. O Morro dos Ventos Uivantes
(17) Calvino, Italo. As cosmicômicas
(18) Carver, Raymond. Where I´m Calling From: Selected Stories
(18) Carver, Raymond. Catedral
(20) Cervantes, Miguel de. Dom Quixote
(21) Chandler, John. The Stories of John Cheever
(22) Díaz, Charles. Bleak House
(23) Dickens, Charles. Dombey and Son
(24) Dostoivski, Fiodor. Crime e castigo
(25) Dybek, Stuart. I Sailed With Magellan
(26) Eisenberg, Deborah. The Stories (So Far) of Deborah Eisenberg
(27) Eliot, George. Middlemarch
(28) Elkin, Stanley. Searches and Seizures
(29) Fitzgerald, F. Scott. O grande Gatsby
(30) Fitzgerald, F. Scott. Suave é a noite
(31) Flaubert, Gustave. Madame Bovary
(32) Fox, Paula. Desesperados
(33) Franzen, Jonathan. As correções
(34) Gallant, Mavis. Paris Stories
(35) Gaddis, William. The Recognitions
(36) Gates, David. The Wonders of the Invisible World: Stories
(37) Gibbon, Edward. Declínio e queda do Império Romano
(38) Gogol, Nikolai. Almas mortas
(39) Green, Henry. Doting
(40) Green, Henry. Loving

Para compor a bagagem que todo bom escritor - ou bom leitor - precisa ter, a autora sugere ainda
Livros Brasileiros para Ler Imediatamente:

(01) Abreu, Caio Fernando. Onde andará Dulce Veiga
(02) Alencar, José de. Iracema
(03) Almeida, Manuel Antonio de. Memórias de um sargento de milícias
(04) Amado, Jorge. Tenda dos milagres
(05) Andrade, Mário de. Macunaíma
(06) Azevedo, Aluísio. O cortiço
(07) Buarque de Holanda, Sérgio. Raízes do Brasil
(08) Callado, Antonio. Reflexos do baile
(09) Cardoso, Lucio. Crônica da casa assassinada
(10) Carvalho, Bernardo. O sol se põe em São Paulo
(11) Cony, Carlos Heitor. Quase memória
(12) Cunha, Euclides da. Os Sertões
(13) Denser, Márcia. Animal dos motéis/Siana caçadora
(14) Dourado, Autran. Ópera dos mortos
(15) Drummond de Andrade, Carlos. Prosa completa
(16) Fagundes Telles, Lygia. As meninas
(17) Figueiredo, Rubens. Barco a seco
(18) Fonseca, Rubem. A coleira do cão
(19) Fonseca, Rubem. A grande arte
(20) Freyre, Gilberto. Casa-grande-senzala
(21) Guimarães Rosa, João. A hora e a vez de Augusto Matraga (in Sagarana)
(22) Guimarães Rosa, João. Grande sertão: veredas
(23) Guimarães Rosa, João. O recado do morro (in No Urubuquaquá, no Pinhém)
(24) Hatoum, Milton. Dois irmãos
(25) Hilst, Hilda. Ficções
(26) João Antônio. Malagueta, Perus e Bacanaço
(27) Lima Barreto. Triste fim de Policarpo Quaresma
(28) Lins do Rego, José. Fogo morto
(29) Lins, Osman. A rainha dos cárceres da Grécia
(30) Lisboa, Adriana. Um beijo de Colombina
(31) Lispector, Clarice. A paixão segundo G.H.
(32) Lispector, Clarice. Laços de família
(33) Machado de Assis. 50 contos (org. John Gledson)
(34) Machado de Assis. Dom Casmurro
(35) Machado de Assis. Memorial de Aires
(36) Machado, Aníbal. A morte da porta-estandarte e outras histórias
(37) Marques Rebelo. A estrela sobe
(38) Nabuco, Joaquim. Minha formação
(39) Nassar, Raduan. Lavoura arcaica
(40) Nava, Pedro. Baú de ossos
(41) Noll, João Gilberto. A fúria do corpo
(42) Pena, Cornélio. A menina morta
(43) Piñon, Nélida. Fundador
(44) Pompéia, Raul. O ateneu
(45) Queiroz, Rachel de. Memorial de Maria Moura
(46) Ramos, Graciliano. Memórias do cárcere
(47) Ramos, Graciliano. São Bernardo
(48) Ribeiro, Darcy. Maíra
(49) Ribeiro, João Ubaldo. Viva o povo brasileiro
(50) Rodrigues, Nelson. Teatro completo
(51) Sabino, Fernando. O encontro marcado
(52) Sant´ Anna, Sérgio. Um crime delicado
(53) Santiago, Silviano. Histórias mal contadas
(54) Santos, Joaquim Ferreira dos (org.). As cem melhores crônicas brasileiras

"Quanto mais lemos, mais rapidamente somos capazes de executar o truque mágico de ver como as letras foram combinadas em palavras dotadas de sentido. Quanto mais lemos, mais compreendemos, mais aptos nos tornamos a descobrir novas maneiras de ler, cada uma ajustada à razão que nos levou a ler um livro particular." (pág. 17)

terça-feira, 22 de março de 2011

Mário Benedetti - O amor, as mulheres e a vida

O amor, as mulheres e a vida / Mario Benedetti : tradução Julio Luís Gehlen. - Campinas, SP : Verus, 2010.

Não resisti a prosa de Mario Benedetti (vejam postagens anteriores - Correio do tempo e Quem de nós), e aqui ainda estou a folhear um livro de poesia, na verdade, uma Antologia de Poemas de Amor.

A poesia que aqui segue muito faz lembrar um filme que assisti recentemente, Antes de Partir, em que os personagens tem como tema principal de suas vidas que se escoam através de uma doença terminal o valor de um sorriso.

Esta poesia, específica, fala do sorrir, este simples ato mas de suma importância na vida, na verdade, de extrema importância.

Sorrir não é um ato fácil pois diz respeito a um ato dos mais sinceros e despretenciosos, em que as máscaras não existem, como bem relata o autor no poema a observar sua amada neste ato a se mostrar especial e única. Como um...

ARCO ÍRIS


Às vezes
é claro
você sorri
e não importa quão linda
ou quão feia
quão velha
ou quão jovem
quão muito
ou quão pouco
você realmente
seja


sorria
como se fosse
uma revelação
e seu sorriso anula
todas as anteriores
caducam no momento
seus rostos como máscaras
seus olhos duros
frágeis
como espelhos ovais
sua boca de morder
seu queixo de capricho
suas bochechas perfumadas
suas pálpebras
seu medo


sorria
e você nasce
assume o mundo
olha
e ao olhar
indefesa
nua
transparente


e por aí
se o sorriso vem
de muito
muito dentro
você pode chorar
simplesmente
sem dilacerar-se
sem desesperar-se
sem convocar a morte
nem sentir-se vazia


chorar
só chorar
então seu sorriso
se ainda existe
se torna um arco-íris.

(Mário Benedetti - pág. 31, 32)

sábado, 19 de março de 2011

Mario Benedetti - Quem de nós

Quem de nós: uma história de amor / Mário Benedetti ; tradução Maria Alzira Brum Lemos. -
Rio de Janeiro : Record, 2007.

"Incorremos em vários erros, mas acho que o nosso grande equívoco, o mais irremediável, foi nunca falar sobre eles. A única franqueza possível, aquela que possui a maioria dos casais que diariamente se insulta, amaldiçoa e desfruta por igual de suas etapas de ódio e apaziguamento, foi isso que perdemos. Eles estão constantemente atualizando a imagem do outro, sabem reciprocamente a que se ater, mas nós estamos atrasados, você em relação a mim, eu em relação a você."

Após ler a poesia e a prosa descontraída de Mario Benedetti no livro Correio do tempo, conforme tópico anterior, difícil foi não reler o romance Quem de nós por pura saudade da prosa caudalosa de Benedetti.

Quem de nós é um romance extraordinário, retrata, ao longo de três partes, o triângulo amoroso entre os amigos Miguel, Alicia e Lucas, cujos laços afetivos remontam à infância, aos bancos escolares.

Em "Miguel", parte dedicada ao vértice mais delicado da relação, o leitor entra em contato com as anotações do marido que há poucos dias levara a esposa Alicia ao porto de Montevidéu, e cujo último aceno já era a certeza de que ela não mais voltaria; iria a Buenos Aires ao encontro de Lucas, com quem sempre partilhara os mesmos interesses. Ao longo de anos, os dois homens trocaram cartas, e sempre, ao pé da missiva, houve a furtiva intromissão da mulher: "carinhosas lembranças ao bom amigo Lucas".

Na parte dedicada a "Alicia", a narrativa ganha a forma epistolar, e a mulher explica em um longo texto ao ex-marido as razões de sua partida. É patente, nas palavras dela, sua desilusão em perceber que miguel, dono de uma enorme insegurança, acabou empurrando-a aos braços do amigo.

Por fim, a genialidade de Mario Benedetti se reafirma na última parte do livro. "Lucas" (escritor e tradutor) apresenta seu relato do triângulo sob os contornos de um conto, no qual personagens de sua ficção dialogam com os protagonistas desta primorosa novela de Benedetti, cuja genialidade lhe valeu um lugar no panteão dos maiores escritores da América Latina.

Belíssima narrativa!

sexta-feira, 11 de março de 2011

Mario Benedetti - Correio do tempo


Correio do Tempo / Mario Benedetti ; tradução Rubia Prates Goldoni. - Rio de Janeiro : Objetiva, 2007.

Bela a capa do livro Correio do tempo de Mario Benedetti.  Difícil não lembrar de um amigo blogueiro que parece fascinado por imagens com tema de mulher submersa. Surpresa para a capa, pois sendo um autor como Benedetti, já se imagina o belo conteúdo que nos aguarda deste extraordinário autor. Especial já se torna o livro pelos dois motivos expostos.

Um livro de contos, com um tom engraçado permeando toda a leitura, entremeado com belas poesias, aqui apresento a denominada título do livro:

 Correio do tempo

No correio do tempo se acumulam
a paixão desolada/ o gozo trêmulo
e lá fica esperando seu destino
a paz involuntária da infância/
há um enigma no correio do tempo
uma aldrava de queixas e candores
um dossiê de angústia/ promissória
com todos os valores declarados

No correio do tempo há alegrias
que ninguém vai exigir/que ninguém nunca
retirará/ e acabarão  murchas
suspirando o sabor da intempérie
e no entanto/ do correio do tempo
sairão logo cartas voadoras
dispostas a fincar-se em algum sonho
onde aguardem os sustos do acaso

Lembro do intrigante romance 'Quem de Nós', do autor e de como fiquei impressionada com a linguagem intimista envolvendo o leitor com a trama do início ao término do trabalho. Seus temas abordam preferencialmente as mais profundas inquietações da alma humana: amor, morte, tempo, miséria, injustiça, solidão, esperança. Tudo isto com uma linguagem simples e direta deixando o leitor fã incondicional de sua narativa.

Em Correio do tempo não foi diferente: nostalgia, amor e desamor, alegria, abandono, lembranças do passado e reencontros. Mario Benedetti emprega toda a sua habilidade para compor uma coleção de breves relatos que é, ao mesmo tempo, um mosaico de sentimentos e estados da alma que só um escritor como ele é capaz de revelar.


Os contos neste livro tratam dos mais diversos tipos de encontros e despedidas: uma criança passa um fim de semana na casa do pai separado; um homem doente escreve ao amigo pela última vez; uma mulher, isolada, avalia sua relação amorosa com o cônjuge; sobreviventes de dois naufrágios diferentes se encontram acidentalmente numa ilha deserta. A maestria de Benedetti é evidente nos mínimos detalhes. E, principalmente, no humor sutil, que percorre suas histórias mesmo nos momentos mais improváveis e que se tornou uma de suas marcas registradas
Mario Benedetti nasceu em setembro de 1920, em Paso de los Toros, Uruguai. Trabalhou como vendedor, taquígrafo, contador, funcionário público e jornalista. Entre 1938 e 1945, morou em Buenos Aires. Ao retornar a Montevidéu, passou a trabalhar no semanário Marcha.

Dono de uma vasta obra, traduzida em todo o mundo. Morou, nos 12 anos de exílio, na Argentina, Peru, Cuba e Espanha.  Benedetti é considerado um dos principais autores latino-americanos da atualidade.

Na obra:  Sinais de fumaça, Fim de semana, Conciliar o sono, Jacinto, Cambalache, Sonhou que estava preso, Conversa, O dezenove, Não há sombra no espelho, Assalto na noite, Velho Tupí, Os robinsons, Mais ou menos hipócritas, Ausências, Correio do tempo, Com os golfinhos, Terapia da solidão, Bolsa de viagens curtas, A velha inocência, A morte é brincadeira, Um gosto azedo, Secretária eletrônica, Testamento hológrafo, As estações, Primavera dos outros, Nuvem de verão, Revelação de outuno, O inverno próprio, O acabou-se.

quinta-feira, 3 de março de 2011

Antología Plural de la Poesía Uruguaya del Siglo XX - Washington Benavides, Rafael Courtoisie y Sylvia Lago

Antología Plural de la Poesía Uruguaya del Siglo XX


Antología Plural de la Poesía Uruguaya del Siglo XX - studio preliminar, selección y notas: Washington Benavides, Rafael Courtoisie y Sylvia Lago, segunda edición, junio de 1996, Seix Barral.


El Puente

Para cruzarlo o para no cruzado
ahí está el puente

en la otra orilla alguien me espera
con un dranzno y un país

traigo conmigo ofrendas desusadas
entre ellas un paraguas de ombligo de madera
un libro con los pánicos en blanco
y una guitarra que no sé abrazar

vengo con las mejillas del insomnio
los pañuelos del mar y de las paces
las tímidas pancartas del dolor
las liturgias del beso y de la sombra

nunca he traído tantas cosas
nunca he venido con tan poco

ahí está el puente
para cruzarlo o para no cruzarlo
yo lo voy a cruzar
sin prevenciones
en la otra orilla  alguíen me espera
con un durazno y un país

(Mario Benedetti)




Estudio Preliminar, selección y notas:

Washington Benavides nació en Tacuarembó en 1930. Poeta, crítico y ensayista, ha realizado una destacada labor docente y de difusión de la poesia en Uruguay. Entre otros libros, ha publicado: Tata Vizcacha (1961), Las milongas (1965), Poemas de la ciega (1968), Hokusai (1975), Fontefrida (1979), Murciélagos (1981), Finisterre (1986), Fotos (1986), Tía Cloniche (1990), Lección de exorcista (1991), El molino y el agua (1993) y La luna y el profesor (1994).


Rafael Courtoisie nació en Montevideo en 1958. Es narrador, poeta y ensayista. Ha publicado el libro de relatos Cadáveres exquisitos (1995) y la trilogía integrada por El Mar Interior (1990), El Mar Rojo (1991) y El Mar de la Tranquilidad (1995). En poesía ha aparecido, entre otros: Contrabando de auroras (1977), Tiro de gracia (1981), Orden de cosas (1986), Cambio de estado (1986), Textura (1992). En 1995 fue galardonado con el Premio de Poesía de la Fundación Loewe.


Sylvia Lago nació en Montevideo en 1932. Es catedrática de Literatura Uruguaya en la Facultad de Humanidades y Ciencias de la Educación y dirige el Departamento de Literatura Uruguaya y Latinoamericana de la misma facultad. Su obra narrativa comprende las novelas Trajano (1960), Tan solos en el verano (1962), La última razón (1970) y tres libros de relatos: Detrás del rojo (1967), Las flores conjuradas (1972) y El corazón de la noche (1985).



Autores na Antologia

María Eugenia Vaz Ferreira (Montevideo, 1874-1924): El Ataúde Flotante, Vaso Furtivo,La rima vacua, Enmudecer, Único Poema, La Estrella Misteriosa;

Julio Herrera y Reissig (Montevideo, 1875-1910): Desolación Absurda, Solo Verde-Amarillo para Flauta, Llave de U, El despertar, Claroscuro, El Caudillo, La Sombra Dolorosa, Decoración Heráldica, La Culpa, Tertulia Lunática;

Delmira Agustini (Montevideo, 1886-1914): La Sed, Lo Inefable, Ofrendando el Libro a Eros, Fiera de Amor, Otra Estirpe, Visión;

Carlos Sabat Ercasty (Montevideo, 1887-1982): En El Mar, Los Adioses, Libro de La Ensoñación, Soneto;

Fernán Silva Valdés (Montevideo, 1887-1975): El Rancho, La Flecha;

Juana de Ibarbourou (Melo, 1892 - Montevideo, 1979): La Hora, Rebelde, Vida-Garfio, Raíz Salvaje, El Estanque, Encuentro;

Esther de Cáceres (Montevideo, 1903-1971): No Pasarás por el Camino, Porque me Traían tu Sueño, Tú Harás Suave Mi Sueño, Huyes de mis Manos, Canto de las Flores, El Silencio, Las Campanas del Valle, El Ángel del Jardín;

Selva Márquez (Montevideo, 1904-1981): Alguien está Llamando, La Puerta Abierta, Una Noche Cualquiera, El Secreto, Mariposa Nocturna, Regreso, Dando Vueltas, Drama, En La Cocina Ahumada;

Líber Falco (Montevideo, 1906-1955): Una Noche en Malvín, La Moneda, Visita, Decadencia, Lo Inasible, Para Vivir, Desgracia, Pensando en Luis A. Cuesta, Apunte, He Visto a una Niña Triste...;

Sara de Ibáñez (Tacuarembó, 1909 - Montevideo, 1971): Isla en La Tierra, Pasión y Muerte de la Luz, Tiempo III, Nada, Triunfo del Guerrero, Apóstrofe IV,  Guijas, Para la Muerte, Testamento;


Juan Cunha (Sauce de Illescas, 1910 - Montevideo, 1985): Lejos la Cuidad Lejos, A Mi Espalda, Guitarreos, Ya Casi se me fue la Tarde,Repaso, Me voy le Dije al Alba, Y Aquello Solo Allá, Quiero Saber a qué Ladera;

Idea Vilariño (Mongtevideo, 1920): El Encuentro, Entre, Maldito Sea el Día, Oye, Si te Murieras Tú, Voy a Mascar Arena;

Mario Benedetti (Tacuarembó, 1920): Dactilógrafo, Después, Monstruos, Corazón Coraza, Marina, Hasta Mañana, Botella al Mar, Desaparecidos, El Puente, Los Años, Utopías, Mar de la Memoria;


Amanda Berenguer (Montevideo, 1921): La Cinta de Moebius; Del Cuerpo, El Pescador de Caña;

Gladys Castelvecchi (Rocha, 1922):  Posdata, Carteando, Físicas, Mito, Caronte, Penélope;

Ida Vitale (Montevideo, 1923): Palabras, Estilo, A La Velocidad Del Miedo, Invierno, Cuadro, Valores, Contra Engaños;

Humberto Megget (Paysandú, 1926 - Montevideo, 1951): Noticia, Raúl Javier Cabrera, Ay Ay Cómo me Duelen, Tengo Ganas de Risas Raquel, Yo Mi Sobretodo Verde, Tengo El Sueño, Va a Dormirse Una Luz, Cuando nos Recojan Los Frutos;

Jorge Medina Vidal (Montevideo, 1926): Entramos Inconscientes en la Noche, Maestro Chino, Elogio de la Melancolía;

Milton Schinca (Montevideo, 1926): Propagase el Testimonio de Cierta Sustancia, Mediten Frente a Esplendores de una Única Flor, Yo, Redactor Publicitario, Vuelve Jaime Furman, Otro Cumpleaños de Artigas, Te Caíste de la Luz...;

Washington Benavides (Tacuarembó, 1930): Diferencias, Negativo de una Canción, Cuando se Vive al Borde, El Viejo Loco Del Dibujo, No es un Tigre de Papel, Anda un Amigo, Canción de los Lentes, Foto de Trovador, La Revelación Oído en un Teléfono, Prontuario;

Saúl Ibargoyen Islas (Montevideo, 1930): Los Hombres Gordos, Retrato, Aquí Estamos, El Sueño de las Muchachas,  Calle Isla de Flores,La Siempre Enemiga, De: Epigramas..., Inscripción en la Tumba de Ibrahim, Allá en Pérouges;

Nancy Bacelo (Batlle y Ordoñez - Lavalleja, 1931): Sin Aires, En Medio de un Minuto, Cantares, Digo, Doy Vueltas y Qué Carta, La Borrachera de Esta Vida, Varios Esquemas se Cayeron, Ora pro Nobis;

Marosa Di Giorgio (Salto, 1932): Me Acuerdo de los Repollos..., Ellos Tenían Siempre la Cosecha Más Roja..., A Veces, en el Trecho de Huerta..., Los Hongos Nacen en Silencio..., Anoche, Volvió, Otra Vez... De Súbito, Estalló la Guerra, Yendo por Aquel Campo..., Había Nacido con Zapatos..., Bajó Una Mariposa..., Los Leones Rondaban la Casa;

Circe Maia (Montevideo, 1932): Yêndose, La Muerte, Es Así,El Puente, Est Mujer, Sonidos, Poemas de Caraguatá, El Medio Transparente, Espejos,Voces en el Comedor;


Suleika Ibáñez (Montevideo, 1937): La Noche del Zoo, Oficio Iluminista, Amor, Solitário, Noche de Cerveza;

Salvador Puig (Montevideo, 1939): Diálogo del Alba, Presencia del Cielo, Al Comandante Ernesto "Che" Guevara, Tango Infinito, Legenda, Si Tuviera que Apostar;

Cristina Peri Rossi (Montevideo, 1941): Silencio, Linguística General, Contemplación,  Los Hijos de Babel, Antropología, El Bautismo, La Búsqueda, Erótica, El Parto;

Enrique Fierro (Montevideo, 1942): Quiero ver una Vaca, Travestía, Para Walt Whitman, Enterrado en el Cementerio de Harleigh, Quê se le va a Hacer; 


Jorge Arbeleche (Montevideo, 1943): Y Aunque no Seamos ni Jóvenes ni Bellos, El Espacio de las Puertas, Con Martha en Florencia, Meseta, Ágape, Nilo;

Hugo Achugar (Montevideo, 1944): Midas, Marimoña, Himeneo, Veranos, Ilusiones de Pareja, Ser y Estar, A Propósito de Apolo y de las Ratas;

Elías Uriarte (Rocha, 1945): Circunvalaciones, Arriba, Hay Quien Desde Adentro Toca el Dolor, Límites que Conforman Figuras,  Donde no Todo Sea Reflejo..., Equivocamos las Distancias..., La Palabra Amor del Rey..., La Noche Cuida...;

Eduardo Milán (Rivera, 1952): Elena Damilano, Lírica (Madura), Para Regis Bonvicino, Decir Ahí Es Una Flor Difícil, La Aridez de Esos Páramos...,  Ahí va por el Camino Como un Ciego, ?De Qué Hablas?, Mirlo en Cien Versiones de Mirlo, Elena, Eliana o Luna;


Rafael Courtoisie (Montevideo, 1958): Las Jaulas de la Pacîencia, Período Verde, Objetos del Silencio, Vidrio, Aldaba, La Derrota, Certeza del que Duda, Los Robadores de Sueño, Llanto Del Héroe, La Rebelión de las Costureras;


Silvia Guerra (Maldonado, 1961): Y Yo Sola en mi Cuarto, Dependiendo Siempre de ese Impreciso Punto,  Cuando en Realidad lo Único Buscado, Maquilla la Sonrisa, Para Laura y Selene;


Jorge Castro Vega (Montevideo, 1963): Mateo V, 14, Icaro,Odisea, Cato XXV, Falso Testimonio, Construcción, Confesión de Fe, El Esperarte, Como un Navajo ante un Teleobjetivo..., Declaración Pública, Fidelidad al Modelo, The Rest is Silence, Hexagrama 49;

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Fernando Pessoa (1902-1917)

HOJE ESTOU TRISTE como alguém que quer chorar

E já não sabe n alma
Como é que nos olhos se chora...
Entre mim e o sol plácido da calma
Nuvens sinto passar
Rápidos tédios sobre o chão da Hora...

Não sei quem sou perdidamente
Há alamedas de jardins verustos
Naquela angústia com qeu quero o ausente
Ser, tempo, cor das cousas, que me arranque
Desta monotomia com arbustos
Na vida, com buxo calmo, com som de tanque...

O século dezoito que havia em mim,
Pelo menos em lágrimas, passou
Com um ruído de cetim...
No ar de Pompadour já triste
Do teu imaginado vulto errou
Do meu presente o mal que em mim existe...

Meu corpo pesa no meu pensamento
De nunca deslocar-me até à alma
E ter sempre o momento
Aqui eterno enquanto dura...
Não haver villas de romana calma
Por estradas atingidas de amargura...

O sol acorou-me num disfarce
Da natureza do meu triste amor
Por tudo quanto passou
E eu vejo como se nunca passasse
Mas ele passa e tem no gesto a cor
Das cousas vistas na alma irreal que sou.

Não deixes, minha sombra amarelada
De branco, bruxuliante
Na hera do teu jardim, de esta ciciada
Dança erma e galante
Das palavras trocadas em disfarce
Dum pensamento vago que atravessa
As salas que estão diante...

Deixa que a brisa como um cisne passe
No lago da visão que cessa.

(POESIA - 1902-1917 - Fernando Pessoa)

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Adeus, China - O Último Bailarino de Mao - Li Cunxin

Adeus, China / Li Cunxin; [versão brasileira da editora] - 1. ed. - São Pualo, SP : Editora Fundamento Educacional, 2009.

"Lembro-me de um ano que nossa comuna tentou plantar amendoim em pequenos pedaços de terra, mas a safra foi decepcionante. Depois da colheita, um grupo de meninos mais ou menos da minha idade - 6 ou 7 anos - foi para o terreno plantado, levando pás e cestos de bambu, na esperança de encontrar, como fazíamos com os inhames, alguns amendoins perdidos. Depois de horas e horas de busca, o resultado foi quase nenhum. Mas eis que um dos meninos descobriu, nos limites do terreno, um buraco de rato. Que sorte para um vando de garotos famintos! Ele começou a cavar imediatamente. Ficamos todos em volta dele, como que atraídos por um ímã. Ratos sempre estocam alimentos para o inverno daí o misto de excitação e inveja com que observávamos a cena. Estávamos todos de pé, porque se acreditava que ajoelhar ao lado de um buraco de rato fazia o túnel desabar e desaparecer. O menino cavava o mais rápido possível, com o traseiro para cima. Várias vezes quase perdeu o túnel, bloqueado pelos ratos. Então, vimos que havia ramificações em direções diferente, com três pontos de armazenagem: um de amendoins descascados, outro de amendoims meio descascados e um terceiro de amendoins com casca. Os ratos, porém, não foram encontrados. Provavelmente, tinham uma rota secreta de fuga.
O menino de sorte levou para casa quase meio cesto de amendoins. Secretamente, fiquei com pena dos ratos que tinham perdido a comida. Afinal, eles também poderiam morrer de fome no inverno. "Mundo cruel" eu pensei, "em que crianças competiam com ratos por comida." (pág. 24)

Adeus, China, livro de fácil e fluente leitura desbrava a rotina e cultura da família Li, mais especificamente a vida de Li Cunxin, que como tantas outras famílias de camponeses em um vilarejo desesperadamente pobre do nordeste da China, luta pela sobrevivência no pós-guerra e chega ao estrelato no Ocidente, um relato verdadeiro e extraordinário da vida de um garoto. História de grande coragem e determinação provando que nada é impossível quando se tem a perseverança por meta.

"Senti as lágrimas dela escorrendo pelos meus cabelos.
- Somos muito pobres! Os deuses no céu não respondem às nossas preces e até o diabo nos abandonou. Não há esperança para nós - ela suspirou.
- Pare com isso! Não diga isso! - pedi. Eu detestava vê-la tão triste.
Ela continuou, como se não me houvesse escutado:
- Como eu gostaria de ter dinheiro para lhe comprar um carrinho de brinquedo! Mas não temos dinheiro nem para a comida!
- Um dia eu vou ter bastante comida! - jurei para mim mesmo.
Ela me abraçou, ainda soluçando. Não sei quanto tempo durou aquele abraço, mas desejei que não acabasse nunca. (pág. 29)."

Nesta bela passagem, Li Cunxin aos 5 anos de idade chega em casa com o carrinho do visinho e a mãe o faz devolver ante seus protestos. Longe estaria sua mãe de imaginar que seu filho que tantas vezes foi estudar sem ter o que comer seria em breve uma estrela, o queridinho do Ocidente. Uma história de persistência onde é relatado a infância, vida em Pequim e grande trajetória de vida no Ocidente:

"Naquela noite, ao jantar, depois que a 'niang' contou a todos o que eu tinha feito, meu 'dia' falou:

- Apesar de não termos dinheiro e comida, de não podermos comprar roupas e de vivermos em uma casa pobre, temos ORGULHO. Orgulho é o que temos de mais precioso na vida. Desde os tempos difíceis vividos por nossos antepassados, a família Li sempre teve orgulho e dignidade. Sempre tivemos uma boa reputação. Quero que vocês todos se lembrem disto: nunca percam o orgulho e a dignidade, por mais difícil que seja a vida." (pág. 29)

A História de Li Cunxin é exemplo de luta onde chegar a um ponto desejado depende somente de determinação, foco e esforço independente se o mundo te diga o tempo todo não. Depende basicamente de você e o primeiro passo é reconhecer quais desejos o movem. E Li Cunxin chegou com dignidade e amor.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

28 contos de John Cheever

"Uma página de boa prosa permanece invencível." afirma John Cheever ao aceitar a honraria no Carnegie Hall, em Nova York ao receber a National Medal for Literature, dois meses antes de sua morte de câncer. A revista New Yorker por quem colaborou por muitos anos, o descreveu como "uma das maiores figuras literárias do país nos últimos cinquenta anos" .

John Cheever nasceu em Quincy,Massachusetts, em 1912. Lança seu primeiro romance, The Wapshot Chronicle, em 1958, pelo qual recebe o prêmio mencionado. Publicou ainda diversas coletâneas de contos - entre os quais The Stories of John Cheever, ganhadora do prêmio Pulitzer em 1979 - e os romances The Wapshot Scandal (1964), Bullet Park (1969) e Falconer (1977). Considerado um do maiores contistas americanos.

O livro 28 contos de John Cheever, seleção e prefácio de Mario Sérgio Conti e tradução de Jorio Dauster e Daniel Galera que inicia com o conto Adeus, meu irmão já marcando o forte relacionamento de John Cheever com seu irmão a qual a vida separou, é uma coletânea de contos considerada um fenômeno editorial até hoje, mais de trinta anos depois. Nunca, até e desde então, um livro de contos, gênero que raramente chega às listas de mais vendidos, obteve tamanho sucesso nos Estados Unidos: vendeu 125 mil exemplares na edição de capa dura e figurou por seis meses na lista de best-sellers do New York Times.
O triunfo se estendeu ao circuito da literatura institucional e à imprensa. The Stories of John Cheever ganhou três dos prêmios literários mais prestigiosos, o Pulitzer, o Nacional Book Circle Critics Award e o American Book Award, conforme mencionado.

Difícil é selecionar o melhor dos 28 contos: Adeus, meu irmão; O enorme rádio, Ó cidade dos sonhos falidos; Os Harthey; O camponês de verão; Lamento amoroso; O pote de ouro; O Natal é uma época para os pobres; A temporada do divórcio; A cura; Os males do gim; Oh, juventude e beleza!; Só mais uma vez; O invasor de Shady Hill; O bicho da maçã; O caminhão de mudanças vermelho; Só quero saber quem foi; A cômoda; Miscelânea de personagens que ficarão de fora; O general de brigada e a viúva do golfe; Uma visão do mundo; Reencontro; Mene, Mene, Tekel, Upharsin; Marito in città; O nadador; O mundo das maçãs, Três histórias; As jóias da sra. Cabor.

28 contos / John Cheever ; seleção e prefácio Mario Sergio Conti ; tradução Jorio Dauster, Daniel Galera. - São Paulo : Companhia das Letras, 2010.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Mário Quintana - O Aprendiz de feiticeiro


Mundo

E eis que naquele dia a folhinha marcava uma data em
                                   [caracteres desconhecidos,
Uma data ilegível e maravilhosa.
Quem viria bater à minha porta?
Ai, agora era um outro dançar, outros os sonhos
                                                    [e incertezas,
Outro amar sob estranhos zodíacos...
Outro...
E o temor de construir mitologias novas!

(O Aprendiz de feiticeiro - Mário Quintana)

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Antônio Miranda - Despertar das Águas e outros

PRESSENTIMENTO

Para Fernando Pessoa

"Se eu penso com palavras
com que tento o pensamento,
então, como é que penso
o meu amor intenso?
Tenso, eu mesmo respondo:
não penso com palavras
- penso-o sem pensamento:
puro pressentimento.

Sinto-o com o corpo febril
e atento.

Mas é pensar esse sentir
que nem o sentimento pressente

porque é ausente de palavras?
- se a palavra sempre mente
sendo, como é, insuficiente -
para exprimir o que se sente...

Amar com o corpo
e nunca com as palavras
com que pensamos
e amamos: coxas, seios,
pênis, umbigo, sêmen,
orgasmo, homem.

Ou será que se ama
somente quando
se percebe e sente
integralmente: corpo e mente
o amor que ressente
- sentindo o sentimento
pelo pensamento?

Complicado? Alguém
que não ama
enquanto ama
mas apenas
ao mentar
o amor que experimenta.

Que não ama enquanto
nem durante
mas conquanto
e consoante com o pensar
e o ruminar...

Seria como amar o amor
e não apenas a quem se ama
mesmo que o amor
nem amor fosse...

Em tal gongorismo
ama-se o amor
que é amado
e não o próprio amor!"

(Antônio Miranda - Despertar das Águas)

A internet é definitivamente um local de encontros. Fui gentilmente presenteada com livros de poesia do caro autor Antônio Miranda, autor da poesia PRESSENTIMENTO, que possui página oficial na internet: http://www.antoniomiranda.com.br/ .

Foi uma grata surpresa receber seus livros de poesia com uma carinhosa dedicatória, que tenho aqui a oportunidade de compartilhar com os caros leitores.

Seus versos tem a vivacidade de homem que soube realiza grandes projetos contribuindo para a grandeza não somente de nosso país, mas países da América Latina dedicando-se à produção literária  e artística, sendo agraciado com prêmios pela crítica internacional. Miranda, poeta, escritor, dramaturgo, viveu e publicou em Buenos Aires (Argentina), Caracas (Venezuela), Bogotá (Colômbia) e Londres (Inglaterra).

O prestimoso poeta agraciou-me ainda com outros livros, presente da Biblioteca Nacional de Brasília: Tributo ao Poeta (vol. 1 e 2) e Poemário (I Bienal Internacional de Poesia de Brasília) que pretendo fazer resenha futura para os prestimosos caros amigos.

(01) Despertar das Águas / Antônio Miranda - Brasília: Thesaurus, 2006. 83p (veja início da postagem).


(02) Poesia no Porta-Retrato / Antônio Miranda; seleção e estudo por Elga Pérez-Laborde / Brasília : Thesaurus, 2007. 136p.






(03) PER VER SOS / Antônio Miranda. Trad. Elga Pérez-Laborde. Ilustrações José Campos Biscardi. - Brasília : Thesaurus, 2004. 96p.







(04) Poemi Di Antônio Miranda / Giornata Mondiale della Poesia 2009 - Accademia Mondiale della Poesia - "Confluenze transatlantiche: I' Europa saluta il Brasile, omaggio alla poesia brasiliana dalle origini ai giorni nostri", ospite d' onore Marcia Theophilo. Verona, Italia, 28-29 marzo 2009.

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