quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Alexei Bueno

Alexei Bueno
Sem ti é falso o jardim velho, e fica o frio,
E fica o mármore, o feijão, o olhar vazio,
E a melhor frase que uma boca não falou.


Alexei Bueno escreveu seus primeiros versos aos 10 anos de idade. Foi um leitor precoce, mergulhado desde cedo nos escritores brasileiros da escola romântica e na obra dos grandes poetas portugueses. Depois veio a descoberta dos clássicos da poesia universal. Ao mesmo tempo, nutria uma especial admiração pela poética épica, dramática e lírica. Tantas leituras não traduzem necessariamente influências. Todavia, ele percebe claramente uma proximidade entre seus versos e o Simbolismo e o pós-simbolismo.

Criado em Copacabana, Alexei Bueno fez os estudos secundários no Colégio Santo Inácio. Aos 16 anos de idade, editou por conta própria seus primeiros versos: O tempo anoitecido. Foi o princípio de um longo caminho, até A via estreita, de 1995, escolhido melhor livro de poesia do ano pela Associação Paulista de Críticos de Arte, e contemplado com o prêmio Alphonsus de Guimaraens da Biblioteca Nacional. No mesmo ano, foi hóspede do Palácio do Marquês da Fronteira, em Lisboa, recolhendo material para uma antologia da poesia portuguesa contemporânea. Apreentou seus poemas em recitais na Casa de Fernando Pessoa, no Palácio da Fronteira e na Biblioteca Caluste Gulbenkian.

Conforme observa Ivan Junqueira, suas fontes poe´ticas remontam à Grécia antiga: "Alexei Bueno revela-se poeta de um verso extrema e concisamente medido, e, mais do que isso, herdeiro do que deve aqui ser entendido como uma espécie de prolongamento dessa tradição poética que nos vem desde Homero (...), aquele continuum literário que se estende do século VI a.c. aos dias de hoje." Antônio Carlos Secchin, ao resenhar seu livro A juventude dos deuses, confirma: "Como a visão do frontispício de algum templo grego, que nos oferece a altura rejuvenescedora das mais antigas verdades, este livro é definitivamente dotado da força da verdadeira poesia."

Poeta, tradutor e editor, Alexei Bueno formou-se em Antropologia pela UFRJ, mas não exerce a profissão. É diretor do Instituto Estadual do Patrimônio Cultural do Estado do Rio de Janeiro, e conselheiro editorial da Nova Aguilar e da Lacerda Editores. Faz palestras em universidades, bibliotecas, encontros e congressos culturais, e tem colaborado periodicamente em vários dos principais jornais e revistas do país, além de escrever para a jornais e revistas literárias de Portugal, México, Estados Unidos e Venezuela.

1963, nasce no dia 26 de abril no Rio de Janeiro.


"O fenômeno claríssimo chamado de "inspiração", muito bem determinado pelos gregos, é sem dúvida verdadeiro. Por ele, que não passa de um momento de total concentração, consciente e inconsciente, de todas as reservas intelectuais e emocionais do indivíduo, é que se explica a eclosão da obra em determinado momento e não em outro, às vezes com períodos de condensação criadora ou soluções de continuidade espantosos. Mas estou falando do meu caso pessoal."
Alexei Bueno


"É no nível da linguagem metafórica, na rica tradição da imagem, 
que o poeta Alexei Bueno tem construído sua obra."
Assis Brasil



UM RISO

Ouvimos longe um riso. É das estátuas?
As brancas chamas pétreas e autofátuas?
Não, elas se mantêm, lápide e herma,
Com a alta boca homotérmica e enferma.

Ouvimo-la ainda. São hienas
Entrando em granjas e espalhando penas
Hilariantes pela dentadura?
Não, carnes não berram na noite escura.

Segue o riso. Serão os que olham o ouro
Como um comum metal, e põem do couro
Da língua baba azul e sons de prata?
Não, estes são só em p´ropria casamata.

Ainda riem. Serão talvez os cítricos
E verdes anciãos apocalípticos
De si mesmos, rangendo com emoção
Seus dias? Não, não têm recordação.

Riem, riem. Podem ser os astrônomos
Chupando os astros em gomos autônomos
De luz, pela boca branca dos cúmulos -
Nimbos! Não, eles só se acham em túmulos.

São as latas caindo? São os loucos?
São os porcos se emporcalhando aos poucos?
São na noite os penetras? São os joelhos
Dos fragelantes, sacros e vermelhos?

É Deus? Não, são, só os natimortos,
A rir, a rir, entre os dedinhos tortos
Gelando em baba e sangue contra o ar
DO haver, por não entrar, por não entrar!


Obras do autor

POESIA: O tempo anoitecido, 1979; As escadas da torre, 1984; Poemas gregos, 1985; Poesias, 1987; Nuctemeron, 1988: A decomposição de Johann Sebastian Bach, 1989; Magnificat, 1990; Lucernário, 1993; A via estreita, 1995; A juventude dos deuses, 1996; Entusiasmo, 1997; Em sonho, 1999.

ANTOLOGIA: A chama inextinguível, 1992.


Fonte: 100 Anos de Poesia - Um panorama da poesia brasileira no século XX - volume II - organização Claufe Rodrigues e Alexandra Maia - o Verso Edições - 2001 - Rio de Janeiro.




2 comentários:

  1. Estava procurando informações sobre ele e você acabou de postar... obrigado! Adorei

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  2. Bom dia!
    Obrigada pela visita e comentário.
    Que ótimo a coincidência!
    Abraços cordiais,
    Lígia Guedes.

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