sábado, 31 de julho de 2010

Paulo Roberto de Aquino Ney -
metáforas da alma - poesia



Ontem fui dormir bêbada de poesia e acordei zonza de Aquino. Não há como falar em poesia sem falar em Paulo. Um poeta "que ainda vai morrer de Poesia!". É exatamente esta a sensação quando se lê suas poesias e aquela de "use e abuse". Paulo de Aquino foi descoberto por duas gerações de minha família sem que ainda tenhamos a oportunidade de olharmos nos olhos. Não há como escapar de suas poesias. Vou tentar me conter e não dissecar seu livro neste espaço. Vou tentar não relatar as merecidas homenagens, nacionais e internacionais, nem dizer que Paulo Ney é filho dos Goytacazes (RJ) pois tudo isto já foi dito no Instituto Campista de Literatura, na Academia Fluminense de Letras, no Instituto Campista de Literatura e o Dr. Austregésilo de Athayde já bem o declarou entre os melhores sonetistas do país. Para João Rodrigues, 'O PONTO', quem o escreveu "tem gabarito bastante para a imortalidade". Bom, vamos ao que interessa:

"O PONTO

Era uma vez um ponto, um ponto pequenino,
que queria ser mais que um ponto... e um dia, então,
Deus lhe deu, na aparência, o mágico destino
do belo e singular ponto de exclamação.

Feliz, a carregar aquele traço fino,
igual, na vertical, ao traço de união,
nem percebeu na hora o grande desatino
que haveria de vir daquela interjeição.

O tempo foi passando, e o ponto, sob o peso
do traço, foi perdendo o seu aspecto coeso,
e curvou-se, afinal, numa interrogação:

- O que será de mim nas mãos do analfabeto?
Quisera ser, de novo, um ponto irrequieto,
singelo em qualquer língua, exato em qualquer mão!


Ney, Paulo Roberto de Aquino,
Metáforas da alma : poemas / Paulo Roberto de Aquino Ney. Campos dos Goytacazes, RJ: Editora da Academia Campista de Letas, 2004.

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Coral da Cidade de Macaé/Coral Petrobras Bacia de Campos: regência Wilson Santos Souza



A Sociedade Musical Macaense apresentou no dia 28 de julho de 2010, no teatro do SESI, na cidade de Macaé, Estado do Rio de Janeiro, em noite inédita talento, beleza, emoção: Coral da Cidade de Macaé / Coral Petrobras Bacia de Campos / Regência: Wilson Santos Souza
"Wilson dos Santos Souza formou-se no curso de Licenciatura em Música da UN-RIO e no curso de Regência Coral nos Seminários de Música Pró-Arte, sob orientação do professor Carls Alberto Figueiredo. Foi aluno em workshops ministrados por grandes regentes, tais como Eph Ely, Lutero Rodrigues, Júlio Moretzsohn, Joseph Pratz, Samuel Kerr, David Junker, Eduardo Fernandes, Edu Larkschevitz, Juan Tony Gusmán, entre outros. Atuou como regente assistente nos Festivais de Música Antiga e Colonial de Jiz de Fora em 1995 e 1996. Atuou nestes mesmos anos como regente convidado do Coral "Primus Choralis" de São João Del Rey. Regeu ainda em Macaé, durante onze anos, o Coral "Vozes de Macaé". É regente do Coral da Cidade de Macaé desde a sua fundação. Em Macaé rege também o Coral Petrobras UO-BC. Exerce ainda a função de professor de "Prática Coral" e "Teoria e Percepção Musical" na Escola Municipal de Artes Maria José Guedes."

Coral da Cidade de Macaé:
"O Coral da Cidade de Macaé foi fundado em fevereiro de 2003 com a proposta de congregar pessoas dos diferentes segmentos da sociedade macaense. É mantido pela Fundação Macaé de Cultura, pertencendo mais especificamente à Escola Municipal de Artes Maria José Guedes e é formado em sua maioria por pessoas da comunidade e por alguns funcionários da Prefeitura e alunos da Escola Municipal Maria José Guedes. Fez sua primeira apresentação em 21 de maio de 2003. Participou do Encontro Regional de Corais de Cabo Frio de 2003, 2004 e 2005. Cantou na inauguração da EMART em 2006 e em 2007 apresentou-se na série "Quartas Culturais". Em 2008 participou do projeto 2a de Primeira da FMC do Cantapueblobrasil, importante encontro latino americano de corais, tendo se apresentado num importante concerto no Parque das Ruínas, em Santa Tereza, Rio de Janeiro. Sempre com o objetivo de divulgar a música coral, levando-a todos os segmentos da sociedade, o coral tem se apresentado também em escolas da rede pública e privada de Macaé sempre que é convidado. Tem realizado uma vez por ano um concerto de gala no Teatro Municipal de Macaé. Possui um repertório que percorre o erudito, o popular, incluindo também o folclórico e o regional."
Wilson dos Santos Souza - Regente
Frederico Neves de Aguiar - Pianista e Assistente de Regência

Coral Petrobras Bacia de Campos
"Criado em 19 de junho de 1989, o Coral Petrobras Bacia de Campos tem por objetivo promover, através do canto, o engajamento da força de trabalho no que diz respeito à divulgação da Missão e dos Valores da Companhia, bem como a integração dos participantes, tendo como premissa o Código de Ètica Corporativo e os princípios de Responsabilidade Social e Ambiental da Empresa.
Composto por 40 integrantes, o Coral Petrobras Bacia de Campos é regido pelo maestro Wilson dos Santos Souza, acompanhado pelo músico tecladista Marcos Caê. Com um repertório de Música popular Brasileira e alguns clássicos, o grupo vem dando grande brilhantismo às suas apresentações dentro da Companhia, nos municípios da área de abrangência da Bacia de Campos, ou em cidade de vários estados brasileiros onde o Coral é convidado a se apresentar."

Wilson dos Santos Souza - Regente
Marcos Caê - Piano

Programa
Coral da Cidade de Macaé:
John Leavit/Kyrie
José Maurício Nunes Garcia/Sepulto Domino
José Maurício Nunes Garcia/Popule Meus
Caetano Veloso/Canto do Povo de Um Lugar
Folclore Mineiro/A Lua Girou (ver vídeo)
Gilberto Gil/A Mulher de Coronel
Tom Jobim/Aloysio de Oliveira/Dindi
Caetano Veloso/Soy Loco Por Ti America

Coral Petrobras Bacia de Campos
Tom Jobim e Newton Mendonça/Samba de Uma Nota Só
Sérgio Brito/Epitáfio (ver vídeo)
Milton Nascimento/Caçador de Mim
Milton Nascimento/F. Brant/Encontros e Despedidas
Tim Maia/Descobridor dos Sete Mares
Ismael Netto e Antonio Maria/Valsa de Uma Cidade
Pardal (Carlos Barreto)/Família Encrencada
Gilberto Gil/Domingo no Parque

Participação Especial: Marcelo Pereira (percussão)
Haendel/Hallelujah
Para encerrar, cantaram Haendel/Hallelujah, participação especial: Maria Luisa Urquiza Lundberg - Piano e Ary Barroso/Aquarela do Brasil.

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Beethoven: a música e a vida - Lewis Lockwood


(PÁGs. 26, 27; LOCKWOOD, Lewis - Beethoven: a música e a vida)
Beethoven : a música e a vida / Lewis Lockwood ; tradução de Lúcia Magalhães e Graziella Somaschini. - São Paulo : 2a. ed. Conex, 2005.
www.editoraconex.com.br

AVISO: vou excluir este tópico em breve pois não consegui ler o livro.

Parece que a beleza da vida começa em um caderno (ou seria em uma capa...).
"Minha querida e gentil Emilie, querida amiga!

Minha resposta à sua carta vai chegar atrasada.Uma grande quantidade de trabalho e uma enfermidade persistente podem me desculpar. O fato de que estou aqui para recuperar minha saúde comprova a verdade de minhas desculpas. Não roube a Haendel, Haydn e Mozart os seus lauréis. Eles os merecem, mas eu ainda não mereço nenhum.
A capa de livro que bordou será guardada como um tesouro, junto com outras provas de consideração que muitas pessoas me dispensaram, mas que ainda estou longe de merecer.
Persevere, não apenas pratique sua arte, mas se esforce também para compreender seu significado interior; merece o esforço. Porque apenas a arte e a ciência podem elevar os homens ao nível dos deuses. Se algum dia, minha querida Emilie, tiver o desejo de possuir qualquer coisa, não hesite em me escrever. O verdadeiro artista não tem orgulho. Ele vê, infelizmente, que a arte não tem limites. Ele tem uma vaga percepção de quão longe ainda está de seu objetivo; e, embora outros possam talvez admirá-lo, ele lamenta ainda não ter chegado ao ponto, caminho que seu melhor talento apenas ilumina como um sol distante. Eu preferiria visitá-la, e à sua família, que visitar muitas pessoas ricas que traem a si mesmas com a pobreza do íntimo do seu ser. Se algum dia for a H., visitarei você e sua família. Não conheço maior privilégio do que ser incluído entre as melhores criaturas de seus semelhantes. Onde eu as encontro, aí também encontro o meu lar.
Se quiser me escrever; querida Emilie, mande sua correspondência diretamente para Teplitz; onde permanecerei por mais quatro semanas. Ou mande-a para Viena. Realmente não importa. Pense em mim como um amigo, seu e de sua família.
Ludwig van Beethoven


O que teria de comum e especial uma menina, um poeta, um músico, eu, você,... Uma capa, quem sabe... Ler a carta recebida por Beethoven é lembrar das palavras de Ferreira Gullar que conta uma história real e muito engraçada de um caderno amigo que ele mesmo confeccionou. É lembrar que vez por outra a casa da gente vira uma fábrica de capas e lembrar como deveria ser bela a capa carinhosamente recebida.

Adentrar "Beethoven: a música e a vida" não é tarefa fácil especialmente quando se é um indivíduo comum e praticamente ser consciente de não entender nada de música. Ao abrir o livro, a surpresa: o incentivo a se adentrar por novos caminhos vem do próprio personagem principal, Beethoven, considerado um gênio em sua especialidade. O autor conduz com leveza e poesia a fascinante aventura do maior compositor de todos os tempos. Combinando a vida e a obra de um artista singular, Lewis Lockwood narra a infância de Beethoven em Boon, seu prodigioso talento ao piano, sua viagem para Viena em busca de Mozart, o início da surdez - :(, a solidão cada vez maior e a revolta contra as exigências do mercado.

O leitor é convidado a realizar uma viagem pelas sonatas, quartetos, sinfonias e concertos, texto claro e fluente. Peca somente por não conter um cd comemorativo. Isto, nada que uma coleção de banca não supra.

"(...)Nos dias 17 de julho de 1812, enquanto estava num spa em Teplitz, escreveu uma carta angustiada a uma mulher sem nome, que foi batizada pela história como a "Amada Imortal". No momento, entretanto, vamos voltar a outra carta que Beethoven escreveu imediatamente depois, no dia 17 de julho de 1812, para a "Senhorita Emilie M. em H." (Hamburgo, possivelmente). A jovem Emilie M., aparentemente uma menina de 8 ou 10 anos que tocava piano, havia bordado uma capa de livro que enviara a Beethoven com palavras de admiração. Embora não a conhecesse, Beethoven lhe enviou esta resposta:" (ver no início desta postagem).

O livro abre o prólogo com três cartas: juventude, maturidade, velhice; Parte I - Os primeiros anos 1770-1792; Parte II - A primeira maturidade 1792-1802; Parte III - A segunda maturidade 1802-1812; Parte IV - Os anos finais da maturidade 1813-1827, com todos os detalhes de vida e obra de Beethoven. Se as 681 páginas do livro não forem suficientes para começar a conhecer este gênio, sugiro também (com cd áudio):

"A genialidade, infelizmente, é dom que raramente faz parte da produção humana de idéias, na arte em geral, e deveria guardar-se para aqueles escassos seres humanos que realmente a merecem."



"Ludwig van Beethoven - Royal Philharmonic Orchestra - 3"
Beethoven, Ludwig van, 1770-1827 2. Compositores - Austria - Biografia. I.Mediasat Group S.A. II. Rincón, Eduardo. III. Título: Royal Philharmonic. Orchestra. IV. Série.

Esta pequena grande coleção de banca contém um livro biográfico e um CD áudio:
SINFONIA N. 6 EM FÁ MAIOR, OP. 68 "PASTORAL".

1. Allegro ma non troppo
2. Andante molto mosso
3. Allegro
4. Allegro
5. Allegretto

"Egmont", OP. 84
6 Abertura

The Royal Philharmonic Orchestra
Regente, Mark Ermler

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Ficção - Histórias para o Prazer da Leitura - Uma Antologia - Miguel Sanches Neto



"Editada por Cícero Sandroni, Eglê Malheiros, Fausto Cunha, Laura Constância Sandroni e Salim Miguel, a revista Ficção (Rio de Janeiro: janeiro de 1976 a setembro de 1979) foi um verdadeiro tributo ao conto. Com um projeto descentralizador, ela uniu província e metrópole, fazendo um mapeamento da produção contemporânea do país. A literatura brasileira de ficção da época passou necessariamente pela revista, que foi sua principal vitrine."

"Dirigida por escritores com vivências jornalísticas, Ficção criou um estilo editorial de êxito. Foi profissional e idealista ao mesmo tempo. Soube conjugar uma vocação crítica a um perfil de mercado. Falou a jovens e a escritores consagrados, fundando uma rede que ligou o país."

Antologia, paixão nacional, pelo menos é o que deixa claro o livro "Ficção - Histórias para o Prazer da Leitura, de Miguel Sanches Neto. Prefaceado sob título de "Acima de tudo contistas" o livro inicia prometendo rever os anos 70 como "a década dos contistas". E afirma que "Em nenhum outro momento este gênero foi tão praticado entre nós, consolidando tendência nacional para o texto curto, que parece ser a marca de uma literatura em que as narrativas de maior fôlego são exceções." Verdade ou não, a intenção de se registrar não somente os autores consagrados mas colocar ladeado aos mesmos o contista comum já é um mérito de louvor esta Antologia. Mas em questão de letras teria mesmo letras ditas especiais, eis a questão. Assim, autores nacionais unidos a estrangeiros compõem este belo livro-revista.

"Do ponto de vista gráfico, 'Ficção' trazia um tamanho adequado tanto para a estante quanto para a leitura mais arejada...Assim, recursos modernos de jornalismo foram postos a serviço da literatura, comprovando, graficametne, o slogan criado por Cícero Sandroni: "Histórias para o prazer da leitura". Tratava-se de um estilo gráfico contemporâneo, moderno e ao mesmo tempo sóbrio, tudo para criar um apetite de leitura.

Um conto parece fácil confecionar, mas para ser imparcial, interessante, necessita somente da 'verdade' do autor exposta. Muito antes do homem imaginar a prática dos recursos que o levariam as peripécias em ar, mar estas já se haviam concluído em sua imaginação e avançado em terra pela narrativa oral. Aventuras o arrancavam de sua vida primitiva e o levavam a patamares de sonho permitindo um retorno ao sobrenatural (e quem sabe dos Deuses).

Sumário
Amigas, ou a liberdade secreta - Sônia Coutinho
O último rei - Marina Colasanti
A Nova Califórnia - Lima Barreto
Manuela em dia de chuva - Autran Dourado
O aprendiz - Domingos Pellegrini
Um pedido de demissão - Wander Piroli
Boa de garfo - Luiz Vilela
A balada do falso Messias - Moacyr Scliar
Mágoa de vaqueiro - Hugo de Carvalho Ramos
Estrada Estreita - Luís Fernando Emediato
A verdadeira estória/história de sally can dance (and the kids) - Caio Fernando Abreu
Os mortos - Flávio Moreira da Costa
As queridas velhinhas - Salim Miguel
Zélida Tavares, cuja filha, meus Deus, que mavaldeza - Flávio José Cardozo
A resposta - Lêdo Ivo
A horta de arame - Ignácio de Loyola Brandão
Prisões - Antônio Carlos Viana
Crimes de um repórter inquieto - José Louzeiro
Interlúdio em San Vicente - João Silvério Trevisan
Os acrobatas liam Júlio Cortázar antes de subir ao trapézio - Aguinaldo Silva
Domingo tem cinema! - Roniwalter Jatobá
A igreja do diabo - Machado de Assis
Miss Corisco - Antônio de Alcântara Machado
Almoço de confraternização - Sérgio Sant´Anna
Coruja é bicho bom? - José J. Veiga
Não se pode mais nem relinchar em paz? - Millôr Fernandes
entre outros finalizando com o interessante conto:
O cem pés - Edilberto Coutinho

Finalizo com o texto: O varal, a missão.

A ordem chegara advinda da hierarquia máxima, para a primeira tarefa daquele tumulturado dia: pegar o saco, recolher todas as 'peças' (palavras pronunciada com muita ênfase) expostas fora do local (corredor de passagem do alojamento), observar o local anteriormente, após leitura do extenso contrato firmado entre as partes. Partira com o contrato embaixo do braço (não houve tempo hábil de leitura) e chegando ao local observara que trabalhavam concentradíssimos onde apenas alguns interrompiam a tarefa sob o olhar discreto e baixo: "bom dia". Identificara facilmente o varal atravessando o corredor de fora a fora onde pequenas peças de imprescindível e igual uso masculino, cores as mais variadas possíveis dando um colorido excepcional ao ambiente, excetuando-se uma 'peça' de tom rosado que certamente teria sido vermelha um dia a se destacar entre as demais. Surpresa se fez ante uma fila indiana, todos fortes, braços cruzados na porta da sala. Protesto geral, pensei. Já deveriam estar cientes da tarefa máxima e antes que suas peças fossem extintas estavam a reclamar direitos. 'Vai descer com a turma do mar (melhor evitar nomes oficiais)', gritara um baixinho de bigodinho fino. Tremera inicialmente, agora a atividade estava inerente a outros órgãos. Complicado seria na hora da devolução visto que a cor do uniforme deveria ser única. Retornei a cadeira imaginando quão difícil ia ser ficar sem concluir a prestimosa missão inicial. Como o saco voltou vazio imaginei logo que já fora despedida e talvez a presença da turma do mar (externa) até garantisse chegar em terra mais rapidamente. Boa sugestão, somente aí entendia a dica amiga do bigodinho. O almoço foi tipo 'Urigueler' (verificar palavra) pois minha mão entortava todos os talheres que o prestimoso enfermeiro (grudara em mim como uma cobaia em potencial), companhia certa, teimava em trazer insistindo que a fome poderia ser um mal aliado piorando a situação. 'Papa', 'Alfa', 'Victor', entonadas palavras dançavam em minha mente e cheguei a acreditar que melhor seria determinar que todos os objetos que voassem (a lembrança do filme King Kong na torre não saía de minha pobre mente) a uma distância inferior a 2km do local, incluindo pássaros, outros, retornassem à terra e transferido o varal específico da turma de branco para o heliponto como sinal de paz. Pena que não houve tempo hábil para a sugestão. Fui arrastada para o primeiro objeto que conseguiu descer naquele dia. Quanto a tarefa emergencial nem houve tempo de fazer a passagem de serviço. "Prática, prática!" Uff, acordada pela colega em meio a aula de gestão, atônita estava ante a lembrança que o próximo módulo seria a prática das possibilidades assimiladas naquele curso noturno.

(Josefa)

Ficção: histórias para o prazer da leitura / organização Miguel Sanches Neto. - Belo Horizonte : Editora Leitura,2007.
Editora Leitura Ltda.
Rua Pedra Bonita, 870 Barroca
Cep 30430-390 + Belo Horizonte + MG + Brasil
Telefax: (31) 3379-0620
www.editoraleitura.com.br + leitura@editora.com.br


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terça-feira, 20 de julho de 2010

Poemas completos de Alberto Caeiro-Fernando Pessoa /2h entre Cinema e Nobel



"O meu olhar é nítido como um girassol.
Tenho o costume de andar pelas estradas
Olhando para a direita e para a esquerda,
E de vez em quando olhando para trás...
E o que vejo a cada momento
É aquilo que nunca antes eu tinha visto,
E eu sei dar por isso muito bem...
Sei ter o pasmo comigo
Que tem uma criança se, ao nascer,
Reparasse que nascera deveras...
Sinto-me nascido a cada momento
Para a eterna novidade do mundo...

Creio no mundo como num malmequer,
Porque o vejo. Mas não penso nele
Porque pensar é não compreender...
O mundo não se fez para pensarmos nele
(Pensar é estar doente dos olhos)
Mas para olharmos para ele e estarmos de acordo.

Eu não tenho filosofia: tenho sentidos...
Se falo na Natureza não é porque saiba o que ela é,
Mas porque a amo, e amo-a por isso,
Porque quem ama nunca sabe o que ama
Nem sabe porque ama, nem o que é amar...

Amar é a eterna inocência,
E a única inocência é não pensar...


CAEIRO, Alberto, pág.11 - poemas completos / Fernando Pessoa - São Paulo : Nobel, 2008.

A carona mal humorada determinou: em duas horas retorno, estejam prontos. Neste momento traváramos um plano enquanto caminhávamos apressados naquele dia de chuva fina. Priorizar e cumprir, sem apelo emocional. Exatos 00:20 minutos faltantes para o início do filme de 01:30h. Literalmente agarrei a mão do menino e em 30 segundos descemos escadas, desviamos de passeantes despreocupados, lanchonetes e suas tentações e adentramos a Nobel. Em 00:10minutos já tinha uma pilha de livros escolhidos antes mesmo da vendedora localizar os títulos solicitados. Sempre fui firme em minhas escolhas, sem dúvidas, palavra certa (bom, regra não vale para tudo na vida, somente escolhas materiais). Reduzimos a metade ante o preço total da pilha e literalmente voamos para o cinema (Shrek) com a promessa de voltar para buscar. O príncipe, abandonado, retornou a prateleira nem tão empoeirada assim, menos mal. Caeiro, completo, exibido, ou seria pragmático, queria mesmo adentrar minha bolsa antes do tempo mas teve que se comportar, afinal, pela Pessoa que o é. Virgínia se esbaldou de rir Noite e dia só de imaginar A viagem que faria, enfim. Não contava, entretanto, que teria companhia do elefante (José) na viagem. José apenas por autor, não em viagem, que diferença. Beethoven louco para entonar A música e a vida onde Helena em bela capa aguardava solução, de Tróia.
Todos acomodados, faltando 00:05 minutos para adentrar a carruagem mágica de encontro a novos olhares em férias. Ufa! Tivéssemos mais duas horas.

Nobel - email: livrarianobelmacae@gmail.com

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Anthologie de la poésie française du XXe siècle - Édition de Jean-Baptiste Para



Le Poids Vivant De La Parole

On peut écrire, et l´on écrit;
On peut se taire, et l´on se tait.
Mais pour savoir que le silence
Est la grande et unique clef,
If faut percer tous les symboles,
Dévorer les images,
Écouter pour ne pas entendre,
Subir jusqu´à la mort
Comme un écrasement
Le poids vivant de la parole.

Guerne, Armel (1911-1980), auteur de La cathédrale des douleurs (1945), La nuit veille (1954), Jours de l´Apocalypse (1967), Le poids vivant de la parole (1983), traducteur de Melville, Henry James, Virgínia Woolf et des romantiques allemands.

Préface de Jorge Semprun

André Frénaud, 1907-1993; Guillevic, 1907-1997; Georges Schehadé, 1907-1989; André Pieyre de Mandiargues, 1909-1991; André de Richaud, 1909-1968; Jean Genet, 1910-1986; Michel Fardoulis-Lagrange, 1910-1994; Julien Gracq, 1910; André Hardellet, 1911-1974; Armel Guerne, 1911-1980; Lucien Becker, 1911-1984; Jean Cayrol, 1911-2005; Armand Robin, 1912-1961; Léon-Gontran Damas, 1912-1978; Edmond Jabès, 1912-1991; Henri Thomas, 1912-1993; Jean-Paul de Dadelsen, 1913-1957; Roger Caillois, 1913-1978; Aimé Césaire, 1913-2008; Jacques Rabemananjara, 1913; Jean Marcenac, 1913-1984; Jean Rousselot, 1913-2004; Ghérasim Luca, 1913-1994; Georges Henein, 1914-1973; Georges-Emmanuel Clancier, 1914; Jacques Prevel, 1915-1951; André Frédérique, 1915-1957; Loys Masson, 1915-1962; Jean Malrieu, 1915-1976; Rina Lasnier, 1915-1997; Claude Roy, 1915-1997;
Pierre Emmanuel, 1916-2000; Anne Hébert, 1916-2000; Maurice Chappaz, 1916; Axel Toursky, 1917-1970; Georges Aldas, 1917; Louis-René Des Forêts, 1918-2000; René de Obaldia, 1918; Alain Bosquet, 1919-1998; Renê Guy Cadou, 1920-1951; Boris Vian, 1920-1959; Max-Philippe Delavouet, 1920-1990; Andrée Chedid, 1920; Mohammed Dib, 1920-2003; Gérald Neveu, 1921-1960; Yves de Bayser, 1920-1999; Georges-Louis Godeau, 1921-1999; Claude Vigée, 1921; Frédéric-Jacques Temple, 1921; Pierre Torreilles, 1921-2005; Rouben Melik, 1921; Christian Dotremont, 1922-1979; Jean Todrani, 1922; Daniel Boulanger, 1922;
Anne Perrier, 1922; Jean-Claude Renard, 1922-1978; Georges Perros, 1923-1978; Yves Bonnefoy, 1923; Bernard Manciet, 1923; Jean Mambrino, 1923; Roger Munier, 1923; Roland Dubillard, 1923; Robert Sabatier; 1923; Pierre-Albert Jourdan, 1924-1981; André du Bouchet, 1924-2001; Henri Pichette, 1924-2000; Armand Gatti, 1924-2001; Gaston Puel, 1924; Roger Giroux, 1925-1974; Fouad Gabriel Naffah, 1925-1983; Charles Duits, 1925-1997; Maurice Roche, 1925-1997; Jacques Lacarrière, 1925-2005; Lorand Gaspar, 1925; Philippe Jaccottet, 1925; Robert Marteau, 1925; Jean-Pierre Faye, 1925; Michel Butor, 1926; Jean Sénac, 1926-1973; René Depestre, 1926; Olivier Larronde, 1927-1965; Stanislas Rodanski, 1927-1981; Jacques Dupin, 1927; Bernard Collin, 1927; André Liberati, 1927; Louis Calaferte, 1928-1994; Gaston Miron, 1928-1996; Édouard Glissant, 1928; Pierre Garnier, 1928; Joyce Mansour, 1928-1986; Alain Jouffroy, 1928; Françoise Hàn, 1928; Bernard Heidsieck, 1928; Kateb Yacine, 1929-1989; Charles Dobzynski, 1929; Paul-Marie Lapointe, 1929; Roland Giguère, 1929; Jacques Réda, 1929; Salah Stétié, 1929; Françoois Cheng, 1929; Jean-Pierre Duprey, 1930-1959; Michel Deguy, 1930; Jude Stéfan, 1930; Bernard Noel, 1930; Antoine Vitez, 1930-1990; Liliane Wouters, 1930;
e outros.

Anthologie de la poésie française du XXe siècle - Préface de Jorge Semprun - Éditon de Jean-Baptiste Para
Póesie / Gallimard / nrf

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Lélia Coelho Frota - Pequeno Dicionário - Da Arte do Povo Brasileiro - Século XX



Lélia Coelho Frota - Pequeno Dicionário - Da Arte do Povo Brasileiro - Século XX

Consigo imaginar a Lélia em um chalé, olhar pensativo, onde as montanhas se confundem com a tênue luz do dia, a meditar: 'Cultura popular', 'cultura culta', tão frágil fronteira os separa por ainda reinar o preconceito nas calorosas discussões até os dias de hoje. Que é arte, que é artesanato, o que é cultura e o que é pitoresco. Quais critérios os tem definido. Alta qualidade em um trabalho se o mesmo não for advindo de uma formação formal. Arte popular encontrada fora dos grandes centros urbanos, triste privilégio para as populações rurais, seria um preconceito estabelecido?

Lélia, a antropóloga e poeta resolve literalmente por mão às letras e diluir essas fronteiras, esclarecer equívocos e romper preconceitos. Em momento inusitado, avista seu caldeirão e resolve construir uma maravilhosa sopa de todas as letras, iniciativa pioneira em nosso país pela abrangência e profundidade, trazendo um panorama que será argumento definitivo em nosso país. Assim, mexendo seu caldo de letras das artes, procura abrir espaço, prestigiar artistas de profunda raiz popular, anônimos, por vezes, mas não menos que os ditos 'artistas cultos', provando neste recorte que não há fronteiras para o homem expressar sua visão do mundo - deste, em que vivemos, e de outros mundos possíveis, sonhados.

A escritora e crítica de arte Frota trabalhou há mais de 30 anos com a criação de fonte popular no Brasil. Publicou sobre o assunto livros pioneiros, como Mitopoética de nove artistas brasileiros, da década de 70, onde, pela primeira vez, se abriu espaço para que a obra de artistas importantes se visse a um tempo abordada sob os ângulos simultâneos da estética e das ciências sociais. Preocupação, dar voz aos artistas, com histórias de vida e olhar sobre a própria criação. Estudar ou simplesmente conhecer o universo extraordinário da visualidade de fonte popular no Brasil do século XX, é adentrar no trabalho de Lélia Coelho Frota, hoje fonte dessa referência.

Neste caldo, poderemos separar muitas saborosas colheradas. Passar a vida a produzir arte por necessidade de sobrevivência das mais variadas formas, quem já não o fez? Olho para a primeira fotografia na página de lado esquerdo iniciando o livro e me deparo com uma bela

"Colcha de retalhos 'Quilt' Dec. 70 1970s Parati, RJ Col. Alexandre Dacosta.

Na oportunidade, quem sabe uma colcha de fuxico (verificar ortografia) montaremos: Recorta-se um círculo em um papelão medido anteriormente por um vidro pequeno (pode ser de pimenta), onde a caneta faz o formato de círculo. Recorta-se o círculo com uma boa tesoura. O círculo será o padrão para o recorte do formato dos retalhos coloridos (geralmente separa-se novamente por textura de tecido onde o grosso não poderá ser confecionado junto ao fino, isto é, tecido jeans não poderá unir-se a tecido de algodão fino, p. ex.). Agulha, linha, alinhava-se o círculo, fazendo sua volta e arrematando de forma que fique idêntica a base de uma peteca. Montados inúmeros círculos, é só uni-los de forma que os coloridos fiquem desencontrados. Quanto mais diverso, melhor. Unir lateral dos círculos. Pronto, a colcha de fuxico estará pronta! Ah, não sei se este texto permanecerá aqui...mas a saudade apertou. Difícil vai ser ir adentrando no livro e confirmando quão primitivos somos, pois na hora do aperto, não tem saco de leite de plástico que não se transforme como mágica em linda bolsa de crochê (mas esta já é outra história).

Belíssimo livro!

A
Agnaldo [Agnaldo Manuel dos Santos] 1926, Itaparica/BA - 1962, Salvador/BA
Agostinho Batista de Freitas 1927, Campinas/SP - 1997, São Paulo/SP
Alcides [Alcides Pereira dos Santos] 1932, Rui Barbosa/BA
Alcides Santos 1945, Recife/PE
Ananias Elias 1925, Varre Saia/MG
Anselmo Alves dos Santos c. 1910, São Luís de Paraitinga/SP
Antônio Leão [Antônio Bezerra Leão] 194, Tracunhaém/PE
Antônio de Oliveira 1912 - 1996, Belmiro Braga/MG
Antônio Poteiro [Antônio Batista de Souza] 1925, Santa Cristina da Posse, Braga, Portugal
Arquitetura e Espaço
Arte Pública
Arthur Bispo do Rosário 1909, Japaratuba/SE - 1989, Rio de Janeiro/RJ
Artur Pereira 1920, Cachoeira do Brumado/MG - 2003, Mariana/MG
Aurelina Batista de Almeida c.1925, Santana do Araçuaí/MG


B
Bené da Flauta de Bambu Bené of the Bamboo Flute (Benedito Pereira da Silva) c. 1922, Ouro Preto/MG - c. 1978
Benedito [Benedito José dos Santos] 1937, Maceió/AL - 1998, Recife/PE
Bigode [José Alves da Silva] 1929, Goiana/PE

C
Cardosinho [José Bernardo Cardoso júnior] 1861, Coimbra/Portugal - 1947, Rio de Janeiro/RJ
Carlos Alberto de Oliveira 1952, Novo Hamburgo/RS
Carnaval
Carrancas
Celestino [José Celestino da Silva] 1952, Juazeiro do Norte/CE
Cerâmica
Chico Silva [Francisco Domingos da Silva] 1910, Alto Tejo/AC - 1985, Fortaleza/CE
Chico Tabibuia [Francisco Moraes da Silva] 1936, Casimiro de Abreu/RJ
Ciça [Cícera Fonseca da Silva] ou Cícera Lira 1935, Juazeiro do Norte/CE
Ciça de Barro Cru [Cícera Maria de Araújo] 1920, Juazeiro do Norte/CE - 1997, Juazeiro do Norte/CE
Conceição dos Bugres [Conceição Freitas da Silva] 1914, Povinho de Santiago/RS - 1984, Campo Grande/MS
Cordel

D
Dadinho [Geraldo Marçal dos Reis] 1931, Diamantina/MG
Delmira [Delmira Ferreira de Oliveira] 1933, Padre Paraíso/MG
Dezinho de Valença [José Alves de Oliveira] 1916, Valença/PI

E
Eli Heil [Eli Malvina Heil] 1929, Palhoça/SC
Elisa [Elisa Martins da Silveira] 1912, Teresina/PI - 2001, Rio de Janeiro/RJ
Expedito [Expedito Antônio dos Santos] 1933, São Pedro/PI
Ex-Votos

F
G
H
I
J

L
Lafaiete Rocha [Lafaiete Rocha Ribas] 1934, Lapa/PR - 2003, Lapa/PR
Laurentino [Laurentino Rosa dos Santos] 1937, Rio Branco do Sul/PR
Lídia Vieira 1911, Tracunhaém/PE - 1974, Idem
Louco [Boaventura da Silva Filho] 1932, Cachoeira/BA - 1992
Luiz Antônio [Luiz Antônio da Silva] 1935, Alto do Moura/PE
Luzia Dantas [Luzia Dantas de Araújo] 1937, São Vicente/RN

M
Madalena Santos Reinbolt 1919, Vitória da Conquista/BA 1977, Petrópolis/RJ
Manoel Josete Molina 1917, Bocaína/SP
Manuel da Marinheira [Manujel Cavalcanti Almeida] 1917, Boca da Mata/AL
Manuel Eudócio [Manuel Eudócio Rodrigues] 1931, Alto do Moura, Caruau/PE
Manuel Faria Leal 1938, Gamboa/RJ
Manuel Graciano [Manuel Graciano Cardoso] 1923, Santana do Cariri/CE
Maria Amélia [Maria Amélia da Silva] 1925, Tracunhaém/PE
Maria Auxiliadora {Maria Auxiliadora Silva] 1935, Campo Belo/MG 1974, São Paulo/SP
Marias - As Três Marias do Ceará
[Maria de Lurdes Cândido - M.L.C.J 1939, Juazeiro do Norte/CE
[Maria Cândido Monteiro - M.C.M.] 1961, ID.
[Maria do Socorro Cândido - M.S.C.] 1971, ID.
Maria Lira [Maria LirA mARQUES bORGES] 1945, Araçuaí/MG
Mestre Didi [Deoscóredes Maximiliano dos Santos] 1917, Salvador/BA
Mudinho [Manoel Ribeiro da Costa] 1906, Búzios/RJ

N
O
P
Q
R
S
T
U
V
X
Y
W
Z

Frota, Lélia Coelho, 1937- Pequeno dicionário da arte do povo brasileiro, século XX
Lélia Coelho Frota. - Rio de Janeiro : Aeroplano, 2005 440p.: il. 14 x 19cm.

Conceituação, pesquisa, iconografia e texto
Conception, research, iconography and text
Lélia Coelho Frota

Produção Editorial Editorial Production
Christine Dieguez

Versão para o inglês English translation
Elvyn Marshall

Aeroplano Editora e Consultoria Ltda
Av. Ataulfo de Paiva, 658 sala 402
Leblon - Rio de Janeiro - RJ
CEP 22 440-030
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