terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Renata Pallottini

Renata Pallottini
Renata Pallottini começou a publicar seus poemas na revista da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, na qual ingressou aos 17 anos. Fez também o curso de Filosofia, formando-se em 1951. Um ano depois, lançou seu primeiro livro, Acalanto. Desde muito cedo, a poesia foi, para Renata Pallottini, sua "maneira peculiar de colocar-se no mundo, de interpretá-lo, de comunicar-se com ele".

Ao se formar em Direito em 1953, abriu um escritório de advocacia, mas só exerceu a profissão por alguns anos. Na mesma época, publicou O monólogo vivo, com o dinheiro ganho em um concurso de poesia do jornal A Gazeta.

Em 1957, Renata Pallottini foi à Europa, onde conheceu Gloria Fuertes, poetisa espanhola, que muito a influenciou. Um ano depois, já na cidade portuguesa de Tavira, publicou Nós, Portugal, seu primeiro livro editado fora do Brasil. Voltou à Europa em 1959, como bolsista. Estudou na Faculdade de Letras da Universidade de Madri, quando se aproximou dos poetas espanhóis Gabriel Celaya, Angel Crespo e Carlos Bousono, e dos portugueses António Ramos Rosa e Egito Gonçalves.

De volta ao Brasil, matriculou-se na Escola de Arte Dramática de São Paulo. Desde então, passou a exercer atividades profissionais diversas, atuando no magistério, no teatro e na teledramaturgia. Começou a lecionar na Escola de Arte Dramática em 1964. No ano seguinte, com a comédia O crime da cabra, ganhou os prêmios Molière e Governador do Estado. Em seguida foi para a USP, onde defendeu tese de doutorado. Desses estudos teóricos resultou a publicação de Introdução à dramaturgia e Dramaturgia: construção do personagem. Renata também deu curso e aulas na Itália, no Peru e em Cuba (para onde viaja quase todo ano, desde 1988). Tradutora e roteirista de TV, participou ainda de diversas atividades na área da política cultural.

Os textos de Renata Pallottini revelam uma reflexão sobre a condição do homem e do mundo, captada com sutileza e comunicada com a força da síntese lírica. O reconhecimento de público e crítica veio com a publicação da antologia Chão de palavras, de 1977. A partir de então, a poetisa começou a participar de recitais, feitos na rua, passando a dizer seus poemas onde fosse possível. Obra poética, de 1995, omite seus dois primeiros livros, considerados imaturos pela autora.

Em todas as atividades a que se dedica, Renata Pallottini se diz "fundamentalmente, visceralmente poeta", por encontrar na poesia seu "chão mais rico e fecundo onde se fincam suas raízes artísticas".



A PALAVRA AMOR

A palavra amor
honesta e escassa
sem outros afagos
sem outros adornos

simples e amarga
que não impelida
que não justaposta
justa e arrancada

da terra da carne
da carne da alma
terra silenciosa
que se esfarelasse

seca e despojada
a palavra exata
amor sem mais nada
amor imesclado

amor mais amado
e feito palavra.
A palavra amor.
Dita e sepultada.


Obras da autora
POESIA: Acalanto, 1952; O cais da serenidade, 1953; O monólogo vivo, 1956; A casa, 1958; Nós, Portugal, 1958; Livro de sonetos, 1961; A faca e a pedra, 1965; Antologia poética, 1968; Os arcos da memória, 1971; Coração americano, 1976; Chão de palavras (antologia), 1977; Noite afora, 1978; Cantar meu povo, 1980; Cerejas, meu amor, 1982; Ao inventor das aves, 1988; Esse vinho vadio, 1985; Praça maior, 1988; Obra poética, 1995; Os loucos de antes, 2000.

PROSA: Mate é a cor da viuvez (contos), 1975; Nosotros (romance), 1995; Ofícios & amargura (romance), 1998.

ENSAIOS: Introdução à dramaturgia, 1983; Dramaturgia: construção do personagem, 1989; Cacilda Becker (biografia), 1997;  Dramaturgia de televisão, 1998.

OUTRAS: Escorpião de Numância (teatro), 1969; Pequeno teatro (teatro), 1970; Tita, a poeta (infantil), 1984; O mistério do esqueleto (infantil), 1985; Colônia Cecília (teatro), 1987; Café com leite (poesia - infantil), 1988; Do tamanho do mundo (infantil), 1993; Anja (poesia - infantil), 1997; Sempre é tempo (infantil), 1998.

Fonte: 100 Anos de Poesia - Um panorama da poesia brasileira no século XX - Volume II, pág. 119.

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