domingo, 13 de outubro de 2013

Alexandre Dumas Filho

Alexandre Dumas Filho

1824 - Em 27 de julho, nasce em Paris Alexandre Dumas, filho natural do escritor Alexandre Dumas.
1831 - Seu pai o reconhece legalmente como filho e reivindica sua guarda na justiça.
1840 - Manda imprimir uma coletânea de versos de sua autoria, intitulada Pecados da Minha Juventude.
1842 - Viaja à Itália em companhia do pai.
1844 - O pai se separa da esposa, e Alexandre Dumas passa a morar com ele. Apaixona-se pela cortesã Marie Duplessis.
1845 - Parte com o pai em uma viagem à Espanha e à África.
1847 - Escreve As Aventuras de Quatro Mulheres e um Papagaio. Recebe a notícia da morte de Marie Duplessis. É publicado o romance A Dama das Camélias.
1850 - Escreve o romance Tristan le Roux.
1852 - A Dama das Camélias (*) é encenada no palco pela primeira vez. Inicia um relacionamento com Nadine (Nadja Naryschkine).
1853 - Publica Diane de Lys. Giuseppe Verdi apresenta em Veneza a ópera La Traviata, baseada em A Dama das Camélias.
1855 - Publica Le Demi-Monde.
1857 - Em maio nasce a filha Jeanine. Publica A Questão do Dinheiro.
1858 - Publica O Filho Natural.
1859 - Publica Um Pai Pródigo.
1860 - Em novembro nasce a segunda filha, Colette.
1864 - Nadice fica viúva. Dumas e ela se casam. Dumas reconhece publicamente a paternidade das duas filhas de seu relacionamento com Nadine.
1867 - Escreve As Idéias de Mme. Aubray e o romance semi-autobiográfico L´Affaire Clémenceau.
1874 - Ingressa na Academia Francesa de Letras.
1876 - Publica A Estrangeira.
1885 - Escreve Denise.
1894 - É condecorado pela Legião de Honra.
1895 - Morre Nadine, sua esposa. Dumas casa-se com Henriette Régnier, 27 anos mais nova que ele. Morre em 27 de novembro, em Marly-le-Roy.


(*) A Dama das Camélias
Obra clássica do Romantismo, A Dama das Camélias conta a história de amor avassaladora de um jovem da alta burguesia francesa, Armand Duval, por uma belíssima plebéia do interior, Marguerite Gautier. Apesar do rico lirismo que reveste a narrativa, a ousadia realista do tema chocou - e ao mesmo tempo fascinou - a sociedade francesa da época.

(*) Os Três Mosqueteiros
Romance de capa e espada mais famoso de todos os tempos, Os Três Mosqueteiros mescla realidade e fantasia. Na França do século XVII um jovem pobre do interior, d´Artagnan, chega a Paris decidido a tornar-se um dos mosqueteiros do rei Luís XIII. Alia-se a Athos, Porthos e Aramis e, juntos, participam de guerras, duelos, romances perigosos e muitas intrigas.



Sob o reinado de Luís XVIII, neto de Luís XV, a França vive um momento político de grandes definições. Napoleão Bonaparte, em 1815, é finalmente derrotado pelos ingleses e enviado á ilha de Santa Helena. A França recupera seu prestígio internacional e vive um período economicamente próspero. Com a morte de Luís XVIII, em 1824, sobe ao trono seu irmão Carlos X.

Nesse ano, em 27 de julho, nasce em Paris Alexandre Dumas, conhecido como Dumas fils, filho natural do escritor Alexandre Dumas père - o célebre autor de O Conde de Monte Cristo e Os Três Mosqueteiros, entre outros -, e da costureira Marie-Catherine Labay.

Quando criança, Dumas é vítima de provocações maldosas dos colegas, que o chamam de "bastardo". A triste lembrança desse período o acompanharia até o fim da vida.

Quando Alexandre Dumas pai, em 1831, alcança o auge de sua reputação literária e, consequentemente, uma situação financeira estável, reconhece publicamente a paternidade e exige a guarda do filho. A mãe tenta fugir com a criança, mas não consegue.

O pequeno Dumas é bastante parecido com o pai, mas apenas nos traços. Sua constituição física é diferente, e ele possui uma expressão séria e pensativa e um temperamento calmo e disciplinado.

Alexandre Dumas esmera-se na educação do filho e o matricula em colégios renomados, como a Instituion Goubux e o Collège Bourbon. Ao descobrir que herdara do pai a imaginação brilhante e o talento intelectual, Dumas decide abandonar os estudos para dedicar-se à literatura. Com dezesseis anos manda imprimir uma coleção de versos intitulada Pecados da Minha Juventude.

Em janeiro de 1842, com dezesseis anos, acompanha o pai em uma viagem à Itália. No ano seguinte retorna ao colégio para concluir os estudos. Dumas filho tem, nessa época, enormes dívidas.

Em 1844 Dumas pai separa-se da esposa, e o filho passa a ser seu companheiro. Dumas o introduz na sociedade dos artistas e escritores franceses, e juntos vão ao teatro, a festas e a recepções de gala. É em uma dessas ocasiões que Dumas filho conhece Marie Duplessis, uma jovem cortesã da sua idade, por quem ele se apaixona. Mas Marie está gravemente doente, acometida por tuberculose. Duplessis é amante de altas personalidades, mas isso não o impede de sentir por ela um grande e verdadeiro amor. Dumas está deslumbrado por sua elegância e sua vida de luxo.

Logo depois Dumas parte na companhia do pai em uma demorada viagem à Espanha e à África. Em fevereiro de 1847, no caminho de volta, ao passar por Marselha ele recebe a notícia do falecimento de Marie. Nesse mesmo ano Dumas escreve As Aventuras de Quatro Mulheres e um Papagaio e vários outros romances. Inspirado em Marie Duplessis, ele cria a personagem Marguerite Gautier, na célebre obra A Dama das Camélias, que retrata o trágico relacionamento amoroso de uma cortesã com o jovem parisiense Armand Duval. Publicado em 1848, esse romance reflete a mudança de conceito sobre o amor e a família em meados do século XVIII.

A história tem uma repercussão discreta. Dumas decide adaptá-la para uma peça de teatro; porém, no início, as companhias teatrais e os atores se recusam a montá-la por considerá-la imoral. Finalmente, em 1852, ela é representada no Théâtre du Vaudeville e alcança êxito imediato, não só na França  mas também em outros países da Europa e na América do Norte. É como se o público se identificasse imediatamente com o drama da heroína. O sucesso estrondoso de A Dama das Camélias possibilita a Dumas saldar parte de suas dívidas e ajudar a mãe.

Há um fato curioso a respeito dos nomes dos personagens dessa obra. Próximo à sepultura de Marie Duplessis há um túmulo como nome "Marguerite Gautier" gravado na lápide. É possível que o nome da personagem de seu romance tenha vindo daí, durante uma visita de Dumas ao cemitério. Além disso, existe também uma semelhança entre o nome do personagem Armand Duval e o seu próprio, Alexandre Dumas.

Em 1852 Dumas Filho começa a ter um relacionamento com Nadine Naryschkine, casada com o embaixador da Rússia na França, príncipe Alexandre Naryschkine, vinte anos mais velho do que ela. Desse relacionamento nasceriam Jeanine, em 1857, e Marie Alexandrine Henriette, apelidada de Colette, em 1860. Com Jeanine, Dumas troca correspondências regularmente, ao longo da vida. É sua filha predileta. O relacionamento extraconjugal de Nadine contribuiria para encurtar os dias do embaixador. Depois da morte do marido, Nadine e Dumas Filho, que têm uma convivência já de doze anos, se casam. Dumas então reconhece publicamente suas duas filhas.

Em 1853 o compositor italiano Giuseppe Verdi apresenta em Veneza, com grande sucesso, a ópera La Traviata, uma adaptação da obra A Dama das Camélias. NO século XX, importantes atrizes, como Sarah Bernhardt e Greta Garbo, interpretariam no cinema e no teatro a personagem de A Dama das Camélias, Marguerite Gautier.

Embora o amor proibido tenha sido sempre um tema predominante no teatro francês, para Dumas ele é quase uma obsessão. As onze peças escritas antes de 1880 apresentam o tema do amor ilícito, entretanto Dumas se considera um moralista e um educador, posição que parece um tanto contraditória.

Dumas escreve outros romances que também são adaptados para o palco e que se transformam em peças notáveis por sua habil construção. Diana de Lys, de 1853, trata do mesmo tema de A Dama das Camélias e é baseado no relacionamento do escritor com a esposa do embaixador da Rússia. Le Demi-Monde, escrita em 1855, é considerada a melhor de todas as obras dramáticas de Alexandre Dumas Filho. Alguns críticos chegam a classificá-la como um modelo exemplar do teatro do século XIX. O tema difere das duas primeiras na medida em que retrata as tentativas de uma mulher inteligente porém socialmente discriminada de reintegrar-se na sociedade.

A pela gerou muita discussão, por retratar a falsidade e a frivolidade da sociedade francesa. Em suas peças posteriores, Dumas expressa sua revolta contra o moralismo romântico, a riqueza excessiva, o puritanismo da burguesia, ataca os preconceitos sociais e levanta questões sociais e psicológicas relacionadas a dramas familiares, prostituição, adultério, divórcio e condição feminina.

Com base em sua própria experiência de vida e na personalidade de seu pai, Dumas publica, em 1858, O Filho Natural e, em 1859, Um Pai Pródigo.

Em 1867 Dumas publica um romance semi-auto-biográfico, L´affaire Clémenceau, considerado uma de suas melhores obras.

Em 1874 Alexandre Dumas Filho é admitido na Academia Francesa de Letras. Durante mais de trinta anos dominaria os palcos franceses, com peças que defendem uma moral mais livre, com a igualdade sexual entre homem e mulher, o perdão à jovem que peca por amor, o ódio ao sedutor e à hipocrisia da sociedade que força o homem a matar a mulher adúltera. Em suas obras Alexandre Dumas enfatiza a importância do casamento e o propósito moral da literatura. Entusiasticamente aplaudido por uns e causticamente criticado por outros, Dumas provoca amplas e complicadas discussões e opiniões divergentes pela forma como trata a questão moral. Obviamente trata-se de um escritor sério e coerente, de um genuíno pensador, embora sua paixão pelo paradoxo e pelo efeito dramático por vezes lhe dê um ar de artificialidade. De uma maneira ou de outra, entretanto, seu sucesso é extraordinário e inegável.

Em 1894, é condecorado pela Legião de Honra (Légion d´Honneur), a mais alta ordem de mérito do Estado francês, concedida a civis e militares, por sua contribuição à nação.

Após a morte de Nadine, em 1895, Dumas casa-se com Henriette Régnier, que era sua amante havia oito anos. Alguns meses depois, em 27 de novembro, o escritor morre em Marly-le-Roy, deixando inacabada sua última peça, Le Retour de Thèbes.

Alexandre Dumas Filho está sepultado no cemitério de Montmartre, a pouca distância do túmulo de sua heroína, Marie Duplessis.

Fonte: coleção obras-primas - grandes autores - vida e obra.

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