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sábado, 16 de janeiro de 2016

Convite - Lançamento do livro "Cartas e pássaros"



É com alegria que convido os amigos para o lançamento do meu primeiro livro "Cartas e pássaros", onde são apresentados 13 contos: Alça de caixão, A pescaria, Cara da avó, Cartas e pássaros, Fluxo de consciência, Homenagem, Galinho, O acidente, Pai Nosso, Papagaios, Porta de igreja, Verão, 202.



Sinopse da contra-capa:

"A autora, desde tenra idade, descobriu o prazer de brincar com as letras e apreciar o azul profundo do mar na Princesinha do Atlântico, Macaé, litoral do Estado do Rio de Janeiro.

Gosta de observar o olhar dos homens do mar, sejam eles pescadores ou trabalhadores da indústria, onde a diversidade de rostos e cultura é uma constante.
Assim transparecem os contos "A pescaria", "O acidente", "Homenagem" e "Cartas e Pássaros".

Retrata ainda a exclusão em um mundo farto de recursos nos contos "Cara da avó", "Galinho", "Pai Nosso", "Papagaios" e "Porta de igreja".

Espelhos sociais são apresentados nos contos "202", "Fluxo de consciência", "Verão" e "Alça de caixão", onde a frágil vida pode esvair-se como o sopro de uma leve brisa alçando novos rumos, como o voo de um pássaro.

Contacto para aquisição da obra: ligiajoaquim@yahoo.com.br


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Machado de Assis - Melhores Contos

Melhores Contos - Machado de Assis
Seleção de Domício Proença Filho

Poderia discorrer longo texto sobre a universalidade e atualidade da obra de Machado de Assis que nada estaria acrescentando de novo, do já editado, confirmado, por críticos, literários ou mesmo nobres  tradutores e conhecedores de sua obra, como o Domício Proença Filho, que bem selecionou os Melhores Contos - Machado de Assis.

domingo, 15 de janeiro de 2012

deonísio da silva - contos reunidos

contos reunidos - Deonísio da Silva.
 - São Paulo: Leya, 2010. 608p.

Farta a prosa de Deonísio da Silva onde em 86 contos extravasa todo seu extrato da palavra. Surpreendente a variedade de vozes que habitam os contos do catarinense, vencedor do Prêmio Literário Casa de las Américas com o romance Avante, soldados: para trás.

Magníficos contos ora líricos, dramáticos, hilariantes ou irônicos o autor ultrapassa as formas tradicionais de narração comprovando o pleno domínio da técnica da narrativa curta. Um merecido premiado escritor.
É só conferir:

A antiga vida vadia de Brandina

Era difícil acreditar na sua beleza antiga, quando o que se podia notar eram uns seios murchos, penduricalhos incompetentes na barriga fofa. O vestido comprido não mais mostrava as coxas famosas. Apenas se podia vislumbrar, sob a saia, uns ossos encardido e rangedores, cobertos por pele de pouca tintura.
Parecia a Marta de um desses quadros das histórias sagradas ilustradas, que apresentam Nosso Senhor e Maria. Marta sempre aparece trabalhando.
Impregnara-se do vício santo de cuidar de crianças: criara muito mais netos do que filhos propriamente.
No rodízio feito da casa de um genro para a casa de uma nora, justificava a sua filosofia de velha, proferida na boca murcha pela falta de dentes. Contava-lhes então inúmeras histórias acerca das particularidades do nascimento e da criação de cada um dos dezessete filhos, enfatizando as peripécias que haviam conspirado contra a existência do ser humano no mundo. Escutavam as histórias fantásticas, sem acreditar. Julgavam-na caduca já. Se insistia, resmungavam que, pelo jeito, tinha passado o seu tempo de nova no Inferno. Doía-lhe a incredulidade, mas calava. Antigamente brigara, embrabecera os braços. Agora não mais. Seus gestos eram semrpe de ternura.
Filhos da contestação juvenil - que já começava a apontar também na roça -, os netos iam aos poucos se recusando a aceitar sua super-realidade antiga.
Eram poucos os velhos que a rodeavam - os mais estavam no cemitério - quando ela também foi. Acalentava o nenê da filha, em cuja casa estava hospedada por força de seu histórico rodízio, quando caiu no fogo do chão, por sobre o qual estavam dependuradas em correntes as panelas de ferro, cozinhando a oia para os da roça. Não encontrou forças para escapulir, mas conseguiu jogar a criança a salvo. No esperneio, derrubou a comida quante por cima de si mesma. Os gritos decerto foram muitos, mas a roça era longe e os vizinhos mais ainda. Quando o pessoal chegou, o pequeno chorava num canto. No meio do fogo, a velha, muiro mais assada do que São Lourenço, seu santo de mair devoção.
Então, pouco a pouco, suas histórias tornaram-se fantásticas na boca daqueles que as haviam negado. Erigiram-lhe um oratório, o que levou um velho remanescente a recordar a vida vadia que ela levava antes de juntar-se a um fecundo fazendeiro. Talvez o velho assim procedesse apenas para valorizar ainda mais o seu perdão. Disseram que o velho era caduco, Brandina...

Deonísio da Silva diz-se jardineiro e botânico das palavras. Publicou sete romances, diversos livros de ensaios e infantojuvenis, totalizando 33 obras. Seu livro de estreia, Exposição de motivos, foi levado à televisão por Antunes Filho, em teleteatro, e recebeu do Ministério da Educação o prêmio de melhor livro do ano (1976). Desde então, o reconhecimento pela importância de sua obra só têm expandido fronteiras: além do Prêmio Internacional Casa de las Américas pelo romance Avante, soldados: para trás (1992), foi também laureado pela Biblioteca Nacional por outro romance referencial, Tereza D´Ávila: namorada de Jesus (1997), já adaptado para o teatro. É ademais autor de obras de referência, como A língua nossa de cada dia e De onde vêm as palavras. Doutor em Letras pela USP, é professor titular e pró-reitor de Cultura e Extensão da Universidade Estácio de Sá, no Rio de Janeiro.

domingo, 24 de outubro de 2010

Contos Brasileiros 2 - para gostar de ler


Os autores de Contos Brasileiros 2 mostram que para criar uma boa história é preciso entender bem sua matéria-prima, o próprio ser humano. Às vezes com humor, outras com pessimismo, com os dois pés no chão ou com a cabeça na lua, esses contadores de histórias retratam sua realidade e abrem espaço para que os leitores tirem suas próprias conclusões.

Através de "Contos Brasileiros 2" fica retratado que a difícil arte de escrita pode ser percebida de diferentes formas por seus autores.

Para Machado de Assis as ideias são como nozes: para saber o que o que está dentro de uma ou de outra, é preciso quebrá-las. Só assim tomam forma, se transformam desde poesias até grandes romances. 

João Antônio vive os fatos antes de escrevê-los; não consegue inventar histórias e personagens que não tenham acontecido ou existido na realidade.

Lygia Fagundes Telles vê o escritor como um lutador de boxe, enfrentando lutas com muita paciencia, humildade e até humor. Nos descaminhos dessas lutas é que se percebe a inspiração e até a vocação verdadeira. Murilo Rubião também pensa de forma parecida: quando cria uma história, o escritor precisa passar por uma tremenda luta com a palavra, rasgando papel e revirando o texto...

Clarice Lispector pensava quando criança pensava que os livros nasciam como árvores ou como pássaros. Ao descobrir que existiam autores, e que eram eles os responsáveis por todas as ideias presentes nos livros, decidiu que seria escritora, e assim transmitiria todos os seus pensamentos na forma de palavra escrita.

Estes e outros escritores como Murilo Rubião, Wander Piroli e Moacyr Scliar revelam modos de transofrmar pensamentos em letra corrida, em contos que trazem ótimos momentos de leitura. De maneira e estilos diferentes eles mostram uma característica - e uma ideia - comum: a maestria e a paixão pelo ato de escrever.

Cem anos de perdão, A armadilha, Trabalhadores do Brasil, Dezembro no bairro, Macacos, Festa, Meninão do Caixote são alguns dos contos apresentados neste simples e não menos importante livro.

Boa leitura!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

50 Contos de Machado de Assis - selecionados por John Gledson

"Ler Machado de Assis era uma tentação permanente, quase como se fosse um vício a que tivesse de resistir.", dizia Carlos Drummond de Andrade.

Ler 50 contos de Machado de Assis, do professor John Gledson é um excelente lugar para praticar este vício. Dos cerca de 200 dos 50 contos escolhidos foram todos escritos depois de 1878, quando o autor já tinha quase 40 anos.

Costumo ler um livro de contos paralelamente a minhas leituras, para permitir um tempo de reflexão à obra que está sendo lida. Ler os contos de Machado de Assis é formidável pois ele continua atualíssimo com seu jeito de se dirigir diretamente ao leitor, constrói uma leitura íntima, participativa.

Muitas são as tentativas de rotular o 'Bruxo do Cosme Velho' que livremente escreveu sobre temas analisados como repetitivos (ciúme, dinheiro, parasitismo da elite) e até citados na revista "Bravo!" no artigo entitulado "As Obsessões de Machado de Assis", "onde estudos se debruçam sobre os temas que atormentaram o escritor ao longo da carreira", por Ariel Kostman. Certo mesmo é que Machado sabia onde queria chegar, sabia conquistar o leitor tão difícil em seu tempo histórico onde o romantismo imperava absoluto e devia se divertir muito com o que escrevia, pois suas escritas são antes que irônicas, muito divertidas sem contar o aprofundamento psicológico nos personagens, e isto a 25 anos das deduções que Freud poderia ter feito em alguns campos que Machado acabou por superar o conceituado profissional.

Segundo artigo especial  sobre a vida de Joaquim Maria Machado de Assis (1839-1908) na revista "Almanaque das Letras", Ano 1 - n. 2 - Jan de 2008, o autor da imortal Capitu passou por todos os gêneros literários. Foi jornalista, contista, cronista, romancista, poeta e teatrólogo. è o fundador da cadeira n. 23 da Academia Brasileira de Letras e um dos criadores da casa. Por mais de dez anos esteve à frente da presidência da Academia. Teve origem bem humilde: filho do operário Francisco José Machado de Assis e de Leopoldina Machado de Assis, perdeu a mãe muito cedo. Foi criado pela madrasta, lavadeira e doceira. Sem meios para cursos regulares, estudou como pode e, em 1855, aos 16 anos, publicou o primeiro trabalho literário, o poema "Ela", na Marmota Fluminense.

Autor de 9 romances, 4 livros de poesia, 7 de contos, 10 peças de teatro, além de críticas, traduções e crônicas, Machado foi o crítico da sociedade fútil, da falsidade, da retórica vazia, mas foi consciente de que é impossível fazer o relato completo da realidade, pois o sentido das coisas não é estável, é movediço; não é sólido, mas gelatinoso. Seu humor é gráfico, brinca com associações de idéias, desenha-se na imaginação do leitor, não vem da piada explícita. Daí seu esmero retórico, informa a revista 'Língua Portuguesa' , Ano III - número 29 - 2008.

Ah, Machado, só lendo!

Sumário:  O machete, Na arca, O alienista, Teoria do medalhão, Uma visita de Alcebíades, D. Benedita, O segredo do Bonzo, O anel de Polícrates, O empréstimo, A sereníssima república, O espelho (*), Verba testamentária, A chinela turca, A igreja do Diabo, Conto alexandrino, Cantiga de esponsais, Singular ocorrência, ùltimo capítulo, Galeria póstuma, Capítulo dos chapéus, Anedota pecuniária, Primas de Sapucaia!, Uma senhora, Fulano, A segunda vida, Trina e una, Noite de almirante, A senhora do Galvão, As academias de Sião, Evolução, O enfermeiro, Conto de escola, D. Paula, O diplomático, A cartomante, Adão e Eva, Um apólogo, A causa secreta, Uns braços, Entre santos, Trio em lá menor,Terpsícore, A desejada das gentes, Um homem célebre, O caso da vara, Missa do galo, Idéias de canário, Uma noite, Pílades e Orestes, Pai contra mãe.

(*) leia on-line em http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/espelho.html

Assis, Machado de / 50 contos / Machado de Assis; seleção, introdução e notas John Gledson. - São Paulo : Companhia das Letras, 2007.

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