quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Guy de Maupassant - Uma vida


"A vida não é tão boa nem tão má como as pessoas julgam"


Uma Vida - Guy de Maupassant - Tradução Roberto Domênico Proença, uma escolha perfeita para retornar aos clássicos.

Guy de Maupassant tem uma linguagem simples, envolvente, construindo um perfil psicológico para seus personagens que apesar do estilo detalhista, esmiuçando a rotina dos mesmos, faz a construção de um tempo histórico bem detalhado, sem chegar a cansar a narrativa que transcorre de forma extraordiária.

O autor inicia o romance relatando a bela história de vida de Jeanne, história de tantas mulheres, ocorrida no final do século XIX. Guy de Maupassant deixa claro suas preferências naturalistas no início do livro citando Rousseau, e assim vai traçando sua exaltação à natureza em todo o transcurso do livro, com belas passagens como presente ao leitor, e transcorrendo a história sem deixar de nos lembrar da máxima (o homem é bom, a sociedade o corrompe).

Assim Jeanne, filha única do nobre barão Simon-Jacqes Le Perthius des Vauds, recém saída de um convento sentindo-se livre como a natureza: "Jeanne, que no dia anterior havia saído do convento, livre para sempre e propensa a usufruir todos os prazeres da vida com que vinha sonhando fazia muito tempo, ..." vê sua vida muda radicalmente em pouquíssimo tempo. Já casada vê seu mundo desmoronar. Seu amor, seus sonhos de juventude desde a noite de nupcia mal processada, verdadeira surpresa à cara jovem, a fazem viver em um estado de letargia de vida, mantendo as convenções sociais em um casamento de aparência após presenciar seu marido e a ama engravidada juntos. Por orientação do pároco amigo da família, nossa cara volta-se ao lar por cumprir seu papel social, apegada apenas ao filho que espera.

O forte papel que a igreja exercia na vida das pessoas, seja camponeses ou nobres é retratado no livro, através do relacionamento com a igreja, percorrido no livro por todo o trajeto da vida da personagem. As máscaras sociais vão sendo rompidas e clareando nossa personagem da realidade do mundo. Bela passagem quando Jeanne descobre no dia do enterro da mãe que ela também tivera um amante em vida, afastando a personagem cada vez mais da naturalidade no relacionamento afetivo homem x mulher que a mesma somente vê possível quanto ao ato de procriar o que reforça a teoria religiosa para sua confusa vida.

Assim sem estrutura psicológica, cria seu filho sem limites se transformando em um jogador que arruinará sua fortuna e dias de ventura. Mas a vida dá voltas e surpresas são reservadas à cara protagonista recebendo amparo na conturbada velhice e novas perspectivas através da vida que se renova sempre.

Guy de Maupassant - Com a Revolução Industrial, ocorrida na Europa ocidental em meados do século XIX, novas oportunidades para a força de trabalho na França foram criadas. os camponeses trocaram as aldeias e vilarejos por cidades maiores, onde se tornaram parte da chamada "pequena-burguesia", caracterizada por um poder aquisitivo maior e pelo interesse na educação e na cultura. Curiosamente, com a abolição da monarquia e o estabelecimento da República, em 1870, na França, a consciência das diferenças de classes sociais aumentou. No novo Estado, o dinheiro exercia maior influência do que a posição social herdada. A burguesia rica, portanto, passou a ser considerada a aristocracia.
Outra consequência significativa desse período de transformação da humanidade ocorreu no modo de trabalho dos artesãos, que se viram forçados a trocar seus ofícios pelo trabalho monótono porém mais produtivo nas grandes fábricas.
Foi nessa época, em 5 de agosto de 1850, que nasceu em Tourville-sur-Arques, no Sena Marítimo, região no noroeste da França, Henry-René-Albert-Guy de Maupassant, filho de Gustave Maupassant e de Laure Le Poittevin, que descendia de uma família da alta burguesia normanda.
Embora seus pais fossem abastados, Guy teve uma infância infeliz, marcada pelas constantes desavenças e discussões entre os pais - Gustave era um homem dissoluto e violento, e Laure uma mulher prepotente e neurótica. Os pais se separaram em 1862, quando Guy estava com onze anos, e ele e o irmão, Hervé, seis anos mais novo, foram criados pela mãe dominadora, no Castelo de Miromesnil, na Normanda. Vivendo entre o mar e o campo, Guy cresceu amando a natureza e as atividades ao ar livre.
Os personagens de Guy de Maupassant geralmente são vítimas infelizes da ganância, do desejo ou do orgulho. Suas obras mostram o realismo da crueldade entre os seres humanos, bem como as dificuldades de relacionamento familiar e as ironias da vida. Com relação às mulheres ele era particularmente impiedoso. Raramente um personagem feminino é digno de admiração. Ao contrário de Zola, a obra de Maupassant não pretende ter alguma fundamentação teórica ou filosófica. Ele se limita a anlaisar a superfície dos fatos exteriores, e o que resulta dessa análise, por trás da ironia, é uma profunda amargura com a obstinação, a avareza e a estupidez de seus personagens. Por outro lado, suas obras são quase todas pessimistas; mesmo em suas páginas mais sensuais há um clima de grande melancolia.
Guy de Maupassant influenciaria grandes mestres do conto, entre as quais William Somerset Maugham e O. Henry.
Seu estilo de vida dissoluto e o excesso de trabalho e esforço mental contribuiram para enfraquecer sua saúde. Aos 37 anos teve complicações por sífilis, doença congênita de que ele e seu irmão eram vítimas e que levaria Hervé à morte em 1889. Passou a ter recorrentes problemas de visão, e suas faculdades mentais começaram a falhar aos quarenta anos, levando-o à demência.
Os críticos acompanharam a evolução da doença mental de Maupassant através de suas histórias semi-auto-biográficas, com temas pesicológicos, algumas das quais podem ser comparadas às visões sobrenaturais de Edgar Allan Poe
Em toda sua obra Maupassant permaneceu fiel ao ideal de simplicidade e clareza, traduzido por um linguagem límpida e segura. Seus contos, envolvido pela atmosfera de pessimismo, paixões, infelicidade e sensualidade, revelam uma grande paixão pela humanidade. A passagem para o romance obrigou-o a depurar e a aprofundar o perfil psicológico de seus personagens, a fim de construir o que denominou "os capítulos do sentimento". Entre seus trabalhos - a maioria deles inspirados em sua experiência pessoal de vida, suas observações de infância e adolescência, sua vida de burocrata e os longos passeios de barco a remo pelo Sena - destacam-se os contos de Mademoiselle Fifi (1882), Clair de Lune (1884), Contos do Dia e da Noite (1885) e os romances Uma Vida (1883), Bel-Ami (1885) e Forte como a Morte (1889).
Nos últimos anos de vida Maupassant desenvolveu um gosto exagerado pela solidão e um constante medo da morte e mania de perseguição. No dia 2 de janeiro de 1892 fez três tentativas de suicidio, cortando a garganta. Foi internado pelos amigos da clínica do doutro Esprit Blanche, em Passy, Paris. Ali passou dezoito meses praticamente inconsciente a maior parte do tempo, embora tivesse ocasionais crises de violência que obrigavam os enfermeiros a colocá-lo em camisa-de-força.
Guy de Maupassant morreu no dia 6 de julho de 1893, aos 43 anos de idade, e foi sepultado no Cemitério de Montparnasse, em Paris.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A Vila


Gênero: Suspense
Ano de Lançamento: 2004

Numa aldeia tranquila e isolada na Pensilvânia, encontra-se um pacto entre o povo da aldeia e as criaturas que residem na floresta circundante: o povo da cidade não entra na floresta, e as criaturas não entram na vila. O pacto permanece fiel por muitos anos, mas um dia...

Bem, contar o andamento de um filme de suspense é inimaginável. Fazer a releitura do filme que assisti no ano de 2006 quando fazia alguns projetos na área de psicopedagogia, muito interessante. Um filme é como um livro, quanto mais se lê e especialmente após um período de tempo considerável, a vivência fala mais forte, as percepções, enfim, as entrelinhas que o autor deixou de presente e que por uma única leitura não possamos ter observado.

Conforme  tive a oportunidade de comentar no grupo Livros & Filmes, no facebook, uma reedição (ou renovação) do grupo "Nós Todos Lemos", o filme faz refletir sobre onde mora a violência (intrínseca ao ser humano). Quando a questão da violência é tratada de forma isolada, quais consequências podem trazer ao ser humano ou grupo, quando para combatê-la umas das armas é ignorá-la como procedente da essência humana.

Interessante é a atualidade do filme por tratar questões que são inerentes a humanidade e não tão somente da era moderna. Melhor, se for feito um paralelo do filme com a atualidade podemos nos assustar ao percebermos que estamos muitas vezes por criar como forma de proteção inúmeras vilas em nossas vidas. A internet, por exemplo, não seria uma vila onde as pessoas se sentem mais seguras ao se relacionar com outras? Tais relacionamentos seriam por afinidade, temas de interesse, outros, enfim, está construída a suposta 'vila segura' , ou seria aldeia, mas o espaço está criado e não redime ao ser humano a responsabilidade de saber até onde vai sua vivência nesta ilha online para que não perca o contacto com a realidade, esta do dia-a-dia, onde imaginamos haver tantas e tantas formas de violência.

Vale a pena refletir!

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Mário Quintana - O Tempo




"O tempo é a insônia da eternidade"
(Mário Quintana - 80 anos de Poesia)

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