domingo, 13 de junho de 2010

Cretom: "quase conseguimos"


Tudo transcorria normalmente, nós estávamos a poucas horas do objetivo-meta-missão, velocidade além do que um cérebro possa calcular sem a ajuda da grande máquina não fosse a percepção aguçada de Cretom X2.8 para um feixe de luz em determinado ponto do imenso tubo negro que se fazia rotineiro naqueles tempos de treinamentos constantes. Parecia que rápido flash abrira nova janela espacial. Poderíamos seguir entretanto a curiosidade dominou a nave que recuou em rebelia aos sinais de comando automáticos leves a princípio bip, bip, bip passando a ensurdecedores ao evidenciar a perda de controle daquele equipamento biip, biiip, biiiip,....Na certeza de que nada mudaria a rota de Cretom X2.8, fechara os olhos aguardando a chegada ao local observado. Somente acreditara que atravessamos a janela de luz quando notei minha pele transfigurada sendo impossível definir sua cor. Notara a excessiva umidade do ambiente evidenciando primitiva vida. À medida que o pensamento transcorria simultaneamente as paisagens eram modificadas. A única diferença para um sonho era a presença de cores. Matizes por melhor definir. Tudo cintilava, luz multicolorida. Interessante ver Cretom X2.8 parecendo um arco-íris liquidificado tamanha luz irradiante emitia para todos os pontos em contraponto a sua cor original feito índio pintado para dança em dias de rituais festivos. Custou a me identificar pois estava transmutada em joaninha no imenso jardim de girassóis gigantescos. Observava que transformara-se em quase perfeito grilo planante não fosse a habitual refinada educação que o limitava de emitir ruídos. A sensação de umidade provinha de que os girassóis eram alimentados por cristalinas fontes formando infindáveis lagos diferenciando pelo fato de se apresentar em sentido vertical, qual cortina em parede visto por olhos juvenis. Como chão ou piso revoadas de pássaros brincavam ao ritmo do pôr-do-sol que já influenciava na mudança do fundo de tela com variantes entre rosa, lilás a azulão tornando aquele fim de dia quase sem nuvens iluminado. O céu verde era composto por campim em leve movimento, orientado por suave brisa exalando aroma sutil qual orquestra em sinfonia onde mínimos brancos flocos feito dente-de-leão ao sabor do vento bailavam formando imagens que lembravam as conhecidas paisagens. Qual filme antigo recuando ao rolo em alta velocidade despertei ouvindo Cretom X4.8 informando o óbvio: "quase conseguimos". Escoltados por duas naves os painéis apresentavam novas instruções aquela futura desativada nave (pelo menos para as conexões X2.8 e X8.2) que retornariam a Creton para treinamentos totalmente teleguiados.
(Josefa)

Imagem arte paint: Davi Guedes

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